Episódios de Política

Por que Eduardo Paes e Douglas Ruas brigam pelo apoio do União Brasil, partido de Márcio Canella e Rodrigo Bacellar?

29 de julho de 20269min
0:00 / 9:49
As candidaturas de Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) travam, nos bastidores, uma batalha pelo apoio formal da federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). O que os move é o tempo de TV na propaganda partidária obrigatória, que começa no dia 28 de agosto: o apoio formal da federação aumentaria a exposição dos candidatos em 2 minutos e 29 segundos.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Carolina Tomé

HostJornalista
A

Ary Jorge Nogueira

HostAdvogado, doutor em Direito Eleitoral
Assuntos2
  • Insatisfação interna no União BrasilO Senhor dos Anéis · UBS na Rua · Rodadas Brasileirão · Composição de chapa progressista · Tempo de TV · Rodrigo Pacheco · Porto campeão
  • Eleições Rio de JaneiroCidades pêndulo · Eleições presidenciais · Eleições Rio de Janeiro · TDAH · Concessão Galeão
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Conversa de Bastidor.

?Voz B

Vamos nessa, vamos nessa, Leandro, que você tem muito a falar, muito a nos contar, né?

?Voz A

Hoje eu tenho mesmo.

?Voz B

Primeiro sobre essa briga pelo apoio do União Brasil. Por que que Eduardo Paes e Douglas Ruas estão brigando? Conte mais.

?Voz A

Olha só, seria em tese, né, um lugar para você querer distância, União Brasil. União Brasil, partido do Rodrigo Bacelar, né?

?Voz B

Que não se esqueçam disso, não se esqueçam disso.

?Voz A

Ele continua filiado, tá preso numa penitenciária federal. Inclusive, 90% dos políticos do Rio de Janeiro especulam sobre a possibilidade ou não dele delatar. Até aqui não tem nada, mas há muita preocupação com isso. União Brasil tem o Márcio Canella, que foi preso também recentemente, tá solto, vai ser confirmado candidato ao Senado. Então, em tese, É um partido para você não chegar lá muito perto, mas a política não funciona assim.

E aí o Eduardo Paes, as campanhas do Eduardo Paes e do Douglas Ruas estão travando nos bastidores uma batalha pelo apoio formal da federação, que é formada pelo União Brasil e também pelo Progressistas. E por que que essa batalha tá sendo travada? Eles querem tempo de TV. A propaganda partidária obrigatória começa na TV e no rádio no dia 28 de agosto. O apoio formal da federação aumentaria a exposição dos candidatos em 2 minutos e 29 segundos.

Isso, nas contas de um dirigente partidário do PL com quem eu conversei, isso dobra o tempo de exposição. Para o PL é fundamental, eles precisam divulgar o nome do Douglas Ruas. Eles têm um acordo ali com essa federação, eles esperam inclusive que a federação indique um novo nome para ocupar a vice do Douglas Ruas e trata esse apoio como certo, apesar da pressão do grupo do Eduardo Paes dos últimos dias. O escolhido para a vaga de vice era o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, que desistiu de concorrer, alegou motivos pessoais e agora negocia um apoio informal ao Eduardo Paes.

Se os partidos não indicarem um nome, o PL pretende escolher uma mulher da própria legenda para ser a vice do Douglas Ruas. Para o Paes, a formalização do apoio da federação representa, claro, mais tempo de TV, que para ele é importante, e é mais importante do que ele ter tempo de TV, tirar o tempo que seria do Douglas Ruas para ele se apresentar para eleitorado. Só que coloca ele numa situação complicada, um ônus. O Eduardo Paes passa o dia inteiro nas redes sociais dizendo que o Rodrigo Bacelá é bandido, que a Alerj é um bando de corruptos, e aí vai colocar o União Brasil dentro da sua chapa.

Ele cria ali um teto de vidro. E aí, se o acordo não sair, o que que o grupo do Eduardo Paes torce? Para que a federação siga a orientação da direção nacional e fique neutra, sem aderir à candidatura do Douglas Ruas. Isso é também uma possibilidade. Com quem que o Eduardo Paes passou, o grupo do Eduardo Paes passou a negociar? Com uma figura que atua nos bastidores e é importante para a política do Rio de Janeiro. Ele se chama Antônio Rueda.

Antônio Rueda é o comandante dessa federação, desse bloco partidário imenso. Só para você ter uma ideia, Bianca, o União Brasil e Progressistas, eles têm o maior tempo de TV do país. Então quando eles decidem não apoiar o Flávio Bolsonaro para presidência, eles dão um golpe duro também para o Flávio Bolsonaro. E aí o Antônio Rueda, que é o chefe geral dessa federação, ele vai disputar a Câmara dos Deputados pela primeira vez agora.

E ele contava com quem para ser eleito deputado federal? Márcio Canella. Márcio Canella foi preso, tá numa situação ali complicada. E aí ele passou a considerar outras opções. Márcio Canella não vai conseguir me ajudar tanto porque ele tá sendo investigado, preciso considerar outras opções. A outra opção é Eduardo Paes. Então tudo isso será decidido até o final dessa semana, no mais tardar no dia 4 de agosto, terça-feira que vem, que é o dia final para a União Brasil e progressistas, né, que a noiva no altar escolher o noivo, no altar escolher com quem eles vão se casar, ou se vão ficar sozinhos também, né.

Pode ter essa possibilidade, você chega no altar e vê que no fim das contas é melhor ficar sozinho.

?Voz B

Tem disso, a vida tem dessa também, tem com certeza. E você citou aí Flávio Bolsonaro, né, tem uma história dele com Márcio Canela.

?Voz A

Isso. E aí Veja o que aconteceu, né? Como o Márcio Canella ter sido preso mudou tudo. Porque a saída do Rogério Lisboa de vice do Douglas Ruas também tem a ver com isso. Rogério Lisboa nunca foi uma figura lá muito próxima ao Douglas Ruas. Aí ele vê o candidato ao Senado sendo preso, Cláudio Castro desiste de concorrer, foi alvo da Polícia Federal, também fez uma conta ali e saiu dessa chapa, alegou motivos pessoais. O Flávio Bolsonaro também fez essa conta e vetou que a mãe dele seja suplente do Márcio Canella.

O Márcio Canella deve ser confirmado candidato ao Senado, mesmo com todos esses problemas. Ele continua muito competitivo, muito competitivo com eleitorado em Belford Roxo. Ele é ex-prefeito de lá e na Baixada Fluminense também. E o Flávio Bolsonaro, pensando na campanha presidencial, que já lhe é desafiadora por natureza— desafiar o incumbente é sempre muito difícil— ele tá desafiando o presidente Lula com uma série de complicações, não tem vice, tem investigação do caso do Banco Master, vai ainda colocar a mãe e associar o sobrenome a um político que acabou de ser preso com um fuzil e tá na mira de uma investigação da Polícia Federal sobre a máfia dos combustíveis?

Desistiu disso, tirou a Rogéria Bolsonaro da suplência do Márcio Canella. E o PL comemorou isso porque a Rogéria Bolsonaro agora vai ser candidata a deputada federal e o PL espera fazer 100 mil votos com a mãe dos filhos 01, 02 e 03 do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

?Voz B

A gente segue aqui dentro do CBN Rio com conversa de bastidor, hoje estendendo um pouquinho, Leandro, prometo, porque você tem na mão aí um levantamento interessante que mostra que quase um terço das cidades do Rio são cidades pêndulo, ora votam na direita, ora no PT.

?Voz A

Isso, eu achei muito legal esse levantamento, foi feito pelo cientista político Fábio Vitor Vasconcelos. Eu recebi ele minutos antes, antes de entrar aqui no CBN Rio, e aí quis trazer, conversei com ele, peguei dados mais aprofundados, porque dialoga muito com a série de reportagens que a gente levou ao ar na semana passada, O Eleitor do Rio, em que a gente mostrou ali como votam São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Campos dos Goitacazes e Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para tentar pensar um pouco como esse eleitor vai oscilando.

E ele fez um levantamento muito legal para mostrar no estado inteiro. Se você for olhar as eleições presidenciais de 2002 a 2022, 27 dos 92 municípios do estado ora votaram nos candidatos do PT, ora votaram na direita. Então você não tem uma unidade. Niterói e Campos dos Goitacazes estão entre essas cidades que são consideradas pêndulo. Um município pêndulo, na linguagem da ciência política, é aquele que não se alinha de forma estável a nenhuma das forças políticas em disputa.

Então não dá, como a gente não disse, né, na série de reportagens, dizer assim: ah não, Campos é de direita, Nova Iguaçu é de esquerda. Não, são cidades ali que vão se mexendo. A classificação adotada pelo Fábio Vasconcelos considera o grupo de cidades que trocaram o partido vencedor no segundo turno duas ou mais vezes ao longo dos 20 anos que foram analisados. Fábio Vasconcelos é cientista político do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, Grupo de Pesquisa Representação e Legitimidade Democrática da Universidade Federal do Paraná.

E aí, veja só, para encerrar já, tem muitos dados aí para a gente explorar, mas tem um que me chamou muita atenção: o PT nunca venceu em São José do Vale do Rio Preto em Sumidouro, aqui no estado do Rio, e nunca perdeu em Rio das Flores, Laje do Muriaé e Comendador Levi Gasparian. Por que parei em Comendador Levi Gasparian? Porque era lá que morava o Roberto Jefferson, né?

?Voz B

É, Roberto Jefferson teve todo aquele acontecimento, né, ao longo da vida.

?Voz A

E esse que você tá referindo, quando ele atirou nos policiais federais na eleição de 2022. É um dado muito legal lá que o Fábio Vasconcelos levantou um pouco aqui da nossa história política do nosso Rio de Janeiro. Beleza?

?Voz B

Beleza.