Possível delação de Vorcaro: 'Podemos esperar algo bombástico para que seja validado'
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- Segurança OperacionalNegociação com Polícia Federal e MPF · Processo minucioso e lento · Exigência de corroboração de provas · Transferência para superintendência da PF · Necessidade de revelar esquema financeiro maior
- Bloqueio de investigações parlamentaresProteção de ministros · Decisões que freiam CPIs · Sigilo de fundos ligados a políticos · Coordenação entre ministros · Aval silencioso da cúpula do Congresso
- Eleições Rio de JaneiroSaída do Ministério da Fazenda · Estratégia de Lula para eleições · Legado na macroeconomia · Arcabouço fiscal · Relação Lula-Haddad
- Comissões Parlamentares de InquéritoCPI do crime organizado · Investigações sobre fundo do Master · Imendas parlamentares para Igreja Lagoinha · Desincompatibilização de parlamentares · Falta de CPI específica para Master
- Estrategia GovernamentalAtribuição de responsabilidade ao governo Bolsonaro · Papel de Roberto Campos Neto · Discurso presidencial sobre origem da crise · Pressão política sobre supremacia
- Atuação de Lucia na políticaAumento de juros do Copom · Preço dos combustíveis · Risco de desabastecimento · Risco de inflação · Greve de caminhoneiros
Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para a Carol, para quem nos escuta e quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite. Ô, Vera, a notícia da semana não é oficial, mas onde há fumaça, há fogo, como diriam. Daniel Vorcaro deu todas as amostras, várias pistas de que iniciou um processo de delação premiada,
um termo de sigilo, foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em Brasília. O que podemos ter aí nos próximos dias? Tudo, tudo e de repente nada. Se prosperar uma operação que parece estar em curso para tentar conter as investigações. Ela ficou mais difícil essa semana. A gente teve aí alguns sinais de que poderia haver uma união de setores do legislativo com setores da...
do Supremo para abafar tudo, mas essa movimentação em torno da delação do Vorcaro, acho que torna tudo bem mais difícil. Esse acordo de sigilo que ele firmou, eu apurei que é com a Polícia Federal e também com o Ministério Público, num sinal de que, se quiser, o MPF pode também participar das negociações para firmar um termo de delação premiada lá na frente.
muito envolver muitas tratativas a respeito de quais os temas, os capítulos da delação que vão gerar, por sua vez, uma série de tomos, vários anexos e que dependem de corroboração, provas de corroboração. Não pode só você chegar e falar era assim, assim, assim, sem apresentar nenhum elemento de prova para além.
do seu testemunho. Então, é um processo minucioso, lento, de idas e vindas, de negociação, não, isso aqui não está bom, preciso demais. Então, a gente não tem nenhum prazo para imaginar que isso possa acontecer. O ministro André Mendonça parece ter tomado cautela no caso da transferência do Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal, para evitar aquela imputação
que é bem recorrente em casos de delação, de que a pessoa só delatou porque estava submetida à pressão, submetida a situações de humilhação ou de semelhantes à tortura ou de coação e coisas do gênero. Então, agora ele está num lugar bem confortável, a mesma sala em que o Jair Bolsonaro ficou no início do cumprimento da sua pena. E esse processo tende a se prorrogar,
e prolongar por algumas semanas. Mas, para ser aceita, a delação dele precisa necessariamente ser muito forte, porque ele é tido até aqui como o líder disso que é descrito como uma organização criminosa. Então, ele precisa mostrar que ele está indo além da organização dele, entregando pessoas importantes para um esquema, provavelmente vai dizer que de lesão ao sistema
financeiro nacional e etc. Então, a gente pode esperar algo bombástico para que seja validado, porque se for só meia boca, provavelmente não vai ser aceita. Vera, o ministro Gilmar Mendes, nessa semana, voltou a dar uma decisão anulando quebras de sigilos da CPI do crime organizado. Deu aquela declaração, então, até emocionado, dizendo que o Brasil deve muito ao ministro Alexandre de Moraes. Tem hoje um grupo no Supremo que atua para frear essas investigações,
Dá para dizer, sim, Carol, porque são muitas ações de um grupo específico no sentido de proteger uns aos outros e de, sim, constranger ou frear ou tentar minimizar o estrago que as duas CPIs em curso no Congresso podem causar. Então, só nessa semana, a gente teve essa decisão do ministro Gilmar
a quebras de sigilo de um fundo ligado ao Master, feita pela CPI do Crime Organizado, para tentar driblar aquela outra proibição de quebra de sigilo da empresa do ministro Dias Toffoli. Então, eles pretendiam quebrar o sigilo desse fundo para chegar indiretamente a uma investigação sobre o ministro Toffoli. E o ministro Gilmar foi lá e fechou essa porta também com uma série de admoestações,
e que geraram, por sua vez, uma reação dos parlamentares da CPI apontando essa operação abafa. E o ministro Flávio Dino também deu uma decisão em relação ao presidente da CPMI do INSS, uma decisão correta que ele tem, sim, de apresentar dados referentes a emendas que ele destinou ao braço da Igreja Lagoinha,
lá de Belo Horizonte, ligado ao cunhado do Daniel Vorcaro, mas que vem num momento em que a CPMI também tentava avançar sobre esse caso Master e sobre o caso do filho do presidente, o Lulinha. Então, tem essa ação aí que parece, sim, coordenada dos ministros de conter as CPIs, de confrontá-las, e que tem um aval silencioso da cúpula do Congresso, que não quer que elas se provoquem
e que nem pensa em instalar uma CPI específica do caso Master. Então, isso estava em curso e parecia forte no início da semana, mas eu acho que as tratativas para a delação do Vorcaro deram um banho de água fria nesse... Não é um colchavo, não dá para dizer assim, mas é uma espécie de realinhamento, um alinhamento entre um setor do Supremo
em um setor do Congresso. Tanto é que o voto do ministro Gilmar, que deveria e deverá talvez vir cheio de recados para a Polícia Federal, para as CPIs, não chegou até agora. Ele tem até hoje para apresentar um voto naquela ação justamente para a manutenção da prisão do Vorcaro. E esse voto não veio até agora. Vamos ver o que vai vir. Mas o fato é que a notícia de que ele vai delatar deu uma sacolejada
em todo o sistema ali. Vera, também foi uma semana importante do ponto de vista da política, porque muita gente se antecipou ao prazo final para a desincompatibilização para ser candidato. Vamos começar por Fernando Haddad. Ele agora está querendo demonstrar que está animado, animadíssimo para a campanha ao governo do estado de São Paulo. Está mesmo? Uhul! E qual legado a gente pode dizer que ele deixou no Ministério da Fazenda?
Ele não está, ele está indo para essa campanha porque o Lula insistiu muito. Eu acho que o primeiro desejo dele seria não se candidatar a nada, mas se fosse se candidatar, talvez se candidatar ao Senado, porque é uma disputa para a qual se acredita que ele teria mais chance e as próprias pesquisas mostram uma chance maior. Então, ele está indo para o governo porque é o lulista mais bem cotado, é o que tem uma performance melhor nas pesquisas.
portanto é aquele mais capaz de produzir um volume de votos e de ajudar o Lula a produzir um volume de votos suficiente para que ele ganhe nacionalmente uma eleição que deve ser apertada. É esse o cálculo que se está fazendo. Só que para o Haddad deixar a campanha começar com esse tom de que estou indo, mas estou indo, obrigado, é muito ruim. Então ele aproveitou a desincompatibilização,
saída do Ministério da Fazenda para tentar mostrar que está super animado e que ele só vai para a eleição para ganhar, etc. Mas a verdade é que ele está aceitando mais uma vez uma missão do Lula. Até tratei disso na coluna de hoje, de um aspecto meio freudiano que existe na relação dos dois, uma relação de pai e filho que foi se estreitando muito. Ela já era próxima, o Lula lá em 2012 já enxergou nele alguém capaz de
surpreendendo a política, investiu nele, ele venceu para a Prefeitura de São Paulo, depois perdeu no primeiro turno na reeleição porque era o ano do impeachment, era um ano muito ruim para o PT, com a Lava Jato no auge. Aí depois foi para o sacrifício em 18 e em 22, em candidaturas que o Lula definiu pela estratégia. E agora não é diferente. Quanto ao legado dele no Ministério da Fazenda, acho que é um legado positivo do ponto de vista da macroeconomia.
Ele teve um papel fundamental para que naquele primeiro ano, principalmente do governo, houvesse a construção do arcabouço fiscal e, portanto, de alguma credibilidade de que o governo do PT não ia sair queimando dinheiro por aí. Mas ele sempre viveu espremido entre dois polos de crítica. Um interno vindo do próprio PT e do governo, que queria justamente gastar mais, e o externo vindo do mercado,
que via o arcabouço com uma certa desconfiança e, principalmente, criticava a ênfase arrecadatória desse modelo de arcabouço fiscal que ele colocou de pé. Então, nunca chegou a ser reconhecido totalmente, nem interno, nem externamente, mas foi um ministro que foi, aliás, importante para manter as coisas mais ou menos nos eixos e para que o país crescesse
forma até consistente durante os três primeiros anos do governo Lula. Vera, aqui no Rio foi a vez do Eduardo Paes deixar a cadeira de prefeito para disputar o governo do Estado. A eleição por aqui tem muitas peculiaridades, inclusive o fato de a gente ter uma eleição indireta, quando o governador Cláudio Castro sair do cargo. Como é que está o clima por aqui? Entre os dois está péssimo o tom das críticas ali de parte a parte, dos ataques só subindo.
Eduardo Paes fez aquilo que ninguém tinha a menor dúvida que ele faria, mas que na campanha para prefeito ele tentou ao máximo despistar, dizendo que não era candidato ao governo, etc. Deixa a prefeitura do Rio nas mãos de um político muito jovem, que é o seu chará, Eduardo Cavalieri, que antes só tinha sido vereador e já foi logo alçado à condição de seu vice,
não deve dar nenhuma guinada. E o governador Cláudio Castro está se preparando para fazer o mesmo. Já exonerou um monte de secretário que vai ser candidato, vários servidores que também vão ser candidatos a deputado, etc. Exonerou o secretário Douglas Ruas, que deve ser o candidato nessa eleição indireta, quando houver a vacância do cargo. E aí, depois, deve ser ele próprio a deixar o governo ir de olho no que o TSE
vai decidir a seu respeito, se ele está elegível ou não. Então, uma eleição com muitas peculiaridades, inclusive essa de ser definida em dois tempos, primeiro uma eleição indireta, depois uma eleição direta no fim do ano, e marcada por essa profunda cisânia entre os dois principais atores, com os ataques crescendo rapidamente. Vera, o presidente Lula parece que acordou para os fatores de risco,
da candidatura, aí começou a testar algumas estratégias. Uma delas foi jogar a carga do Master no colo do bolsonarismo. Também tem outra preocupação do governo, que é com a economia. Lula se queixou essa semana sobre o corte tímido do Copom. Também está tentando equacionar o pepino do preço dos combustíveis. Inclusive, o setor de combustíveis alertou hoje para o risco de desabastecimento e está pedindo ações do governo. Daqui a pouquinho, nossa reportagem traz mais detalhes sobre isso.
Mas, enfim, tem muita coisa e tem muito desafio. São muitas frentes, né, Débora? O presidente estava meio pisando em ovos nessa coisa do Máster para não desagradar o Supremo. E agora prevaleceu o diagnóstico de que se ele continuasse fazendo isso, a crise ia ficar toda no seu colo. Então, ontem, nessas solenidades em São Paulo, ele começou a ensaiar o discurso de que a crise do Máster é uma crise forjada no governo Bolsonaro.
no governo Bolsonaro, foi o Roberto Campos Neto quem não ficou atento aos sinais de que havia fraude sendo praticada, etc. Então, ele deverá ir com esse discurso mais e mais adiante. O risco é que a delação acabe jogando mais gente nesse caldeirão e gente de todos os lados. Mas, até lá, a ordem é ficar fustigando o bolsonarismo com isso. E, desse ponto de vista da economia, essa coisa dos combustíveis
ponto de preocupação agora pelo risco de desabastecimento, risco de inflação, risco de uma greve de caminhoneiros. E está todo o governo mobilizado para isso, ainda sem conseguir uma fórmula mágica que evite que haja um grande aumento de preços na bomba. E isso sempre vem acompanhado de mais infopularidade para o governo da ocasião. Vera, muito obrigada por essa semana. Segunda-feira tem mais Viva Voz.
Um ótimo fim de semana para todo mundo. Tchau, tchau. Beijo, Vera.