Investigações do STF e delação de Vorcaro tensionam os Três Poderes
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- Segurança OperacionalImpacto político da delação · Corrida para fechar delação premiada · Relação com ministros do STF · Questões sobre aceitação pelo ministro responsável · Paralelos com operação Lava Jato
- Banco MasterConexões políticas do banqueiro Néavotário · Repasse de 4 milhões para vice-presidente de partido · Envolvimento de ministros do STF · Mensagens reveladas pela Polícia Federal · CPI do INSS analisando material apreendido
- Separação de PoderesDesconfiança do Congresso em relação a Lula · Acusações de estimular Polícia Federal · Conflito entre Lula e ministros do STF · Jogo de responsabilidades entre poderes · Fragilização da política
- STF e Delacao PremiadaAceite do acordo pelo ministro responsável · Explicação de repasses entre investigados · Contratação de esposa de ministro por valores acima do mercado · Confronto com ministros do Supremo · Risco de replicar problemas da Lava Jato
- Reuniões diplomáticas e governamentaisDiscussão no Palácio da Alvorada · Reclamações sobre comportamento de ministros · Críticas a Astófrio e Alexandre de Morais · Tentativa de barreira de contenção
- CorrupçãoEsquema de comercialização de emendas · Deputados do PL condenados · José Mameringzinho como líder do esquema · Devolução de percentuais à prefeitura · Inquéritos no Supremo
- Consequências das InvestigaçõesClima de incerteza em Brasília · Medo de prisão entre investigados · Busca por estratégias de defesa · Possível criminalização da política · Impacto na credibilidade institucional
E agora sim já está na linha com a gente o Tiago Bronzato, nosso comentarista das terças e quintas-feiras e também diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite para você, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. Boa noite aos ouvintes. Oi, Tiago. Bronzato, as investigações em andamento no Supremo estão colocando os atores políticos e institucionais de Brasília
sem saída. Qual que é o clima generalizado e o que se está tentando fazer para criar algum tipo de barreira de contenção para investigações que vão em todas as linhas, né? A gente tem Master, tem INSS, tem emenda, muito caso ao mesmo tempo. Pois é, Vera, o bonde das investigações está lotado, né? A gente tem visto aí três principais investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal que tem deixado muita gente em Brasília de cabelo
Em pé, a primeira está focada em desvios de emendas parlamentares, que é uma praga que tem se proliferado em Brasília nos últimos anos e, pelo jeito, está longe de acabar. Apesar de ter diversos inquéritos abertos no Supremo, até agora o Supremo só puniu um caso, que foi a julgamento hoje na primeira turma da Corte. Esse processo envolveu três deputados do PL que foram condenados por comercializar
emendas parlamentares. O esquema foi liderado pelo deputado Josimar Mariãozinho, que se tornou um exemplo de como funciona o capitalismo político das emendas. Ele destinava a verba pública para uma cidade e depois extorquia a prefeitura para devolver 25% dos valores. Há uma série de investigações do Supremo, como eu disse, e isso tem deixado o Congresso em estado de alerta. Uma outra frente,
de investigação, que também tem preocupado muito o mundo político, é a farra dos desvios das aposentadorias do INSS. A ganância dos envolvidos nesse esquema era a tamanha que hoje a gente viu numa operação da Polícia Federal, que a deputada federal Gorete Pereira, ela foi acusada de comprar um apartamento de 4 milhões de reais e um carro de 400 mil reais com dinheiro desviado do INSS.
tinham limite. Alguns deles chegaram até a falar sobre o desejo de comprar um jatinho com verba desviada dos aposentados. E o que a gente tem visto nessa investigação, especialmente, é que as ramificações desse esquema do INSS são muito mais profundas. Elas já atingiram dirigentes partidários, parlamentares de diferentes espectros políticos e até o filho do presidente Lula, o que tem gerado uma dor de cabeça danada para o governo nas pesquisas eleitorais.
E o terceiro e talvez mais explosivo rama de investigações em andamento no Supremo é o escândalo do Banco Master. A gente tem visto que o material aprendido pela Polícia Federal e que também está sendo analisado pela CPI da NSS tem revelado uma extensão das conexões políticas em torno do banqueiro Daniel Votaro. Reportagens do Globo mostraram, por exemplo, mensagens que citam uma reunião
com o presidente do União Brasil, António Rueda, e um repasse de quase 4 milhões de reais para o vice-presidente do partido, Assemi Neto, que é candidato ao governo da Bahia. O Rueda nega qualquer regularidade e o Assemi Neto diz que esses valores são referentes à consultoria que ele prestou para o Banco Master. E, além disso, a gente também tem acompanhado que esse escândalo tem mexido com a estrutura do próprio Supremo, uma vez que os ministros Alexandre Moraes e Dias Toffoli caíram
e na teia do escândalo. Então, essas três frentes de investigação, elas convergem no mesmo ponto. Elas têm deixado os três poderes num climão sem precedentes. E eles, os três poderes, têm começado a discutir e se organizar para criar essa barreira de contenção, porque sabem que agora o caminho dessas investigações é incontenável. O que só resta é conter os danos em andamento. E, Bronsato, como é que está a relação entre os três poderes?
por essas investigações? Pois é, o caso do Banco Master, especialmente, virou uma batata quente entre os três poderes aqui em Brasília. Ninguém quer ficar com esse escândalo nas mãos. No Congresso, por exemplo, os parlamentares tentam jogar no colo do Lula a responsabilidade pelo avanço das investigações da Polícia Federal, que podem atingir a cúpula política do Congresso e até integrantes do Supremo. Os deputados senadores com os quais tenho falado,
demonstra uma desconfiança muito grande com Lula. Eles dizem que o presidente está estimulando a Polícia Federal a partir para cima de caciques do Centrão, e isso acaba fragilizando e criminalizando a política. O presidente, no entanto, em conversas com seus aliados, tem refutado essa desconfiança. Ele tem dito que não tem como controlar as investigações e que, inclusive, o próprio filho dele é investigado. E preocupado com essa escalada da crise, Lula acabou se reunindo ali,
com algumas pessoas de confiança, para tentar discutir o cenário ali no Palácio da Alvorada, no final de semana, como o próprio Lauro Jardim revelou em sua coluna no Globo. E nessas conversas, o Lula tem reclamado muito sobre os comportamentos de dois ministros, principalmente do Supremo, o Dias Toffoli e o Alexandre de Moraes. O presidente tem dito que essas crises enfrentadas pelo Supremo, especialmente por esses dois ministros, têm respingado nele,
Lula até o momento. Por outro lado, os ministros do Supremo também estão incomodados com esses sinais de descontentamentos do Lula. E tem mandado recado de que se o Lula tentar partir para um conflito com o Supremo, não vai ser uma estratégia bem sucedida. Até porque ele depende do Supremo e alguns julgamentos são sensíveis para o governo. Em resumo, o que está rolando é uma ciranda dos poderes que um joga essa batata quente para o colo do outro.
de quem que vai ficar essa batata quente no final das contas. E ainda tem a delação do Vorcaro, que pode vir por aí e minar ainda mais a relação entre os poderes, né, Bronzato? Pois é, esse é o capítulo mais aguardado desse enredo todo, porque na semana passada a troca de advogados do Daniel Vorcaro gerou um burburinho danado em Brasília e gerou ali alguns efeitos imediatos, né? O primeiro foi o fato de que muita gente que está com o rapo preso nesse esquema passou a procurar escritórios de advocacia e o mundo político aqui
em Brasília para sondar sobre o impacto de uma colaboração do Daniel Vulgaro. O segundo efeito mais imediato foi a expectativa de uma corrida para ver quem fecha primeiro uma delação premiada, porque ninguém quer pegar a última senha dessa fila e ficar preso por muito tempo, como a gente viu aí na trama golpista. E se uma delação sair do papel, a gente vai ver que essa crise deixa de ser difusa,
vários atores de Brasília e passa a ter uma ameaça mais concreta, com personagens mais específicos. E é isso que assusta o mundo político, que não conseguiu convencer os ministros supremos a votar a favor da soltura de Vocaro. Mas para viabilizar essa delação premiada, seja do Vocaro ou de outro investigado, no caso Master, há um longo caminho pela frente. Se Vocaro ou outro investigado entregar políticos e poupar ministros,
que receberam recursos do Master, o acordo já nasce sob suspeito, porque não existe meia delação. E a dúvida que fica é, será que o ministro André Mendonça vai aceitar um acordo que não explica, por exemplo, o repasse do cunhado de Vogário para o resort do Toffoli? Ou será que o ministro André Mendonça vai aceitar uma colaboração que ao menos não explique a contratação do ministro Alexandre de Moraes
acima da média do mercado jurídico. E, por outro lado, também tem uma outra dúvida. Será que os advogados de vocado ou de outro investigado vai comprar uma briga inédita com ministros do Supremo também? E se desgastar, explicar essas relações? Vale lembrar que na Operação Lava Jato veio à tona a relação do empreiteiro Léo Pinheiro com o ministro Dias Toffoli. E o Léo Pinheiro delatou Deus e o mundo, contou todos os segredos da República.
não explicou a relação com o Toffoli. E, aliás, vai lembrar que o advogado que fez a delação do Léo Pinheiro é o mesmo do Volcara. E foi ali que a Lava Jato começou a refluir no seu apoio dentro do Supremo, a partir de algumas delações e algumas investigações que resvalaram justamente no STF. Basta lembrar a capa da revista Cruzoé que foi censurada, etc. Exatamente, Vera. Esse vai ser o maior desafio para se avançar.
nessa delação. A gente tem visto alguns recados do Vacar, que deve entregar o mundo político mais poupar ao Supremo, mas a dúvida que fica é, essa delação vai ser aceita pelo ministro André Mendonça, que é um ministro que parece que está disposto a colocar as coisas às claras. Aí que a gente vai ter que ver. Tiago Bronsato, com a gente todas as terças e quintas. Obrigada por hoje e até quinta-feira. Tchau. Até mais. Boa noite. Até. Tchau.