Episódios de Política

Tarifaço dos EUA deve dominar o debate político após a Copa

19 de julho de 202612min
0:00 / 12:44
Marco Ruediger afirma que, com o fim da Copa do Mundo, o foco das redes sociais deve se voltar para o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e para a disputa política em torno da responsabilidade pela medida.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
M

Marco Ruediger

Comentarista
Assuntos4
  • Tarifas EUADonald Trump e a NASA · Governo Trump · Eduardo Bolsonaro e STF · Transição de governo
  • Sistema internacional e geopolíticaEstadia nos Estados Unidos · Cinemark · Brasil · Hegemonia continental
  • Debates Internos PTTitãs · Alexandre de Moraes · STF · Investigação de Jair Renan Bolsonaro · Eleições
  • Copa do MundoMessi · PIX na Argentina · Amor pela camisa
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MRMarco Ruediger

A Semana Política com Marco Rüdiger.

PPetra

Messi versus Pelé, também Trump versus Brasil. Quem foram os protagonistas da semana, nessa semana de adeus à Copa do Mundo? Marco Rüdiger, boa tarde, Marco.

MRMarco Ruediger

Bom dia, Petra. Bom dia, nossos ouvintes queridos. Esse domingo maravilhoso que vai ter um jogaço aí, né? Final de Copa do Mundo, sempre uma coisa bonita para a gente ver. Bom, eu, para começo de conversa assim, eu peço desculpas a quem não torce, mas eu sou time Messi, entendeu? Então eu tô na torcida assim grande. Eu vou te dizer, eu acho que esse cara é um jogador excepcional. Ele não é só um bom jogador no campo, excepcional no campo, mas ele é excepcional como figura mesmo.

Acho que os jogadores, pelo impacto que eles causam, eles têm uma obrigação assim importante de refletir isso para os jovens, para as pessoas. Então Messi e esse time aí da Argentina é um time assim unido. Você vê que eles dão uma camisa, todos eles ganham muito bem, todos eles ganham tão bem quanto os nossos jogadores que estão no exterior. E no entanto, você viu o amor que eles têm pela camisa, o comportamento deles dentro do campo, fora do campo.

Esse é um exemplo. Então eu acho que isso é muito importante. Eu acho que talvez seja isso que o Brasil necessita mais do que tudo, né? Porque perder é muito duro e faz parte, mas perder sem amor pela camisa aí machuca muito, né? Eu acho que o Brasil hoje, acho que a maior missão da CBF vai ser resgatar isso, sabe? Resgatar esse espírito de amor ao país e compromisso com as pessoas e de exemplo dos jogadores. Essa impressão que eu tenho.

PPetra

Esporte, né? É, e assim, pelo jogo de ontem mesmo, eu tava acompanhando com meu filho pequeno, e a emoção que é, o exemplo que é a não desistência, né, Marco? Esse é um assunto que eu vou aqui abordar largamente no Revista CBN de hoje. Mas é muito interessante porque mesmo a seleção fora de campo, fora do Mundial, fora da final, esses certamente foi o grande assunto das redes sociais, contando também a questão do tarifácio do Trump, né? Conta para mim.

MRMarco Ruediger

Pois é, isso daí, esses foram os dois assuntos. É, obviamente esquentou muito. Sempre tem essas comparações do Pelé com Messi, etc., mas o fato que os dois são monstros de futebol em momentos diferentes, né? Que nem você pegar um rei e comparar com outro rei, sei lá, Davi e Salomão. Você compara, assim, são situações diferentes, são momentos diferentes, os dois foram incríveis e você tem que entender isso. E a mesma coisa no futebol.

Então, mas isso protagonizou todo, todo o debate nas redes, né? Só que não por completo. A Copa, ela tá findando, as redes começam hoje, vão bombar claramente a questão do jogo, mas a questão do tarifaço já pegou bastante o debate público. Então o que a gente viu, por exemplo, desde que foi confirmado pelo Trump, pelo governo Trump, a tarifa de 25%, né? A gente teve mais de 180 mil menções no X, no Instagram, no Facebook. A gente teve 800 mil visualizações no YouTube.

Então isso daí gerou um impacto bastante grande. E a questão central nesse debate é de quem é responsabilidade por isso, entendeu? Quem é que é o responsável por esse dano inimaginável ao Brasil, né? E aí a gente viu que a direita, que tava meio adormecida nesse tema, que é um tema incômodo, em função do posicionamento público que Eduardo Bolsonaro teve naquela carta famigerada, horrenda, que vinculava as primeiras restrições ao Brasil, taxações ao Brasil, tarifamento do Brasil à questão também do ex-presidente Bolsonaro, né?

E que evidentemente eles se jactaram de ter interferido nisso. Então eles assumiram, assinaram embaixo parte dessa responsabilidade, e isso levou a uma há uma discussão, digamos assim, mais acalentada nessa segunda parte de quem de fato seria nesse momento o maior protagonista desse problema, dessa questão. E aí a direita tá tentando colocar no colo do governo Lula uma má negociação, né? Eu acho isso muito importante. Eu diria assim, esse é um dos elementos centrais porque ele vai articular toda a estrutura discursiva de quem tá mais capaz, mais bem posicionado para defender o interesse do Brasil.

E aí eu quero te dizer o seguinte: por que que isso é central? Porque no fundo, no fundo, ainda que tenha sido feito toda uma estratégia pelo bolsonarismo de conversar com o governo Trump, algo extremamente mal planejado, com um cheiro, um ranço de traição à pátria bastante acentuado, ainda assim, para o governo americano, o que interessa na verdade é uma outra coisa, é uma situação geopolítica. Eles querem alinhar o continente inteiro de forma bastante subordinada aos interesses que os Estados Unidos têm.

Só que o Brasil não é um país qualquer. O Brasil é a 10ª economia do mundo. O Brasil é gigantesco, tem recursos naturais enormes no mundo de escassez. E o Brasil sempre teve uma proposta e uma ambição de ter um lugar no mundo muito maior melhor do que um país subalterno. Então, para eles, o ideal não é, não são presidentes, digamos assim, como a Claudia Sheinbaum, por exemplo, lá do México, que é uma tremenda presidente, entendeu?

O Lula é inconveniente para eles, o Milei é um cara conveniente para eles porque ele é agachado, ele é subalterno, né? E o Brasil não tem esse interesse, não vai fazer isso.

PPetra

Agora, Marco, pode ser que essa questão, queria te fazer duas perguntas. É uma, você acha que pode acontecer do Brasil aplicar a questão da lei da reciprocidade? 1. E 2, essa questão das tarifas pode abrir ou fortalecer a relação do Brasil com a China? Pode fortalecer a relação econômica entre Brasil e China em oposição a isso que tá acontecendo?

MRMarco Ruediger

Eu acho que fortalece, sim. Não sei se você tá me ouvindo bem, Petra, mas é Perfeito. Eu acho que fortalece sim, evidentemente. O Brasil tem uma parceria importantíssima com a China, nosso maior parceiro comercial. Acho muito engraçado querendo fazer essa dialética com a China. Como é que você tem uma, você tem uma loja, você vai brigar com seu principal cliente? Você vai tratar bem o outro que não quer comprar seu produto ou quer comprar com desconto que não é razoável, entendeu?

Assim, exigindo que você dê para ele mais coisas do que você normalmente dá para qualquer cliente. Quer dizer, se você pensar nesses termos assim mais simplórios, né, de um exemplo que eu tô dando, Como é que você vai brigar com os chineses nesse nível? Nossa relação com os chineses não é uma relação exatamente política, uma relação econômica sobretudo, e a política no sentido de uma globalização e de um, de uma estratégia de uma certa coalizão em cima de alguns temas.

Mas o Brasil, país essencialmente democrático, livre, que tem um sistema político completamente diferente, tem uma complexidade completamente distinta, uma origem cultural totalmente distinta também. Então fazer esse tipo de arranjo é muito pobre. O fato é que o Brasil tem que se posicionar de forma bastante vigorosa nesse assunto.

PPetra

É claro, né, Marco? Você me ouve?

MRMarco Ruediger

Escuto, escuto.

PPetra

Ô Marco, uma coisa que eu quero também que você fale para gente é o seguinte: para essa semana, diante de tudo isso, a questão do tarifácio, bom, vamos já tá com final de Copa do Mundo, esse já vai ser um assunto, uma página virada. Quais devem ser os nossos sussurros das redes?

MRMarco Ruediger

Não, sussurros das redes é a volta da discussão do TSE, Flávio Dino, acho que tem voltado, a questão do Alexandre de Moraes também tem voltado, né? Esse é um crescimento, por exemplo, na busca de Google, quase 30% no geral do que existia uma semana atrás. Então está aumentando muito em função, entre outras coisas, do, do, da volta ao tabuleiro das críticas ao STF, né? Obviamente, assim, uma delas é, por exemplo, o Alexandre de Moraes veta a visita do presidente Milei ao ex-presidente Bolsonaro.

Bom, presidente Bolsonaro não tá no spa, ele não tá no spa, ele foi condenado, ele atentou contra a democracia, ele tá, ele tá no cárcere, ele tá, ele tá, ele não, aquilo ali não é uma casa de veraneio que ele pode receber quem ele quiser, a hora que ele quiser. Esse é o ponto. É claro que Lula teve capacidade de poder usar o espaço durante o tempo em que ele ficou preso para falar. Isso aconteceu de fato. Mas também eu acho que tem nuances.

E aí não sou jurista, não posso opinar, mas do ponto de vista assim do direito, né, digamos assim, um leigo engajado, eu posso dizer o seguinte: são coisas diferentes. No caso de Lula era um tipo de acusação baseada numa coisa chamada domínio do fato. Altamente polêmico, e no outro caso é um atentado contra a própria estrutura institucional democrática do Brasil. São coisas diferentes, ok? Então, mas eu não sou, não sou jurista.

Acho que talvez até um jurista devesse vir para o programa para fazer esse debate. Mas o fato é que colocar isso já é o tensionamento da campanha, o que tá se tratando agora. Não é mais Copa do Mundo nem nada, agora é a campanha. E a vitimização faz parte do processo e da narrativa que é construída pelo bolsonarismo. Então a gente tem um problema, a esquerda tem alguns problemas, tem um deles muita gente diz, ah, se a esquerda continua no poder, o gasto público continua muito alto.

De fato, tá batendo 80% do PIB, tem que ser revisto. Mas só pode ser revisto depois das eleições, onde os ânimos são um pouco mais serenados e dá para sentar numa mesa. Eu acho que talvez a grande missão do quarto mandato do presidente Lula poderia ser essa: chamar as pessoas para ficarem em volta da mesa e aí poderem repactuar o Brasil. E agora, nesse momento, é, estamos na eleição, é política, é briga mesmo, não tem jeito. E o tarifaço se insere numa estratégia americana de geopolítica, de hegemonia no continente, de tentativa de buscar esse realinhamento, digamos, de vários países.

Só que o Brasil tem sua própria agenda, é um país muito grande. Então há conflito mesmo e o governo Lula vai ter que responder.

PPetra

É isso. E a gente vai acompanhar aí os desdobramentos de tudo isso que deve continuar aí, essa bola que deve continuar levantada aí nos próximos dias, nas próximas semanas. E a gente acompanha. Afinal de contas, acaba a Copa do Mundo, a gente volta para o noticiário político com força total. Afinal de contas, além de tudo, esse também é um ano de eleições. Marco, querido, um beijo para você, boa semana, bom jogo aí, boa torcida também.

Segura o coração, mesmo sem Brasil na final, é muito emocionante acompanhar uma final como essa.

MRMarco Ruediger

Um beijo, vai ser um jogo bonito, não importa quem ganha, vai ser um jogo bonito.

PPetra

A gente espera.

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