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Defesa de Flávio Bolsonaro pede rejeição de ação contra vídeo com IA: 'Linha tênue entre cinismo e ingenuidade'

28 de julho de 202644min
0:00 / 44:28
A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite a ação apresentada pelo PT contra o vídeo de Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL. Confira a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio7
C

Carol

HostApresentadora
D

Débora

Host
V

Vera Magalhães

HostJornalista
D

Desirê Miranda

ReporterJornalista
J

João Rosa

ReporterJornalista
K

Karen Lemos

Reporter
S

Samanta Klein

ReporterJornalista
Assuntos7
  • Impacto do vídeo de Michelle na campanha de FlávioAção do PT contra o vídeo · Defesa de Flávio Bolsonaro · Deepfake vs. IA com aviso · Ministro Alexandre de Moraes
  • Negociacoes de Aliancas PartidariasAliança política Progressistas · Apoio de Ciro Gomes · Apoio a Eumano de Freitas (PT) · Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes · Relações de Michele Bolsonaro com o PL
  • Cenário eleitoral em Minas GeraisCandidatura de Cleitinho · Patrus Ananias · Cenário de segundo turno · Intenções de voto para presidente · Nicolas Ferreira e Benedita da Silva
  • Pesquisa eleitoralRaquel Lira · Estratégia de aliados de Lula · Divergências internas partidárias · Disputa pelo Senado
  • Esquema eleitoral com funcionários públicosDefeso eleitoral · Inauguração de obras · Trabalhadores por aplicativo · Uso político da PF
  • Liberação do FGTSDistribuição de R$ 13 bilhões · Benefício para 138 milhões de pessoas · Rentabilidade de 6,9%
  • Flávio Bolsonaro e VorcaroDepoimento à Polícia Federal · Postagem sobre Nicolás Maduro · Acusações de tráfico e lavagem · Defesa por escrito
Transcrição43 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Viva a Voz com Vera Magalhães.

?Voz B

Vera Magalhães, boa noite, tudo bem?

VMVera Magalhães

Oi, Débora, boa noite, tudo bem? Boa noite, Carol. Boa noite, ouvintes, também quem nos assiste.

CCarol

Oi, Vera, boa noite.

?Voz B

Viva Voz no ar já com carga total. Vamos a Brasília. Samanta Klein traz mais detalhes sobre a liberação dos lucros do FGTS aos trabalhadores. Oi, Samanta.

SKSamanta Klein

Débora, Vera, Carol, voltando por aqui. Boa noite. Olha, o Conselho Curador do FGTS, portanto, aprovou a distribuição de cerca de R$13 bilhões em lucros do fundo para as contas dos dos trabalhadores. Essa medida vai beneficiar aproximadamente 138 milhões de pessoas e autoriza a Caixa a fazer aquele depósito automático dos valores nas contas vinculadas. Lembrando que esse é um dinheiro que fica na conta do FGTS do trabalhador, não é algo que pode ser sacado, pode ser usado somente em algumas ocasiões.

E aí esse lucro distribuído é referente ao exercício do ano passado, deve ser pago até o dia 31 de agosto, mas pode ser viabilizado ainda nesta semana. No ano passado, o FGTS registrou um resultado positivo de R$14,6 bilhões, e aí o valor a ser distribuído, portanto, representa cerca de 89% do lucro registrado no período. E a distribuição desse montante, conforme cálculos de rentabilidade, mostram aí uma rentabilidade de 6,9%, o que representa um ganho real, já que o IPCA, índice que mede a inflação, somou 4,26% no período.

Então vão receber aquele trabalhador que tinha o saldo em conta ativa ou inativa até 31 de dezembro de 2025. Ou seja, para fazer o cálculo é preciso verificar conta por conta se o trabalhador teve diferentes empresas contratantes. Portanto, não é um valor fixo. Lembrando que A distribuição dos lucros começou, lucros do FGTS, começou em 2017, quando foi feita a primeira distribuição dos resultados dos trabalhadores com os lucros do fundo lá do exercício de 2016. Com vocês.

?Voz B

Obrigada, Samanta, pelas informações. Para o trabalhador é uma boa notícia, né, Vera? Para o trabalhador CLT. Mas pode, essa medida pode infringir a lei eleitoral?

VMVera Magalhães

Pois é, fica ali uma medida no período do defeso eleitoral que tem um caráter de produzir uma sensação de bem-estar, de que o governo tá trabalhando em favor do trabalhador. Embora a Samanta tenha falado aí das restrições, né, não pode ser sacado, etc., etc., mas é um anúncio positivo num período em que a gente já tá no defeso eleitoral. Eu tenho visto várias escapadelas aqui e ali da restrição da lei eleitoral. O que diz a lei eleitoral, né?

Que nos 3 meses que antecedem a eleição você não pode fazer anúncios de medidas que incluam novos gastos, não pode inaugurar novas obras. Então tem ali uma série de restrições para governantes que estão disputando um novo mandato no exercício da função, que estão disputando no cargo. Então vale para o presidente Lula e vale para governadores. Mas eu tenho visto muita burla a essa determinação e as redes sociais estão coalhadas de exemplos de políticos indo a inaugurações de obras ou vistoriando obras entregues lá atrás e postando isso nas redes sociais.

Dentro do período que já faz parte da restrição eleitoral. O governo também na semana passada criou, não, alguns dias, né, criou aí um grupo de estudo para elaborar medidas e para avaliar políticas para trabalhadores por aplicativo. Que que acontece nesse caso, né? Um caso típico de uma espécie de drible à proibição eleitoral. Na prática, não vai se criar nenhuma medida, mas fica passando aí para esse público, que é um público importante, um eleitorado importante que o PT até hoje não conseguiu atingir, essa ideia de que o governo tem uma preocupação com eles, de que tá atento ao assunto, quando a gente sabe que ao longo desses 4 anos Lula enfrentou muita dificuldade de pôr de pé políticas que realmente dialogassem com esses trabalhadores por aplicativos.

Então são casos em que o governo, as diretrizes de governo, as ações dos ministérios estão sendo direcionados de acordo com a agenda da campanha, num período em que a lei eleitoral já é mais restritiva em relação ao que o governante pode fazer estando no cargo. Lula também tem uma série de viagens previstas ainda, que são viagens de governo, mas que claramente vão resvalar de alguma maneira em campanha. Isso não é uma exclusividade do Lula, não é uma exclusividade do PT, tem acontecido sistematicamente desde que a reeleição foi estabelecida, porque ela cria Uma regra segundo a qual se você disputa o mesmo cargo você pode ficar, não precisa nem renunciar, nem se licenciar, nem nada.

E isso dá uma vantagem comparativa imensa aos postulantes que estão no cargo, aos incumbentes. Hoje mesmo, diante ali da pesquisa de Pernambuco, que a gente vai tratar mais para frente, fui impactada por um aviso: a Raquel Lira está ao vivo. E aí eu entrei na live da governadora de Pernambuco, ela tava simplesmente vistoriando uma obra do governador de Pernambuco como se não houvesse restrição alguma. Então, de agora em diante, vai haver muitos casos em que a gente aqui no Viva a Voz, ao longo da programação da CBN, vai esbarrar em casos de ali uma dúvida muito tenue e muito sutil sobre se tá havendo uso da máquina ou não num período que a lei eleitoral já proíbe.

Isso claramente vai cair no Judiciário, muitas vezes vai haver denúncias de adversários de que tá havendo um uso indevido da máquina fora do período permitido pela lei eleitoral, e isso vai ser um dos temas a agitar a campanha. A gente pode contar com isso.

CCarol

É o famoso uso da máquina e da tinta na caneta, né, Vera? Se a gente lembrar, na última eleição presidencial, aquele pacote de bondades do então presidente Jair Bolsonaro foi de quase R$70 bilhões. Teve de tudo, né? 13º do Auxílio Brasil, como se chamava o Bolsa Família na época, crédito consignado para quem ganhava também o benefício, auxílio para caminhoneiro, aquele pacote para baratear o custo dos combustíveis. Teve de tudo, né?

VMVera Magalhães

Se você pensar no tempo que essas medidas foram anunciadas, Carol, muitas dessas aí que você mencionou integravam a chamada PEC Kamikaze. E aí elas foram já agosto, setembro ali, com voto inclusive da oposição, porque se criou um dilema até no PT, na esquerda, de que votar contra deporia contra o Lula já, porque a campanha já tava comendo solta. E aí se criou uma exceção na lei eleitoral admitida por todos, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, que a meu ver foi complacente com aquela situação de que a pandemia tinha criado uma série de excepcionalidades que justificavam você abrir uma brecha no defeso eleitoral.

Então aí o Bolsonaro foi adiante, agosto, setembro, com a PEC Kamikaze, e lá para novembro ele fez aquela redução compulsória do ICMS dos combustíveis, que os governadores não tiveram nada a fazer e que depois o Lula é que teve de repor. Então são situações que muitas vezes são propiciadas pela própria oposição e pelo próprio Judiciário. As circunstâncias desta eleição também podem levar a algo assim. A gente teve aí o novo tarifação.

Se o governo vier com um pacote de medidas para atenuar os efeitos do tarifação junto a alguns setores atingidos, isso também eventualmente vai esbarrar na proibição da lei eleitoral de novos desembolsos em período já do defeso. E aí a gente vai ter que ver como que o Judiciário e o Congresso vão manejar essa demanda. O Congresso já parece bem disposto a aceitar abrir brechas na lei.

CCarol

Bom, a gente fala agora sobre o uso daquele vídeo com inteligência artificial, né, para simular uma fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi usado na convenção do PL no fim de semana. A defesa da campanha do Flávio Bolsonaro apresentou suas justificativas hoje ao TSE. Pediu a rejeição inclusive dessa ação. O João Rosa tem os detalhes.

?Voz B

Oi, João!

?Voz G

Oi, Débora, boa noite para você! Boa noite, Carol! Boa noite, Vera, e a todos que estão nos acompanhando aqui na CBN. Isso mesmo, a defesa do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que rejeite a ação apresentada pelo PT contra o vídeo de Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial e que foi exibido durante a convenção nacional do PL. Essa manifestação foi enviada hoje ao TSE, onde o caso é relatado pelo presidente da corte, o ministro Nunes Marques.

Os advogados afirmam que o vídeo não viola a legislação eleitoral porque deixa claro desde o início que foi produzido com inteligência artificial e não tenta ali enganar os eleitores. Segundo a defesa, não há qualquer falsidade material nem tentativa de manipulação que afastaria a caracterização de uma chamada deepfake. Os advogados também compararam, né, o caso às manifestações realizadas durante o período em que o presidente Lula esteve preso, quando apoiadores utilizaram máscaras e representações do petista em atos públicos.

Os advogados afirmam ainda que recursos como caricaturas, charges, animações, personagens digitais e dublagem sempre fizeram parte da comunicação política e que a inteligência artificial apenas ampliou as ferramentas disponíveis. O vídeo foi exibido no último sábado durante a Convenção Nacional do PL. Na gravação, uma versão criada por inteligência artificial de Jair Bolsonaro aparece falando em primeira pessoa. Logo no início, a própria imagem informa que o conteúdo foi produzido por inteligência artificial, mas em seguida faz críticas às restrições impostas ao ex-presidente e também declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República.

Essa ação foi movida pela Federação Brasil da Esperança, que é formada pelos partidos PT, PV e PCdoB, e pede que o TSE reconheça irregularidades na exibição do vídeo vídeo e aplique as medidas previstas na legislação eleitoral, como multa e a retirada do vídeo das redes sociais. Eu volto com vocês.

CCarol

Obrigada, João. A gente falou bastante sobre isso ontem, né, Vera? É uma questão que tá dividindo inclusive os especialistas, né, do ponto de vista eleitoral. Claro que tem a discussão no Supremo se isso burlou de alguma forma as restrições impostas ao Bolsonaro, mas no âmbito do TSE, os especialistas estão divergindo sobre esse assunto, né?

VMVera Magalhães

Pois é. E me parece ali uma linha tênue entre o cinismo e a ingenuidade querer comparar um vídeo feito por inteligência artificial em que você sabe das proibições e das exigências da legislação, das resoluções do TSE para o uso desses mecanismos, e você vai ali no limite do que é permitido ou não, comparar isso com caricatura ou fantoche, marionete, sei lá, mas o boneco de papelão, né, bonecão de Olinda e outras coisas assim, não tem nada a ver.

Uma coisa é o uso da tecnologia, que por mais que você faça uma advertência de que foi usada ali inteligência artificial, produz em quem tá assistindo é uma sensação da presença do Jair Bolsonaro, com o peso eleitoral que a gente sabe que o Jair Bolsonaro tem. E sendo que aí dois problemas, como a gente já discutiu ontem aqui, um deles da ordem da legislação eleitoral, que é a coisa, diferença do que é deepfake e o que é IA com advertência, com aviso e com todas as discriminações e transparência que a lei, que a resolução exige.

E o outro problema da alçada da justiça criminal, né, do direito penal, que são as restrições impostas ao Jair Bolsonaro em razão da condenação dele por tentativa de golpe de Estado, e que foram recentemente agravadas pelo ministro Alexandre de Moraes, uma vez que houve já uma burla a essas medidas cautelares. Então parece que assim, ah, se burlou, se fechou esse caminho aqui, vamos tentar estressar esse outro aqui, vamos tentar abrir uma nova porteira por aqui, sabendo dos riscos que estamos correndo.

Quando você faz isso sabendo dos riscos que está correndo e da linha tênue que existe, não dá para depois pegar e vir dizer assim, geralmente: ah não, mas é como se fosse uma caricatura. Não é, não é da mesma natureza. E existe lei específica para o uso dessas tecnologias porque se sabe que elas têm o condão de induzir o eleitor a erro. Então não dá para dizer que é a mesma coisa. Ai, putz, desculpa, a gente nem pensou que isso daí podia dar algum B.O.

Nossa, que loucura, tal, estávamos pensando numa caricatura. Não é assim que a banda toca, né?

?Voz B

E o relator dessa ação é o ministro Cássio Nunes Marques, que foi sorteado para relatar o tema. E ele já deu uma declaração essa semana para a imprensa de que usar a IA para fazer de campanha é lícito, que não pode é usar para prejudicar alguém. Não foi em relação a essa situação, obviamente, mas já deu essa, essa dica. E a decisão dele vai ditar, né, Vera, como é que vão ser aí, como é que deve ser as campanhas de um modo geral, né, não só a campanha de Flávio Bolsonaro.

Porque a depender da decisão, se ele disser não, não teve problema nenhum, não infringiu nenhuma legislação, isso, esse tipo de artifício vai aumentar, né?

VMVera Magalhães

Exatamente. Ele deu já um spoilerzinho de que ele acha que tá tudo dentro da regra e que não houve nenhuma violação. Tá todo mundo se preparando para que na presidência ele seja mais leniente do que a ministra Cármen e muito mais do que o Alexandre de Moraes, que são os dois últimos presidentes do TSE nessa questão de infrações à lei eleitoral e às resoluções do TSE. Os dois foram numa linha muito restritiva na eleição de 2022 e na eleição de 2024.

O Cássio Nunes Marques vai dando a entender que pode não ser tão duro, por exemplo, com temas como o uso das redes sociais e impulsionamentos, questões que nos últimos anos levaram até a cassações de candidatura, a cassações de mandatos, porque os julgamentos ocorreram depois das eleições já concluídas. Então essa questão também de favorecimento eleitoral, uso da máquina, abuso de poder econômico, coisas que nos últimos anos o TSE tem sido muito duro, a gente tem mostras de que a coisa pode ser um pouco mais leve, pode ser flexibilizada na eleição desse ano.

Isso é um vetor importante. O TSE tem sido um ator importante nas últimas eleições. 2022 foi um player fundamental para alguns momentos cruciais da campanha. Então vamos ver como vai se dar a presidência dele e a primeira demonstração vai vir dessa manifestação em relação a esse vídeo.

CCarol

Aproveitando que a gente tá falando da campanha do Flávio Bolsonaro, ele iria prestar depoimento hoje às 2 da tarde à Polícia Federal naquele inquérito em que é investigado por calúnia contra o presidente Lula. Mas esse depoimento presencial foi cancelado porque o senador decidiu prestar depoimento por escrito. Segundo o próprio Supremo Tribunal Federal, ele poderia comparecer pessoalmente ou participar por videoconferência. Preferiu fazer esse depoimento por escrito.

Nesse documento foi encaminhado à Polícia Federal e também ao Supremo. Os advogados do Flávio Bolsonaro negam que o senador tenha caluniado o presidente Lula. A investigação desse caso foi aberta depois do senador fazer um comentário na rede social X sobre a captura de Nicolás Maduro, né, o presidente da Venezuela, no início do ano. Flávio publicou que Lula seria delatado e que era o fim do Foro de São Paulo. Nessa postagem ele fala ainda em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e eleições fraudadas.

Nesse documento protocolado hoje, os advogados de Flávio Bolsonaro afirmam não haver crime algum na publicação investigada. Nela foram compartilhadas duas notícias verdadeiras, seguidas de dois comentários separados e independentes entre si. É o que diz a defesa do senador. O primeiro, segundo eles, era apenas uma previsão sobre algo que poderia ocorrer no futuro, sem atribuir ao presidente Lula nenhum fato concreto. E o segundo se referia a Nicolás Maduro e apenas repetir as acusações que a justiça dos Estados Unidos imputa a ele formalmente.

Essa investigação foi aberta a pedido do Ministério da Justiça depois dos posts do Flávio no X. A Polícia Federal concluiu o inquérito em junho afirmando que o senador cometeu calúnia ao fazer uma falsa imputação de crime ao presidente da República. O Ministério Público entendeu que o Flávio deveria ser ouvido antes do encerramento do caso e da apresentação de uma eventual denúncia. É, e aí foi isso que aconteceu hoje, né? Então o Flávio Bolsonaro apresentando essa defesa por escrito. Vera, cola essa versão?

VMVera Magalhães

É, a gente vai ter que ver o que a Polícia Federal e depois o Supremo consideram, Carol, mas eu acho significativa essa decisão de mandar uma justificativa por escrito em vez de comparecer à convocação para um documento, é, para um depoimento. Eu ouvi de muitas fontes da campanha do senador Flávio Bolsonaro uma queixa de que a Polícia Federal tá atuando de forma partidarizada para influenciar a eleição. Então você pega o candidato adversário do presidente da República e o faz comparecer a um depoimento na Polícia Federal durante o período eleitoral.

Então isso geraria entrevistas na imprensa, geraria É um constrangimento, foi essa palavra que eu usei, que eu ouvi aliás, de o Flávio Bolsonaro ter de se dirigir à PF para prestar uma explicação sobre um episódio que eles consideram de menor importância, que eles acham que o STF e a PF estão de propósito maximizando, tornando ali algo maior do que é para gerar mais uma notícia negativa, mais um estresse para campanha do Flávio Bolsonaro.

Então, com essa decisão, com esse expediente, eles querem tirar o peso noticioso desse caso e até deixar claro que para eles o que existe é esse uso político da PF, para que haja um recuo, na esperança deles, de qualquer tentativa de indiciar ou abrir um processo contra o Flávio Bolsonaro por causa dessas declarações a respeito da Venezuela com o nome do Lula. Então é isso, eles querem tirar o peso do caso e fazer diluir no meio de uma série de outras notícias, seguir o barco, seguir adiante.

?Voz B

E a defesa tá a todo vapor, né? A defesa do senador Flávio Bolsonaro, que reforçou hoje no STF o pedido de investigação sobre o presidente Lula por chamar o parlamentar de traidor pátria. Flávio quer que o chefe, quer que o presidente Lula seja alvo de um inquérito por suposta ameaça, incitação ao crime, em razão de uma fala de Lula durante convenção do PDT na semana passada. Os advogados de Flávio dizem que naquela ocasião Lula repetiu as frases que levaram o senador a acionar o STF em junho contra o atual presidente.

Daquela vez, Flávio questionou o discurso que foi feito por Lula em catalão. Quando Lula chamou os bolsonaros de vendilhões da pátria e defendeu forca para traidores da pátria. Ele fez aquela confusão, né, entre Joaquim Silvério e Tiradentes. Enfim, uma nova ofensiva aqui por parte da defesa de Flávio Bolsonaro.

VMVera Magalhães

Eles querem devolver na mesma moeda. E caso o STF e a PF não procedam com o Lula da mesma maneira que procederam em relação a ele, eles vão dizer que há pesos e duas medidas no trato da mesma coisa que seria o uso da liberdade de expressão numa campanha eleitoral, porque aqui tá sendo investigado por calúnia. Então, se o mesmo não acontecer em relação ao Lula, eles vão apontar esse uso político e esses dois pesos e duas medidas.

?Voz B

Débora, a gente faz uma pausa, você fica com o noticiário da sua região, já já tem mais. Ponto Final. Tem mais Viva a Voz dentro do Ponto Final CBN. A gente vai falar das pesquisas Quest que foram divulgadas hoje com as intenções de voto para o governo de Minas Gerais e Pernambuco. Fique aí com a gente. Viva a Voz de volta. Vamos a Belo Horizonte. Desirê Miranda tem mais detalhes sobre a pesquisa Quest para o governo de Minas Gerais. Oi, Desirê, boa noite.

DMDesirê Miranda

Ei, Débora, boa noite para você e para os ouvintes. A pesquisa Quest divulgada hoje mostra que o senador Cleitinho, do Republicanos, Lidera com folga a corrida pelo governo de Minas Gerais no primeiro turno e também em todos os cenários de segundo turno testados pelo instituto. No levantamento estimulado, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto. Em seguida vem o prefeito de Belo Horizonte, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, com 12%, e o deputado federal Patrúzio Ananias, do PT, com 10%.

Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Na sequência aparecem o governador Mateus Simões, do PSD, com 6%, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, do MDB, com 4%, o influenciador Bem Mendes, do Missão, com 2%, e o ex-presidente da FIENG, Flávio Rosco, e do PL também com 2%. Maria da Consolação, do PSOL, tem 1%, enquanto Jarbas Soares Júnior, do PSB, Rafael Duda, do PSTU, Itúlio Lopes, do PCB, não pontuaram.

Os indecisos representam 15% do eleitorado e outros 13% devem anular ou votar em branco. Nos cenários de segundo turno, Cleitinho também aparece à frente dos adversários, segundo a Quest. Contra Alexandre Kalil, o senador registra 44% das intenções de voto, frente a 29% do ex-prefeito de BH. Em uma disputa com Patrulha Ananias, a vantagem de 46% contra 31%. Já em um eventual confronto com o governador Mateus Simões, Cleitinho teria 46%, enquanto Simões aparece com 15%.

A pesquisa também simulou cenários sem a presença de Cleitinho no segundo turno, já que o senador ainda não confirmou se vai mesmo disputar. Assim, Mateus Simões e Alexandre Kalil aparecem em empate técnico com 30% e 29%, respectivamente. O mesmo ocorre com uma eventual disputa entre Simões e Patrulha Ananias, Ambos registram 30% das intenções de voto. Na disputa pela presidência da República aqui em Minas, o cenário também é de empate técnico.

No primeiro turno, o presidente Lula do PT tem 30% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro do PL registra 29%. Romeu Zema do Novo, que é ex-governador do estado, aparece com 12%, seguido por Ronaldo Caiado do PSD com 4%. Os demais candidatos somam até 2%. No segundo turno, Lula teria 38% contra 35% de Flávio Bolsonaro, enquanto, enquanto brancos e nulos somam 18% e os que não sabem, 9%. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 22 e 26 de julho com 1.482 eleitores mineiros com 16 anos ou mais por meio da coleta de dados domiciliar.

A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-09333/2026 e MG-03490/2026.

?Voz B

Débora, obrigada, Desirê, pelas informações. A situação de Minas Gerais foi tema da sua coluna de hoje, né, Vera? Uma situação inusitada, né, porque o partido não tá certo de que Cleitinho vai concorrer não, e ele tá liderando as pesquisas.

VMVera Magalhães

Nunca Nunca vi isso, nunca vi isso. Parece que ninguém quer ser governador de Minas, e quem quer, o eleitor não conhece ou não quer. Então é realmente uma situação bem engraçada. Se você olha espontânea, as pessoas simplesmente não sabem quem são os candidatos. O único que é ali, se destaca na pesquisa espontânea, é o próprio Cleitinho, que já tá há um ano nesse se vai, não vai, nessa situação de dizer que não sabe se vai ser candidato, que é Deus que vai determinar se ele vai ser ou não.

Ainda aconteceu a circunstância agravante aí no fim de semana, que teve a convenção do Republicanos, mas ele não compareceu porque teve o falecimento do seu irmão. Então isso esticou um pouco mais o suspense quanto ao que vai acontecer em Minas. E disso depende toda a definição do palanque do senador Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país. Eles gostariam de ter o Cleitinho, mas se não for ele, fica uma dúvida, um vácuo ali.

Uma possibilidade que surgiu nos últimos dias é do lançamento do ex-deputado Marcelo Aro, que comanda o PP no estado de Minas, mas Mas tem uma dissidência do PL que diz que com ele não aceita ir, não concorda com a candidatura dele, etc. Assim como esse nome tirado da manga lá pelo PL, do presidente licenciado da Federação da Indústria, da FIENG, também não agrega toda a direita, que é o Flávio Rosco. E por fim, o governador Mateus Simões, que tinha como muito claro que assumindo o governo, sendo do Partido Novo, sucedendo o Zema, iria unificar toda a direita.

Isso também não se confirmou e as pesquisas não deram a ele um impulso que funcionasse como um ímã de atração da direita para o lado dele. Do lado da esquerda, a solução do Patrulha Ananias, que também foi improvisada e foi uma espécie de resta 1 ali, porque começou todo mundo a se recusar a ser candidato, Né? A gente lembra do Rodrigo Pacheco, depois Marília Campos, a mesma coisa. O Lula teve de ir lá praticamente pedir por favor por um amigo de longa data quebrar esse galho para ele.

Ele vai lá e ele até que aparece razoável, o Patrus, na estimulada. Ele tem 10%, não é 12% em outro cenário, 15%. Não tem 5 cenários e provavelmente nenhum dos 5 é o que vai valer. Lá na frente. Mas ele aparece assim pelo recall que ele tem. Ele é um nome que, dentro do desgaste do PT, sempre saiu preservado, porque a gestão dele em BH foi considerada uma boa gestão. Ele é um nome que nunca esteve envolvido em nenhum tipo de escândalo, e portanto ele tem um prestígio pessoal, a despeito do PT ser muito desgastado na capital e no estado.

Então ele larga bem. Mas não parece alguém que seja capaz de dar ao Lula um palanque ali muito sólido. Precisaria ter mais de um palanque. E as conversas com Alexandre Kalil, que foi o candidato apoiado pelo Lula na campanha anterior, essas conversas não evoluíram muito, não saíram ali meio da estaca zero. Então uma situação realmente sui generis essa de Minas Gerais.

CCarol

Agora, se você pega as intenções de voto para presidente, Vera e Débora, no eventual segundo turno, Tá tudo embolado, como era de se esperar, porque aquele estado, né, que acaba sendo decisivo. O Lula tem uma pequena vantagem, tá com 38% contra 35% do senador Flávio Bolsonaro. Dizem que quem ganha Minas ganha o Brasil, né?

VMVera Magalhães

Tem um fator que ainda não tá muito claro aí, que eu acho que pode ser muito importante se tratando de Minas Gerais, que é a influência do Nicolas Ferreira. Se você pega em qualquer pesquisa que mede quem é o principal cabo eleitoral, que é um principal puxador de votos, No estado de Minas Gerais, elas são unânimes em apontar essa importância do Nicolas Ferreira. Ela é definidora de eleição? Não. Na eleição para prefeitura de BH, o candidato que era aprovado por ele não venceu, perdeu a eleição para o então prefeito, que depois veio a falecer, mas o Fuad Nomã.

Mas a gente sabe que ele é muito importante, ele próprio vai ser candidato a deputado, então ele vai estar mais engajado na campanha. Então Flávio Bolsonaro conta muito com isso para virar o jogo lá em Minas. Vai ser uma disputa acirradíssima e ela tem potencial de determinar o resultado da eleição nacional.

?Voz B

Muito bem, a gente faz mais uma pausa, você fica com o noticiário local e na volta a gente vai falar mais sobre pesquisa Quest, a pesquisa em Pernambuco.

CCarol

Estamos de volta com Viva a Voz, agora com os dados da pesquisa Genial Quest em Pernambuco. O Elielson Lima tem a repercussão para gente no Recife. O Elielson, boa noite.

?Voz A

Boa noite, Carol, Débora, Vera, nossos ouvintes. A repercussão da pesquisa Quest, Genial Quest, de hoje continua movimentando os bastidores da política pernambucana. O ex-prefeito do Recife, pré-candidato ao governo do estado, João Campos, minimizou o resultado do levantamento que mostrou a governadora Raquel Lira, do PSD, numericamente à frente. A pesquisa coloca o ex-prefeito do Recife com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto a ocupante do Palácio do Campo das Princesas, Raquel Lira, alcança 43%.

Em entrevista à Veja, João Campos ressaltou a importância do apoio do presidente Lula na campanha. O ex-prefeito avaliou que em parcerias que uma parceria significa do eleitorado pernambucano, não sabe ainda esse alinhamento entre os dois. Já a governadora Raquel Lira evitou comentar os números durante agenda pública hoje. Em paralelo à repercussão dessa pesquisa, o movimento do PT do Recife também chama bastante atenção. Osmar Ricardo, que é vereador do Recife, foi afastado da presidência municipal da legenda após declarar apoio formal à campanha de Raquel Lira, em mais um episódio que evidencia as divergências internas do Partido dos Trabalhadores aqui no estado.

Enquanto isso, os dois nomes ligados a Lula vêm liderando a disputa pelo Senado: a ex-deputada federal Marília Reis e o senador Humberto Costa. Outro fato que chama bastante atenção e concentra as movimentações nessa reta final é a definição da segunda vaga ao Senado na chapa da governadora Raquel Lira. Até a convenção que acontece no próximo domingo, todos os olhares se voltam na expectativa sobre quem será o nome da Federação União Progressista.

Se indicará formalmente um nome ou na composição da chapa da governadora, ou se apoia, ou se o apoio permanece ou não nessa movimentação da reeleição da governadora Raquel Lira. A decisão é considerada um dos capítulos em aberto antes da oficialização das candidaturas, que acontece neste final de semana. Com vocês no estúdio.

CCarol

Obrigada, Elielson. Uma virada assim bem impressionante, né, Vera? Porque abriu a distância entre os dois, era de 8 pontos, só que a favor do João Campos. E agora Raquel Lira aparece com 6 pontos de vantagem na esteira também da melhora da avaliação do governo dela. Ela já era bem avaliada, agora tá com aprovação de 68% em Pernambuco?

VMVera Magalhães

Na minha versão Vera sensitiva, essa foi uma bola que eu cantei lá atrás, antes das pesquisas mostrarem, porque era algo que tava muito no radar dos políticos que entendem a dinâmica da política pernambucana, que é muito específica, muito peculiar, tem muitas particularidades. E uma delas é que a máquina lá tem um papel muito importante. E já tava nítido que a Raquel Lira tinha feito alguns movimentos de reposicionamento, tanto no setor da comunicação quanto encaixando ali uma dinâmica de inauguração de obras em série, de realizações por todo o estado que davam a ela uma vantagem geográfica em relação ao João Campos, que era muito forte, mas só na capital.

Então todas essas coisas já prenunciavam que não ia ser um passeio no bosque, como o time do João Campos acreditava em algum momento. Eu me lembro que quando ele foi ao Roda Viva, ele falava quase como uma barbada ali que ele ganharia a eleição. Isso foi no final de 2024, quando ele tinha sido reeleito com aqueles índices ali astronômicos, acima de 70 e tantos por cento, etc. Então ele já deixava claro que não hesitaria em renunciar à prefeitura para disputar o governo.

E tinha uma avaliação ali do governo da Raquel como sendo muito ruim, muito precário, muito fraco. E isso se mostrou enganoso, se mostrou um diagnóstico equivocado. Então vai ser ali jogo duro e a questão do apoio do Lula aparece como esse fator de definição na leitura dos aliados do João Campos, como o Eliel nos trouxe. Eles acham que quando ficar muito claro que o João Campos é o candidato do Lula, as coisas tendem a mudar. Mas será que é assim?

Quando a gente olha para a intenção de voto para presidente no estado de Pernambuco, a gente já tem uma diferença menor do Lula em relação ao Flávio Bolsonaro. E a gente tem uma prevalência da Raquel Lira entre aqueles que se dizem independentes e até entre os que se dizem de esquerda não lulista. Então vai ser um osso duro ali de roer para o João Campos e não vai ser tão simples quanto se imaginava.

?Voz B

Só para trazer aqui o dado, ai meu Deus, eu perdi, mas é o dado da aprovação da Raquel Lira, que a aprovação aumentou significativamente e a rejeição diminuiu significativamente.

VMVera Magalhães

Ela investiu muito em comunicação, ela começou a fazer a mesma lição de casa que o próprio João Campos fez, que foi investir muito nas redes sociais, uma presença muito forte em redes sociais. E isso virou o jogo para ela em termos de avaliação, Débora.

?Voz B

Vamos para o nosso último assunto de hoje. A Karen Lemos em São Paulo tem mais detalhes aqui sobre os apoios no Ceará. Tá meio confuso por lá, né, Karen? Boa noite.

Tá bem confuso. Boa noite, Débora. Olha, as executivas estaduais do União Brasil e do Progressistas entraram na Justiça Eleitoral do Ceará para tentar anular a convenção da federação da qual esses partidos fazem parte. Isso porque no final de semana a federação aprovou apoio à candidatura de Ciro Gomes, do PSDB, para o governo cearense. Só que separadamente, os dois partidos oficializaram apoio à reeleição de Eumano de Freitas, do PT.

Bom, como que isso aconteceu, né? Os dois partidos formaram em âmbito nacional a Federação União Progressistas. União Progressista, perdão. Só que a executiva nacional de cada sigla liberou apoio para os candidatos locais que desejarem, né? Assim surgiu esse problema no Ceará, onde a federação é presidida pelo Capitão Wagner, do União Brasil, que faz oposição ao governo petista de Eumano de Freitas. Só que o entendimento de cada um, de cada partido, é outro.

Olha só, o presidente do Progressistas no Ceará, o deputado federal AJ Albuquerque, é aliado de Eumano, assim como deputado federal Moisés Rodrigues, que é o presidente da União Brasil no estado. Aí no domingo, durante a convenção, a federação declarou apoio a Círio, lançou também o nome do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que é da União Brasil, para concorrer como vice. E o Capitão Wagner foi oficializado como candidato ao Senado.

Aí em convenções separadas, União Brasil e Progressistas tomaram decisões completamente diferentes e decidido apoiar a campanha de reeleição de Eumano de Freitas. Esse desentendimento criou uma situação bem peculiar, que é a seguinte: União Brasil tem um filiado como candidato a vice na chapa de Ciro, só que vai apoiar o concorrente dele, Eumano de Freitas, e com isso também apoiar os candidatos de Eumano ao Senado e não a candidatura, né, do Capitão Wagner ao Senado.

Olha esse enrosco, né? Bom, o processo está para anular a convenção, corre agora no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Que vai definir qual candidato, Ciro Gomes ou Emanoel de Freitas, vai ter direitos aos recursos aí da federação, que inclui o dinheiro, né, de fundo partidário, também tempo de propaganda eleitoral.

?Voz B

Débora, olha, a gente vê— obrigada, viu, Karen— a gente vê aí partidos que circulam por aqui, por ali, mas nesse caso aí tem um rolo aí, parece um novelo para ser desfeito, né, Vera?

VMVera Magalhães

Rolo grande, Débora. Tem aí a questão, né, das circunstâncias locais. E aí essa migração do Ciro Gomes para uma candidatura mais à direita traz todas as contradições que a gente tem visto, aquela rejeição da Michele Bolsonaro a uma aliança do PL com ele, essa circunstância em que o Roberto Cláudio, que é um dos aliados dele, que já foi prefeito de Fortaleza, que era do PDT, agora estar no União Brasil. E aí tem um outro problema grave nesse caso que a Karen nos trouxe, que é que esse sistema de federação partidária que foi criado há alguns anos no Brasil ainda tá para se mostrar eficaz, porque até aqui ele é só uma fonte de confusão, porque partidos que não têm nada a ver um com o outro, que não se, ali, não dialogam, não se entendem em termos ideológicos, ou mesmo de direcionamento de recursos e de estratégia eleitoral se fundiram numa federação, nesse caso aí da União PP, que é uma junção de água e vinho, de azeite e vinho, enfim, coisas que não se misturam.

Isso tá tendo problema e ruído em vários estados, com esse caso aí talvez sendo o mais grave de todos, porque tem essa situação absurda de você ter o vice numa chapa e o partido querendo anular a convenção. Mas as federações como um todo têm se mostrado muito frágeis como instrumentos partidários institucionais até aqui. Eu acho que vai ter de haver uma revisão na regra que rege essas federações no Brasil, porque elas têm se mostrado uma fonte mais de problema do que de solução para o que antes havia, né?

Havia uma pulverização enorme de siglas partidárias, se tentou uma sistematização criando essas federações que reduzissem o número de partidos, mas o que fez foi juntar um monte de gente que não se conversa e criando uns bichos ali estranhos, híbridos muito esquisitos.

CCarol

Só para arrematar esse rolo do Ceará, gente, foi ventilado o nome da Priscila Costa como possível vice do Flávio na chapa presidencial, né, que foi o pivô de toda a crise com a Michele Bolsonaro no Ceará. Foram perguntar para o Valdemar Costa Neto, presidente do PL, se ela podia ser vice. Ele falou que é bobagem, descartou, pelo menos a princípio.

VMVera Magalhães

A Michele vai ficar super contente com isso e essa tentativa aí armada de mostrar que eles são amigos Até agora tende a ir por água abaixo com isso daí.

?Voz B

Muito bem, fim do Viva Voz por hoje. Amanhã tem mais.

DMDesirê Miranda

Beijo, Vera.

VMVera Magalhães

Um beijo, Débora. Um beijo, Carol, e nos ouvintes também. Até amanhã.