Cenário eleitoral deve mudar após convenções e início da campanha, diz analista
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Bianca Santos
Érico Oyama
- Cenário eleitoral em São PauloDefinição de chapas · Alianças partidárias · Disputa pelo voto de centro · Pesquisas Datafolha · Lula · Flávio Bolsonaro e Vorcaro
- Campanha de Flávio BolsonaroDefinição de vice · Atração do voto feminino · Alianças com o Centrão · Apoio internacional · Javier Milei · Ataques ao STF
- Voto VolátilEleitores de centro · Voto em branco · Confiabilidade das urnas eletrônicas · Posturas extremas
- Decisão de Fux sobre voto abertoDificuldade de alterar rejeição · Estratégias de campanha · Temas de campanha · Combate à corrupção · Tarcisio de Freitas
- Terceira viaPolarização política · Debates eleitorais · Estratégia de Lula em debates · Silvio Santos · Repercussão da declaração de Romeu Zema · Ronaldo Caiado
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Temos um fim de semana de convenções partidárias para confirmar as candidaturas. O prazo vai até— prazo final vai até 5 de agosto. Também tivemos na sexta-feira uma pesquisa Datafolha de intenção de voto para a presidência da República. Sobre esses temas a gente conversa agora com o analista político da BMJ Consultores, Érico Oyama. Muito bom dia, seja bem-vindo ao Jornal da CBN.
Bom dia, Débora. Bom dia a todos que nos acompanham. Obrigado pelo convite.
Nós é que agradecemos a gentileza de nos atender. Vamos começar falando sobre a pesquisa Datafolha, que foi divulgada sexta-feira à noite pelo jornal Folha de São Paulo e que mostra que o presidente Lula tem 48% das intenções de voto no segundo turno contra 43% do senador Flávio Bolsonaro. Esses números mostram um cenário de estabilidade na disputa. Érico, essa estabilidade, ela pode mudar depois convenções e quando a campanha de fato começar?
Débora, essa estabilidade tende a mudar quando a gente tiver um quadro mais definido, especialmente na chapa do Flávio Bolsonaro. É bom lembrar que ele fez a convenção ontem, Convenção Nacional do PL, ainda sem definir quem será o vice da chapa dele. Fala-se que a intenção principal é colocar uma mulher para atrair o voto feminino. Mas já houve reticência, já houve negativas de nomes importantes como a senadora Tereza Cristina, que prefere disputar a presidência do Senado lá em 2027.
Para além disso, é importante observar qual que vai ser a amplitude da coligação que o Flávio vai conseguir costurar para disputar a presidência. Partidos importantes de centro ali como a Federação União Progressista já negaram aí o apoio. E o Republicanos, que é um partido importante, que viabilizaria um tempo importante na propaganda de rádio e TV, também tem sido reticente com relação a essa aliança. A depender do nome, a ver se vai ser capaz de atrair votos para a candidatura do Flávio, o nome mais cotado hoje é da Daniela Marques, que faz parte da equipe de campanha para formular o plano econômico.
Porém, há um entendimento na cúpula do PL de que ela é uma mulher, teria o potencial de atrair votos femininos, mas por não ter uma carreira política construída, teria um potencial perto de nulo de conseguir atrair os votos. No lado da chapa do presidente Lula, o vice já tá definido, vai continuar sendo o atual vice-geral do Alckmin. A convenção é só lá no dia 2 de agosto. Só que do lado do presidente Lula, a tendência de mudança, se não houver nenhuma divulgação da imprensa, algo do gênero, é depois do início da campanha eleitoral, lá no dia 16 de agosto, quando a população vira a chave de fato para as eleições.
Tem um jargão no Brasil de que a eleição começa só depois da Copa. Os motores começam a esquentar, mas a atenção da população, as conversas entre familiares e amigos começam a virar de fato depois que a eleitoral começa.
No caso específico de Flávio Bolsonaro, ainda sem vice definido e sem apoio formal do Centrão, ele apostou na presença do presidente argentino Javier Milei. Você acha que isso pode ter sido, pode ter funcionado como uma demonstração de força política? Porque ele fez ataques ao STF, fez ataques ao presidente Lula, inclusive foi rebatido pelo presidente do STF já.
É, é uma presença importante que ajuda a consolidar esse apoio internacional junto a outras figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas politicamente tem um poder bem limitado porque ele conta com a simpatia de uma parcela da população que já teoricamente votaria no candidato Flávio Bolsonaro. Então, politicamente, é uma sinalização importante. Alguns cortes devem ser usados nas redes sociais. O Milei é uma das principais lideranças da direita aqui na América Latina, mas politicamente, ali na capacidade de atrair votos, é um potencial bem baixo, Débora.
E os indecisos? Você acha que esse percentual, ele pode se alterar significativamente? Pode alterar, na verdade, significativamente o cenário? Ou a disputa já está relativamente consolidada?
Não, os indecisos, chamados eleitores de centro, os que se consideram mais moderados, mais uma vez serão essenciais para definir as eleições. E o que a pesquisa Datafolha de sexta-feira mostra é uma manutenção de uma parcela maior dos eleitores de centro que pretendem votar no presidente Lula. E é bom a gente lembrar que esse quadro mudou depois das revelações relacionadas ao áudio ali do candidato Flávio Bolsonaro solicitando recursos para o banqueiro Daniel Borcato para patrocinar o filme Dark Horse, que conta a história ali do pai dele, o Jair Bolsonaro.
Esses eleitores de centro são essenciais, foram essenciais lá em 2022, quando o presidente Lula formou uma coalizão ampla ali com nomes do centro. E esses eleitores mais uma vez serão fundamentais fundamentais para decidir as eleições. Um dado bem relevante que o Datafolha mostra é que em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, há uma parcela bem significativa desses eleitores, 22%, que pretendem votar em branco ou ainda não sabem em quem votariam caso essa disputa se consolide no segundo turno.
E aí vale lembrar que alguns posicionamentos do Flávio Bolsonaro para atrair esses eleitores não não são muito, não fazem muito sentido, como na terça-feira em um evento ali com a presença de cerca de 40 embaixadores, ele colocou em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas. Então fatos como esse, posturas mais extremas e também eventuais novas revelações relacionadas aos principais candidatos devem trazer um impacto aí na decisão dos chamados eleitores de centro, os mais moderados.
E a terceira via vai dar conta de combater essa polarização?
Não é o que a pesquisa vem, as pesquisas vêm mostrando, né, Débora? Tanto Renan Santos do Missão, Romeu Zema do Novo e o Ronaldo Caiado do PSD estão numa estabilidade ali bem preocupante. O que pode mudar um pouco o quadro é os debates, que a previsão é que eles comecem no dia 16 de agosto. Pode até haver uma mudança. E se haverá presença ou não do presidente Lula? O presidente Lula já teve uma estratégia parecida nas eleições de 2006, quando a gente estava no auge das revelações do Mensalão.
Preferiu não participar de alguns debates no primeiro turno e a cúpula do PT estuda se é válido ou não participar dos debates no primeiro turno mais uma vez. Se houver ausência do presidente Lula, esses 3 candidatos da chamada terceira via vão teoricamente direcionar as críticas somente ao Flávio Bolsonaro, que é o candidato no qual eles conseguem ou têm potencial de capturar mais votos. Então essa terceira via, por enquanto, não se mostra muito viável, mas a ver, porque boa parte da população não conhece esses três nomes e pode ser que com o início da campanha passem a avaliar uma mudança de voto ali para um desses 3 candidatos da chamada terceira via, Débora.
Érico, para a gente concluir, queria voltar aqui para os 2 candidatos mais bem colocados na pesquisa, que são o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, que também tem uma rejeição bastante elevada, os 2, né? Isso tende a limitar esse crescimento? Como é que funciona essa lógica de intenção de voto e rejeição?
É, o que se diz em ciência política é que em eleição é o índice mais difícil de você conseguir alterar a rejeição. Os dois, Flávio e Lula, possuem rejeição muito alta. O Flávio de 48% e o Lula de 46%. E o que as campanhas precisam trabalhar ou trabalham é com o entendimento de que, tendo em vista que esses eleitores que rejeitam esses nomes dificilmente vão mudar de avaliação, trabalhar com propostas e com posicionamentos para angariar a atração de votos dessa parcela que não tem uma rejeição tão ampla com relação a esses candidatos.
Então é uma estratégia que a gente deve observar quando a campanha começar de fato, mas a gente já observa pinceladas de qual que vai ser o cerne das principais campanhas ao longo da campanha. Ontem mesmo a gente teve a convenção do PL e o Flávio Bolsonaro citou temas relacionados à segurança pública, economia, trazer o Brasil de volta aos brasileiros. E por sua vez, é curioso que alguns temas passaram a ser teto de vidro para ele, como combate à corrupção, e que ele não citou ali no discurso que fez de cerca de 10 minutos.
Essa fala de combate à corrupção ficou muito mais centrada na figura do governador de São Paulo, o Tarcísio de Freitas, que por enquanto não tem nenhum fato que desabone com relação a casos de corrupção.
Érico Oyama, muito obrigada pela conversa conosco no Jornal da CBN deste domingo. Um ótimo dia.
Eu que agradeço, Débora. Um ótimo domingo a todos.
Nós conversamos com Érico Oyama, que é analista político da BMJ Consultores.