Episódios de Política

Cientista política analisa diversas disputas presidenciais e estaduais das eleições 2026

01 de agosto de 202615min
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Ao Revista CBN, o cientista político Bruno Silva aborda todo o processo eleitoral das Eleições 2026, no campo da disputa da Presidência da República e dos governos de alguns estados. Ele aborda a liderança de Lula e as indefinições ainda presentes na chapa de Flávio Bolsonaro.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
B

Bruno Silva

ComentaristaCientista político
Assuntos4
  • Tarcisio de FreitasTarcisio de Freitas · Lucas Verissimo · Expansão do Republicanos na Alesp · Bolsonarismo · Gilberto Kassab
  • Aprovação de governosRonaldo Caiado · Decisão de Ratinho Júnior · Raquel Lira · João Campos · Barbarismo e estrangeirismo · Daniel Vilela · Romeu e Romeu · Eumano de Freitas
  • Cenário Eleitoral 2026Lula · Candidatura Flávio Bolsonaro · Romeu e Romeu · Donald Trump e a NASA · Javier Milei
  • Relação entre Lula e Donald TrumpLula · Extrema-direita · Donald Trump e a NASA · Javier Milei
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PPetra

Bastante para falar sobre a política brasileira. Bruno Silva, boa tarde, Bruno.

BSBruno Silva

Olá, muito boa tarde para você, Petra. Muito boa tarde a todos os nossos queridos ouvintes. Não há dúvida, tem muitos assuntos importantes, né?

PPetra

Muitos assuntos importantes. Bom, a gente pode começar pelos índices de aprovação e desaprovação de governos em 10 estados, que foi a pesquisa Genial Quest de julho. Eu não sei se você quer começar por aí. A gente trouxe também aqui informações, né, com a nossa reportagem em Brasília sobre o prazo para definição de candidatos a vice chegando, questão de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que ainda não decidiram quem vai compor as chapas.

A gente tá monitorando isso. Já em São Paulo, governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, teve a candidatura à reeleição oficializada, né, durante a convenção estadual do partido que acontece nesse momento na capital paulista. O que que a gente pode, por onde a gente pode começar a analisar a política brasileira, Bruno?

BSBruno Silva

Vamos lá, vamos começar pelo cenário dos estados de maneira geral, porque essa rodada da Quest que mediu principalmente a aprovação dos governos estaduais, ela é importante por dois fatores, né, Petra? Primeiro, porque aqueles que vão disputar a reeleição já tem um ótimo termômetro para poder entender de que maneira as suas gestões estão estão sendo avaliadas. Não que necessariamente avaliação vai corresponder a uma intencionalidade de voto direto, mas a tendência, né, Petri, é que se as pessoas estão avaliando positivamente, estão tendo essa percepção, que é subjetiva também, né, porque nem todo mundo vai analisar objetivamente política por política.

Quando você vai perguntando e depurando política por política, isso pode variar. Talvez a pessoa entenda que o governo tá saindo um pouco melhor, sei lá, na área da segurança pública, mas tá saindo um pouco pior infraestrutura, né, consegue garantir melhores condições para o desenvolvimento do agro, mas às vezes não dá conta de resolver dilemas da saúde. Um exemplo, né. Então assim, essa percepção ela é importante porque ela vai medir muito a capacidade política desses atores.

E aí chama atenção aquelas aprovações que estão— vamos fazer um corte aqui, né, Petra— aquelas que estão acima dos 60% de aprovação positiva, né. Então você pega, por exemplo, Ronaldo Caiado em Goiás, tem 87% de aprovação. Tanto é que é interessante que é como também tem se refletido. Quando a gente olha a Quest segmentada, você vai para Goiás, as intenções de voto em Caiado são maiores, por exemplo, do que aquele que tá mais próximo do seu espectro político, que é o próprio Flávio Bolsonaro.

Então você tem um impacto direto na percepção da população nessa construção das suas opções. Você olha para o Paraná, por exemplo, Ratinho Júnior do PSD também uma aprovação muito alta, vinha enfrentando alguns desafios, disputou internamente dentro do PSD inclusive essa, essa posição né, que o Caiado acabou tomando a dianteira e ele acabou voltando para o estado para tentar de alguma maneira conceder o seu apoio para fazer o sucessor.

Também uma aprovação alta. Aí a gente vem naqueles que estão no corte de 60%. Você pega Raquel Lira do PSDB do Pernambuco. Ali tem uma disputa que é extremamente interessante porque ela, né, ali você tem uma disputa extremamente interessante porque ela vem dentro de uma lógica de reeleição. Você tem do outro lado João Campos também, que é um menino jovem que tá despontando na política, que, né, que vem tentando se consolidar como uma liderança com apoio do lulismo e tudo mais.

PPetra

Em Pernambuco, Bruno. Essa é uma disputa que a gente deve olhar muito de perto assim, quando a gente fala, é, tem que olhar muito de perto, porque me parece uma disputa muito interessante assim em Pernambuco.

BSBruno Silva

Sim, muitíssimo interessante, porque nós estamos falando também de dois políticos jovens, né, Pet? Nós estamos falando só de um ou outro, né? Dois políticos jovens também protagonizando uma disputa que é central no estado. E muitos olham inclusive para a própria liderança do João, esse desempenho do João, principalmente setores mais à esquerda, vamos dizer assim, com certo otimismo, né? Porque afinal de contas há uma ausência também de renovação de quadros políticos, principalmente mais à esquerda hoje em dia.

A gente viu que dentro do campo da direita uma geração mais jovem, vamos dizer assim, veio chegando, ganhou representação no Congresso, tem ganhado força política e tudo mais. E mais à esquerda, não é que não tem, tem, mas políticos com projeções ou com capacidade de tentar ganhar essas atenções mais nacionais, eles são poucos. Então também Por isso que todos estão observando, olhando o que tá acontecendo por ali. Depois você tem o Hélder Barbário, né, no Pará, com 66%, e Daniel Vilela em Goiás também com 64% ali da lógica das aprovações, posto que também o Caiado se afastou das atividades ali porque tá disputando as eleições, que são as eleições agora, né, tá nessa lógica de pré-candidatura para presidência da República.

Depois você vê um outro pelotão que são aqueles que estão acima de 50%, né. Então você pega Romeu Zema do Novo, 52%, Eumano de Freitas né, do PT do Ceará, 52, Tarcísio em São Paulo, 55, e Jerônimos Rodrigues na Bahia com 57, né. Então esses aqui também numa posição que estaria mais intermediária, vamos dizer assim. Você pega, por exemplo, o Tarcísio em São Paulo, quando você vai olhando para algumas segmentações de áreas, traz um desafio também para construção da sua campanha, que é onde os adversários como Haddad tentam explorar a fim de poder desgastar, né.

Como por exemplo na questão da segurança pública, que ao mesmo tempo que o governo do estado diz que os índices são melhores, há uma percepção na população de que segurança pública é um dos assuntos mais desafiadores. E aí é onde também os adversários tentam gerar um desgaste. E tem aqueles, ô Petra, que vem logo depois, que são os que têm 40% ou menos, né, que aí é onde tá o desafio nessa história toda. Quando você olha um governo que tem uma avaliação que é uma avaliação que está abaixo dos 50%, e seguindo essa, essa lógica, né, vamos dizer assim, de que amplia mais as suas chances ou diminui mais a sua chance, a gente tá dizendo que basicamente esse cara ele perde para ele mesmo.

Né, esse sujeito, essa pessoa, ela acaba perdendo para ela mesma numa eventual disputa eleitoral. Por quê? Porque não consegue justamente angariar o apoio político minimamente necessário. Esse movimento é muito parecido com aquilo que a gente tem acompanhado sempre quando das disputas nacionais, tentando observar como que o atual presidente da República está em relação à avaliação do eleitorado, né. Se essa avaliação— e o Lula sempre veio no limiar ali muito complexo, né, dessa aprovação, dessa avaliação em relação ao seu governo— se ele tá mais acima de 50% significa que suas chances são mais ampliadas.

Se ele tá menos do que 50%, significa que a própria percepção da população a respeito da sua imagem, da sua capacidade, tá mais comprometida. Eis aí o grande desafio para poder disputar uma reeleição como um todo, né? Então acho que esses, esses dados vão dando conta para a gente de mostrar, de apresentar o quanto essas disputas nos estados são muito movimentadas também. E obviamente os atuais mandatários, seja transferindo seu apoio para alguém ou seja tentando a reeleição, tem que ficar de olho nisso para poder compreender o cenário que se avizinha, né?

PPetra

Eu queria justamente pegar o gancho nisso. Bom, comentar também, né, porque aí temos a pesquisa Genial Quest, aí como a gente mencionou aqui, no sentido da aprovação, Tarcísio de Freitas em São Paulo com 55%. Eu queria só que você avaliasse um pouco. Claro, São Paulo tem um campo bastante intenso, né, de disputa política, de debate político também, e é muitas vezes um reflexo também do cenário da política nacional. E o Republicanos confirma hoje, né, a candidatura do Tarcísio para o governo de São Paulo na convenção realizada nesse sábado.

O evento teve a participação de Flávio Bolsonaro, né, também do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e de outros aliados. Eu queria só que você comentasse, eu quero também comentar uma declaração de ontem do presidente Lula, mas comentasse dessa dessa movimentação nesse sábado, um sábado importante. E também é isso, esses nomes estaduais e o reflexo e a importância que tem para política federal, para também essa eleição para presidência, né, Bruno?

BSBruno Silva

E você falou um ponto importante, né, Petra? A gente tá agora nesse período da finalização das convenções, né? Então as convenções estão acontecendo esse final de semana. Amanhã a gente tem aí também a convenção que deve lançar Lula oficialmente agora como candidato à disputa da reeleição. Mas em São Paulo tem um cenário que é interessante porque assim, né, etc. Me parece, né, observando toda a movimentação dos atores a essa altura do campeonato, nesse momento do jogo político, duas coisas.

Primeiro, observando o dado em si, essa, esse percentual de aprovação do Tarcísio, aqueles que aprovam ele, de 55%, vale lembrar que na série histórica, considerando aqui, né, o que a Quest vem medindo nos últimos tempos, ela é talvez a segunda pior em termos de melhor. Lógico, como tá acima dos 50%, isso significa que a taxa de aprovação dele é muito alta, né, ele tem uma grande possibilidade possibilidade da reeleição. Porque aí, quando a gente olha os outros cortes, né, como a própria questão das intenções de voto, ele tem uma vantagem nesse exato momento em relação a Fernando Haddad que é muito maior, é muito mais significativa, né.

Mas chama atenção que não é o melhor desempenho dele considerando toda essa série histórica. Ele já chegou a ter, para ser uma ideia, né, porque ele, do ouvinte compreender o que nós estamos falando aqui, ele já chegou a ter na série histórica, como por exemplo lá no mês de abril de 2024, ele já chegou a ter 63% de aprovação positiva. Agora ele apresenta 55%, uma RSF melhora dentro da margem de erro quando a última medição de abril, onde ele tinha 54% de aprovação por parte do eleitorado.

Ao longo da campanha, a tendência qual é que é? Que isso também possa vir a oscilar, né, Petra? Porque aí é quando você tem também o outro lado, a oposição em relação ao governante, tentando ali cutucar, chamando atenção naqueles que são os problemas. E São Paulo, a gente não pode perder uma coisa do horizonte. São Paulo, a tendência pelo menos da discussão, da disputa política, é que os assuntos polarizem e ganhem muito mais uma dimensão nacional do que somente uma dimensão, vamos dizer assim, da política paulista, da política paulistana e assim por diante, né?

Então acho que a tendência em São Paulo que aconteça muito mais isso, até porque a maneira como tá estruturada a disputa, a competição, você tem Tarcísio fazendo a defesa desse legado, mas nesse momento me parece, viu, Pétrea, escondendo, vou usar essa expressão, escondendo um pouco mais as figuras do bolsonarismo do que expondo-as sistematicamente. Veja, não tô dizendo que Tarcísio não está fazendo acompanha ali, esteja um pouco junto a Flávio, algo nesse sentido, que ele está fazendo esses movimentos, mas escondendo muito mais que qualquer outra coisa.

Tanto que o movimento que soou mais interessante foi o movimento em relação a quem? A Kassab em São Paulo. Porque Kassab já disse, olha, nós estamos aqui apoiando a candidatura do Tarcísio. E o próprio Kassab tem uma taxa de apoio em relação ao seu nome e a campanha muito elevada entre os prefeitos no interior do estado, o que garante também que muitos vão fazer campanha em seu nome. Ou seja, Né, pode haver aí na eleição de São Paulo uma saia justa muito grande para o próprio Tarcísio de Freitas, que não vai poder abraçar de maneira tão enfática assim a lógica do bolsonarismo, do qual ele é diretamente o afiliado político do ex-presidente.

Porque do outro lado você teve o Kassab, que literalmente trouxe o problema para dentro da sala quando lançou a candidatura dele como pré-candidato a vice, que agora já se sagrou como candidato, né, depois tem o registro das candidaturas. E Ronaldo Caiado a disputa presidencial pelo PSD. Então isso pode trazer em alguns momentos uma saia justa, tanto que do ponto de vista da lógica de pedir votos, a gente vai ver que vai ter uma certa divisão em relação a isso.

Uns pedindo voto Caiado, outros pedindo voto no Flávio Bolsonaro, seguindo essa lógica. Então vai ser uma disputa bem interessante, porque do outro lado, Fernando Haddad, todos os personagens políticos que o Lula acabou escolhendo para disputar as eleições aqui em São Paulo, né, que inclui aí inclusive a disputa para o Senado, a Simone Tebet, a Marina Silva, que é um time de ministros e ministros, né, como caso de Tebet, de Haddad, que eram da frente econômica, que é onde o presidente quer tentar utilizar dos dados da economia, né, para gerar algum tipo de desgaste, vão ser aqueles que vão colocar o dedo na ferida e vão fazer mais uma defesa das políticas nacionais do que necessariamente um conjunto de temas que tem a ver somente com o Estado de São Paulo, viu, Rapidinho, 1 minuto.

PPetra

Brincadeira, mas é 1 minuto mesmo. Mas enfim, tenta fazer curtinho só para a gente, porque eu quero, antes de ir para o repórter CBN, só que você comente sobre a declaração do presidente Lula nessa sexta-feira. Ele disse que a extrema-direita— eu tô com informações aqui do G1, tá? Ele disse que a extrema-direita não vai voltar a governar o Brasil enquanto ele tiver vivo, e minimizou a atuação do Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e também do Javier Milei, né, para apoiar candidatos da oposição aqui no Brasil.

Enfim, essa fala do Lula que foi durante a convenção partidária lá do PT no Ceará, né, Bruno?

BSBruno Silva

É isso, Petra. Só para ser direto aqui com o nosso querido ouvinte, que o Lula tá falando é o seguinte: ele já vem falando faz um certo tempo em entrevistas, tal, podcast, entrevista em rádio, coisa do tipo. Ele tá dizendo assim, ó: o que você tem no cenário político hoje é uma direita que não é a direita que eu estou acostumado. Isso Lula falando: é a direita que não é a direita que eu estou acostumado a disputar eleições lá atrás.

Que direita era essa? Era uma direita muito mais que tava do lado do PSDB, dos tucanos, né? Essa direita que ele tá se referindo é a direita bolsonarista. Então ele tá tentando construir uma narrativa política, uma pecha, dizendo: essa direita é uma direita extremada, desqualificada, e que vem buscando apoio internacional porque carece de apoio nacional para construção dessa candidatura em torno do nome do Flávio nesse exato momento.

Então eu quero combater isso. Qual é a ideia diante disso tudo? Tentar aproximar sobretudo o centro mais moderado, Petri.

PPetra

É isso. Bruno Silva com a gente no nosso quadro de Brasil, política aqui no Revista CBN, sempre nos ajudando a conectar, entender o que acontece, os destaques do nosso final de semana. O Bruno, que é comentarista na CBN Ribeirão Preto e aparece aqui com a gente no Revista CBN sempre aqui da hora da graça, nos ajudando a entender o contexto do Brasil, o que muito me alegra sempre, meu amigo. Obrigada pela conversa. Bom final de semana para você e bom trabalho, né? Porque final de semana não é, não é anúncio de descanso, principalmente agora.

BSBruno Silva

Não é, querida. Eu que agradeço, viu? Um grande abraço a você, um abraço forte aos nossos queridos ouvintes, né? Além de Ribeirão, Campinas também, viu, Petra? Nossa querida afiliada aí da CBN Campinas, diariamente lá com os nossos amigos. Então tá, um grande abraço a você, a toda a sua audiência, viu? Uma boa semana a todos.

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