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Em discurso de candidatura, Lula dá recado de que não vai fazer bravata

03 de agosto de 202615min
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O presidente Lula discursou, neste domingo, na convenção nacional do PT que confirmou a candidatura dele para a reeleição à Presidência. Logo no início do discurso, o petista se comparou a Pelé, fazendo um balanço das participações do jogador em Copas do Mundo, e dele em eleições presidenciais; confira a análise de Maria Cristina Fernandes.

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Participantes neste episódio2
T

Tati

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos4
  • Discurso antissistema de Lula· PoliticaReeleição como plebiscito · Comparação com Pelé · Recado contra bravata · Foco no eleitor indefinido · Lula
  • Estratégia eleitoral· PoliticaAtração de eleitorado do PT · Eleitor indeciso · Evitar bravatas · Soberania e terras raras · Lucas Verissimo
  • Cansaço eleitoral e renovaçãoOitava candidatura de Lula · Pedido para não se cansar · Combate ao etarismo · Pedido de desculpas por erros · Sucessão de Haddad
  • Planejamento Futuro· NegociosMandato da educação · Casa dos Idosos · Financiamento de programas · Inteligência artificial · Eleitorado acima de 60 anos
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati. Boa tarde, ouvinte. Tudo bem?

TTati

Tudo bem. Tô aqui, vi uns pedaços do discurso do presidente Lula, candidato oficializado agora pelo PT à reeleição, né, a presidência. E bom, Maria Cristina vai se debruçar sobre esse discurso que foi longo e cheio de coisa. Quero dizer, falou de mulheres, falou de idosos, falou de renda, falou de educação, falou de minerais críticos de terras árabes, de soberania, de— e falou muito também, relembrou muito da história dele, do PT e da esquerda na América Latina também, né, Maria Cristina?

MCMaria Cristina Fernandes

Sim, Tati, ele falou de tudo porque foi 1 hora e 13 minutos, né? Então realmente um discurso bastante longo, mas eu acho que alguns focos que tem os recados ali. O Lula sabe que ele não tá disputando o voto de todo mundo, tem uma parcela do eleitorado que ele simplesmente não entra. E me pareceu que este discurso foi focado a resgatar uma fatia do eleitorado que já esteve com o PT, que já foi para o bolsonarismo, e que agora está sem saber em que vai votar.

Tem um eleitorado ainda definido ainda, que é este eleitorado. Como a eleição tá muito apertada entre esses dois polos, esse é o eleitorado que ele tá visando. Este eleitor indefinido, eu acho que guiou, por exemplo, ele falou de alguns temas relativos à soberania, mas ele não pronunciou a palavra soberania. E eu diria até que ele radicalizou essa, o discurso da soberania, para o vice-geral do Alckmin, que é aquela imagem da moderação, né, quando ele disse que a urna é tão competente que não aceita voto de argentino e americano.

E o Lula falou sim que as terras raras não quer entregar para chinês, não quer entregar para americano, não quer entregar para francês. As terras raras são patrimônio do país. Então teve esses recados, quer investir em defesa para ninguém vir aqui sequestrar presidente da República. É um recado para o que fizeram com Maduro lá em janeiro desse ano, né. E, mas eu não achei que ele deu esse foco todo em soberania, justamente porque esse eleitor indefinido não quer bravata.

Ele acha que esse eleitor indefinido, eu tenho acompanhado um grupo de indefinidos que tem rodadas semanais, ele nitidamente acha que o Brasil não deve fazer bravata que feche portas para a economia brasileira no comércio internacional. Então Eu acho que Lula tava atento ali. Tem um outro recado que está identificado já um certo cansaço do eleitor com seu nome. Lula é candidato pela 8ª vez, né? E ao 4º mandato, né, se ele ganhar vai ser o 4º mandato presidente da República.

E aí ele fez o quê? Se comparou ao Pelé, que teve 4 Copas, e E nem por isso a carreira dele foi abrilhantada por essas 4 Copas. É uma maneira dele tentar, digamos assim, pedir para que não se cansem dele. E eu acho que ele fez isso também quando ele, ao tentar combater a história do preconceito em relação ao fato dele ter 80 anos, é o etarismo, ele disse que a idade ajuda a você reconhecer os erros que você fez. E ele pediu desculpa pelos erros e pelas omissões.

Então tinha ali um recado também para esse eleitor cansado, que é mais do mesmo, ninguém aguenta mais Lula. E o Haddad, Fernando Haddad, também, eu acho que ele também fez uma referência ao Fernando Haddad. Se você tá cansado de mim, é só mais essa vez, porque eu já escolhi meu sucessor, que é o Fernando Haddad.

TTati

Qual é o país do futuro que eu vou lhe entregar quando você é Haddad? Depois de governar São Paulo por 8 anos, quiser ser presidente da República. Mas logo saiu diversificando também para não ficar, justamente para manchete não ser: passou o bastão para o ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro.

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. É só para dizer que são só mais 4 anos também. Eu vou entregar, aí eu vou entregar esse osso, né? Não tô agarrado nele para o resto da vida. E aí O Haddad também completou e disse que em tempos de má revolta como os de hoje, são Lula que precisa estar no poder. Então meio que fizeram um dueto ali. Então ele, eu acho que ele atacou ali a bravata, né? Ele deu o recado de que não vai fazer bravata. A gente não sabe por quanto tempo, né, Tati?

A gente nunca sabe, a gente não sabe por quanto tempo. Mas assim, ele tentou evitar a bravata na questão da soberania. Ele deu um recado ali para quem tá cansado dele. Ele sim falou das mulheres, mas é o que ele tem falado sempre, né? Ele, homem que bate mulher não precisa votar em mim. E ele pôs a Janja para falar, a primeira-dama, porque não tinha uma mulher. Alguém me observou que no palanque do Flávio Bolsonaro não tinha mulher.

Eu digo, no PT também não tinha. Teve que chamar a primeira-dama porque não colocaram nenhuma das Nem das senadoras candidatas ao Senado aqui em São Paulo, né, Simone Tebet e a Marina, para falar. E então tem essa coisa do feminicídio que ele bateu muito. E para essa coisa da renovação, tem dois pontos que ele disse: o quarto mandato será o mandato da educação. Ele não detalhou como. O que eu acho que aí ele teve uma falha. Como será o mandato da educação?

O que haverá de diferente? Ele não avançou. Ele está prometendo que vai apresentar o programa de governo no lançamento efetivo da candidatura no dia 16, lá em São Bernardo do Campo, estádio da Milionclides, que é outra incógnita. Como é que ele vai apontar para o futuro? Relembrando, os clipes também são muito de relembrar o passado. Nascimento de Garanhuns, a vinda no Pau de Arara, a formação como metalúrgico no ABC e tudo mais.

E ele nitidamente, ao fazer esse lançamento, incluiu Cleides, quer sinalizar isso, mas a gente ainda não sabe o que que ela aponta para o futuro. Nos dois pontos que ele disse que me chamaram atenção, primeiro um programa novo que é essa Casa dos Idosos, que o Lula agora não é apenas o pai dos pobres, é filho deles também, porque ele disse que as famílias não podem cuidar, não querem cuidar dos seus velhos, os filhos não tem tempo.

E aí ele quer criar uma casa dos idosos. Não tá muito claro com que dinheiro, porque quem quer que ajude a manter um idoso numa, numa casa de uma residência para idoso sabe que isso custa caro para Dedéu. Mas ele tá, é uma das propostas dele e uma proposta meritória. A gente só não sabe como vai financiar.

TTati

E é urgente, né, Maria Cristina, se a gente pensar que a população tá envelhecendo, que a pirâmide tá invertendo, que a Previdência em pouco tempo pode quebrar. Quer dizer, essa é uma faixa da população que precisa de políticas públicas justamente para que o país continue funcionando e para que essa parte da população viva bem, né?

MCMaria Cristina Fernandes

É, e com certeza, e certamente há meios de tentar financiar isso. Por exemplo, os filhos desses idosos, se que agora ninguém quer mais partida assinada, né, o seletista virou xingamento.

TTati

Que loucura, né?

MCMaria Cristina Fernandes

Escola, né, seletista virou xingamento. Escola, você chamar uma pessoa, dizer que você é filho de seletista, é xingar uma adolescente, uma criança hoje nas escolas brasileiras. Então você vincular o recolhimento do benefício da Previdência dos filhos desses idosos, algum financiamento de um programa desse pode ser uma saída. Mas enfim, ele não detalhou como é que seria isso. E também de olho no eleitorado, que de 2018 para cá cresceu 27%, a fatia de eleitores acima de 60 anos, e a de jovens proporcionalmente se reduziu.

Então perde densidade. Então tem uma, tem uma tentativa aí do Lula estabelecer ali uma empatia com esse público que lá no início da carreira dele era avesso e que hoje, desde 2022, já está levemente mais lulista. Agora, o outro, a outra ponta que é da educação, ele falou muito inteligência artificial e tecnologia, mas não disse como essa ponta da educação, no que, como é que ele vai transformar esse quarto mandato eventualmente, se reeleito neste mandato da educação.

E então é isso, Tati. Assim, foi uma, é um discurso de muitas, muitos recados. A preocupação, a maior preocupação hoje do PT, que são esses dois inquéritos abertos na Polícia Federal para investigar o filho do presidente, o Fábio Luiz da Silva, sequer foi tangenciada no discurso. O único Lulinha que apareceu foi quando ele disse que é o Lulinha porreta em contraposição ao Lulinha paz e amor, né? Porque que Lulinha porreta é esse que enfrenta a elite colonizada, quem enfrenta o Poder Legislativo, até o Congresso, né?

Isso, o Congresso, cujos caciques eles estão negociando para não dar, não ampliar a chapa do candidato do PL, o Flávio Bolsonaro. Então é esse, chama atenção. Eu fui à convenção e é preciso dizer que você sentiu, Maria Cristina, Pois é, Tati, tem uma coisa, o público diverso, muito embora majoritariamente egresso da periferia. Agora tem uma coisa que eu não sei se eu voltarei a ver numa convenção. Espero que não seja a última convenção presidencial que eu fui.

Eu fui na do PL também. Eu fui saindo pela, lá foi na Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo. Fui saindo pela rua que dava acesso a uma avenida grande, chama-se Otto Baumgartner, lá na Cooper Transnorte. E na minha frente, saindo um pouco antes de mim, antes da comitiva do presidente sair, né, aqueles carros que eles atravessam, eles liberam tudo e passam os batedores, tinha umas pessoas com o braço levantado gritando esses refrões, esses gritos de ordem do PT e do Lula.

E você via, era um movimento de moradia, e as pessoas gritando de fato com muito entusiasmo: rua fora, né? Rua fora! Eu não vejo isso em outros partidos, eu não sei se eu vou voltar a ver, porque não sei se outros nomes do PT terão este tipo de apelo. É, mas essa foi, essa foi na saída que eu olhei e disse, estou numa convenção do Lula, né? Essa saída aí com as pessoas gritando músicas para o Lula e entoando cantos para o Lula na saída da convenção. Foi isso.

TTati

Talvez tenha ilustrado também o começo do discurso dele. Achei que ele tava muito falando do passado, né? Falou, como eu disse, falou da história dele, como você trouxe também, né, da história do PT, da organização da esquerda na América do Sul. Talvez tenha sido um bom, uma boa amostra também da história que ele construiu, do legado que ele tem, né, que como você disse, poucos no PT, porque se houvesse, muito possivelmente já tinha despontado.

Quem é que vai suceder o Lula é uma pergunta que se faz na esquerda também já há alguns anos, né.

MCMaria Cristina Fernandes

Pois é, não, como a gente não tem dúvida que ele é muito competente para fazer o balanço do seu próprio legado, mas não se trata de um balanço da carreira, trata-se de uma disputa por um quarto mandato. Então ele disse isso: ninguém constrói futuro sem ter passado. Mas espera-se que daqui a 2 semanas, né, no dia 16 de agosto, este futuro tenha um horizonte mais delineado do que o Lula pretende. Se este passado dele foi o que levou essas pessoas a ser o único candidato, a ter militantes que deixam a sua convenção gritando no meio da rua seus gritos de ordem e entoando suas canções, né, o que que ele projeta para o eleitor do futuro que não é engajado como esses seus militantes, mas que vota. Sim, e ele tá precisando de voto, Tati, sem dúvida.

TTati

Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você, até amanhã.

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