Episódios de Política

Pressão cresce no STF por prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

21 de março de 202617min
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Em entrevista ao Revista CBN, Bruno Silva destacou o aumento da pressão sobre o Supremo Tribunal Federal para conceder prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, que segue internado sob custódia policial. Pressão se intensificou neste sábado, dia do aniversário do ex-presidente. Os filhos de Bolsonaro fizeram posts nas redes homenageando o pai e pedindo mais uma vez pela liberação da domiciliar.

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Assuntos8
  • Historia da CienciaDelação premiada de Valdo Caro · Selectividade da delação · Comissões parlamentares de inquérito · Vinculações políticas · Impacto nas eleições
  • BolsonaroPressão sobre o STF · Internação hospitalar sob custódia · Aniversário de Bolsonaro · Mobilização dos apoiadores · Sensibilidade de ministros
  • Atuação de Lucia na políticaCandidaturas confirmadas · Estratégia do Senado · Movimentações de parlamentares · Prazo de descompatibilização · Reeleição de incumbentes
  • Eleições Rio de JaneiroCríticas políticas de esquerda e direita · Narrativas conflitantes · Disputa de poder · Legitimidade institucional · Ministros no olho do furacão
  • Atuação ParlamentarRecursos para reeleição · Pressão ao governo federal · Transparência e rastreabilidade · Resistência do STF · Barganha política
  • Inflação e Política MonetáriaAumento de preços na bomba · Conflito no Oriente Médio · Preço do petróleo · Risco de greve de caminhoneiros · Gestão governamental
  • Ministros deixam governoConfirmação de Dario Durigante · Saída de Fernando Adade · Continuidade de política econômica · Desafios com inflação e combustíveis · Gestão fiscal
  • Reforma TributáriaImplementação de reformas · Pressões de estados e municípios · Redistribuição de recursos federativos · Agenda do governo
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Brasil. Na capa das nossas informações sobre Brasil, a gente trouxe aí com o Meire Bertotti, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que completa hoje 71 anos de idade e segue internado no Hospital DF Star, sob custódia policial, a pressão para que ele vá para a prisão domiciliar. E a gente tem aqui para falar a respeito desse assunto, também a questão do Banco Master e as articulações políticas em todo o Brasil.

político e comentarista da CBN, Bruno Silva. Bruno, boa tarde. Olá, muito boa tarde, Petra. Boa tarde a todos os queridos ouvintes. Tudo bem? Tudo ótimo. E essa questão, a gente abriu aí com o Meire falando a respeito de Jair Bolsonaro, que segue internado. Existe essa pressão para que o STF conceda a prisão domiciliar a Bolsonaro. Em todo esse contexto, a gente tem também correndo aí a questão

do Banco Master, da questão da delação premiada de Vorcaro, como é que isso vem sendo encaminhado. É muita coisa para a gente analisar. Eu quero saber a sua visão sobre a nossa semana política, Bruno. Vamos lá. Aconteceu bastante coisa ao longo dessa semana, né, Petra? Começando pela questão do Bolsonaro, eu acho que talvez a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal vai ser maior, principalmente por aqueles que são os apoiadores do ex-presidente, a fim de que essa prisão domiciliar, assim que ele conseguir se recuperar,

seja, de alguma forma, uma das prioridades no âmbito do Supremo. E talvez até mesmo dentro do Supremo Tribunal Federal, agora, diante da nova conjuntura, Petra, aqueles ímpetos um pouco mais duros que vinham principalmente por parte de Alexandre de Moraes, talvez possam ser um pouco mais arrefecidos e, quem sabe, se mostrar um pouco mais sensível a demanda da defesa como um todo. É óbvio que os crimes cometidos foram crimes graves, a pena tem que ser cumprida,

Como nós estamos falando de uma corte que agora está no olho do furacão, Petra, e que está sendo alvo constantemente de críticas por parte de diversos setores da sociedade, a gente até comentava aqui nos bastidores, já tem pesquisas dando conta de mostrar que tem crescido a percepção na população brasileira de que ministros do Supremo Tribunal Federal, mostrando essas ligações, essas vinculações de forma ainda mais nítida, ainda mais clara em relação ao caso Master, podem vir a ser alvo de impeachment.

tem crescido a aceitação desse processo dentro da sociedade brasileira. Então, talvez, em virtude do Supremo estar sobre essas pressões, pode ser que internamente a costura de alguns ministros seja no sentido de, talvez, conferir isso a fim de poder arrefecer um pouco mais as críticas. Se vai arrefecer, já é outra história. Acho que, se depender de Alexandre de Moraes e daqueles que fizeram a condenação de Bolsonaro, não vai ter nenhum tipo de...

de arremedo, enfim, não vai ter nenhum tipo de facilitação, não. Mas é um entendimento da corte também como um todo que está em jogo nessa história, viu, Petra? E tem muitos ministros no olho do furacão. Muitos ministros no olho do furacão. Como é que você imagina que vai ser o desdobramento disso nessa semana, Bruno? Ó, eu acho que tem dois pontos que a gente vai ter que observar bastante. Primeiro porque agora a campanha como um todo, e aí não tem a ver com o Supremo, mas esbarra nele. A campanha como um todo está na rua, né, Petra?

Ainda em relação a essa última semana, por exemplo, a gente já teve agora o Lula confirmando aquilo que eram as hipóteses, com o Fernando Haddad sendo candidato ao governo do Estado. Hoje mesmo nós tivemos a notícia da Simone Tebet, que sai do MDB após décadas no partido e vai para o PSB para poder ser um quadro competitivo do ponto de vista do Senado, com a expectativa por parte do PT e de todos os seus correligionários de que possam fazer até mesmo duas cadeiras ao Senado em São Paulo,

a oposição O em relação ao governo federal ainda está batendo cabeça sobre quais os nomes fazer devidamente a sua indicação e além disso vai elevando mais a pressão como um todo porque há uma preocupação que é uma preocupação real hoje a essa altura de que a oposição tem a estratégia de poder ampliar sua representação no Senado com o objetivo específico de gerar desgaste no Supremo Tribunal

Federal. Então, por isso que eu digo que as movimentações que a gente vai acompanhando a partir de agora, elas vão se dar nesses dois sentidos. Primeiro, do ponto de vista da política, todos aqueles que estão jogando o jogo, bolsonaristas, lulistas, aqueles que querem se colocar como uma espécie de terceira via, todos eles selando os seus acordos, né? Inclusive, a gente tem que prestar bastante atenção, viu, Petro Vintes, sobre o prazo aí, que é o prazo de descompatibilização agora no mês de abril, porque encerrando esse prazo, aí a gente já vai ter clareza total de todos aqueles que vão disputar

efetivamente cargos, principalmente aqueles que são ministros, que estão deixando, como é o caso da Haddad, da Simone Tevitt e outros, como o Alckmin, por exemplo, que ainda é uma incógnita para onde efetivamente irá, se vem para disputar alguma coisa em São Paulo, se vai ser vice do Lula. Do outro lado, a oposição ao governo federal, como a gente já sabe, eu já cheguei até a comentar em alguns momentos aqui também, definiu o Senado como uma grande eleição, definiu o Senado como uma grande fronteira, vamos dizer assim, a ser aberta e consolidar o poder político.

esse grupo, a fim de poder criar essas dificuldades e esses constrangimentos. Então, eu penso que para o Supremo Tribunal Federal, o que está passando na cabeça de vários ministros é assim, como a gente consegue sair um pouco mais de cena nesse momento que tudo está jogando contra nós. Porque até agora, dos desgastes políticos em relação ao caso Master, entre, vamos chamar assim, lulistas e bolsonaristas, há disputa de narrativas. A esquerda, de modo geral, até pelas redes sociais nessa semana, Petri,

as críticas, produzindo vídeos no sentido de tentar fazer colar o caso Master como sendo um caso de corrupção, de beneficiamento ilícito, envolvendo atores e personagens que tiveram ou mantém vinculação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e todo o seu entorno político. Por outro lado, a direita, de alguma forma, vem tensionando e pressionando, sobretudo através da sua atuação no âmbito das comissões parlamentares de inquérito que hoje estão em andamento,

Duas comissões têm mostrado algumas vinculações com o Master, enquanto não sai a grande comissão, que é uma expectativa, que é a comissão específica para analisar o caso do Master. Mas, por exemplo, a do INSS já mostrou vinculações. A do crime organizado, hora ou outra, também já dá alguns indícios de que pode ter relações mais profundas envolvendo o Master. E, com isso, o jogo político vai sendo jogado. E o que os ministros do Supremo querem é, talvez, ser menos holofote para poder se fortalecer,

internamente frente às críticas que são cada vez mais intensas. Essa semana, portanto, pode ser, então, muito decisiva nesse sentido de, enfim, tanto a questão das datas para as candidaturas, mas também o que a gente vai acompanhar de delação do Banco Massa, se vai ter ou não, é tudo isso acontecendo nessa semana. É, e aí a questão da delação acho que é um grande ponto de interrogação, porque eu recordo também que na última semana, quando a gente falava sobre isso, eu já chamei a atenção sobre algo que foi amplamente destacado nessa semana,

semana na mídia, Petra, que é a questão da seletividade da delação. Porque se há ligações de Vocaro com boa parte da classe política, como está ficando evidente, ministro do Supremo, figuras ligadas ao Banco Central, parlamentares de direita, de centro, figuras da esquerda, enfim. Então, se há toda essa vinculação, a questão é muito simples. Vocaro está jogando um jogo que não é o jogo apenas de salvar a pele do ponto de vista jurídico. Ele está jogando um jogo, como sabe,

jogá-lo de alguma forma, porque se tem todas essas vinculações, é porque é uma figura de confiança também de muitos desses personagens ao longo do processo, por conta do dinheiro, da grana. Então, ele está jogando um jogo que é um jogo político, Petri. E aí, a gente tem que tomar muitíssimo cuidado como sociedade, para que essa... Se, aqui são hipóteses, se essa delação vier realmente a sair, quem que Vocaro vai querer colocar em destaque e quem ele não vai dar tanta ênfase assim.

Esse é o ponto central que a gente precisa compreender, porque isso, inclusive, tem potencial de ser determinante na forma como a campanha eleitoral vai ser construída nesse ano. Porque esse caso, desde que ele começou a estourar, devido à gravidade, à grandiosidade dele, tem que ser muito ingênuo para achar que ele vai acabar por isso mesmo agora. Então, vai ainda se estender, vai continuar tensionando a corda, hora ou outra vai ficar aquela expectativa de quem está envolvido, quem não está, até onde vão essas relações entre esses indivíduos.

E, portanto, qualquer olhar, vamos dizer assim, para dizer que é só isso que o Vocar está dizendo que importa, tem que tomar cuidado, porque às vezes vai dar ênfase em certas coisas e vai deixar de falar nomes e outros personagens por conta justamente desse jogo político que se avizinha. Nesse sentido do que você falou, de todas as articulações políticas que devem acontecer, com data limite para esses próximos dias,

do Executivo, também a questão do Senado, que você comentava com a gente, para a Câmara. E como é que a gente vai... Tem que observar, Bruno, essas articulações à luz do que aconteceu nas últimas eleições. Quão diferente a gente encara, agora com o Bolsonaro preso, essa pressão para ir para a prisão domiciliar, quão diferente é o cenário que a gente encara nesse 2016? Quais são as suas previsões?

Eu acho que o cenário que a gente tem, Petra, ele é um cenário que está marcado por dois processos, ao meu juízo. O primeiro dos processos é o seguinte, há, até pela lógica do jogo político, uma maior tendência de que esse Congresso que aí está consiga, de alguma forma, a boa parte ser reeleita, por exemplo, dos parlamentares ou estejam em condições muito fortes de jogar esse jogo por conta justamente da forma como eles têm lidado com recursos orçamentários,

da maneira como eles têm atuado politicamente. Então, a gente pega, por exemplo, a despeito da ideologia e a despeito de qual é o posicionamento político, todos eles estão de olho nesses recursos da forma de emendas, fizeram várias pressões entre o final do ano passado e início desse ano para o governo federal se mostrar sensível a essa execução, onde eles têm enfrentado um pouco mais de resistência, é no âmbito do Supremo Tribunal Federal e especificamente Flávio Dino, que tem imposto algumas dificuldades no sentido de chamar atenção para questões de transparência, rastreabilidade,

a execução técnica mesmo dessas emendas. Mas o cenário, a meu juízo, do ponto de vista do Congresso, ele é muito favorável àquilo que a gente chama na ciência política de incumbente, daquele que já está à frente do cargo. Onde pode ter um ponto de interrogação muito grande? O que poderia gerar uma mudança maior nesse cenário como um todo? Essas questões envolvendo as figuras políticas dos partidos e principalmente presidentes de partido, caciques políticos que possam estar arrolados nessa

a história toda, porque aí tem um impacto direto na urna. Vamos lembrar, só para guardar aqui um paralelo, que essa condição da classe parlamentar, de conseguir ter esses recursos para poder pensar na lógica de reeleição, foi algo que veio sendo gestado nos últimos anos, mas que num contexto, que era um contexto onde lá atrás, voltando no tempo, como por exemplo em 2018, nas eleições nacionais, nós tínhamos boa parte da classe política, quase que

sentada ali no banco dos réus, ainda com o impacto da Lava Jato e tudo que veio da onda do bolsonarismo, vamos lembrar que ali foi feita uma devassa, onde muitos parlamentares novos entraram, muitos daqueles que não eram os figurões políticos por conta da sensação e do sentimento da sociedade brasileira de que a corrupção era sistêmica e vamos trocar e vamos mudar e vamos alterar tudo. Então você teve um impacto real quando você olha para as urnas. Agora, em tese, antes de tudo isso que a gente está vendo do mar,

Em tese, era para ser uma eleição mais sistematizada, no sentido de que aqueles que já estão em posição de poder, ou já estão ali com a sua liderança consolidada, têm chances muito maiores. Mas vai depender. Hoje, qualquer tipo de previsão no sentido de que está tudo estável, os partidos vão ampliar a representação assim, é muito prematuro. Por quê? Porque essas figuras e esses personagens, principalmente quando chegam nos líderes de partido,

Atenção, Petra, porque esses são os que controlam os recursos, que financiam as campanhas e que montam, eventualmente, as chapas olhando para dentro do cenário nos seus respectivos estados. Então, tem muitos cálculos políticos. Até agora, o que eu tenho percebido, o caso do Master tem respingado muito mais no Supremo do que necessariamente nos parlamentares. Mas é só até agora. E vamos falar também, o último assunto que eu quero repercutir com você, também o novo nome, Bruno,

ministro da Fazenda foi confirmado nesta sexta-feira. O Dário Durigan, antigo titular da pasta, Fernando Haddad, deixa o cargo justamente para concorrer ao governo de São Paulo. O que a gente fala sobre isso também, essa pincelada que você pode dar para a gente hoje? O número dois ali, um dos braços direitos também, curioso, vai ser o primeiro, se não me falha a memória, ministro da Fazenda que não é da dimensão econômica no histórico mais recente. Vamos lembrar que o último tinha sido o Fernando Henrique.

que é sociólogo, enfim, que ocupou o Ministério da Fazenda lá atrás durante o governo Itamar. É alguém que vai dar uma sequência ao meu juízo, viu, Petra, naquilo que já é a política econômica do governo. Ninguém vai dar nenhum tipo de cavalo de pau, mudança drástica a essa altura do campeonato, até porque o que o Lula, todo o partido, o próprio Haddad, enfim, que todo mundo está muito preocupado é com as eleições desse ano e principalmente agora com as mudanças do cenário econômico. Talvez aí o Durigan vai ter um desafio,

grande relacionado a um possível repique da inflação, por conta da questão dos combustíveis, do conflito no Oriente Médio e essa alteração do preço do petróleo como um todo. Então, ali ele vai ter um desafio muito grande de ter que gerenciar para ter que observar e, de algum modo, fazer o que for possível que tiver dentro do seu arco de competência para segurar que essa inflação não acabe subindo, porque a percepção da população em pouco mais de duas semanas tem mudado muito a respeito da capacidade do governo de conseguir segurar

Essa crise toda, o preço na bomba está subindo, o diesel já está bem mais caro do que estava lá atrás, começa a zoom, zoom, zoom de eventualmente caminhoneiros acabarem levando adiante uma greve, uma paralisação, algo nesse sentido. Então há uma instabilidade política dentro desse cenário que o próprio governo tem suas limitações para dar uma resposta. Então acho que nesse instante, nesse momento, esse é o maior desafio que ele terá à frente da gestão da pasta como um todo.

já são aqueles que estão no desenho mesmo, né, Petra? A questão do acaboço fiscal, a implementação da reforma tributária, as pressões que vêm dos estados e municípios, que toda hora batem também no Ministério da Fazenda sobre redistribuição de recursos, no âmbito federativo. Então, esses assuntos são assuntos que o Haddad já vinha, de alguma forma, lidando com cada um deles. Agora, o que vai pegar mesmo, nesse exato momento e na atual conjuntura, é a questão envolvendo o preço dos combustíveis. E um último comentário, só que é uma curiosidade.

aqui do interior, próximo de onde eu estou. Ele é da cidade de Bebedouro, natural de Bebedouro, projetado para o Ministério da Fazenda em Brasília. Bruno Silva, nosso comentarista de política aqui no Revista CBN, trazendo esse panorama da semana política, do que aconteceu e do que deve acontecer também. Querido, um beijo para você, bom trabalho e até a próxima. Que agradeço, querida. Um beijo grande, um abraço a todos nós, queridos ouvintes. Bom sábado e bom final de semana. Até.