O perfil do eleitorado para as eleições de 2026
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- Cenário Eleitoral 2026TSE · Redes sociais · Eleitores indecisos · Região Norte · Mulheres eleitoras
- Calcificação do eleitoradoPolarização afetiva · Desconfiança no governo · Aumento da escolaridade
Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Tati, Nadedja, boa tarde, ouvintes.
Boa tarde. O Tribunal Superior Eleitoral divulgou na noite de ontem o perfil do eleitorado para as eleições de 2026. E tô vendo seu texto no Valor, eu adorei o título: Fora da bolha, eleitor ficou mais sabido e desapegado. Como é que a gente chega nessa conclusão, Maria Cristina?
Tem que juntar um monte de coisa. Vamos lá, vamos começar do eleitor de carne e osso, da vida real, né? Os dados são muito interessantes. Não é que tenha— os dados não trazem nenhuma tendência distinta da que a gente tem observado nos últimos anos, porque trata-se de demografia também, né? Demografia você não muda da noite para o dia. Mas há alguns aspectos muito curiosos se a gente cruza o perfil do eleitorado e o perfil das bolhas das redes sociais na internet.
Primeira constatação: o número do eleitorado, eu acho sempre importante a gente saber, porque é cada um de nós, né? É o cada voto que conta. 158.745.463 eleitores. É muita gente. Mas se acredita que o número de internautas é maior? São 160, mais de 168 milhões de internautas. Agora, agora, daí a gente não pode tirar a conclusão que esta eleição será determinada pelas redes sociais, porque aí, fazendo uma mea-culpa, às vezes o jornalismo, o jornalismo tá achando que ao cobrir rede social tá cobrindo a eleição, e não é.
E aí, um dado real do eleitorado, o Esse eleitor sub-18, digamos assim, que esse eleitor que não é obrigado a se registrar para votar, que tem 16 a 17 anos, e despencou o registro eleitoral. Ele tem que se registrar, obviamente, se alistar. Esse registro tinha crescido de 18 para 22, 51%. Por quê? Porque a Anitta foi convidada pelo TSE para fazer uma campanha lá em 22, e aí alavancou esse alistamento dos jovens. E agora não teve nada disso e caiu para— caiu 23% o alistamento desses jovens com menos de 18 anos.
E os idosos que— e esse jovem é um jovem, não preciso dizer, tá muito antenado com as redes sociais. E os idosos que estão mais distantes cresceram 13% de 22 para cá. E quando a gente vê, e isso é importante assim porque a gente tem visto as pesquisas, a última da Genial Quest, por exemplo, mostrou que mais de metade do eleitorado está indeciso. Se a gente cruza com comparecimento, isso dá mais de 70 milhões de eleitores que não sabem em quem vão votar.
Então tudo isso reforça a percepção de que a gente tá se movendo um pouco no escuro, e os prognósticos eleitorais a gente tem que ouvir sempre, e a gente faz também, mas com muita parcimônia, porque o TSE mostrou que o eleitorado que mais cresce é em regiões que o noticiário nacional ignora. Quando não ignora, registra quando, no máximo, quando o eleitor— eu escrevi: o eleitor engole uma onça, né? Só registra pelo inusitado. E o Norte e o Centro-Oeste, que são essas regiões que não entram muito no noticiário, estão crescendo mais de, cresceram mais de 4%, e isso bem mais do que a média nacional.
E hoje as duas regiões juntas superam o Sul do país. O Nordeste cresceu acima e hoje mantém essa fatia que é de 27 e pouco do eleitorado, né, um pouco mais de um quarto. E o Sudeste, que é onde as manchetes, né, mais se volta para o Sudeste, os partidos estão muito voltados para o Sudeste, né, as convenções do Lula e do Flávio Bolsonaro serão aqui em São Paulo, perdeu eleitores. O Sudeste tá com 0,5% a menos de eleitores. As mulheres são maioria desde sempre, A vantagem das mulheres em 22 era de 8 milhões de votos, superou 8 milhões de votos.
Este ano já tá próximo de 9 milhões. É como se tivesse a diferença para os homens, é como se tivesse a mais em relação aos homens uma cidade de São Paulo inteira, o eleitorado da cidade de São Paulo inteiro de mulheres a mais do que homens votando.
É bastante, hein?
Muita gente, né?
Como a gente tem ouvido, é muito determinante.
E é determinante especialmente nessa reta final, que esse grau de indecisão vai diminuir, vai diminuindo. Mas na verdade muita gente deixa para se definir lá na ponta. E as mulheres também são maioria entre os indecisos. Agora, isso não significa que elas vão deixar de comparecer. Eu já falei aqui, vou repetir: as mulheres votam mais que os homens. A taxa de comparecimento delas é bem superior à dos homens. Em 22 foi 2 pontos percentuais acima.
Então elas são muito determinantes por isso, porque elas são maioria, quase 9 milhões a mais do que os homens, e elas comparecem mais do que os homens e são mais bem informadas. Ou seja, elas buscam mais informação e informação qualificada do que em média os homens, porque têm melhor formação. Então este eleitor, que pelo perfil a gente vê que tá crescendo em regiões que o noticiário não cobre, perdeu os jovens e tem uma maioria muito acachapante aí de mulheres, esse eleitor, este desconhecido que vai às urnas em outubro, a gente também não pode se guiar pelas redes para decifrá-lo.
Porque eu peguei uns dados de um especialista em comportamento digital chamado Renato Dolcini, muito curiosos. Ele disse o seguinte: desses 168 milhões de conectados, apenas 27 milhões se manifestam sobre política. E se você pega a taxa daqueles que se manifestam, que têm relevância, ou seja, que têm mais de 5 mil seguidores e que compartilha o que se compartilha, o que eles publicam, Você não passa de 8 milhões. Desses 8 milhões tem uma fatia minúscula, é o ativista digital, que publica 4 vezes por dia.
E este ativista digital gera 60% de todas as menções na internet. Ele publica mais de 20 vezes do que usuário ocasional de rede social. Este ativista digital é apenas 1 milhão de tudo, né? 1 milhão nesse universo de eleitores, 1 milhão desses 168 milhões de internautas. Então é uma bolha, né? É uma bolha que movimenta as redes e não traduz o eleitorado. É muito barulho e que acaba pautando o noticiário e também motivando o discurso político.
Quando a população de carne e osso quer ouvir as propostas que afetam a sua vida, né? E mostra também que essa polarização extremada é algo que está muito vitaminado pela bolha, né? O eleitor está mais desapegado, é isso que eu chamo um eleitor desapegado de suas escolhas eleitorais, porque Os pesquisadores usam o termo que é polarização afetiva, que é o quê? O eleitor que adere a um candidato e rejeita o outro, né? Que é isso que tá arraigado, que eu sou Flávio e não abro mão, eu sou Lula e não abro mão.
Este eleitor corresponde a 30% do eleitorado, o resto não se enquadra nesse perfil. Então é um eleitor desapegado, inclusive do governo. Porque se a gente pegar, tem uma pesquisa recente do Datafolha, se você pega, é uma pesquisa que eles fazem todos os anos, há 13 anos. Se você pega quem acha que precisa de governo, despencou mais do que pela metade. Então é um eleitor desapegado de eleição, desapegado de governo. E um eleitor que você vai dizer, não é um eleitor ignorante.
Não, não, não, não. Talvez o desapego seja justamente pela instrução, porque hoje tem uma fatia que é analfabeto, apenas lê e escreve, tem ensino fundamental completo e incompleto. Esta fatia de eleitores caiu e que cresceu foi todo mundo que tem escolaridade acima disso, né? Hoje a maior fatia do eleitorado tem ensino médio, são 44 milhões com ensino médio, e 18 milhões de eleitores concluíram faculdade. Então Este eleito desapegado ficou mais sabido, Paty.
Muito bem, perfeitamente.