Impacto eleitoral do tarifaço: 'Prejuízo maior é para Flávio Bolsonaro'
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Surpresa! Vera se despediu ontem, mas está conosco. Tudo bem, Vera? Boa noite. Tudo bem, Débora. Boa noite para você e para Carol.
É que eu Gosto tanto de fazer o Viva a Voz que o atraso no meu voo me fez dizer, pessoal, tô por aqui ainda, vamos fazer, vamos fechar a semana.
Isso que é uma funcionária padrão, né? Oi, Vera, bem-vinda! Atrasou, ela falou, vou fazer.
E os ouvintes agradecem, viu? A gente também. Ô Vera, vamos começar falando do assunto da semana, que acabou sendo a confirmação das tarifas adicionais a vários produtos brasileiros. Inclusive teve aí um petardo político de Marco Rubio contra o Brasil e queria ouvir de você quais são os prejuízos comerciais e qual é o saldo político desse episódio.
Débora, os prejuízos comerciais tendem a ser menores do que se imaginava porque a lista de exceções aumentou um pouco. Então saíram o mel orgânico, café solúvel, saíram os pescados e o Brasil aposta em novas exceções à medida que for ficando claro que os produtos sobretaxados podem prejudicar a economia americana, podem levar a mais inflação, podem levar a desabastecimento, coisas que piorem a avaliação do Trump. Tem um motivo para essa crença do Brasil.
Foi assim no primeiro tarifação, e quando se fez as contas, viu-se que o prejuízo não foi tão grande quanto aquele projetado inicialmente, e que o Brasil conseguiu compensar uma boa parte da quebra das exportações para os Estados Unidos, abrindo comércio, abrindo mercados com outros países. Então dá para se fazer uma limonada desses limões que, de novo, Washington entrega ao Brasil na forma de tarifas, né? Tem mais coisa que pode vir.
Ficou ali uma impressão para o governo brasileiro que pode vir alguma coisa direcionada especialmente ao Pix. Daí porque a participação do Gabriel Galípolo naquela frente lá, naquele pessoal que tava ontem falando a respeito do tarifação. Então eles acham que aí tem de estar preparados para reagir a novos ataques e a novas sanções de diferentes formas contra o Brasil. Então o Brasil tá de sobreaviso, tá em alerta, mas até agora A ideia é não reagir com, por exemplo, a lei da reciprocidade.
Eles acham que isso pode dar uma desculpa para Trump para falar em deslealdade. Olha o Brasil aí praticando uma política desleal. E aí sim vir com tudo para cima do Brasil. Então é segurar a onda com compensações aos setores atingidos, fazer novas reuniões para tentar aumentar a lista de exceções e, pelo menos por enquanto, evitar a lei da reciprocidade.
O Vero, Flávio Bolsonaro vinha tentando conter outros focos de desgaste. Nesse caso do tarifácio, tentou atribuir a culpa ao Lula. Nesse jogo retórico aí das responsabilidades, quem sai ganhando e quem perde aí ao fim dessa semana?
É bom você me perguntar isso, que aí eu falo um pouco do saldo político que a Débora tinha me perguntado também, eu acabei não tratando. A pesquisa Quest deixa muito claro que o prejuízo maior dessa situação é para o Flávio Bolsonaro. A maioria das pessoas atribui a ele o fato do Brasil tá sendo taxado de novo. A maioria também não vê com bons olhos a relação do bolsonarismo com Washington. Então, o que eles esperavam que fosse um trunfo, vendiam como um trunfo esse acesso que eles têm à Casa Branca, Não se mostrou dessa maneira, se mostrou na verdade um tiro no pé.
E hoje em dia, dada essa forma como o Donald Trump tá tratando o Brasil, a maioria dos brasileiros vê com maus olhos os Estados Unidos, tem uma má reação em relação aos Estados Unidos. Então, para 51%, foi o Flávio Bolsonaro que pediu ao Trump para tarifar o Brasil. 49% acreditam que essas tarifas na verdade são uma retaliação do Trump ao fato de o Brasil ter o Pix, algo que é super aprovado, né? O brasileiro gosta do Pix. A maioria das pessoas tem conhecimento que o Flávio Bolsonaro esteve lá com o Trump e acha que ele foi tratar disso, e acham que ele não vai ter força para fazer o Trump voltar atrás.
Então todas as perguntas da pesquisa Quest são negativas para o Flávio Bolsonaro. Daí porque ele veio logo com aquela reação bem colérica dizendo a culpa é do Lula e tal, para tentar empurrar esse mico. Mas não tá fácil fazer isso da parte do governo. Tem a chance de novo de reafirmar o discurso da soberania e de se aproximar desses setores que foram atingidos e que podem ser beneficiados, por exemplo, com a segunda etapa do programa Brasil Soberano.
Qual é o risco? Risco é o Lula, como sempre, falar de improviso e querer falar no gogó, querer crescer para cima do Donald Trump. Porque aí, se entrar nessa seara de um atacar o outro, o Brasil tem muito mais a perder. Os Estados Unidos são muito mais fortes. Então hoje o Lula, que até então vinha sendo convencido a ficar quieto, deixar o Geraldo Alckmin cuidar desse assunto. Ele falou, vou deixar para falar do tarifação depois, mas falou.
Enquanto ele não falar, eu não falarei, mas falou. Nós vamos ter que mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Então ele tá dizendo que o Trump tá mentindo. Ele não ia falar, mas não se aguentou e falou um pouquinho. Então o risco maior para o governo e para a campanha do Lula É sempre o improviso do Lula.
Vera, pesquisa Quest também não trouxe boas notícias para campanha do PL. Qual deve ser a estratégia da direita e também da estratégia do próprio presidente Lula, né, para o início oficial da campanha que tá chegando já?
Pois é, além dessa questão, né, que foi um recorte específico, essa coisa da relação com os Estados Unidos, os outros dados da pesquisa mensal da Quest também não foram positivos para o Flávio Bolsonaro. O Lula cresceu tanto na sua avaliação de governo quanto na espontânea, quanto na avaliação estimulada de primeiro turno e de segundo turno. A diferença entre eles se aproxima hoje muito daquilo que era em dezembro. Então é como se Flávio Bolsonaro tivesse jogado fora todo o primeiro semestre em que ele havia crescido bastante, como aquela coisa da lenda do Sísifo, que rola uma pedra para cima Chegando em cima da montanha, a pedra volta para baixo.
E ele tá com dificuldade para encaixar um discurso que funcione. Ele tentou ir aos Estados Unidos participar daquela audiência para ver se conseguia reverter a crise em relação ao Trump. Não funcionou, como mostra a pesquisa. No caso das mulheres, ele tá tentando pôr de pé um plano específico que fale às mulheres, que fale em empreendedorismo feminino, que traga ali plataforma digital para as mulheres, mas não sabe se isso vai ser suficiente para minar uma rejeição que é histórica das mulheres ao bolsonarismo.
Então são muitos problemas para enfrentar e a cada semana surge um foco diferente de crise. Não tá simples para ele e o maior risco que ele corre hoje é aqueles que aqueles setores que mais estão apoiando a candidatura dele, a saber, alguns setores empresariais e o mercado financeiro, entendam que ele não é um candidato capaz de ganhar do Lula. E isso faria com que esses apoios aí, que são importantes, estratégicos, migrassem para algum outro nome da direita.
Ô Vera, na saideira aí antes do recesso, o Congresso aprovou mais uma pauta bomba, né, aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde. Tendência de que o assunto seja judicializado de novo?
E a tendência é que, em sendo judicializado, as pautas-bombas sejam derrubadas. O Supremo tem uma jurisprudência consolidada em relação à maioria desses projetos de impacto fiscal que o Congresso está aprovando. E a Lei de Responsabilidade Fiscal é clara que não se pode criar despesa sem uma fonte de receita que a justifique. Então eu acho que se cair lá, e vai cair lá, a tendência é que tanto esse projeto do aumento para os agentes comunitários— não é um aumento, é uma aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde— quanto a que tá na Câmara, ainda não votou finalmente, mas aquela prorrogação da dívida dos produtores rurais, que essa ainda é mais custosa para os cofres da União do que a medida previdenciária, as duas tendem a cair no Supremo.
Então o governo só vai ver quem é que bate lá na porta, se é ele próprio, governo, o que eu não acredito, porque acho que eles vão terceirizar isso para não ter mais um foco de crise com o Congresso. Então deve ser algum partido da base, o PSOL, PT, a bater lá e judicializar para que sejam derrubadas essas medidas.
Muito bem, semana agitada como sempre. A próxima também será, não será diferente. Verinha então terá um descanso de uma semana, mas a gente continua aqui no Batente, eu e Carol Moran. Ô Vera, não ia ter nem viva-voz, gente, vocês estão cobrando música, tô cobrando música. O Henrique falou que se você pedir a música ele já coloca para tocar aqui agora, Henrique Dias, hein? Aceitou o desafio, tá se garantindo, gente.
Então eu vou recomendar um disco novo do Fito Paes. Isso não significa que eu estou torcendo para Argentina, mas Argentina tem boa comida, boa música, tem alguns aspectos positivos, e não é o futebol nenhum. O Messi é legal, gostamos do Messi, mas não torceremos para Argentina. Mas vamos terminar com Fito Paes. Vai que ele é uma espécie de Mick Jagger argentino e já dá azar para a seleção. É, acho que é o disco novo do Fito Paes, ele chama, eu vou te dizer já já, Shine.
Aí pode ser qualquer música do Shine porque ele é um disco inteiro muito bom. Pode ser a Virtu Rex, que é a segunda, Henrique.
A segunda, Henrique Dias. Você falou que era só pedir que vocês já iam colocar na tela.
Agora vai ter que pedir.
Ô, Henrique Dias errado aí no rolê. Não, pode ser qualquer um, meu pai. Ele está certo.
Pode ser qualquer um, pode ser que eu consegui.
Amo! Inclusive, é a música Shine que dá nome ao álbum.
É isso, ele é quase brasileiro, já fez parceria com muitos brasileiros, Paralama dos Sucessos e do Sucesso e tantos outros. Então vamos considerar que ele é quase brasileiro.
Valeu, Vera!
Bom descanso para você essa semana, um beijo para vocês também, um ótimo trabalho até dia 27, gente. Beijo!
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