"O Eleitor do Rio": Campos vê família Garotinho dividida para a eleição ao governo do RJ
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- Eleições Rio de JaneiroFamília Garotinho · Candidatura de Garotinho · Posição de Vladimir Pershin · UBS na Rua · Flávio Bolsonaro e Vorcaro
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How do you say, where's the restroom, in Spanish? ¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes.
Hey Meta, what should I do with my life?
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CBN Eleições 2026.
O eleitor do Rio em mais um episódio, né, Leandro? E dessa vez vamos para o norte do estado, não é isso?
Vamos para longe. Inclusive, deixa eu fazer um agradecimento aqui nessa série, porque fomos para Campos dos Goitacazes, cidade que fica a 280 km aqui da capital, e quem rodou o estado todo, essas 5 áreas do estado, né, que a gente foi, foi o meu parceiro Marcos, motorista aqui da rádio, meu querido amigo. Rodamos juntos aí o Rio de Janeiro e paramos lá em Campos. O Marcos não conhecia uma coisa que só tem em Campos, o quê? Um doce feito à base de ovos e calda de açúcar, que é servido em calda ou cristalizado e tem um formato ali de pingo d'água, se chama chuvisco.
Esse doce. Só existe lá nessa cidade que fica a 280 km da capital. Campos também é a única cidade do estado e do mundo a ter dois bispos da Igreja Católica, e é o único município visitado nessa série de reportagens cujo destino político gira em torno de uma mesma família nem sempre harmoniosa há muitos anos, os Garotinho. Campos também é a maior cidade em extensão territorial do estado e é um polo aglutinador. Gente de pelo menos outros 30 municípios vizinhos menos usa a rede pública de saúde de lá.
No entanto, como outras cidades aí, Campos se aproxima, por exemplo, aqui da cidade do Rio de Janeiro. Campos enfrenta uma acelerada degradação do centro. Há um shopping em que a maioria das lojas está fechada. Nas ruas históricas, espaços vazios com placas de aluga-se e passo o ponto. No fim de uma dessas ruas, em um ponto de ônibus à beira do Rio Paraíba do Sul, encontrei a Camille Soares. Estudante de 19 anos que cursa veterinária na Universidade Estadual do Norte Fluminense, a UENF. Pela primeira vez ela vai votar para governador e ela é uma eleitora do Rio.
Eu gosto muito de lá, sempre quis estudar lá por conta que eu acho que no nosso estado ela é a segunda maior estadual. Então eu tô gostando muito da UENF, eu acho que lá tem muitos projetos legais, acho que vai ser algo muito interessante e e que tem um desenvolvimento muito bom pra nossa região, principalmente sendo uma faculdade de interior do estado, ela tem uma visibilidade assim muito grande. Olha, sendo bem sincera, minha expectativa não tá sendo das melhores.
Eu acho que vai acabar sendo mais ou menos o que está hoje, não vai mudar muita coisa, entendeu? Por conta que não vejo um cenário que vá mudar muita coisa.
A Camille, ela, o argumento dela é bem síntese do que eu, percorrendo Campos dos Goitacazes, eu percebi. Uma cidade que poderia ter sido ainda mais desenvolvida nos anos dourados dos royalties do petróleo conseguiu avançar bastante, mas ainda falta muito. Os dados mostram isso. Em 10 anos, Campos viu o valor que recebe referente aos royalties do petróleo o principal motor da economia, cair mais de 50%. Em 2014, 72% das receitas que impulsionaram a cidade a ganhar prédios e shoppings que hoje estão vazios vinham do petróleo.
Hoje, o percentual de receitas é de 46%, e isso provocou quedas de mais de 90% nos orçamentos de segurança, cultura e saneamento. Porém, enquanto vivencia essa baixa econômica, Campo está de volta aos dias de maior efervescência política. Desde 1989, algum membro da família Garotinho é central para os rumos da cidade. E agora o patriarca do clã, o ex-governador Antony Garotinho, retornou à cena e é até o momento pré-candidato ao governo pelo Republicanos.
O movimento mexeu com o desenho político do estado, cooptado pelo PT para ser o puxador de votos da legenda no Norte Fluminense. E um dos coordenadores políticos da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, o ex-prefeito de Campos, Vladimir Garotinho, pré-candidato a deputado federal, diz que vai ficar ao lado do pai e que não vai fazer campanha para o Douglas Ruas, candidato do partido dele, o PL.
Sou amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, sou amigo dele antes dele ser senador, candidato a presidente. Tem uma amizade com Flávio desde 2013. Flávio me convida para ir para o PL, pede para eu coordenar a campanha dele aqui na região, que eu não sei mais se vai rolar, porque depois as coisas mudaram um pouco. Eu dou a palavra para o Flávio. Meu pai tava com pendência jurídica, meu pai não poderia ser candidato a governador, mas tava insistindo que era.
Eu dei a palavra para o Flávio, passou o prazo de filiação partidária, meu pai resolveu o problema dele. Aí agora meu pai é candidato a governador pelos republicanos, eu tô no PL que tem candidatura. Que é o nome do fundo.
E aí, o que que você vai fazer?
Não tenho como ficar contra o meu pai. Já disse pro Douglas, já disse pro Alt meu, meu pai candidato, eu vou ficar com o meu pai.
Nos últimos 24 anos, a família Garotinho percorreu todo o espectro ideológico. Antony Garotinho é ex-brisolista. Ele tava no PSB em 2002, foi candidato à presidência e no segundo turno apoiou o Lula. Em 2014, candidato ao governo, ele caminhou com o PT. De Dilma Rousseff para presidência. Numa eleição em que Campos se alinhou à direita, a cidade deu quase 60% dos votos para o candidato que ele não apoiava, o Aécio Neves, do PSDB.
Mas a mudança importante na cidade ocorreu mesmo em 2022, quando a família Garotinho apoiou Jair Bolsonaro e, na disputa pelo estado, Cláudio Castro. A sensação na cidade é de que Campos cresceu, melhorou, mas não deu esse salto que se esperava. E isso se reflete nas expectativas do eleitor. De volta à beira do Rio Paraíba do Sul, encontrei o José Carlos Rodrigues, de 65 anos. O que o incomoda pensando no futuro é o desemprego e essa ideia de que faltou algo mais para a vida no interior ser diferente.
Primeiro, a gente tem que olhar por aquele que mais necessita, entendeu? Aqueles que mais precisam. A gente não pode olhar para a gente, que a política hoje Eu acredito que o político hoje ele entra na política visando o seu lado, não visando a bem-estar da cidade, a bem-estar da população, não procura trazer um emprego para dentro da cidade. Você vê que dentro de Campos, quantas indústrias foi montado dentro de Campos e acabaram se fechando, se afastando da cidade. É o desemprego só aumentou, infelizmente deixou a desejar.
Eu vi muita coisa fechada aqui na cidade, muita coisa alugar aqui no centro assim, tá tudo assim, né?
Se você andar dentro do centro, você vai ver as lojas, você não vê mais aquele fruco de, né, de pessoas para comprar, porque se afundou.
Eu fiquei muito impressionado, Gabriel, de andar por shoppings ali fantasmas. Inclusive tem um bastidor interessante nessa história, que é o seguinte: tem um shopping ali no centro de Campos dos Goitacazes que tá com as lojas do primeiro andar totalmente fechadas. Uma dessas lojas, uma das maiores ali, é uma loja de 2 andares que era uma loja de departamentos, né, uma loja de variedades muito conhecida. Ela está em nome, sabe de quem?
Rodrigo Bacelar. Ela está em nome de Rodrigo Bacelar, tá fechada essa loja lá. Rodrigo Bacelar é um dos políticos mais influentes de Campos e rival dos Garotinho. E veja como há um realinhamento que tá acontecendo ali na cidade. A matéria mostrou, Campos foi lulista, bolsonarista, e hoje, e sempre orientado ali pelo que os garotinho quer. Sempre houve uma família rival a eles, a família Bacelar. O Vladimir inclusive já foi amigo do Rodrigo Bacelar, depois eles romperam, e hoje cada um foi para um lado.
Com Rodrigo Bacelar preso, essa família lá em Campos ela tá se reorientando. Veja, Não será surpresa se a família Bacelar em Campos, como Garotinho é candidato, a família Bacelar decidir apoiar candidatos ligados a Eduardo Paes. Não será surpresa se isso acontecer. Mostra um pouco como o eleitor de Campos, ele se orienta mais pelo conservadorismo, tem ali uma ideia, né, de um eleitorado que tem um componente conservador grande, mas ele se movimenta de acordo com a família Garotinho.
Muita gente vai para onde eles estiverem e muita gente vai para onde eles não estiverem também. Vai ser um lugar muito interessante da gente acompanhar, Campos, que é um dos maiores contatos, um dos maiores colégios eleitorais do estado do Rio de Janeiro, e que certamente vai ser um campo de batalha bem interessante nessa eleição de 2023. O Eleitor do Rio tá lá no site cbn.com.br.
É isso aí, Leandro, vamos ver o que que teremos amanhã. Temos já um spoiler aí?
Faltou dizer, o último capítulo faltou a capital, né? Agora a gente vai aqui para capital, mas para uma área que é bem também complexa: Campo Grande. Como que Campo Grande vota? Foi um rolê maneiríssimo também por lá, e a gente encerra essa série amanhã em Campo Grande.
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