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Convenções partidárias começam com mais incertezas sobre eleições 2026

25 de julho de 202612min
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Em entrevista ao Revista CBN, Bruno Silva, cientista político, analisa o início das convenções partidárias. Ele destaca, especialmente, as complicações de Flávio Bolsonaro, que tenta evitar mais problemas na campanha.

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Participantes neste episódio1
B

Bruno Silva

ComentaristaCientista político
Assuntos4
  • Crise na campanha de Flávio BolsonaroRelação com Michele Bolsonaro · Declarações de Costa Neto · Preparação para presidência · Desgaste em pesquisas · Javier Milei
  • Eleições PresidenciaisBusca por vitória no primeiro turno (Lula) · Negociação de palanques estaduais · Candidatura de Haddad em São Paulo · Candidaturas ao Senado (Marina Silva, Simone Tebet) · Dificuldade na escolha de vice (Flávio Bolsonaro) · Negociações para vice
  • Convenções partidárias 2024Convenção do PL · Confronto com Flaviano · Bolsonaro · Fundação do PT · Lei Rouanet · Lula · Disputa de candidaturas internas do PSD · Ronaldo Caiado
  • Pesquisa eleitoralConsolidação do eleitorado bolsonarista · Crescimento dos indecisos · Fidelidade ao lulismo · Fidelidade ao bolsonarismo · Importância do eleitor indeciso
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BSBruno Silva

Revista CBN Política.

?Voz C

Cientista político Bruno Souza com a gente. Tudo bem, Bruno? Boa tarde.

BSBruno Silva

Olá, muito boa tarde para você, Leandro Gouveia. Muito boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Revista CBN. Tudo bem por aí?

?Voz C

Tudo ótimo. Fim de semana especialmente movimentado na política com convenções partidárias. Nossa reportagem trouxe aqui já informações da convenção do PL, confirmando Flávio Bolsonaro ainda sem vice, né, a presidência da República. Também convenção do PT no interior de São Paulo com a participação do presidente Lula, confirmando Fernando Haddad, a candidatura ao governo do estado. Já tivemos no início da semana o Renan Santos pelo Partido Missão, e a gente vai ter amanhã o Ronaldo Caiado do PSD. No dia seguinte que a gente teve mais uma pesquisa Datafolha, né, Bruno?

BSBruno Silva

Pois é, é isso, né, Leandro? A gente tá com todo esse quadro, vamos dizer assim, das convenções partidárias, mas um quadro de convenções partidárias que guarda muito mais dúvidas do que aparentes certezas, né, Leandro, em relação ao cenário da disputa eleitoral como um todo nesse ano, com foco não só na presidência, mas também nos governos estaduais, né? Por que que eu digo com mais dúvidas do que certeza? Porque principalmente as atenções estão muito voltadas para convenção do PL, né?

Michele Bolsonaro, aos 45 do segundo tempo, vamos dizer assim, resolve gravar um vídeo tentando amenizar um pouco mais a crise que já estava instalada desde então, desde o outro primeiro vídeo que ela gravou há umas semanas atrás, né, onde ela criticava publicamente, dizia que não mantinha uma relação próxima no sentido de construção política com Flávio Bolsonaro. Sai depois da coordenação dos trabalhos do PL Mulher, se resguarda ali dentro do seu ambiente, gera um baita do mal-estar.

Costa Neto vai a público, vamos destacar, em entrevista diz inclusive que Flávio não estava preparado para disputar a presidência da República. Aí ele tentou depois até dar uma consertada, né, dizendo: não, é um processo, vai se construindo o candidato e tal. Mas isso caiu muito mal em todos os meios políticos e principalmente publicamente, porque afinal de contas, como você disse, um candidato quer disputar o principal cargo do país, não está preparado ou não tem condições necessárias para poder fazê-lo.

Então tudo isso gerou uma série, uma nuvem muito gigantesca de dúvidas, né, Leandro, em torno da candidatura do próprio Flávio Bolsonaro, que agora, aos 45 do segundo tempo, como eu tô dizendo, para usar uma metáfora do futebol, o pessoal tá tentando unir essas forças. Então na convenção lá tem tótem do Bolsonaro pai, tem tótem da Michele, tem toda uma sinalização também com a vinda, inclusive para demonstrar um apoio internacional, do Javier Milei, que veio visitar o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, hoje.

Depois também vai ali, foi ali já, na verdade já estão meio-dia e 40, né, começou às 11, né, foi ali para convenção. Enfim, então você tem todo um cenário onde tenta-se de maneira muito explícita permitir com que Flávio não venha se desgastar mais ainda nas pesquisas de intenção de voto futuras que virão. Porque tem um risco, né, Leandro, essa altura do campeonato, que é um risco muito grande, que é de você deslegitimar esse candidato dentro desse campo e ao mesmo tempo abrir a possibilidade para que outros talvez se mostrem mais viáveis do ponto de vista dos eleitores.

Eu gosto sempre de traçar um paralelo e lembrar, lembremos que nas eleições presidenciais de 2018 a classe política havia feito uma aliança, um acordo, e quando eu falo classe política eu tô falando partidos que tinham maior representação, densidade, principalmente a nível de Congresso Nacional, que são os partidos do convênio que a gente convencionou chamar, né, nos meios de comunicação, de Centrão como um todo. Então aquela classe política havia feito uma opção à época por Geraldo Alckmin, né, apostando numa polarização que se daria uma vez mais, dado um histórico de 20 anos de polarização que se tinha no Brasil entre PT e PSDB.

E no meio do caminho, o que que nós acompanhamos naquelas fatídicas eleições de 2018? Um processo de abandono dos correligionários políticos em relação a Alckmin, que começaram gradativamente a abraçar naquele momento o bolsonarismo. E que a gente sabe, né, ainda que informalmente, não formalmente numa aliança, mas informalmente, principalmente nos palanques políticos dos estados e nas disputas por esse Brasilzão profundo, começaram a abandonar a construção da campanha de Alckmin e abraçar o Bolsonaro.

Acredito que Flávio Costa Neto e todos esses que de alguma maneira são raposas políticas têm olhado todo esse ambiente, têm percebido que se eles não tomarem o devido cuidado pode acontecer um processo semelhante em relação à sua candidatura. Por mais que nós saibamos que o bolsonarismo tem uma base que é uma base, parte dela é uma base muito fiel, vamos dizer assim, em relação ao que o Bolsonaro pai fizer de sinalização política.

Mas aí ela já não se torna uma base suficiente ou não se consegue os votos suficientes para poder permitir com que ele possa vir a chegar num segundo turno ou até mesmo tentar sagrar-se vencedor. Então acho que é diante de todo esse histórico e aprendendo também um pouco com o passado que eles estão tentando a essa altura do campeonato fazer essa sinalização. Não vai ser fácil, viu, Leandro, queridos ouvintes, porque há muitos fatos que têm vindo à tona.

As questões do Master que a gente já viu nas últimas semanas, agora nessa última semana política no que a gente tá acompanhando, essas fatídicas notas fiscais, né, do escritório do Flávio, né, envolvendo ali nomes também que estão dentro dessa, desse lamaçal todo chamado Master. Então há dificuldades que são dificuldades dos próprios fatos cotidianos do dia a dia para que Flávio Bolsonaro chegue com força até lá.

?Voz C

E como é que você viu a datafolha de ontem mostrando uma consolidação desde a última pesquisa? Isso é melhor para algum dos dois candidatos, ainda levando em conta que a gente só tá no começo da campanha?

BSBruno Silva

É, eu acho que, eu acho que assim, o Leandro, o datafolha, ele na verdade ele revelou aquilo que a gente já vem acompanhando, vem acompanhando inclusive na própria Quest, né, que vem fazendo as medições também, né. A CBN vem dando visibilidade, TV Globo como um todo vem dando visibilidade, que é o seguinte: você tem um cenário que é um cenário de consolidação daquele percentual do eleitorado que é um eleitorado efetivamente, vamos dizer assim, bolsonarista.

O problema é que nas últimas pesquisas de intenção de voto, o que vem crescendo numa proporção maior são os indecisos. E isso é o que torna inclusive o cenário eleitoral desse ano um cenário relativamente interessante. Por quê? Porque você tem por um lado aqueles que já estão dentro da lógica da polarização cristalizada, vamos chamar assim, né, e aqueles que não vão abrir mão desses candidatos, salvo se acontecer algo demasiadamente grave ao longo do fluxo do processo eleitoral.

Eleitoral como um todo. E ainda assim precisaria matizar bem o quanto deixariam de destinar esse apoio político. Então você tem um percentual do eleitorado muito fiel ao lulismo, um percentual do eleitorado muito fiel à lógica do bolsonarismo. E quem Bolsonaro pai quer a grande figura política apontar como sendo o seu apoiado politicamente é aquele que vai ter o apoio efetivamente, né? Muitos chegaram a se cogitar inclusive da Michele, se ela poderia vir a de repente ocupar até essa posição mais numa disputa interna.

Mas agora com a consideração da candidatura do Flávio, que tudo indica coisa vai se manter mesmo em torno do seu nome e esse vai ser o sequenciamento. Mas o que a pesquisa tá mostrando até esse exato momento é que esse eleitor indeciso, ele vai ser de extrema importância para poder definir esse pêndulo da disputa política lá na frente, e que não está tudo 100% já dado o resultado, 100% garantido, né, Leandro? Porque como eu tô dizendo aqui, você tem essa série de eventos em relação principalmente a Flávio Bolsonaro que abrem um flanco de possibilidade de crescimento político por parte de outros opositores, né?

Ou seja, Renan Santos, é o próprio Caiado, enfim. O Zema um pouco menos, talvez nesse momento, que o Zema acabou abraçando de maneira mais explícita mais recentemente até essa lógica do bolsonarismo do que o próprio Caiado em outros momentos, enfim. Então acho que você tem um espaço ainda para acontecer muitas coisas na construção dessa campanha presidencial, devido principalmente àquilo que a gente tem acompanhado do dia a dia, né.

Para Lula fica uma situação que de alguma maneira o ideal, pensando em termos de estratégia política, é se conseguisse ter força suficiente para poder liquidar essa fatura no primeiro turno, tentando uma espécie de reedição do que buscou fazer ao longo da campanha de 2022. Vamos lembrar que na reta final o PT jogou todas as fichas para que Lula pudesse tentar vencer no primeiro turno, naquela campanha de que daria no primeiro turno, daria no primeiro turno, daria no primeiro turno.

E no final das contas, o que que a gente verificou? Não deu para ganhar no primeiro turno. E quando nós fomos para disputa do segundo turno, arrisco dizer, viu, Leandro, queridos ouvintes, que nós tivéssemos mais um tempo de campanha à frente naquele contexto de 2022, naquele momento, o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ter crescido ainda mais, porque proporcionalmente conseguiu avançar muito mais em um mês, né, pouco menos de um mês de campanha de segundo turno, do que o Lula acabou avançando.

Então eu vejo um cenário que é assim: Lula vem chegando numa condição que é uma condição muito próxima do seu teto de apoio. Já os demais candidatos têm ali um percentual do eleitorado a poder tentar negociar. Por isso que o Lula tem pessoalmente feito questão de negociar o quê? Os palanques políticos no âmbito dos estados. Porque vale lembrar que a política no Brasil ela se move nesses dois momentos, né, nesses dois tempos, né.

Ela se move tanto a partir da lógica do que você tem nos estados quanto a partir desse desenho nacional, né. Não é à toa, por exemplo, que o Lula obviamente fez questão de escalar todo o seu time, por exemplo, para São Paulo, do seu time de ministro, né. Hoje tá tendo a convenção de Fernando Haddad para o governo do estado de São Paulo, mesmo o PT sabendo que Haddad nas disputas para o governo paulista não vai ter tantas chances assim de vitória eleitoral.

Teria que ter que remar numa quantidade significativa para poder conseguir um resultado como esse diante dos dados do que nós temos hoje, né? O franco favorito é Tarcísio de Freitas, atual governador do Estado de São Paulo. Mas a candidatura do Haddad é extremamente estratégica, importante para Lula. Para quê? Para poder diminuir o percentual de votos, para diminuir a diferença, menos até entre Fernando Haddad e Tarcísio, e mais do quanto a disputa no estado pode servir como um palco, um palco para essa disputa nacional como um todo.

Não é à toa que não só Haddad tá sendo sagrado candidato, mas também as suas ministras, né, que ele vem apoiando ali ao Senado, tanto Marina Silva pela Rede quanto a Simone Tebet pelo PSB do seu vice Geraldo Alckmin. Então há uma série de estratégias quando a gente tá vendo esses candidatos avançarem no sentido dessa definição também dos palanques políticos estaduais. No caso de Flávio, como você muito bem disse ainda há pouco, a ausência de um nome ainda de vice revela a dificuldade que Flávio, PL, os seus correligionários, né, e correligionários do ex-presidente Jair Bolsonaro tem em conseguir efetivar e conseguir construir um nome também que endosse e apoie essa candidatura.

Se ventilou o nome de várias pessoas, mas até agora nada confirmado. E pelo contrário, né, o presidente do PT, ex-prefeito aqui do interior, da cidade de Araraquara, é Dinho Silva, que veio melando muitas dessas negociações, de acordo com várias informações que têm sido publicadas na imprensa, porque acabou também fazendo uma espécie de esforço de negociação com dirigentes partidários para tentar desconstruir ou até colocar em dúvida essa possibilidade de apontar um nome para vice atuando em partidos que são partidos que estiveram mais próximos do governo federal, caso do União Brasil, por exemplo, caso do PP, do Progressista. Então tem bastante coisa para acontecer ainda, viu, Leandro?

?Voz C

Bruno Silva, cientista político, com a gente sempre aqui no Revista CBN. Obrigado, Bruno, bom fim de semana, até a próxima!

BSBruno Silva

Obrigado você, Leandro, um grande abraço a você, a todos os queridos ouvintes do Revista CBN.

?Voz C

Até, até!

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