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Governo do RJ espera recuperar valores do Master em dois anos; BC recorre e caso pode parar no STF

28 de maio de 202611min
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A CBN apurou que, desde dezembro, o estado passou a reter os valores de empréstimos consignados de servidores estaduais que seriam repassados ao banco. O dinheiro está sendo depositado em uma conta judicial e poderá ser usado para compensar o prejuízo do investimento.

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Participantes neste episódio3
B

Bianca Santos

HostJornalista
L

Leandro

HostJornalista
P

Pedro Bonnenberger

ConvidadoJornalista
Assuntos5
  • Escândalo Rio Previdência e Banco MasterRio Previdência · Banco Master · Daniel Vorcaro · Cláudio Castro · Quase 4 bilhões de reais · Fraude bancária · Jantares extravagantes · Degustação de uísque
  • Operações ilícitas do MasterGoverno do RJ · Banco Master · Rio Previdência · Empréstimos consignados · Conta judicial · Recuperação de R$ 970 milhões · Prazo de dois anos
  • Fundo Arleen e Daniel VorcaroCláudio Castro · Daniel Vorcaro · Governador do Rio · Amizade · Ingressos VIP · Marquês de Sapucaí · Restaurante · Champanhe
  • STF e Politizacao do JudiciarioBanco Central · Governo do Rio · Justiça Federal · Supremo Tribunal Federal (STF) · Regime de liquidação · Fundo Garantidor de Créditos (FGC) · Ordem de pagamentos
  • Delação Premiada Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Procuradoria-Geral da República (PGR) · Colaboração premiada · R$ 60 bilhões
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Prepare-se para uma grande revelação. O que você roubou? Segredos. Um filme do premiado diretor Steven Spielberg. As pessoas estão famintas pela verdade. Em breve, tudo será esclarecido. Assista dia D, 10 de junho nos cinemas. Verifique a classificação indicativa.

Vamos conversar, Bianca, com o Pedro Bonnenberger, porque ele tem outros detalhes, uma apuração dele, sobre como o Rio de Janeiro vai fazer para recuperar esse dinheiro perdido do Rio Previdência. Dinheiro esse, meus amigos, a Polícia Federal revelou para espanto coletivo da nação.

que o Rio Previdência investiu quase 4 bilhões de reais no banco do Daniel Vorcaro. Revelou ainda que muitos desses investimentos aconteceram após jantares extravagantes do governador Cláudio Castro com este banqueiro. Inclusive, um dos mais curiosos, para além do bife folheado a ouro, que é uma dessas cafonices das redes sociais, um...

Curioso encontro de degustação de uísque de 10 homens em Nova York. Só para homens, 10 pessoas. É, que coisa incrível, né? Tudo isso. E o governador topou, animadíssimo. Que horas e quando, né? Onde e que horas, né? Que ele mandou, 3h30, pum, estou chegando. Que coisa. O enredo disso tudo é o seguinte.

o dinheiro dos pensionistas e dos aposentados desse Estado, que foi usado para irrigar esse banco que protagoniza a maior fraude bancária, a maior fraude ao sistema financeiro da história deste país. O atual governador, o interino, Ricardo Couto, deu uma entrevista para a Milena Reitão, dizendo que vai tentar recuperar esse dinheiro dos aposentados e pensionistas.

O Pedro tem uma apuração agora que revela pra gente que essa tarefa também é uma montanha pra ser escalada. Né, Pedro? Conta pra gente. Mas tem um caminho, né? Pra degustar uma língua de boa ali no centro, ninguém chama, né? O governador. Impressionante, viu, Lerno? É só pra coisa de bife de ouro, essa coisa toda, né?

Mas tudo bem, a gente fica por aqui. Nós dois que gostamos, a gente vai lá no centro depois tomar aquela cerveja e comer essa língua de boi. Bom, vamos pegar agora o abacaxi, falando ainda em alimentos. O abacaxi quer descascar esse dinheiro do Rio Previdência, gente. Esses 4 bilhões que a polícia coloca, nós temos um valor que são 970 bilhões, que são letras financeiras. Já explicamos para o nosso ouvinte o que é isso. São dinheiros, é um empréstimo, vamos dizer assim, que você faz direto para o banco. É um dinheiro que foi direto para o Master.

Então esse dinheiro é um dinheiro que está perdido e aí a gente precisa ver para onde ele vai ser recuperado. É o que vai estudar agora o governo do Estado. Esses outros cerca de 3 bilhões, Leandro, que aí a Polícia Federal aponta, são investimentos que foram feitos em fundos que o banco só administrava, o Banco Márcio só administrava. Então esse dinheiro não foi perdido, ele está investido em algum lugar.

E aí, pode ser que o investimento dê retorno, pode ser que dê prejuízo, a gente só vai saber um pouquinho mais à frente. Então, esse dinheiro está lá ainda, mas existem 970 milhões, esses já foram com Deus, porque o banco foi liquidado, não tem chance do Banco Master devolver isso para o Rio de Janeiro.

E aí o governo do estado abre a caixinha de ferramentas, o governador Ricardo Couto e equipe, para descobrir como é que eles vão retomar essa grana. E aí que está a questão, como fazer isso? O governo do Rio, eu confirmei com fontes, espera conseguir retomar esse dinheiro em dois anos. Espera conseguir reaver 970 milhões de reais em cerca de dois anos.

O que eu apurei com algumas fontes é que desde dezembro do ano passado, o governo do estado já vem fazendo uma retenção de valores de empréstimos consignados dos servidores estaduais que foram feitos com o Banco Master. Então o servidor tem um desconto em folha. O governo todo mês vai lá na folha de pagamento no Olerit.

Fala aqui, opa, tudo bem, Leandro, você emprestou, pegou emprestado dinheiro para o Banco Master. Vou tirar isso aqui, mas em vez de repassar para o Banco Master, que sumiu com o nosso dinheiro, vou colocar esse dinheiro numa conta judicial. E aí, ao final do período, quando somar 970 milhões, que é o que eles estão devendo para a gente,

a gente encerra essa situação e recupera o valor que foi investido. Então, essa é a primeira linha de recuperação que o governo trabalha. O que eu apurei é que o último balanço, feito em março, até o mês de março, dá conta de que o governo tinha conseguido arrecadar, nessa tentativa, cerca de 150 milhões de reais, Leandro. Então, por isso, esse prazo de dois anos. De pouquinho em pouquinho, eles vão enchendo esse cofrinho e a ideia é que chegue-se a esse quase um bilhão de reais.

Só que essa situação toda é muito mais complexa do que isso. Bom, essa retenção é autorizada pela justiça. O governo não está fazendo isso na cabeça dele. Tem uma autorização judicial que permite essa retenção. Só que o Banco Central é contra essa ação do governo e já recorreu dessa iniciativa para abarrar essa situação. Fontes que eu ouvi explicaram que existe um regime de liquidação próprio das instituições financeiras.

Vou explicar mais didaticamente isso para o nosso ouvinte. Quando um banco é liquidado, terminou lá o banco, como aconteceu com o Master, inclusive, como é que a gente procede? Bom, os ativos dessa instituição são vendidos ou recuperados, e esse dinheiro arrecadado é distribuído aos credores numa fila. É uma ordem para você pagar esses credores, uma fila de prioridades.

Nessa fila, em geral, estão à frente da despesa da própria liquidação, o pagamento de despesas ali, para quem estiver tocando essa liquidação, o pagamento de trabalhadores dessa instituição que foram demitidos após a liquidação do Master. Então, tem lá o cara que trabalhava no caixa, o cara da fiscalização, o outro que era contador. Esse pessoal tem crédito trabalhista a receber. Eles têm prioridade de receber esse dinheiro.

Além deles, tem o próprio Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Quando o banco quebra, o Fundo Garantidor paga um dinheiro para os investidores ali e na prática o que ele faz é assumir o lugar desses investidores na fila de restituição. Então quem recebeu essa grana, não é que o governo deu isso de presente não, o Fundo Garantidor vai entrar nessa fila para ser ressarcido também. Então ele também tem prioridade nessa fila que tem uma extensa questão legal envolvida.

Bom, a ação movida pelo Estado do Rio acaba burlando esse processo, porque o Rio Previdência acaba se dando o direito de ter prioridade acima de tudo isso aqui para receber esse dinheiro. Então, em vez desse dinheiro ir para a liquidação, ele vai para os cofres do Rio Previdência. Apesar da gravidade do caso, a gente sabe que é dinheiro de aposentado, muita gente fica falando que é dinheiro dos velhinhos aqui do Rio.

Tudo bem, é grave, mas quando o Rio Previdência investiu esse dinheiro, ele assumiu o risco desse investimento. A letra financeira não tem fundo de garantia. Então, se você faz esse investimento e o banco quebra, realmente você pede... Um abraço, né? É um abraço. E aí é rezar para na liquidação você receber alguma coisa. Esse embrolho é tão grande, Leandro, que instâncias da Justiça do Rio já declinaram competência. Esse caso começou no Tribunal de Justiça do Rio.

que é até estranho, porque é um pedido do Ricardo Couto, julgado pelo tribunal que ele presídio. Depois o Banco Central recorreu, foi parar na Justiça Federal. E aí o juiz federal responsável pelo processo já disse o seguinte, não quero esse abacaxi.

vai mandar para o Supremo, quer que o Supremo assuma a competência dessa história. Se é que vai assumir, são cenas para os próximos capítulos. Fato é que se o Supremo assumir esse caso, pode ficar um pouco em desvantagem o Rio Previdência. O Supremo vai ter que decidir na prática, em resumo, se o Rio Previdência pode fazer o que está fazendo, pegar esses valores dos servidores, não repassar a liquidação do Banco Master.

e aí, ao final do processo, assumir recapitalizando os seus investimentos. É uma decisão difícil porque envolve pagamento de servidores, mas envolve uma questão legal bancária muito complexa, que é essa ordem de pagamentos.

Bom, outra fonte possível para financiar esse rombo financeiro do Banco Master é a delação de Daniel Vorcaro. Está na mira também. Daniel Vorcaro ofereceu à PGR, caso tenha delação, colaboração premiada, retornar 60 bilhões de reais. Meu Deus do céu, o sujeito... Olha o nível.

Essa foi demais mesmo, né? O banqueiro com quem o governador se relacionava está oferecendo para o Brasil o seguinte, olha, fiz uma porção de bobagens, toma aí 60 bilhões de volta que eu vou entregar uns outros peixes grandes aí e vida que segue, você me libera para ficar um pouquinho de tornozeleira em casa de repente e depois voltar a curtir um restante de fortuna que eu tiver.

Absurdo demais. E tudo que se fala sobre esse caso agora, a gente precisa sempre lembrar de que essa era a pessoa que o governador agradecia pelos jantares que desfrutava. O governador atrasava reuniões no Palácio Laranjeiras, no Palácio Guanabara, para poder receber o Daniel Vorcaro. Chamava esse cara de amigo, dizia. Foi uma experiência incrível. Muito obrigado.

Não dá, né? Não dá. É isso, cara. A gente deixou passar também. Completou, desculpe, Pedro. Completou já a reportagem. É isso. Só para dizer que a gente procurou o Rio Previdência para uma posição sobre isso tudo e não tivemos resposta ainda. Mas esse é o caminho das pedras, viu, Bianca? Que o Rio Previdência vai ter que seguir.

É complicado, viu? Tem muita questão ainda para ser discutida, viu? É, não só também um complemento para mostrar até onde ia a influência de Daniel Vorcaro aqui no Rio de Janeiro, né? O Cláudio Castro, gente, que era governador do Estado, ele chegou a pedir ingressos...

da área VIP em Camarotes, na Marquês de Sapucaí, para o banqueiro Daniel Vorcaro. Vocês entenderam esse movimento? Hoje mais cedo, Milton Jung ficou chocado, estarrecido, né? Porque ele entendeu de forma diferente quando a Malu Gaspar contou. Ele entendeu que era o Vorcaro que estava pedindo a área VIP para o Cláudio Castro, governador do Rio. Não, gente, era o contrário. Era o contrário. Olha aqui que se submetia.

O ex-governador Cláudio Castro. E a relação de poder fica evidente, né? Total. Quem é que estava acima do outro ali também? Trocada, totalmente. E já começa quando o Cláudio Castro, nas mensagens, se apresenta e reforça, né? Cláudio Castro aqui. Vamos se apresentando ao Daniel Vorcaro. E aí, nesse caso, depois de receber esse convite lá para o restaurante, em que cada garrafa de champanhe custou 6 mil reais em maio de 2024, o governador escreveu, você não existe.

Gente, assim, a farra dos guardanapos, ela entrou para a história do anedotário político deste sofrido Estado, mas assim, a farra do Vorcaro é realmente...

Daquelas emblemáticas, né?

No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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