'A eleição de Minas nunca esteve tão indefinida como agora'
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Situação do PT em Minas GeraisCleitinho Azevedo · Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes · Patrus Ananias · Repercussão da declaração de Romeu Zema · Candidatura Alexandre Kalil · Eleições estaduais
- Contexto político de Minas GeraisImportância eleitoral de Minas · Relação palanque estadual/nacional · Candidatura de Cleitinho Azevedo · Candidatura de Marcelo Haro · Candidatura de Patrus Ananias · Candidatura de Romeu Zema · Candidatura de Alexandre Kalil
Conversa de Bastidor com Bernardo Mello Franco. E aí, Bernardo, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvinte da CBN. Boa tarde, Bernardo.
A política de Minas, Bernardo, nunca foi fácil de entender, né? Nunca foi para amadores, mas desta vez a situação tá ainda mais, mais mineira, digamos assim.
Pois é, Sardenberg, a gente tá falando de um estado que é importantíssimo também para eleição nacional. Minas tem cerca de 10% dos eleitores brasileiros, é um campo de batalha tradicional nas eleições presidenciais e tem uma certa mística, né, uma tradição de que quem vence em Minas vence no Brasil. É assim desde 1989, portanto em todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, quem ganha em Minas ganha no Brasil. Muitas vezes a relação entre o palanque estadual e o palanque nacional não é assim simbiótica, vamos dizer, né.
Tem aqueles fenômenos do voto Lula-Écio, né, o eleitor que votava no Lula e no Aécio. Depois o Dilmazia, da Dilma e do Anastasia. Mas o fato é que é um estado muito importante. Todos os candidatos presidenciais estão preocupados na montagem dos palanques mineiros. E a eleição de Minas, como você falou, nunca teve tão indefinida como agora. A gente tá às vésperas do prazo final para o registro das candidaturas, e o líder em todas as pesquisas, que era o senador Cleitinho Azevedo, parecia aí com cerca de 30, 35% das intenções de voto.
Ele teve sua candidatura praticamente rifada, retirada. Ontem foi talvez o último episódio dessa novela. Para o ouvinte que não tá muito familiarizado, explicar rapidamente: o Cleitinho, ele é um desses personagens exóticos, vamos dizer assim, que as redes sociais andaram despejando na política nos últimos anos. O Cleitinho era cantor de um grupo de pagode, né, o grupo Brotos do Samba. Ele fazia vídeos meio humorísticos nas redes sociais, ganhou popularidade, se elegeu vereador e depois chegou ao Senado com uma votação muito grande.
E ele é aquele típico personagem antissistema, né, usa sempre camisa de time de futebol, fala de um jeito assim sempre muito indignado, muito inflamado, né, faz os vídeos que viralizam na hora. E tá sempre falando mal da política e dos políticos. Curiosamente, tanto ele entrou na política quanto dois irmãos, né? Um foi prefeito de Divinópolis, outro é deputado estadual. Acho que a gente já viu esse filme em algum lugar, né? Uma família que fala muito mal da política, mas que todo mundo ali na família tem algum carguinho em algum lugar, né?
Quando não é o pai, que não pode ser candidato, bota o filho. Mas o fato é que o Cleitinho entrou em conflito com o partido dele, que é o Republicanos, não vai ter a legenda. E o Republicanos ontem meio que oficializou essa retirada dele como candidato e deve apoiar um novo personagem, que é o ex-deputado Marcelo Haro. Marcelo Haro, por sua vez, veja só o currículo: ele foi um dos líderes da bancada da bola em Brasília, ele era representante dos interesses de clubes e federações de futebol, chegou a ser diretor de Ética e Transparência da CBF.
Vou repetir: Ética e Transparência da CBF. E também foi aliado próximo do ex-deputado Eduardo Cunha. Ele tá afiliado ao PP, deve ter o apoio do Republicanos, do Cleitinho, e deve ter apoio do PL, da família Bolsonaro. Com isso, ele tende a ser o candidato bolsonarista em Minas Gerais. Do outro lado, é do lado do PT, uma indefinição enorme. Ninguém queria ser candidato, Sardenberg. O PT tá muito desgastado em Minas. O governo do Fernando Pimentel foi muito mal avaliado e acabou sobrando como uma tarefa partidária para o deputado Patrus Ananias, que foi ministro do Desenvolvimento Social, é um quadro histórico do Partido dos Trabalhadores, da geração do Lula, mas que não é visto de forma nenhuma como um favorito.
Mas ele se dispôs a fazer o palanque do Lula em Minas Gerais. E aí o outro ponto curioso dessa história é o ex-governador Romeu Zema deixou o estado para o vice Mateus Simões, que era do Novo, se filiou ao PSD. E tinha muito especialista em pesquisa dizendo que o Mateus Simões era favorito, ele ia ser o novo Anastasia, aquele vice que assume, senta na cadeira, pilota a máquina, e mesmo sem ter grande carisma, sem ser muito conhecido, acaba se tornando favorito.
Pois bem, o Mateus Simões está lá embaixo nas pesquisas. Não conseguiu as adesões partidárias que ele imaginava e agora acaba de ser abandonado, acaba de ser traído pelo próprio Marcelo Haro, que era até outro dia secretário do governo mineiro. Então é um pouco nesse, nesse diapasão que vai a política mineira. Tem ainda um quarto candidato, que é o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil, ele que foi candidato na última eleição com apoio do Lula.
Mas que acabou se distanciando dos petistas, tá afiliado ao PDT e tenta uma candidatura, vamos dizer assim, uma candidatura avulsa. Ele não tem nem candidato ao Senado ainda na sua chapa. Então é nessa confusão, nesse grande pântano que a política mineira tá se movimentando nesse momento. A gente vai ter que esperar até dia 15 para saber quem de fato serão os candidatos, mas ninguém, ninguém pode ser apontado nesse momento como o franco favorito para essa eleição.