Com 'pacote de bondades', Lula adota estratégia semelhante à de Bolsonaro em ano eleitoral
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Bruno Carazza
- Bondades governamentais em ano eleitoralEstratégia de Lula e Bolsonaro · PEC Kamikaze · Estímulos econômicos
- Impacto Fiscal e OrçamentárioDívida pública · Crédito subsidiado · Déficit fiscal
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Já tá com a gente na linha o Bruno Carazza, nosso comentarista, economista da Fundação Dom Cabral e que fala conosco direto de Belo Horizonte. Boa noite, Bruno, tudo bom?
Oi, Vera! Ei, Débora! Boa noite, pessoal!
Oi, Bruno! Aí de novo não tá ventando aí não, né? Porque a ventania veio do sul para o sudeste, atingiu Rio, São Paulo.
Não chegou ainda não, tem que passar a Serra da Mantiqueira primeiro, né? Aí depois chega, um dia depois chega aqui.
Prometo que Eu não vou te fazer perguntas difíceis como quem vai ser candidato ao governo em Minas Gerais, tá bom? A gente vai tratar de temas mais fáceis.
Que novela, gente!
O Bruno, na verdade, a gente vai falar do pacote prolongado aí de bondades que o Lula anunciou para melhorar a sua situação eleitoral nos últimos tempos, né? Só nos últimos dias ele anunciou apoio para empresas que sofrem com o tarifação. Distribuição de lucros do FGTS, hoje um pacote de auxílios contra os efeitos do El Niño. Tudo isso depois de uma série de outros incentivos a crédito, transferência de renda nos últimos meses.
Bolsonaro fez isso um pouco em 2022, mas a gente está vendo a PEC kamikaze turbinada?
Pois é, Vera, acho que assim, no mundo inteiro sempre foi assim, né?
Os presidentes, os governantes que buscam um novo mandato, uma reeleição, eles sempre preparam um pacote de bondades aí para o final do governo, para turbinar a economia, deixar uma sensação boa de bem-estar no eleitorado e assim aumentar as chances de reeleição ou de fazer o sucessor, né? Tem até vasta literatura econômica a respeito disso, né? Aqui no Brasil, nas disputas eleitorais recentes, a gente viu em 2022 o Bolsonaro levando isso a uma dimensão que a gente nunca tinha visto, né?
E nesse ano agora de 2026, a gente vê que o Lula tá disputando com ele também nesse quesito, né? Porque a gente até vê um paralelismo de muitas das ações, né, que o Bolsonaro tomou lá. Por exemplo, Bolsonaro fez uma desoneração dos combustíveis por causa da guerra na Ucrânia. O Lula fez a mesma coisa agora por causa da guerra lá no Irã. É o Bolsonaro liberou saque do FGTS, agora o Lula tá distribuindo lucros do FGTS. O Bolsonaro promoveu uma renegociação das dívidas da Caixa Econômica, o Lula agora faz o Desenrola.
Bolsonaro reduziu alíquota de importação, o Lula acabou com a taxa das blusinhas. Bolsonaro fez auxílio caminhoneiro para taxista, o Lula crédito subsidiário para esse mesmo público. Então Tem muitas questões, né? Bolsonaro aumentou a isenção do Imposto de Renda na época, né? Corrigiu a tabela do Imposto de Renda. O Lula aprovou a isenção até quem ganha R$5.000. E até nos valores, né? Eu fiz um levantamento aqui daquela época.
O Bolsonaro tem estudos mostrando que ele incentivou mais, injetou mais de R$270 bilhões na economia em 2022, né? Hoje os cálculos variam, mas já tem economista estimando entre entre R$200 e R$260 bilhões os estímulos do Lula agora. Tem gente até que calcula até mais, né, dependendo do tipo de cálculo. Então a gente observa isso e é reflexo desse contexto político muito polarizado, com o eleitorado dividido, uma eleição apertada.
Então os presidentes buscando a reeleição injetam dinheiro na economia tentando, tentando mais um mandato.
Pois é, Bruno, mas todas essas benesses não seriam proibidas pela legislação eleitoral? A Vera levantou essa bola aqui ontem, porque em tese beneficia o governo, né?
Sim, sim. O problema é, Débora, é que a legislação é muito frouxa, né? Legislação eleitoral brasileira é muito frouxa nesse quesito, né? Até fui dar uma olhada assim com mais atenção. Tem uma vedação que fala que o governo não pode fazer distribuição gratuita de bens, exceto exceto em caso de calamidade pública, emergência ou programas sociais que já existiam, né? E aí a gente percebe uma diferença marcante do que foram esses estímulos do governo Bolsonaro e esses estímulos agora do Lula.
Os estímulos do Bolsonaro, muitos deles eram transferência direta para o eleitor, né? Era o Auxílio Brasil, né, que é, que é o Bolsa Família, que ele passou para R$600. Esses auxílios, auxílio gás, auxílio caminhoneiro, isso é transferência direta de renda. A princípio, tudo isso era vedado. Mas aí o que que o Bolsonaro fez? Fez uma manobra no Congresso naquela época, aprovou a PEC Kamikaze, colocou isso tudo como se fosse uma emergência, e isso passou.
No caso do Lula, o Lula tá adotando uma nova, uma nova estratégia. A estratégia do Lula é muito mais conceder crédito conceder crédito subsidiado numa série de programas. Esse do Tarifaço para os caminhoneiros, para os motoristas de Uber, ou Desenrola. Então Lula não tá fazendo transferência direta, mas maior parte desses programas, né, ele usa os fundos. São medidas que a gente chama de parafiscais. E aí isso acaba não sendo combatido na legislação.
E aí tanto um quanto o outro acabam tendo essa autorização aí legal para conceder esses estímulos e ter essa vantagem indevida no pleito eleitoral.
E a rigor é como se não tivesse também furando o arcabouço, né?
Exato, exato. Porque aí tudo isso não tá entrando no cálculo, né? Mas tudo isso chega uma conta, chega uma hora que tem que se pagar essa conta, né?
Era isso que eu ia te perguntar: o que que disso vira déficit para 2027? O que que aumenta a dívida pública, que é um outro problema sério também, né?
Pois é, Vera, o governo argumenta que isso não tem impacto fiscal, né? Não tem impacto fiscal no sentido de que realmente não é algo que o governo tá fazendo gasto direto agora nesse momento. Então isso não impacta o déficit, mas isso tudo impacta a dívida, porque quando o governo ele concede um crédito subsidiado, sei lá, para o agro, para as empresas que estão sofrendo o tarifação, O que que o governo tá fazendo? O governo tá em déficit, ele não tem dinheiro para emprestar para o agro, para essas empresas, para os caminhoneiros, para os motoristas de aplicativo.
Governo não tem esse dinheiro. Então o que que o governo tem que fazer? Ele tem que pegar dinheiro emprestado, e ele pega dinheiro emprestado pagando taxa de juros de 14,25%. Quando ele empresta para esse público a 6%, a 8%, essa diferença É uma diferença que todos nós estamos pagando, né? Isso então não impacta o déficit, não impacta aí a conta no final do mês, mas isso é dívida que o governo tá assumindo. A dívida do governo tá crescendo rapidamente, né?
Passou de 80% do PIB, todo mundo já aponta que rapidamente vai chegar em 100% do PIB. Então é uma conta que tá chegando e que mais cedo ou mais tarde o governo vai ter que tomar medidas para conter o crescimento dessa essa dívida. E é isso que o governo tá empurrando para frente. Ou caso, né, o Lula não vença a eleição, é algo que o próximo presidente vai ter que lidar de uma forma ou de outra, porque não é uma situação que dá para jogar para frente. Essa hora vai chegar e vai chegar em breve.
E esse certamente vai ser um dos temas da eleição. E o Bruno vai continuar com a gente na nova, o formato do Viva Voz. Elucidando esses temas. Obrigada, Bruno!
Super animado, fera!
Vamos nessa, é semana que vem já. Obrigada, viu, Bruno? Até!