STF condena deputados por corrupção em emendas: 'Dono do dinheiro é o cidadão'
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- Banco MasterConexões políticas do banqueiro · Material apreendido pela PF · Mensagens com presidente do Nubank · Repasses para partido político · Envolvimento de ministros do STF · Delação de Daniel Vorkarman
- Atuação ParlamentarDesvio de emendas parlamentares · Deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil · Suplente João Bosco · Perda de mandatos · Transparência em emendas · Volume de inquéritos abertos
- Eleições Rio de JaneiroDesconfiança entre Congresso e Lula · Comportamento de ministros do Supremo · Tensão institucional · Possibilidade de conflito aberto · Impacto nas investigações
- Preços de Combustíveis e PetróleoRedução de impostos federais · ICMS estadual · Rejeição do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda · Aumento de preços do diesel · Possibilidade de greve dos caminhoneiros · Impacto na popularidade do governo
- CorrupçãoDeputada Goretta Pereira · Desvio de aposentadorias e pensões · Lavagem de Dinheiro · Operadores do esquema · Citação ao filho do presidente Lula · Apreensão de valores e bens
- Percepcao publica STFUso de celular funcional do STF · Ministro Alexandre de Morais · Material apreendido na sala-cofre · Participação de parlamentares · CPMI do INSS
- Congresso NacionalRestrição de satélites e drones · Órgãos ambientais · Operações de fiscalização · Notificação prévia obrigatória · Capacidade de investigação ambiental
- Assassinatos Liderancas IranianasChefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã · Ataque aéreo de Israel · Impacto geopolítico
Boa Voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite, tudo bom? Boa noite também para a Carol, para os ouvintes, para quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite. Vamos à Brasília. Larissa Lopes tem mais informações sobre a CPM do INSS e as investigações do Banco Master. Oi, Larissa. Oi, Débora. Olha, o presidente da CPM do INSS,
Carlos Viana, ele afirmou até que já oficiou o Supremo Tribunal Federal para saber quem usava o celular funcional da corte, quando Daniel Vorcaro mandou mensagem perguntando sobre bloqueio da operação em que ele foi preso pela primeira vez, isso em novembro do ano passado. O número no celular de Vorcaro estava salvo como Alexandre, que seria uma referência ao ministro Alexandre de Moraes, mas ontem, em entrevista ao Roda Viva, o senador afirmou que se tratava de um número funcional,
do Supremo e agora, por meio desse ofício, ele busca saber quem de fato usava e ter uma confirmação até se realmente era o ministro Alexandre de Moraes. O presidente da CPMI do INSS ainda defendeu o afastamento do ministro até a conclusão das investigações sobre as fraudes do Master. E hoje também, Débora, o senador até falou novamente, ele afirmou que espera o retorno do material sobre Vorcaro.
após a decisão de ontem do ministro André Mendonça que ele determinou que a PF recolhesse o material da sala-cofre, o que inclusive já começou a ser feito na tarde de hoje, e retire o material que envolva ali a vida íntima de Vorcaro e depois devolva somente o que é de interesse da investigação. Essa decisão de Mendonça até veio após parlamentares afirmarem que no material havia vídeos íntimos de Vorcaro e fotos com parlamentares do Centrão.
Uma informação até sobre essa sala-cofre é que a Polícia Legislativa do Senado vai apurar, junto com a PF, a possível entrada de câmera nessa sala que guardava o material sigiloso. E outra informação sobre a CPMI, Débora, é que a gente vem acompanhando que o colegiado tem focado ali nas irregularidades do Master, focado ali, tentado ouvir Daniel Vorcaro, especialmente em relação aos consignados,
aquelas negativas ali, ou até parlamentares não encontrando Davi Alcolumbre para pedir prorrogação do colegiado. Então, eles entraram com o mandado de segurança. E hoje teve o sorteio e André Mendonça, que já vem ali proferindo decisões quanto a CPMI, ele foi sorteado relator. Então, vai ter uma decisão dele se aceita ali e se haverá prorrogação.
e depois os outros ministros podem referendar essa decisão de Mendonça, mas a princípio a decisão é do próprio Mendonça. E só para finalizar, Débora, porque nesse caso do Máster, Congresso e Supremo estão ligados ali ativamente e até em meio a essa tensão na Corte, após suspeita de envolvimento de ministros no escândalo do Máster, Fachin, presidente da Corte,
as crises não são um sinal de esgotamento das instituições e reforçou que não há democracia sem instituições sólidas. Ele até falou que democracia é um canteiro de obras permanente e não dá diva certa e perene ao falar sobre a necessidade de vigilância ativa e constante da sociedade. Débora. Obrigada, Samanta, pelas informações. Larissa. Larissa Lopes, pelas informações. Desculpa. Vera, vídeos íntimos não interessam mesmo, né?
para a investigação. Agora, essa mensagem perguntando de um eventual bloqueio para um número funcional do STF, continua sendo uma coisa muito grave. Isso dá fôlego para uma eventual prorrogação da CPMI? O senador Carlos Viana pegou a decisão de ontem que retirou da CPMI o acesso ao material até que seja feita essa depuração e tentou manter o assunto em pauta.
Manter o assunto em pauta com o foco principalmente no Supremo e no ministro Alexandre de Moraes. Me parece desarrasoada essa ideia do ministro se afastar enquanto não houver investigações. Mas sim, a gente tem falado aqui o tempo inteiro sobre a necessidade de esclarecimentos de toda e qualquer ligação, toda e qualquer mensagem que tenha sido trocada entre o ministro, que não tem nada a ver com o caso Master. E pelo contrário, não poderia opinar sobre ele uma vez que a sua mulher,
era contratada do Banco Master, tinha um contrato em vigor, agora não está mais, mas estava, não deveria ter nenhum tipo de contato com o Daniel Vorcaro. É uma reação, me parece, da CPMI ao fato de que o material foi retirado de lá após esses vazamentos, vazamentos de coisas importantes para o avanço das investigações e de outras que não são, como vídeos íntimos, fotos, etc.
você colocar uma tranca depois de um cadeado já arrombado. Porque todo mundo já viu várias trocas de mensagens íntimas, isso já circulou, essa história de que tem vídeos e fotos de parlamentares também está sendo alimentada há semanas. Então, me parece um pouco inócua essa decisão, mas ela pode demonstrar que daqui por diante o STF vai ser mais seletivo e mais criterioso
compartilhar provas com a CPMI. É aquela coisa que você faz um gesto de confiança, uma vez quebrado, você segura. Tanto porque realmente parece ter havido um abuso nos vazamentos, quanto porque provavelmente vai haver uma pressão daqueles que, de alguma maneira, temem essas investigações para que se segure mais o compartilhamento dessas provas. Então, é isso. É uma tensão permanente esse assunto. Quanto à prorrogação, achei engraçado que os
parlamentares estão procurando o Alcolumbre sem conseguir encontrá-lo. Eu acho que ele vai ficar nesse lugar incerto e não sabido, difícil de ser encontrado. Linde, lugar incerto e não sabido. É isso. Estou e estou fingindo que não estou. Até o prazo final para que essa CPMI acabe e a outra CPI do químio organizado também acabe. Não sei se o ministro André pode decidir ali numa canetada,
mesmo consultando a turma, sobre algo que é de competência do Legislativo, prorrogar ou não uma CPI. Tudo bem, ele pode dizer que há uma obstrução a um direito da minoria por não instalar, mas por não prorrogar, não me lembro de decisões similares de ministros do Supremo mandando prorrogar. Pode ter tido, me escapa, mas eu acho um pouco exótica.
Ainda está pairando a troca de advogados de ontem, que a gente viu, é um indicativo, pode ser um sinal. Os advogados novos estão fechados em copas, não estou falando sobre essa possibilidade. Mas sim, ela continua quicando e tirando o sono de muita gente. Bom, vamos para o nosso próximo assunto, um assunto que interessa a todo mundo, que é o preço dos combustíveis. O governo zerou impostos federais sobre o diesel.
para que os governadores fizessem o mesmo com o ICMS, mas os estados decidiram não fazer essa redução do imposto estadual. Samanta Klein, conta para a gente. Essa foi uma decisão do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, que rejeitou o pedido do presidente Lula de redução do ICMS. Lembrando que a manifestação ocorre depois do pedido do presidente, ainda na semana passada, quando a equipe econômica fez o anúncio daquelas medidas
Na nota de hoje, o comitê afirma que a redução de imposto não necessariamente chega ao consumidor final e, segundo o comitê, acaba ocorrendo uma dupla perda, ou seja, além de não sentir os efeitos da redução dos tributos que se diluem na cadeia produtiva, a redução de arrecadação ainda pode prejudicar serviços e políticas públicas.
E aí, adiante dessa negativa dos governadores e das reclamações dos setores de transporte, de cargas e passageiros, o governo está tentando fazer valer aquelas medidas, a redução de 64 centavos, que é a previsão, ainda que se saiba que dificilmente isso se chegue à totalidade lá na ponta, ao consumidor.
estão em estudo, mas fato é que hoje o presidente Lula se reuniu com ministros da área econômica e jurídica para também definir ações para tornar mais duras as penalidades para abuso de preços. Inclusive, a Associação Nacional de Empresas de Transporte de Carga está entre os setores que estão reclamando. Eles estão falando sobre o aumento imediato dos combustíveis
Estranheza e também desconfiança sobre a possibilidade de que as distribuidoras possam ter feito estoques artificialmente para aumentar o preço dos combustíveis, logo que a guerra do Irã estourou, enfim, ou seja, nem havia tempo para o gasto dos estoques que já estavam no Brasil. Além disso, ele ressaltou que bem antes da Petrobras anunciar aquele aumento de 38 centavos sobre o valor do litro do diesel,
Os distribuidores já tinham elevado os preços. E aí, com isso, algumas categorias também falam na possibilidade de greve, caso dos caminhoneiros, mas ainda de forma pouco articulada. Com vocês. Obrigada, Samanta. E a gente não vê aí luz no fim do túnel, né? Não tem nenhuma perspectiva de fim desse conflito no Oriente Médio. Se houver realmente uma greve dos caminhoneiros, o potencial de desgaste é enorme para o governo, né, Vera? Enorme. Não há nenhum tipo de interlocução.
Qualificada entre o Palácio do Planalto e esses comandos dos caminhoneiros que, por sua vez, são muito dispersos e difíceis de você saber quem está centralizando e que tem uma afinidade ideológica com o bolsonarismo que já ficou comprovada em crises anteriores, crises anteriores ligadas justamente ao preço dos combustíveis.
que um governo pode enfrentar em ano eleitoral. Ele ocorreu em 18, que era ano de eleição presidencial, e o Temer teve muito desgaste, mas ele não era candidato. E ali o Bolsonaro surfou muito aquela greve. Depois, em 22, o preço dos combustíveis voltou a pressionar a popularidade do Bolsonaro fortemente, a ponto dele tomar medidas para baixar artificialmente o preço dos combustíveis.
inspetou uma conta nos estados na redução compulsória do preço do ICMS dos combustíveis e agora o Lula tenta não incorrer na mesma medida, mas não encontra nenhum aval dos governadores para baixar o peso do ICMS sobre os combustíveis, porque é o principal imposto dos estados em ano eleitoral, ninguém quer reduzir receita e ainda
fazer favor para o governo federal com as próprias expensas. Então, eu acho que é uma coisa difícil de equacionar. Aquelas medidas anunciadas na semana passada não fazem frente à possibilidade da guerra se prolongar e de o preço continuar impactado. Já tem gente que acha que pode haver aí uma demora maior, por exemplo, em baixar juros, pode ter um repique inflacionário. Então, são muitas as frentes em que,
essa guerra e a consequente valorização do preço dos combustíveis pode afetar a popularidade do Lula e minar as suas já bastante tensionadas chances de reeleição. Vários ouvintes mandaram mensagens aqui falando que já estão verificando a semana toda, que já verificam o aumento de preço nos combustíveis. Os postos de várias regiões, aqui de São Paulo, de outros estados, ontem também a reportagem trouxe
A reportagem de Brasília trouxe esse tema lá no Distrito Federal e a alta dos combustíveis também vai impactar na nossa inflação, o que tem consequências também na avaliação do governo. Na avaliação do governo, na decisão do Copom sobre a taxa de juros, tem consequências imediatas e todas elas negativas para a economia e para a política.
assunto que está ali na linha de frente das preocupações do governo e que também coloca uma sombra de dúvida sobre a realização do encontro entre o Lula e o Trump nesse momento, o que vai se tratar, a maneira de tratar, porque são muitas as arestas, muitas as cascas de banana no caminho e essa, com certeza, é a maior de todas. A gente vai para o nosso próximo assunto,
do INSS, Ana Carolina Tomé, tem mais informações. Oi, Ana, boa noite. Oi, Débora, boa noite para você. O Ministério Público Federal e a PF chegaram a pedir a prisão preventiva da deputada federal Gorete Pereira, alvo da operação em débito, um desdobramento da Sente Conto que apura um esquema de desvios do INSS. O ministro André Mendonça do STF, no entanto, mandou ela usar tornozeleira eletrônica e prendeu duas pessoas apontadas como operadores da defesa.
Segundo a PF, ela controlava uma entidade utilizada para o esquema dos descontos indevidos e mantinha interlocução com autoridades e servidores públicos. Ainda segundo os investigadores, Goretti utilizava influência política para viabilizar acordos com o INSS e os descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
780 mil reais. Foram presos na operação o empresário Nátio de Lima Pinheiro e a advogada e ex-presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas no Ceará, Cecília Rodrigues Mota. A advogada já estava na mira da CPI do INSS, como lembrou o presidente da comissão, Carlos Vianna.
ligados ao escândalo do INSS e outras prisões virão. Em nota, Gorete Pereira negou as acusações, disse que tem uma vida pública de 40 anos pautada pela integridade. A reportagem CBN não conseguiu contato com a defesa de Nátio Pinheiro e Cecília Mota e agora há pouco a PF divulgou aí um balanço da operação. Então foram apreendidos veículos, valores em dinheiro, óculos, bolsas, somados os itens valem mais de 2 milhões e meio de reais,
Os valores apresentados, no entanto, são estimativas preliminares e podem sofrer atualizações. O avanço das investigações preocupa o Palácio do Planalto, Debora, especialmente após o nome de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula, ser citado por investigados do caso. A defesa dele quer se antecipar a qualquer ação mais drástica da PF e colocou Lulinha à disposição para prestar esclarecimentos ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.
de Lulinha confirmou uma viagem com o careca do INSS em 2024, mas negou qualquer vínculo com o lobista. Volto com você. Obrigada, Ana, pelas informações. Uma parlamentar aí envolvida nesse desdobramento da operação, né, Vera? Exato. Grave, né? A gente tem aí parlamentares também envolvidos em escândalo com emendas. A gente vai tratar disso ainda nessa edição.
caso, esse do INSS, que atinge fortemente a oposição, porque ele começou no governo Bolsonaro, o governo, porque ele se estendeu no governo Lula, mas que também tem braços no legislativo. Em relação àquilo que é o maior foco de desgaste para o governo, que é a citação ao nome do Lulinha como parceiro ou envolvido com o careca do INSS, a defesa do filho do presidente está negando que o
O fato dele estar residindo no exterior, se deva alguma tentativa de se evadir do país e estar se oferecendo para que ele venha ao Brasil prestar depoimentos, prestar esclarecimentos quando necessário. Porque circulou aí rumores de que ele poderia ter a prisão decretada por ter se evadido do país, por estar na Espanha, não em Portugal, mas na Espanha.
A gente faz uma pausa para que você fique com notícias da sua região e, na volta, vamos falar, então, sobre a condenação de parlamentares por desvio de emendas. Viva a voz de volta! Igor Cardim tem informações ao vivo em Brasília sobre a condenação de deputados por desvio de emendas. Oi, Igor. Pois é, Débora. A primeira turma do Supremo Tribunal Federal condenou por unanimidade os três parlamentares.
Os deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, os dois do PL do Maranhão e o suplente João Bosco, do PL de Sergipe. Com a definição das penas, o deputado Josimar Maranhãozinho foi condenado a seis anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto. O deputado Pastor Gil recebeu pena de cinco anos e seis meses de prisão,
também em regime semiaberto. Já o suplente Bosco Costa foi condenado a cinco anos de prisão em regime inicial semiaberto. A pena dele foi reduzida por ele ter mais de 70 anos. Além disso, Débora, a perda do mandato ficou definido ali pela turma, pelo entendimento dos ministros da primeira turma, de que a Câmara dos Deputados deve definir se eles perderão ou não os mandatos.
perde o cargo público que ocupa e todos perdem também os direitos políticos eleitorais. Débora. Obrigada pelas informações, Igor Cardin. Bom, Vera, temos aí uma decisão importante. As emendas vêm sendo muito discutidas e há um trabalho feito pelo STF para que se tenha mais transparência em relação aos gastos e temos também notícias e agora essa condenação.
por desvio dessas emendas. Exato, Débora. A gente sabia que os deputados e senadores temiam pela hora que começasse a chegar essa conta, a conta das investigações de fato. Até aqui, estava dividido em duas frentes, os inquéritos da Polícia Federal pedindo a investigação e investigando, e a frente em que o Supremo tentava moralizar
a aplicação dos recursos das emendas, dando mais transparência e rastreabilidade para esses recursos. E isso corria em paralelo e, às vezes, se encontrava. Então, agora a gente começa a ver os julgamentos de fato. Então, as investigações chegaram ao fim, geraram denúncias ao Supremo e agora estão gerando condenações. Isso na antevéspera do início das campanhas eleitorais,
Portanto, nas campanhas eleitorais, mas é o tipo da coisa que é essencial, crucial que aconteça, porque pelo menos desde 2018 para cá, o acesso dos parlamentares a fatias cada vez maiores do orçamento da União, por meio de emendas, de vários tipos de emendas, emenda de comissão, emenda de relator, emenda PIX, são várias as modalidades,
tem gerado um aumento exponencial também dos desvios de recursos, porque é um volume muito maior de dinheiro à disposição, com menos controle e com muito mais canal direto com as bases eleitorais dos políticos. Então, os deputados e senadores reclamam muito, se quer criminalizar as emendas parlamentares.
fazendo é usar as emendas parlamentares para cometer pequenos, médios e grandes crimes. E é obrigação da Polícia Federal e do Judiciário coibir isso, porque isso é dinheiro público, precisa ser aplicado de maneira correta e com prestação de contas ao dono do dinheiro, que não é o deputado, não é o prefeito, não é o lobista que faz a intermediação da emenda, não é a empresa que paga um pedaço da emenda para o deputado
Para o senador, o dono do dinheiro é o cidadão, o pagador de impostos. Somos nós, eu, vocês e os eleitores ali do Maranhão, nesse caso, porque a gente está falando de um caso ocorrido no Maranhão, que somos os donos dos recursos. Vera e Débora, o último a votar foi o ministro Flávio Dino, que é relator de várias ações que tratam do mau uso de emendas parlamentares. Ele deu um recado bastante claro de que essa foi a primeira condenação, mas que haverá outras.
aqui do Dino. Neste caso, nós temos o primeiro julgamento criminal dessa nova tecnologia. Infelizmente, haverá outros, porque nós temos a essas alturas dezenas de inquéritos e, eventualmente, ações penais em curso relativas a esse mesmo tema, ora tratado pela primeira vez pelo tribunal. Então, assim, primeira condenação, mas a gente sabe que o volume de denúncias é muito grande. Exato. E o ministro Flávio Dino, que, portanto, votou, não entendeu que, por ser do Maranhão, por ter feito carreira política
Maranhão, inclusive governado o Estado e tendo sido eleito senador na última eleição, devesse se dizer impedido de julgar esse caso. Ele julgou e votou pela condenação, portanto, dos parlamentares. A gente faz uma pausa no Viva Voz para que você fique com notícias da sua região. Na volta tem Tiago Bronzato, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília.
Vamos conversar com o Tiago Bronzato, antes só trazer uma informação, as agências de notícias do Irã acabaram de confirmar a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, um dos homens mais importantes do regime iraniano. Larijani morreu em um ataque aéreo de Israel contra Teheran. Logo mais, a gente traz mais detalhes sobre essa informação. E agora sim, já está na linha com a gente, o Tiago Bronzato, nosso comentarista, o Tiago Bronzato,
das terças e quintas-feiras e também diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite para você, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. Boa noite aos ouvintes. Oi, Tiago. Boa noite. Brunzato, as investigações em andamento no Supremo estão colocando os atores políticos e institucionais de Brasília num beco sem saída.
fazer para criar algum tipo de barreira de contenção para investigações que vão em todas as linhas. A gente tem Master, tem INSS, tem emenda, muito caso ao mesmo tempo. Pois é, Vera, o bonde das investigações está lotado. A gente tem visto três principais investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal que têm deixado muita gente em Brasília de cabelo em pé. A primeira está focada em desvios de emendas parlamentares.
que é uma praga que tem se proliferado em Brasília nos últimos anos e, pelo jeito, está longe de acabar. Apesar de ter diversos inquéritos abertos no Supremo, até agora o Supremo só puniu um caso, que foi a julgamento hoje na primeira turma da Corte. Esse processo envolveu três deputados do PL que foram condenados por comercializar emendas parlamentares.
deputado Josimar Mariãozinho, que se tornou um exemplo de como funciona o capitalismo político das emendas. Ele destinava a verba pública para uma cidade e depois extorquia a prefeitura para devolver 25% dos valores. Há uma série de investigações do Supremo, como eu disse, e isso tem deixado o Congresso em estado de alerta. Uma outra frente de investigação que também tem preocupado muito o mundo político é a farra dos desvios das aposentadoras.
das aposentadorias do INSS. A ganância dos envolvidos nesse esquema era a tamanha que hoje a gente viu numa operação da Polícia Federal, que a deputada federal Gorete Pereira, ela foi acusada de comprar um apartamento de 4 milhões de reais e um carro de 400 mil reais com dinheiro desviado do INSS. E os investigados não tinham limite. Alguns deles chegaram até a falar sobre o desejo de comprar um jatinho
desviada dos aposentados. E o que a gente tem visto nessa investigação, especialmente, é que as ramificações desse esquema do INSS são muito mais profundas. Elas já atingiram dirigentes partidários, parlamentares de diferentes espectros políticos e até o filho do presidente Lula, o que tem gerado uma dor de cabeça danada para o governo nas pesquisas eleitorais. E o terceiro e talvez mais explosivo rama de investigações,
em andamento no Supremo, é o escândalo do Banco Master. A gente tem visto que o material aprendido pela Polícia Federal, e que também está sendo analisado pela CPI da NSS, tem revelado uma extensão das conexões políticas em torno do banqueiro Daniel Votaro. Reportagens do Globo mostraram, por exemplo, mensagens que citam uma reunião com o presidente do União Brasil, António Rueda,
R$ 4 milhões para o vice-presidente do partido, Assemi Neto, que é candidato ao governo da Bahia. O Reda nega qualquer regularidade e o Assemi Neto diz que esses valores são referentes à consultoria que ele prestou para o Banco Master. E, além disso, a gente também tem acompanhado que esse escândalo tem mexido com a estrutura do próprio Supremo, uma vez que os ministros Alexandre Moraes e Dias Toffoli caíram na teia do escândalo.
mesmo ponto. Elas têm deixado os três poderes num climão sem precedentes. E eles, os três poderes, têm começado a discutir e se organizar para criar essa barreira de contenção, porque sabe que agora o caminho dessas investigações é incontenável. O que só resta é conter os danos em andamento. E, Bronsato, como é que está a relação entre os três poderes? Essas relações foram afetadas por essas investigações? Pois é. O caso do Banco Master, especialmente, virou
uma batata quente entre os três poderes aqui em Brasília. Ninguém quer ficar com esse escândalo nas mãos. No Congresso, por exemplo, os parlamentares tentam jogar no colo do Lula a responsabilidade pelo avanço das investigações da Polícia Federal, que podem atingir a cúpula política do Congresso e até integrantes do Supremo. Os deputados senadores com os quais tenho falado, eles demonstram uma desconfiança muito grande com o Lula.
para cima de caciques do Centrão, e isso acaba fragilizando e criminalizando a política. O presidente, no entanto, em conversas com seus aliados, tem refutado essa desconfiança. Ele tem dito que não tem como controlar as investigações e que, inclusive, o próprio filho dele é investigado. E preocupado com essa escalada da crise, Lula acabou se reunindo com algumas pessoas de confiança para tentar discutir o cenário no Palácio da Alvorada,
final de semana, como o próprio Lauro Jardim revelou em sua coluna no Globo. E nessas conversas, o Lula tem reclamado muito sobre os comportamentos de dois ministros, especificamente do Supremo, o Dias Toffoli e o Alexandre de Moraes. O presidente tem dito que essas crises enfrentadas pelo Supremo, especialmente por esses dois ministros, têm respingado nele, que não tem nada a ver com esse escândalo até o momento. Por outro lado, os ministros do Supremo também estão incomodados com esses sinais
tentamentos do Lula. E tem mandado recado de que se o Lula tentar partir para um conflito com o Supremo, não vai ser uma estratégia bem sucedida. Até porque ele depende do Supremo e alguns julgamentos são sensíveis para o governo. Em resumo, o que está rolando é uma ciranda dos poderes que um joga essa batata quente para o colo do outro. Resta saber nas mãos de quem que vai ficar essa batata quente no final das contas. E ainda tem a delação do Vorcaro que pode vir por aí.
e minar ainda mais a relação entre os poderes, né, Bronzato? Pois é, esse é o capítulo mais desaguardado desse enredo todo, porque na semana passada a troca de advogados do Daniel Volcaro gerou um burburinho danado em Brasília e gerou ali alguns efeitos imediatos, né? O primeiro foi o fato de que muita gente que está com o rapo preso nesse esquema passou a procurar escritórios de advocacia e o mundo político aqui em Brasília para sondar sobre o impacto de uma colaboração do Daniel Volcaro, né?
O segundo efeito mais imediato foi a expectativa de uma corrida para ver quem fecha primeiro uma delação premiada, porque ninguém quer pegar a última senha dessa fila e ficar preso por muito tempo, como a gente viu aí na trama golpista. E se uma delação sair do papel, a gente vai ver que essa crise deixa de ser difusa, compartilhada por vários atores de Brasília e passa a ter uma ameaça mais concreta,
imagens mais específicas. E é isso que assusta o mundo político, que não conseguiu convencer os ministros supremos a votar a favor da soltura de Vocaro. Mas para viabilizar essa delação premiada, seja do Vocaro ou de outro investigado, no caso Master, há um longo caminho pela frente. Se Vocaro ou outro investigado entregar políticos e poupar ministros do Supremo que receberam recursos do Master, o acordo já nasce sob suspeito,
existe meia delação. E a dúvida que fica é, será que o ministro André Mendonça vai aceitar um acordo que não explica, por exemplo, o repasse do cunhado de Vogário para o resort do Toffoli? Ou será que o ministro André Mendonça vai aceitar uma colaboração que ao menos não explique a contratação do ministro Alexandre de Moraes por valores que são muito acima da média do mercado jurídico? E, por outro lado, também tem uma outra dúvida.
Será que os advogados de vocado ou de outro investigado vai comprar uma briga inédita com ministros do Supremo também? E se desgastar, explicar essas relações? Vale lembrar que na Operação Lava Jato veio à tona a relação do empreiteiro Léo Pinheiro com o ministro Dias Toffoli. E o Léo Pinheiro delatou Deus e o mundo, contou todos os segredos da República. Só não explicou a relação com Toffoli. E, aliás, vale lembrar que o advogado que fez a delação do Léo Pinheiro,
é o mesmo do Volcaro. E foi ali que a Lava Jato começou a refluir no seu apoio dentro do Supremo, a partir de algumas delações e algumas investigações que resvalaram justamente no STF. Basta lembrar a capa da revista Cruzoia que foi censurada, etc. Exatamente, Vera. Esse vai ser o maior desafio para se avançar nessa delação. A gente tem visto alguns recados do Volcaro que devem entregar o mundo
político mais poupar o Supremo, mas a dúvida que fica é, essa delação vai ser aceita pelo ministro André Mendonça, que é um ministro que parece que está disposto a colocar as coisas às claras. Aí que a gente vai ter que ver. Tiago Bronsato, com a gente todas as terças e quintas, obrigada por hoje e até quinta-feira, Tiago. Até mais, boa noite. Até, tchau. Gente, vamos à Brasília com o Igor Cardim, ele fala sobre aquele projeto que limita medidas emergenciais de
O Igor, em que pé que está isso, hein?
apenas com esses votos contrários da base do governo, onde a Câmara aprovou essa urgência de um projeto de lei que restringe o uso de tecnologias remotas no combate ao desmatamento ilegal e disseram então que pediram ao presidente da Câmara, Hugo Mota, para poder negociar na reunião de líderes. O que diz esse projeto? Ele restringe imagens como satélite e drones de monitoramento para embargar as áreas com desmatamento ilegal.
em medidas cautelares com base exclusiva nesses dados, exigindo uma notificação prévia de quem foi autuado antes de qualquer sanção. A medida ocorre após uma série de operações do órgão, como o Embargão na Amazônia e também a Operação Marvalha, que ampliou o cruzamento de dados e aí fez uma fiscalização em larga escala. Segundo a Sueli Araújo, que é ex-presidente do IBAMA e coordenadora de políticas públicas do
do Clima, o IBAMA não possui uma estrutura para poder fiscalizar exclusivamente por terra onde há o desmatamento ilegal. Se esse projeto se tornar lei, ele vai reduzir a abrangência da fiscalização ambiental, porque os órgãos ambientais não têm recursos para se locomoverem com operações presenciais para fazer as devidas notificações.
Outros ambientalistas alertam que essa proposta pode causar danos irreversíveis, já que a demora na análise desses embargos e nos processos de autuação tende a favorecer a continuidade desse desmatamento ilegal em diferentes regiões do país.
continentais como o Brasil, se não poder usar a tecnologia, o satélite, que tem sido uma arma tão poderosa no combate ao desmatamento, não faz o menor sentido, né gente? É, o objetivo parece ser realmente tirar dos órgãos de controle a capacidade de investigar e de coibir os crimes ambientais, né? A gente já tinha tido no ano passado o imenso retrocesso da revisão da legislação de licenciamento ambiental e agora esse é mais um golpe de morte,
na capacidade do Estado de fazer frente aos crimes ambientais. A gente lembra aquela fatídica reunião ministerial do Bolsonaro, em que o Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente, sugere aproveitar a pandemia para passar a boiada ali numa série de retrocessos em termos de legislação e fiscalização na área ambiental.
e com o Congresso de maioria ali ligada à bancada ruralista, etc., é que tenha passado a maior parte da boiada em termos de revisão de salvaguardas ambientais e de desmantelamento da estrutura de fiscalização do Estado. Uma pena. Vera Magalhães, muito obrigada por hoje. Amanhã tem mais Viva Voz. Amanhã e depois, direto do Rio de Janeiro, estarei lá com Carolina Moran.
um evento do Globo, Caminhos do Brasil, falando sobre a escala 6x1 e faço o Viva a Voz de Lá esses dois dias. Vai ser muito bem-vinda. Beijo, Vera. Até mais. Tchau, meninas. Tchau, Vera.