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Delação de Vorcaro pode abrir nova frente política no caso Master

19 de março de 202612min
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Polícia Federal cruza dados de celulares e prepara relatório ao STF. Thiago Bronzatto conta que o alcance da investigação pode ir além das fraudes financeiras. Ouça e saiba mais.

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Assuntos9
  • Delação Premiada INSSColaboração premiada · Negociações com STF e PGR · Estratégia de defesa · Profundidade da delação · Proteção de nomes
  • Caso Master PoliticaSenador Ciro Nogueira · Ministros do STF · Foro privilegiado · Nova frente de investigação · Conexões políticas
  • Tecnologia e InovacaoCruzamento de dados · Mensagens interceptadas · Arquivos coletados · Relatório ao STF · Evidências armazenadas
  • Envolvimento Antonio RuedaPresidente do Neum Brasília · Serviços jurídicos prestados · Parecer ao Master · Menção em mensagens · Momento delicado do banco
  • Daniel VorcaroIndicativo de colaboração · Facilidade para depoimento · Rumores em Brasília · Sondagens para delação seletiva · Resposta dos investigadores
  • Proposta de Ciro Nogueira no CongressoAumento de garantia do FGC · Benefício ao banco Master · Mensagens comemorativas · Investigação sobre motivação · Amizade versus interesse criminal
  • Atuação de Lucia na políticaVice-presidente Neum Brasília · Recebimento de recursos · Gestora de recursos · Valores recebidos · Serviços prestados
  • Jurisdição do STF e foro privilegiadoParlamentares e direito ao foro · Julgamento pelo STF · Irregularidade no exercício do mandato · Manutenção da prisão · Segunda turma do STF
  • CorrupçãoInvestigação inicial focada · Escândalo financeiro · Acusações variadas · Suspeitas de fraude · Análise de material apreendido
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E estamos de volta com o Viva Voz. São seis horas e quarenta e sete minutos. Já está na linha com a gente o Tiago Brunzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, nosso comentarista aqui do Viva Voz. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Débora. E boa noite aos ouvintes. Oi, boa noite. Boa noite. Brunzato, a gente acabou de dar como breaking news aqui a transferência do Vorcaro para a superintendência da PF lá em Brasília.

site do Globo, que a PF prepara aí um relatório com as menções que há no que eles apuraram até agora nos celulares do Vorcaro a políticos. A gente vê a investigação avançando, o inquérito foi inclusive prorrogado pelo Supremo. Está vindo aí uma delação do Vorcaro, o que a gente pode esperar desses últimos desdobramentos? Pois é, Vera, a Polícia Federal tem trabalhado num relatório que será enviado nos próximos dias

para o Supremo Tribunal Federal sobre os primeiros indícios de envolvimento político no escândalo do Banco Master. Esse material, segundo apurei, faz parte de um cruzamento feito a partir dos dados extraídos do celular, do vocário e também de arquivos que ele colecionava ali no computador e no e-mail dele. Os investigadores já mapearam, por exemplo, uma série de menções ao senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista.

E o objetivo da PF é analisar se esses elementos encontrados até o momento são suficientes para justificar a abertura de uma nova frente de investigação. E por que isso é importante? Primeiro porque do ponto de vista jurídico, a suspeita de um envolvimento de um parlamentar é o que deve manter o inquérito sob os cuidados do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal. Isso porque um parlamentar, quando pratica alguma irregularidade no exercício do mandato, ele tem direito ao foro privilegiado.

ou seja, o direito de ser julgado pelo STF. E segundo, porque essa descoberta de um envolvimento político no escândalo do Master deve abrir uma frente nova de investigação, porque até então a gente tem visto as investigações focadas mais em apurar as suspeitas de fraudes financeiras. A gente sabe em Brasília que todo mundo conhece todo mundo, todo mundo janta com todo mundo e às vezes os políticos participam de festas animadas com o banqueiro, mas na hora que o escândalo vem à tona,

diz que mal conhece ninguém. E sabendo que pode entrar na mira da PF, Ciro Nogueira tem dito que o CPF dele é um e o do Volcar é outro. Uma tentativa de se distanciar dessa crise do Master. Mas o que os investigadores estão fazendo é justamente tentando separar o joio do trigo, ou seja, separar a vida privada do que pode ter relevância criminal nesse material encontrado. Para os investigadores, não interessa muito se o Volcar mandava mensagem carinhosa para o Ciro Nogueira,

outros políticos, chamava de amigo, convidava político para festas particulares. O que interessa para a Polícia Federal nesse material analisado é saber se houve uma tentativa efetiva de mexer as peças em Brasília para favorecer o Master. E um dos episódios que mais chamaram a atenção da PF foi uma proposta feita por Ciro Nogueira no Congresso para tentar, de alguma forma, beneficiar o Banco Master, aumentando ali a garantia ofertada pelo Fundo Garantidor

de créditos e alguns investimentos. Nessas mensagens que o cara envia para sua ex-namorada, ele chega a comemorar essa iniciativa. E o que a PF quer saber é se essa investida do Ciro Nogueira foi só um gesto de pura amizade ou se teve outro teresse em jogo. Agora, Bronzato, se certos nomes, certos políticos frequentam festas, jantares, isso pode ser também uma espécie de pagamento.

Estou tentando chamar a palavra mais bonitinha aqui, mas não estou encontrando. Eu imagino que pode ser uma espécie de pagamento. Vou ficar com pagamento mesmo. O que a gente já sabe ou o que a gente sabe sobre nomes que estão envolvidos, conexões que já são conhecidas? Olha, Débora, aposto que você não tem um amigo que coloca um helicóptero à sua disposição. Nem que te oferece um contrato de 129 milhões de reais e nem que te empresta um iate. Aliás, se você tiver um amigo desse,

estar também, porque eu tô precisando de um amigo. Convido vocês. Aluga-se um amigo. Convido todo mundo. Todo mundo no ponto final, viva a voz, vai todo mundo pro rolê comigo, que eu gosto de dividir. Me coloca nesse grupo de zap aí, que eu também quero isso, viu? Mas era exatamente isso que o Vocaro fazia, assim. E essa altura da investigação do caso Master, a PF já entendeu que tem indícios ali concretos de que alguns contatos do Vocaro não eram mera amizades ali, despretenciosas, né?

mas sim que faziam parte de um método de sobrevivência dele em Brasília. Antes de ser preso, o Vocaro costumava dizer para pessoas próximas que ele havia feito fortes amigos em Brasília, e que no Brasil você não anda sem essa proteção. Então a PF entende, analisando esse material, que há indícios de que ele cultivava mais do que amizade, ele cultivava proteção política. E nesse celular do Vocaro começaram a surgir outros contatos que vão além,

do Ciro Nogueira, como eu mencionei aqui. Um deles, por exemplo, seria uma menção ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que também é aliado do Ciro Nogueira. Isso não é um detalhe trivial, porque essa mensagem que menciona o Rueda, ela acontece num momento delicado para o Master, no momento que o banco vinha tentando sobreviver e ser vendido para o BRB. O Rueda chegou a confirmar à revista Piauí que ele prestou serviços jurídicos ao Master por meio do seu escritório.

dezenas de padeceres, centenas de reuniões, até lembrou um pouco ali a nota da Viviane, mulher do ministro Alexandre de Moraes. E esse elo do Master e do Vercaro com políticos também se estende em uma outra frente do União Brasil, que é o vice-presidente do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia, Semi Neto. A reportagem do Globo, publicada na semana passada, revelou que o Semi Neto recebeu quase 4 milhões de reais do Master e da gestora de recursos REAG.

segundo ele, também para prestar consultoria. Em resumo, o que começa a aparecer agora nesse material da Polícia Federal é um retrato de um banqueiro que não operava apenas no mundo financeiro, mas tinha uma ampla rede política em sua volta. O Bronzato, e essa delação do Borcaro vai chegar aos ministros do Supremo Tribunal Federal? Olha, Carol, essa é a pergunta que a gente mais ouve e que a gente mais faz aqui em Brasília também.

intrigante, né? O próprio fato do Vorcaro ser transferido ali pra superintendência da Polícia Federal, como a gente já viu em outros casos no passado, é indicativo de que ele tá disposto a colaborar, né? Porque quando você vai ali, quando um preso vai pra Polícia Federal, nas circunstâncias dele, é uma facilidade maior pra você prestar depoimento ali e ser ouvido pelo delegado. Então, essa transferência acaba gerando muito rumor aqui em Brasília. A dúvida que fica é se o Vorcaro tá disposto a contar

todos os segredos que ele sabe aqui sobre Brasília ou se ele vai tentar dar uma calibrada no depoimento dele justamente para poupar nomes que são mais sensíveis do poder, como nomes de ministro do Supremo. Antes mesmo de a segunda turma do STF formar uma maioria para manter a prisão do vocário, ele chegou a mandar alguns emissários, alguns interlocutores para sondar no Supremo e também na Polícia Federal, na PGR, se topariam ou se tinham uma disposição de fazer uma delação

sem mencionar ministros do Supremo Tribunal Federal. Essa investida foi vista ali pelos investigadores como um teste para sentir terreno e saber qual era a disposição de fazer uma delação mais seletiva, digamos assim. E a resposta que deram para esses interlocutores é que o Volcaro deveria colocar tudo no papel se ele quisesse sair da prisão, ou seja, ele deveria contar tudo que sabe para receber o benefício da colaboração premiada.

ele, ele começou a mandar sinais de que estava disposto a contar tudo o que sabe. Mas a dúvida ainda continua. Ele vai contar tudo o que sabe mesmo? A gente sabe que não tem nenhuma negociação formal aberta no momento, assim, não oficialmente, mas que há grandes chances sim do Vocaro contar tudo o que sabe. Até porque ele está num beco sem saída. Ele está preso, tem muitas acusações vindo à tona, a Polícia Federal pegou todos os celulares dele, mapeou todos os arquivos e já estão começando a emergir algumas histórias que comprometem não só o Vocaro, mas também aliados

dele do Banco Master, né? Mas a gente sabe também que a ideia ali de uma delação, ela não é um ato só de colaboração. Ela também é uma estratégia de defesa. E nesse caso específico do Master, talvez mais importante de tudo provocar é ele saber exatamente qual vai ser a estratégia dele. Quem vai ficar dentro e quem vai ficar fora de uma eventual delação. E a dúvida, que também continua, é qual vai ser a profundidade dessa delação. São cenas desse próximo episódio que tá ficando cada vez mais rumoroso.

Mas esses arquivos, desculpa Vera, esses arquivos já vão dar pistas para a Polícia Federal, né? Porque ele guardou muita evidência, muita prova e não acredito que tenha sido por ingenuidade, né? Olha, por ingenuidade o Moro Cid, ex-ajudante de ordem do Bolsonaro, também caiu na mesma teia do Vocaro, né? A Vocaro deveria tomar notas ali e aprender com a lição do Moro Cid, que ficava arquivando tudo no zap dele, né? Mas, assim, realmente, o material que a PF tem analisado,

já dão ali uma amostra do que pode ser a delação dele, de quais nomes ele pode falar e também se ele tentar de alguma forma proteger um nome ou outro, a Polícia Federal pode confrontar essas informações. O que tem sido discutido é a possibilidade de firmar essa delação premiada com a Polícia Federal e também com a Procuradoria-Geral da República, justamente para dar maior robustez a esse acordo de colaboração premiada.

Ou está de sabático, de férias? Não tem sido... Olha, eu também estou com essa mesma dúvida, viu, Vera? Mas vamos descobrir aqui. Vamos ligar para ele e descobrir. Tá certo. Esse é o Tiago Bronzato com a gente todas as terças e quintas. E amanhã pode ser um dia indicativo dessas coisas, porque é o prazo para o ministro Gilmar depositar o voto dele também, né, Tiago, em relação à prisão do Vorcar. Então podem vir recados ali nesse voto.

também. Tchau, Thiago, até terça que vem. Até mais, boa noite.

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