'Candidato real é o Jair Bolsonaro', diz Bernardo Mello Franco
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Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco.
Bernardo.
Boa tarde, Sandenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da CBN.
Boa tarde, Bernardo.
Bom, Bernardo, tivemos nesse final de semana as convenções que lançaram as candidaturas do lado da direita: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Bom, seu comentário.
Ah, já queria começar perguntando uma coisa aqui para o Bernardo. Pelo menos rendeu já um trabalho para a Justiça Eleitoral, que vai avaliar se pode ou se não pode fazer vídeos como aquele de inteligência artificial com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não era ele no vídeo, mas a imagem dele, né, que era emulada. E esse vídeo foi utilizado na convenção, né? Será que vai poder, não vai poder, Bernardo?
Exato, Cássia. Estamos aí diante do primeiro teste para a Justiça Eleitoral. A gente já sabia que essa seria uma eleição marcada pelo uso da inteligência artificial. Talvez a gente não esperasse é que isso ia vir tão cedo. Ainda na fase das convenções, antes do início oficial da campanha, o uso dessa tecnologia que também tem o apelido de deepfake, né? Você usar o rosto de uma pessoa que existe para dizer coisas que ela não disse.
E aí, Cássia, vai se abrir um questionamento tanto político quanto jurídico, pelo seguinte: o TSE, o órgão máximo da justiça eleitoral, ele já editou resoluções proibindo o uso da deepfake. Dizendo que não pode. E foi exatamente isso o que o Flávio fez para compensar a ausência do pai, que tá preso, tá em prisão domiciliar e portanto não pode participar da convenção. Por outro lado, o ministro Cássio Nunes Marques, que foi indicado pelo Bolsonaro e que hoje é o presidente do TSE, deu uma declaração para o Estado de São Paulo dizendo: olha, se não for para criticar os outros, pode usar inteligência artificial.
O que não pode é para fazer difamação, calúnia. Enfim, estamos aí diante de um impasse e certamente essa questão vai ser judicializada. A gente vai ter que esperar o pronunciamento da Corte Eleitoral, porque é claro que se puder, o Flávio Bolsonaro vai usar o tempo todo, né, durante toda a campanha, a figura do pai. Quem assistiu a convenção do Flávio Bolsonaro ficou justamente com essa impressão de que ele tá ali se apresentando como uma espécie de um substituto, um representante O candidato real é o Jair Bolsonaro, que tá condenado pela tentativa de golpe e tá preso dentro de casa.
O Flávio chegou a dizer que o Jair Bolsonaro iria botar a faixa presidencial no peito dele em janeiro de 2027, ou seja, dando a entender que, olha, se eu ganhar, quem vai governar mesmo é o meu pai. Mas para isso o pai tem que sair da cadeia, ele tem que ganhar eleição, tem que acontecer muita coisa. O Jair Bolsonaro, Cássia, não foi a única ausência importante na convenção do Flávio. A gente sabe que ele tentava atrair os partidos do Centrão, falamos muito disso aqui na semana passada, mas nenhum presidente de partido do Centrão compareceu.
Nem Ciro Nogueira do PP, nem Antônio Rueda da União Brasil, nem Marcos Pereira do Republicanos. E isso mostra que o Flávio ainda tá com dificuldade de montar o seu palanque para essa eleição. Outra ausência importante foi da Michele Bolsonaro. Michele, que protagonizou um embate direto com Flávio no mês de junho, ela mandou um vídeo muito protocolar no qual ela só cita o nome do Flávio uma vez, mas não apareceu, não pediu voto, não esteve no palanque.
Ou seja, deixou claro que o conflito dentro do clã continua. Quem deu as caras e acabou tomando as manchetes, ocupando o noticiário, foi o presidente da Argentina, Javier Milei. Que aproveitou para atacar o presidente Lula, para atacar o ministro Alexandre de Moraes, é tratar ali o Flávio Bolsonaro como seu representante no Brasil. A dúvida que fica é se o Milei vai ter algum voto na urna na hora da eleição lá no começo de outubro.
Bernardo Melo Franco, muitíssimo obrigado, Bernardo. Até quinta.