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Caso Master:‘movimento de Vorcaro deixa mais nítida possibilidade de delação

14 de março de 202624min
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O cientista político Bruno Silva, comentarista da CBN, faz uma análise dos principais assuntos políticos em destaque ao longo da semana. Um dos temas é a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro e, em seguida, a mudança na defesa do banqueiro. Ouça.

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Assuntos7
  • Segurança OperacionalManutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro · Mudança na defesa do banqueiro · Possibilidade de delação premiada · Robustez das provas contra Vorcaro · Esquemas criminosos envolvidos (fraude bancária, ataques a jornalistas)
  • Atuação de Lucia na políticaPotencial para incendiar cenário político · Risco de seletividade nas investigações · Comparação com Operação Lava Jato · Equilíbrio entre verdade e orientação política · Impacto na integridade da justiça
  • Voto de Dias Toffoli no STFDeclaração de impedimento de Toffoli · Mudança na postura do ministro · Influência de novas investigações no julgamento · Pressão política sobre ministros do Supremo · Jogo político entre membros da corte
  • BolsonaroPiora da função renal · Diagnóstico de broncopneumonia bacteriana · Internação na UTI do Hospital de Brasília · Pedidos de prisão domiciliária · Impacto na percepção pública e pressão sobre Moraes
  • Caso Master PoliticaMinistros do Supremo Tribunal Federal · Partidos do centrão · Líderes políticos com indícios de financiamento de campanha · Figuras ligadas ao PT · Presidente do Senado
  • Voto de Luiz Fux e Alexandre MoraesPosicionamento dos ministros · Pressão política sobre Moraes · Blindagem do Supremo · Julgamento com base em fatos versus critérios políticos
  • IA Operacoes MilitaresPreferência ideológica da administração Trump por Bolsonarismo · Classificação de organizações criminosas como terroristas · Potencial para intervenção externa · Tentativa de desestabilização eleitoral · Tentativa de criar pressão antes da reunião Lula-Trump
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Brasil que anda pegando fogo, é fake news, mas é muita informação verdadeira também chegando dos nossos repórteres, jornalistas que vêm fazendo um trabalho exemplar nesse momento no Brasil. E eu estou aqui com o cientista político Bruno Silva para nos ajudar a repercutir um pouco dessas informações que não param de nos chegar. Bruno, boa tarde. Olá, muito boa tarde, Petra. Boa tarde a todos os queridos ouvintes aqui do Revista CBN.

Pega fogo cada vez mais. E por falar nos nossos colegas jornalistas, está aqui no blog da Andréa Sadi, no G1, que depois o Supremo Tribunal Federal formar nessa sexta-feira a maioria para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, a defesa dele passou por uma mudança, isso até o nosso repórter Bruno Melo trouxe aqui, seu chará Bruno Melo trouxe aqui para a gente no início do Revista CBN, destaque aqui na capa do Revista CBN, e essa mudança de advogado, essa mudança na defesa,

pode indicar que o caminho agora para a defesa vai ser de uma delação premiada. E o que a gente pode esperar nesse sentido? Afinal de contas, o advogado tem no currículo histórico de delações premiadas, como foi a de Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS, durante a Lava Jato. Ou seja, tudo indica, Bruno, que a gente vai ter ainda muito mais informação e vai ficar sabendo de muito mais pessoas envolvidas, poderosos envolvidos.

em toda essa trama, em toda essa rede de conexões do Banco Master, Bruno. E agora é uma via de mão dupla, né, Petra? Na realidade. Por quê? Ao mesmo tempo que essa dimensão da estratégia, principalmente de poder utilizar a delação premiada, ela nunca saiu do radar, mas com o movimento de Vocar fica mais nítido que talvez é para onde ele queira caminhar, a fim de arrefecer provavelmente possíveis penas que virá a ter ao longo do curso do processo, porque o conjunto de provas contra ele é muito robusto.

né, Petra? Essa que é a questão. Então, ele sabe que tem culpa no cartório, como se diz no popular, que vai enfrentar a justiça e que vai ter que arcar com tudo isso de algum modo. Só que aquela história, gente poderosa, políticos, empresários, né? Aqueles que têm uma influência muito grande, quando caem, não caem sozinhos. Ao longo da história, e aí que eu digo que é uma via de mão dupla que a gente tem que tomar cuidado, ao longo dessa história política brasileira mais recente, nós tivemos vários personagens que fizeram as suas respectivas delações e aí teve

terminaram de incendiar de vez o cenário político. O que, obviamente, do ponto de vista de nós cidadãos, o que a gente quer é que prevaleça a verdade, a razoabilidade e a justiça seja feita. Porque, se são criminosos, nós queremos ver isso a despeito de colorações políticas, de preferências, etc. Eu penso que aqueles que são razoáveis estão querendo entender a verdade disso tudo e que sejam responsabilizados e culpados aqueles que estiveram envolvidos nessa história toda. Doa quem doer, como tem se dito também aos quatro cantos.

Só que a questão da delação em si traz, pelo menos, alguns pontos de interrogação que a gente tem que ficar muito atentos, Petra, porque nós sabemos também que, ao mesmo tempo que é um instrumento, vamos dizer assim, da justiça, que permite conseguir avançar as investigações, chegar em outros personagens, elucidar um pouco mais sobre os esquemas, e olha que ali o que mais tem envolvendo o Master são esquemas, que a gente já viu que é esquema de fraude bancária, esquema criminoso, ataques contra jornalistas que pode vir,

até esse direcionamento, vamos dizer assim, até do ponto de vista de crimes mesmo, atentar contra a vida das pessoas. Tem o lance lá que precisa ser elucidado da turma, se é um grupo miliciano, se não é. Enfim, tem uma série de aspectos que pode ganhar em amplitude, vamos dizer assim, a delação. Mas, ao mesmo tempo, pode também, a depender de como esses fatos estão sendo construídos e como a política vai se desenvolvendo,

mais sobre alguns em detrimento de outros, né Petra? Porque como eu estou dizendo que é uma sequência de crimes, nós precisamos ficar atentos, porque muito da Operação Lava Jato lá atrás acabou se perdendo de algum modo quando a gente começou a ver que haviam inimigos políticos que estavam sendo identificados e perseguidos também nessa história toda. E aí a justiça começa a ser orientada por um caminho que pode ser perigoso se não for bem feito, se não for feito com zelo, se não for feito também com relativa

integridade, vamos dizer assim, por parte de todos os envolvidos. Senão você acaba arrolando políticos e personagens, alguns dando ênfase em alguns e esquecendo de outros. Traduzindo, pode ser que de repente o que interesse, dependendo de como isso caminhar, dado as questões políticos agora, que fique mais restrito ao âmbito do suposto envolvimento dos ministros do que caminho, por exemplo, para entender as dimensões financeiras das fraudes de outros personagens envolvidos. Então tem que tomar muito cuidado também nesse processo.

O nosso repórter Bruno Melo trouxe a informação que ele ficou muito abalado pelo parecer do STF agora ser pela manutenção da prisão. E aí houve essa troca de advogados, talvez indo nesse caminho da delação, mas achava que ia ser solto. Essa é a questão, Bruno, diante de tantas evidências. E a gente sabe que não é nem perto de tudo que ainda pode ser revelado.

essa questão, porque o grande receio é justamente como o que você colocou, e esse é um papel da imprensa muito importante nessa pressão em relação ao que é revelado, de que não sejam realizadas essas artimanhas jurídicas e que isso não dê em nada, porque é muito evidente diante das provas robustas o que vem acontecendo, o que vinha acontecendo. E coloca uma tensão, eu concordo contigo, Pedro, e coloca uma tensão sobretudo na figura de Gilmar Mendes, que acabou perdendo vista do processo para a próxima semana,

porque os juízes calculam politicamente o que estão fazendo. Então, por exemplo, o Fux não teve nenhuma dificuldade de seguir o entendimento do caso que agora está na relatoria do Mendonça, o Luiz Marx, a mesma coisa. Mas o Gilmar, ele pensou, na verdade, antes de proferir o voto, porque ele pode, inclusive, transmitir publicamente dois sinais, Pétria, e reforçar algo que, por enquanto, é forte do ponto de vista da percepção do cidadão sobre o poder judiciário. Aí eu explico. O Gilmar Mendes,

segue essa mesma orientação, vai transparecer que está julgando, com base nos fatos, a despeito de eventuais conexões ou ligações políticas, ou até mesmo de um senso de preservação do Supremo. Isto é, se ele segue, por exemplo, essa interpretação que é a do Mendonça, agora que está à frente, dizendo, não, mantém ele preso. Se ele vota o contrário, por mais que possa ter até razões, fundamentações jurídicas do porquê que poderia soltar, vamos dizer assim,

embora a gente saiba que a luz dos fatos não faz nenhum sentido, mas suponhamos que, na hipótese, ele fizer algo nesse sentido, ele traz também uma crise a mais para o Supremo Tribunal Federal, porque vai passar a impressão pública de que o tribunal está se blindando frente, obviamente, aos seus personagens direto, leia-se Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que estão ali diretamente envolvidos. O próprio Toffoli se declarou nessa semana, que foi uma das coisas que mais repercutiu ali, porque agora ele já se declarou impedido,

continuar no julgamento. Curioso é que lá atrás, quando o processo caiu na mão dele, ele já não tinha se declarado. Então, o que mudou de lá para cá? São justamente esses fatos que estão vindo à tona, as investigações, as conexões, a questão lá do resort do Tayhaya. Então, tem um monte de fatos que vem fazendo com que agora os juízes fiquem mais, principalmente parte dos membros do Supremo Tribunal Federal, fiquem mais na Berlinda.

Então, tem assim, tem vários jogos acontecendo ao mesmo tempo e a gente precisa prestar atenção em como esses atores do Supremo

vão agindo, porque eles fazem política, fazem o tempo todo, mas fazem de um jeito diferente daquilo que a gente está acostumado, porque eles não saem falando no microfone e trocando farpas e acusações uns com os outros. Eles agem de modo mais lento, jogando inclusive com o tempo. Então, acho que esse voto do Gilmar vai ser importante para a gente poder compreender até que ponto o Supremo vai se autoblindar ou até que ponto há agora um entendimento de que é preciso avançar, doia quem doia de fato. Porque o Lula, inclusive, esses últimos dias, quando questionava,

diz, ah, o que você acha dessa história toda? Falou, não, tem que investigar, doa quem doer, etc. Só que tem um problema aqui também, né, Petra? Até agora, toda essa repercussão negativa do caso Master tem caído mais negativamente em termos de visibilidade pública no colo da presidência do que necessariamente de outros atores, que são atores que estão mais no campo de posição. Sendo que, no fundo, nós estamos vendo nomes, acompanhando pessoas, indivíduos estão sendo citados, conexões que estão em vários lados desse espectro político como um todo. Então, você tem,

Os fatos concretos, vamos dizer assim, a investigação deles, que na minha leitura é imprescindível, até para poder garantir o mínimo de seriedade a isso tudo e a República, porque também tem atores centrais envolvidos. Mas, por outro lado, você tem como esses fatos vão ser narrados e como eles vão impactar diretamente, principalmente em fatores como o cenário eleitoral, avaliação governamental, avaliação das medidas, enfim, e assim por diante.

por exemplo, se acontecer mesmo uma delação premiada? Olha, eu acho que num primeiro momento quem estaria mais preocupado com essa história toda seria os ministros do Supremo Tribunal Federal e alguns atores políticos que estiveram diretamente ligados ali a Volcaro, inclusive com indícios de financiamentos, né? Petra de campanha, né? Então tem que ficar atento principalmente a esses personagens que são líderes de alguns partidos políticos, né?

Tem que prestar atenção no União Brasil, tem que prestar atenção no Ciro Nogueira, tem que prestar atenção nesses nomes que vieram sendo citados. Tem também alguns dos nomes que teriam supostamente o envolvimento ali também do PT baiano, que precisa ficar de olho, que são figuras importantes de outros processos lá de trás, envolvendo também ligações do Master, compra de outras empresas. Tem os próprios ministros do Supremo, que talvez, acho que ali é que está a grande ênfase, o grande foco, principalmente o Alexandre de Moraes e o Dias Toffoli.

personagens grandes envolvidos nessa história toda. Tem também o próprio Davi Alcolumbre, que é uma figura central nisso tudo, porque está à frente da presidência do Senado e está lidando também, pisando em ovos com as múltiplas pressões. Então tem bastante gente, como eu estou dizendo aqui. Tem gente de todos os espectros políticos, direto ou indiretamente envolvido nessa história. Que ano, né, Bruno? Que ano! E só começamos, hein?

A gente já começou a dar... É, a gente conversava já no finalzinho do ano, né? Você aqui nas últimas semanas de dezembro.

no Revista CBN, a gente acompanhando toda essa repercussão, já dava o tom. Eu quero falar um pouquinho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a gente trouxe aqui a informação também com a nossa reportagem em Brasília, que o ex-presidente teve uma piora da função renal, segue estável na UTI, mas teve piora da função renal, e os olhares também voltados para o estado de saúde do ex-presidente, que teve um diagnóstico de broncopneumonia bacteriana,

bastante sério, e aí foi internado na manhã de sexta-feira na UTI do Hospital DF Star em Brasília, e teve essa questão, esse boletim médico desse sábado, também acompanhando com atenção, tem a questão dele ir para uma prisão domiciliar ou não, esse pedido é constantemente feito, como é que a gente pode olhar para essa questão de saúde de Bolsonaro na prisão, né Bruno?

importantes, né, Peter? Primeiro, claro, do ponto de vista da saúde, a gente espera que clinicamente possa avançar, enfim, os médicos consigam fazer com que melhore, né, porque afinal de contas, de novo, ninguém razoável deseja o mal da outra pessoa do ponto de vista da saúde. Agora, em relação às questões políticas, Peter, que aí é que pesa, dois pontos aqui que eu quero chamar atenção. Primeiro, vai cada vez mais subir a temperatura e a pressão sobre o Alexandre de Moraes, ainda mais diante de todos esses fatos dado a conjuntura hoje. Por quê?

Porque o tempo todo há essas solicitações de pedido de prisão domiciliar em relação ao ex-presidente e Alexandre de Moraes vem veementemente negando esses pedidos. E aí a pressão vai ser algo do tipo, bacana que quando é para se beneficiar, Moraes se blinda, mas quando é para beneficiar um ex-presidente que está doente, porque é isso que vai acabar ficando do ponto de vista público, um ex-presidente que está doente, precisando de cuidados, precisando de um tratamento e que agora, nesse momento, pelo menos nessas condições, não representa nenhum tipo de perigo, por que não conceder?

isso a ele. Então, essa vai ser a pressão pública, na minha leitura, que vai pesar cada vez mais sobre o Moraes nessas próximas semanas. E aí, segundo, né, Petra, que é depender de como isso acabar transcorrendo, acaba pesando também, sobretudo, do ponto de vista da própria construção aí do nome do Flávio, enfim, que vem também explorando isso pelas redes sociais, vem explorando também essa situação do pai, porque é uma medida também de tentar aproximar as pessoas

através de uma certa, como eu posso dizer, através de um elemento mais emotivo, daquela coisa de, olha, está vendo só o meu pai que agora está lá preso, porque essa é a narrativa de muitos, injustamente, por um supremo que tem um lado político, fragilizado. Então tentar explorar essa dimensão mais emotiva de sensibilização para poder angariar também mais simpatia. Então acho que isso é o que vai estar posto, pelo menos agora, nos próximos dias,

atenção, porque na semana política e na conjuntura tem a sua importância, tem o seu significado. Não que isso seja decisivo, e até deixar isso muito claro, não que isso seja decisivo pensando futuramente no processo eleitoral em si, mas é mais em como esses atores vão acabar se movimentando durante essa semana, Petra. Num ano de eleições, Bruno, e que daqui a pouco a gente teve até repercutivo, semana passada, as pesquisas de data folha, as pesquisas de intenção, você vai vendo aí o termômetro,

é um volume de informação importante, e ainda com essa questão do Estado de Saúde de Bolsonaro também, a gente pode esperar muita surpresa também para essas pesquisas, né, Bruno? Sim, porque acaba pesando, sobretudo, nesse elemento mais emocional, emotivo, vamos dizer assim. Vamos lembrar que na conjuntura política de 2018, óbvio que ela guardava as suas diferenças, mas a questão do Estado de Saúde do ex-presidente foi um fator muito determinado.

Determinante, né, Petra? Inclusive para o seu crescimento, para essa sensibilidade pública, a sensação de que foi atacado, de que foi injustiçado, né? Enfim, então isso contribuiu diretamente para o seu processo de crescimento ao longo da campanha e porque ganhou também uma visibilidade, viu, Petra, que é inevitável, que é uma visibilidade indireta, né? Porque uma coisa é, Bolsonaro está em boas condições de saúde, cumprindo a sua pena na prisão.

e o fato concreto é, ele segue cumprindo a pena como deve ser se foi condenado no âmbito da justiça. Agora, outra coisa é, o ex-presidente está numa situação delicada, o ex-presidente está com um quadro X de saúde, a situação melhorou, a situação piorou, ou seja, então isso mobiliza de alguma forma nas pessoas e coloca todo o centro, todo o destaque onde? Novamente no ex-presidente, novamente na sua figura, no seu entorno político. Então, isso traz novidade e faz com que as pessoas passem a prestar,

talvez mais atenção, em um momento em que elas ainda não estão tão engajadas e tão mobilizadas assim para as eleições como um todo, viu, Petra? Óbvio, todo mundo sabe que vai ter eleição, todo mundo vai querendo a sua percepção, mas a coisa começa a ganhar mais densidade, sobretudo quando a gente tem as campanhas na rua, né? A gente tem a movimentação que a expectativa é que se faça ali a partir da metade desse ano, quando as convenções baterem o martelo e, de fato, a campanha começar. Mas isso acaba sendo, de alguma forma, uma espécie de,

chamada esse modo, uma espécie de mídia indireta, ou seja, coloca novamente o ex-presidente no centro das reflexões e no centro da movimentação dos políticos como um todo. Eu até trouxe a informação, um pouco antes de falar aqui com você no nosso quadro de análise política, sobre a recusa do governo brasileiro de vista a um assessor de Trump e também recusa a receber presos,

Brasil e Estados Unidos, nessa temperatura que voltou a se elevar nos últimos dias, com essa questão. Nessa sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a retirada do visto do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Betty, que planejava vir ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem avisar o Itamaraty, enquanto nos bastidores os dois países seguem a negociar planos de cooperação no combate ao crime organizado. Inclusive, aí saiu

Prints falsos, a gente reforça isso aqui, inclusive prints falsos com o logo do jornal O Globo dizendo que por causa disso Trump suspendeu a entrada dos brasileiros nos Estados Unidos. Isso é falso, essa segunda parte é falsa. Mas sim, a gente tem essa questão tensa e diplomática entre Brasil e Estados Unidos num momento bastante delicado, justamente porque o Brasil está amarrando negociações importantes com os Estados Unidos,

tem a questão do Oriente Médio, negando o visto para esse assessor aqui, como é que a gente pode ver também mais esse detalhe, que não é só um detalhe, é muito importante também, e reflete, claro, pode refletir também na questão da política nacional, né Bruno? E um outro elemento aqui, viu Petra, fazer um adendo, e no momento em que o Trump se reuniu com muitos líderes latino-americanos, tentando criar aquela espécie de conferência,

A CIA chinesa tirou onda pelas redes sociais dessa reunião como um todo, porque estava presente apenas aqueles que são figuras políticas mais simpáticas ao trumpismo, em um momento em que cada vez mais os Estados Unidos avançam no sentido de classificar organizações criminosas, como é o caso do PCC, Comando Vermelho, como terroristas, o que, em tese, permitiria, na lógica da política externa dos Estados Unidos, avançar no sentido de uma intervenção. Então, o que acontece, Petra?

jurídico está correto, porque não faz sentido uma autoridade desse calibre vir para visitar diretamente um ex-presidente que está cumprindo uma pena. Ou seja, você não está falando de um encontro onde você tem líderes em situação de equacionar problema ou de dar algum tipo de resolução. Isso tem que ser feito a nível de Itamaraty, a nível de governo federal, enfim, a nível de representação diplomática, se for para sentar para conversar, sobre qualquer aspecto nesse sentido de dar um direcionamento. E até porque há

uma espécie de tensão que o tempo todo pesa na Casa Branca, que são os elementos ideológicos sobre o governo e, consequentemente, a compreensão sobre o que eles fazem da política nos demais países. O Trump não é de hoje que ele faz a lógica do morde-assopra e isso faz com que o governo brasileiro mais reaja do que tenta, de algum modo, ganhar um protagonismo nessa decisão. A gente acompanhou isso e viu na questão das tarifas, onde o governo brasileiro tentou pacientemente esperar o momento para, a partir dali, sentar e fazer

abertura de negociação. E tem na agenda uma reunião que está prevista para acontecer entre o Lula e o Trump, justamente para poder avançar, enfim, com as negociações, avançar com as conversas entre os países. E aí, qual tem sido o embrólio e o grande fator, eu penso, nessa história toda, o Petra? No final das contas, Trump, seu gabinete, sua cúpula, tem a sua preferência ideológica. E não é novidade para ninguém. A preferência ideológica deles é o lado do bolsonarismo, hoje, entre as opções políticas que estão sendo apresentadas

para essas eleições até aqui. Então, eles jogam com isso o tempo todo e estão esticando essa corda na tentativa de quando chegar essa reunião, que era para ter acontecido em março e vai acontecer o que tudo indica em abril, talvez o Lula chegue lá, talvez a delegação brasileira chegue lá e tem algumas surpresas não tão agradáveis assim sendo colocadas na mesa, como essa questão das organizações criminosas que a gente está falando aqui, como, por exemplo, outros assuntos que são assuntos de interferência externa dentro da lógica da política interna.

que gerar desestabilização em ano eleitoral, ainda mais por parte de um país, da importância e do significado dos Estados Unidos, certamente não é só por acaso. Tem um objetivo político, tem uma intenção e mexe, obviamente, com a percepção das pessoas. Que ano, meu amigo. É, minha amiga. A coisa está pegando e é o que a gente está falando. Nós estamos só em março. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Metade de março. Já estou com a sensação que a gente está em junho. Pois é.

que dá é que a gente já está em julho. E tem ainda um outro componente, Petra, né? Antes da gente fechar. É o PSD, o Kassab, o Ratinho, o Eduardo Leite. E aí? Sai, não sai, avança, fica, né? O Eduardo Leite já está dando as mostras de que quer participar do jogo a todo custo frente aos outros três. E é interessante porque, aqui só um multicomentário que foi uma coisa que passou meio despercebida essa semana. O PSD ia definir esse nome em maio só, de quem seria.

Mas já antecipou. Antecipou por quê? Porque nós estamos no período da janela partidária, sabendo que talvez se um dali deles não for necessariamente o escolhido, há prazo útil para fazer migração partidária e construir uma candidatura a despeito do partido. Então ainda tem muitas emoções nessa história também. Oi, olá, quinta, sexta-feira. E aí, Bruno? O que ele fala? Eu não sabia nem por onde começou. É tanta coisa. E vai atualizando, né? Sexta-feira à noite. O que se a gente vem com um assunto pronto no sábado?

A gente está atualizando, sábado de manhã está acontecendo coisa. Olha Bruno Silva com a gente aí. Também a política não deixa não ser assim, né, Pedra? Cada minuto uma emoção nova. Antigamente era assim. Sábado e domingo era um pouco mais tranquilo. Eu estou aqui há 12 anos. Aí chegava sábado e domingo, era tempo de análise mesmo. Então a gente podia fazer as conversas longas. A gente tinha ido nos nossos colunistas das revistas e dos jornais da Globo aqui com grandes análises. Hoje é raro.

News o tempo inteiro. A gente não tem tempo nem de entender o que está acontecendo, mas a gente faz isso sim. Bruno Silva aqui com a gente nesse espaço dedicado a amarrar e costurar tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo também. Está tudo ligado. Obrigada por mais essa conversa brilhante. Bruno, até a próxima. Eu que agradeço, querido. Um grande abraço a você, a todos os ouvintes. De tédio na política, certamente ninguém morre.

Só toma cuidado para não ficar com muita raiva, hein, gente? Vamos lá, um abraço. E ansiedade.

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