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Dependência econômica vs autonomia política: os desafios do Brasil nas relações exteriores

28 de julho de 20269min
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Maria Cristina Fernandes analisa a relação entre Brasil e China, visto que o país se transformou no maior importador de carros chineses do mundo. Além disso, a especialista aproveita para se aprofundar sobre as interferências externas de Trump e Milei, abordando também o telefonema de Lula com Xi Jinping, onde o presidente chinês apoiou o Brasil contra interferência externa. Ouça para entender!

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Participantes neste episódio2
T

Tati

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos2
  • Autonomia estratégica e geopolíticaBrasil e China · Importação de carros chineses · Interferência externa · Lula · Xi Jinping · Donald Trump e a NASA · Javier Milei
  • Mercado Automotivo BrasilAumento de importação de carros chineses · Tarifas para carros elétricos e híbridos · Cotas de importação · BioID · GWM · Geely
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MCMaria Cristina Fernandes

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

TTati

Oi, Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati, Nadedja, boa tarde, ouvintes.

TTati

Boa tarde, Maria Cristina. Veio exercer uma de suas especialidades, competências, que é ligar pontos para fazer com que a gente enxergue algum cenário de maneira mais clara. E hoje ela vai juntar o resultado das importações de carros chineses pelo Brasil com as notícias que a gente vem dando e repercutindo também nesse espaço, tentativas de interferência política dos presidentes da Argentina e dos Estados Unidos, certo, Maria Cristina?

MCMaria Cristina Fernandes

Isso, Tati. Me chamou muita atenção essa manchete do Valor hoje sobre a importação de carros chineses. Se a gente pega esse período de janeiro a maio, a importação aumentou 147% em relação ao mesmo período do ano passado, e o Brasil tornou-se por conta disso, o maior importador de carro chinês do mundo. No ano passado era o sexto, para a gente ver o salto. E tudo isso ajudou a compensar a redução do consumo doméstico por carro na China.

E isso se deu porque houve no dia 1º de julho Houve um aumento de tarifa para carros elétricos e híbridos, mas este aumento de tarifa veio acompanhado de uma nova cota de importação com alíquota zero para carro semidesmontado e desmontado. É uma cota que renova outra cota que já existia. O fato é que há mais de 2 anos que o Brasil adota cotas para importação de carros chineses semidesmontados e desmontados, alíquota alíquota zero.

E esta alíquota foi prorrogada por 6 meses. Essa cota vai garantir 6 meses ainda de carro com alíquota zero chegando. E eles vão formar— a previsão é que se forme estoque. E com isso, até meados de 2027, você vai ter uma presença do carro chinês no Brasil muito grande. A Associação de Montadoras reclamou E o Brasil, de fato, é o que dizem especialistas aqui na reportagem do Valor, está com tarifas menores do que grandes importadores de carro da China.

E o que que acontece? São carros que saem com carroceria e pintura, e o resto, os acessórios, vidros, pneus, a maioria também importados, são colocados aqui. Quem faz isso Na verdade, é uma fábrica que é a BioID em Camaçari, na Bahia, e diz que na verdade, quando tiver concluído a estrutura da fábrica, não vai se fazer mais tanta importação de semidesmontado, desmontado. A montagem vai ser aqui. Bem, a fábrica foi inaugurada em outubro do ano passado e até agora esta estrutura não foi concluída.

Tem duas outras chinesas se instalando no Brasil. A GWM aqui em São Paulo e a Geely no Paraná, e tem um índice de nacionalização maior. Então eu tô dando esse panorama desse mercado automobilístico no Brasil para a gente ver o que que acontece na vida real, né, da economia, enquanto o Brasil está sofrendo esse cerco. Político pelos Estados Unidos e pela Argentina. Agora, como a gente viu nessa convenção do PL, o Brasil, desde o início do tarifação, o Brasil tornou-se mais dependente da China nas suas exportações.

Mas o Brasil exporta basicamente commodities para China, são produtos agropecuários, ferro e petróleo. Não, não não exporta produtos industrializados para a China. Quem compra industrializados do Brasil são os Estados Unidos e Argentina, né? Os Estados Unidos que impuseram essa tarifa e a China— e desculpa, Estados Unidos e Argentina. Os Estados Unidos que impuseram essa tarifa e Argentina que tá agora nesse quiproquó, nessa relação bastante tensa.

Então, Tatiana Dédia, você tem aí um isolamento que pode sim, porque o que os industriais brasileiros temem é que lá na frente, quando terminar o prazo dessa alíquota zero, a China pressione por mais prorrogação, né? No momento em que o Brasil, a China aumentou, digamos assim, o apoio político ao Brasil. Vamos ver o telefonema da noite do domingo entre o presidente Lula e o presidente Xi Jinping. Neste telefonema, tanto a China quanto os Estados Unidos informaram que a China disse, o Xi disse ao Lula que apoia o Brasil contra interferências externas.

Não é uma situação muito confortável para o Brasil esse tipo de declaração. O Brasil, isso mostra que o Brasil, digamos assim, explicitaria uma certa dependência do Brasil de um apoio de uma potência para enfrentar essas interferências. E o detalhe desta, do relato deste telefonema, é que o Brasil diz na nota sobre o telefonema que houve convergência dos dois líderes em relação a a evolução de um acordo entre o Mercosul e a China, né?

Já a China, pelo menos é o que dizem, diz a agência estatal chinesa Xinhua, não fala em Mercosul, diz que a convergência foi no BRICS, que é aquele bloco onde a China é hegemônica. Aliás, a nota desta agência estatal chinesa fala duas vezes em BRICS. Então, o que que a gente— haveria alternativa para o Brasil, né, para se proteger do tarifação e para se proteger desta, deste isolamento a que os Estados Unidos e agora a Argentina estão tentando colocar o Brasil?

É difícil afirmar, mas o fato é que o que a gente tá vendo acontecer na balança comercial, e particularmente na indústria automobilística, que é um dos setores mais importantes da indústria brasileira, uma indústria que importa, é um comprometimento do futuro da economia brasileira. Este isolamento está trazendo um isolamento, e diga-se de passagem, pedido estimulado pela direita, pela extrema-direita no Brasil, e tem comprometido a indústria e tem comprometido o futuro da economia neste ponto que eu queria chegar.

TTati

Excelente. Maria Cristina Fernandes conosco ligando pontos e fazendo a gente enxergar com mais clareza os cenários políticos. Em tudo é política, porque tudo é política. Todos os dias aqui depois do Repórter CBN das 14:30. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você, até amanhã.

MCMaria Cristina Fernandes

Eu que agradeço, Tati Nader. Até amanhã, boa tarde aos ouvintes. Até amanhã.

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