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‘Não dá para conceber uma delação que não inclua Toffoli e Moraes’

20 de março de 20269min
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Lauro Jardim fala sobre a rapidez nas negociações para uma delação de Daniel Vorcaro. O que esperar da delação? ‘Se for uma delação como tem que ser, será uma delação arrasa quarteirão’. Lauro Jardim destaca que se fala que uma delação que implique Toffoli e Moraes nunca seria homologada. ‘De fato, essa talvez seja a grande prova de fogo da delação, porque delatar ministros do Supremo é e vai ser algo, e se for assim, algo inédito no Brasil. Agora, não dá pra conceber uma delação em que, por tudo o que já foi revelado desde o final do ano passado, não inclua esses dois ministros’. Ouça.

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Assuntos6
  • Segurança OperacionalNegociações rápidas · Transferência para Brasília · Novo advogado José Luis Oliveira Lima · Contrato de confidencialidade · Depoimentos a partir de abril · Cardápio de temas
  • STF Setor PrivadoToffoli e Moraes como possíveis delatados · Homologação de delação · Precedente inédito no Brasil · Prova de fogo da delação · Ministro André Mendonça como relator
  • Cronograma de implementaçãoPeríodo pré-eleitoral · Possível conclusão em três meses · Atravessamento do período eleitoral · Impacto nas campanhas
  • CorrupçãoEsquema bilionário · Controle e comando de Vorcaro · Envolvidos no processo · Dados dos celulares analisados
  • Inadimplência e EndividamentoAugusto Lima ex-sócio · Diretores do Banco Master · Grupo de WhatsApp · Mário Silvo policial aposentado · Possível delação coletiva
  • Possibilidade de omissão de informaçõesCardápio de temas vs descobertas posteriores · Risco de exposição de Vorcaro · Precedente de Mauro City · Completude da delação
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Muito bom dia para você, Lauro Jardim. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Lauro. Já falamos aqui sobre a autorização da transferência do Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Pouco a pouco, os passos estão sendo dados para a delação premiada. O que a gente pode antecipar aqui de informação? O que já apurou de informação, Lauro Jardim, a propósito desse assunto?

Pois é, Milton. Antes de mais nada, eu quero ressaltar a rapidez com que esse processo está andando. Em uma semana, esse processo de delação voou. Uma semana atrás, neste horário de manhãzinha, sexta-feira de manhã, a gente estava na expectativa de saber se o Supremo ia manter o Vorcaro preso ou se ia mandar o Vorcaro para a casa dele. O Supremo confirmou a prisão e pisaram o pé no acelerador.

O Vorcaro trocou de advogado, uma mudança que ficou clara ali, que tudo caminhava para a delação. Aliás, o novo advogado do Vorcaro, o José Luiz Oliveira Lima, já estava em Brasília na sexta passada para acertar tudo com o ex-banqueiro. E a gente agora termina a semana com as reuniões iniciais já feitas entre o novo advogado com a PGR e com o ministro André Mendonça,

defesa às autoridades já assinado e esse contrato de confidencialidade é o pontapé inicial da delação. Também convocar o já transferido, como você disse há pouco, Milton, do Presídio de Segurança Máxima para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Bom, dito isso, o que a gente pode esperar da delação? Em princípio, o que se espera, se for uma delação como tem que ser, é que vai ser uma delação a rasa quarteirão. Seja pelas relações que já se

do Vorcaro, com deputados, senadores, magistrados do Supremo e com funcionários graduados do Banco Central, seja pela fraude bilionária que ele comandou no Banco Master. Aqui e ali, Milton e Cassia, se fala que uma delação que implique os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nunca seria homologada. De fato, essa talvez seja a grande prova de fogo da delação,

Ministro do Supremo é e vai ser algo, e se for assim, algo inédito no Brasil. Agora, não dá para conceber uma delação em que, por tudo que já foi revelado desde o final do ano passado, não inclua esses dois ministros. O ministro André Mendonça, que é o relator do caso Márcio do Supremo, e a quem vai caber homologar ou não a delação, já disse, Milton, a mais de uma pessoa, em conversas privadas,

. . .

Só que, não, aliás, só por esse cardápio as autoridades já vão poder medir o quanto de informações o Vorcaro pretende realmente entregar. Pelo seguinte, fora o que já foi revelado a partir dos celulares do Vorcaro, ainda tem muita coisa para aparecer, porque a gente não pode esquecer que somente cerca de 30% do conteúdo dos celulares do Vorcaro

federal. Então, se o Vorcaro apresentar um cardápio X e a polícia federal depois, durante a fase de depoimento, descobrir fatos que ele omitiu, o Vorcaro pode ficar numa situação delicada, numa situação de estar omitindo informações. Esse tipo de situação, por exemplo, a gente viu muitas vezes no ano passado, na delação do ex-ajudante de ordens do Bolsonaro, o Mauro Cid. E pra finalizar, Milton e Cassa, não se pode esquecer e não se

não posso esquecer nem por um minuto, que essa delação vai começar no período pré-eleitoral. Isso tudo torna a delação mais delicada, a delação começa no período pré-eleitoral e pode ter os seus momentos mais impactantes, os momentos maiores, revelações, quando a eleição estiver pegando fogo. Essa é uma das interrogações desse processo todo.

E o ministro André Mendonça trabalha com a ideia de concluir tudo em uns três meses para que o assunto seja resolvido antes da campanha presidencial começar de verdade, concluído ali pelo meio do ano. Agora, outros advogados, advogados experientes com quem eu conversei ontem, criminalistas que já trabalharam em muitas negociações de delação, eles acham que a delação do Vorcaro tem tudo para atravessar o período eleitoral

só ser concluída de verdade no último trimestre desse ano. Ou seja, a delação pode se dar junto com uma delação toda, que vai ser uma rasa quarteirão, toda durante o processo eleitoral. E isso é uma coisa inédita no país, Milton. E é uma coisa delicada, né, Lauro, uma delação dessa magnitude com tanto potencial, ao mesmo tempo em que se sabe que existem outras pessoas envolvidas

do escândalo do Master, que também podem fazer delação premiada. Como, por exemplo, aqueles incluídos no tal do grupo do WhatsApp a turma. Exato, Cássia. Na verdade, a delação do Vorcaro, a gente sempre chama muita atenção, porque ele era o controlador do Banco Master. Ele fazia, digamos, todo o esquema, ele comandava. Mas, junto a ele, ele tinha ali, tem pelo menos umas 10, 15 pessoas envolvidas nesse processo todo.

conhecendo uma parte do processo. Por exemplo, o ex-sócio dele, Augusto Lima, que era o principal sócio dele, que foi preso lá atrás em novembro e hoje está com uma tornozeleira eletrônica. Por exemplo, os diretores, ex-diretores do Banco Master. Por exemplo, como você citou aí, o policial aposentado Marilson Silva, que era um dos integrantes, um dos capangas dele, que ele usava para monitorar e intimidar adversários.

nesse momento, claro que está se mexendo, conversando com seus advogados para ver se eles não fazem uma delação. Agora, não pode ser descartado também, Cássia, como aconteceu, por exemplo, na Lava Jato, na Odebrecht, que era então a grande empreiteira brasileira e que fez uma delação, que juntou no mesmo pacote 90 e tantos executivos da empreiteira,

pode descartar a possibilidade de uma delação conjunta. Isso não está ainda na mesa, mas não pode ser descartado, porque talvez interesse a todos contar uma mesma história ao mesmo tempo. Muito obrigado. Muito obrigado e bom fim de semana para você, Lauro. Bom fim de semana para você, Milton, para você também, Cássia, para os ouvintes e até segunda. Até segunda.

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