Itamaraty nega pedido de vistos a funcionários do governo Trump que questionariam processo eleitoral
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Marina Dantas
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Começando por Brasília. Temos aqui a participação da Marina Dantas, que tá com a gente a respeito da interferência dos Estados Unidos nas eleições aqui no Brasil. E ela traz novidades deste sábado. Marina Dantas, boa tarde para você.
Oi, Leandro, boa tarde para você e para todo mundo que nos acompanha. O Ministério das Relações Exteriores negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário assistente, e Samuel Sampson, subsecretário assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos que seriam enviados pelo governo dos Estados Unidos, segundo o jornal The Washington Post, para questionar a transparência e a integridade do processo eleitoral brasileiro.
A informação foi confirmada pela CBN com fontes do Itamaraty. A expectativa era de que os representantes do governo de Donald Trump deixassem os Estados Unidos rumo ao Brasil nos próximos dias. A decisão do Itamaraty condiz com as informações repassadas ao jornal norte-americano por dois diplomatas brasileiros que disseram em anonimato terem tomado conhecimento da manobra norte-americana que prometeram agir para impedir que os enviados interviessem no processo interno.
Eles afirmaram suspeitar que os americanos iriam se encontrar com brasileiros críticos do sistema eleitoral nacional e produzir relatórios que pudessem ser utilizados futuramente para questionar o processo de votação. Funcionários do Departamento de Estado norte-americano, ouvidos pelo The Washington Post, também foram críticos à viagem.
Eles afirmaram também, sob condição de anonimato, que é extremamente nocivo ver o secretário usar o poder americano para minar eleições confiáveis em outras, em outras nações por motivos ideológicos. Segundo o jornal americano, Samuel Sampson, da delegação do Departamento de Estado dos Estados Unidos, é conhecido por viajar por diversos países promovendo a pauta conservadora e cultivando laços com grupos da direita, o que em ocasiões anteriores gerou atritos com diplomatas e políticos tradicionais.
Em nota enviada ao jornal, o Departamento de Estado dos Estados Unidos havia confirmado a viagem dos diplomatas para Brasília, mas não respondeu às perguntas sobre o propósito da missão ou sobre eventuais preocupações com a integridade eleitoral brasileira. A pretensão de viagem dos funcionários de Donald Trump veio à tona na mesma semana em que o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, pediu a representantes diplomáticos estrangeiros que enviassem observadores internacionais ao país após levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas com base em informações falsas e desmentidas pelo Supremo Tribunal Eleitoral.
Na declaração feita no evento Debatendo o Brasil, Flávio Bolsonaro mencionou dados inverídicos sobre a empresa venezuelana americana Smartmatic, que apareceu em documentos da CIA divulgados pelo governo Trump na semana passada, e afirmou que equipamentos da empresa teriam sido utilizados nas eleições aqui no Brasil. Flávio também pediu que todos os países mandassem a maior quantidade de observadores possíveis para as eleições brasileiras.
Ainda em 2018, o TSE esclareceu que a Smartmatic, essa empresa citada por Flávio, não fornece nem nunca forneceu às urnas eletrônicas brasileiras. Na avaliação do advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rolo, a medida insere em um contexto político mais amplo e reacende também debates sobre a confiança no processo eleitoral brasileiro.
Tem uma resolução do TSE que prevê a participação desses observadores eleitorais. Todos eles são observadores eleitorais, mas normalmente são convidados. Aí fica bastante evidente que houve uma combinação aí de ações e atitudes. Quer dizer, na semana em que ele participou de uma palestra, se eu não me engano, pede o de observadores, isso é feito pelo governo norte-americano, acho que fica evidente isso. Então parece que isso é mais uma jogada de marketing político para auferir algum tipo de dividendo eleitoral.
A gente volta naquela situação da eleição de 22, de descrédito, de tentativa de descrédito das urnas eleitorais. É o mesmo discurso.
A postura atual do governo dos Estados Unidos diverge do posicionamento adotado nas eleições brasileiras de 2022, quando do país norte-americano era liderado pelo democrata Joe Biden. Na época, o governo americano atuou para reforçar a estabilidade democrática e impedir discursos golpistas, com créditos à segurança do sistema de urnas eletrônicas do Brasil. Leandro.
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