Chama a atenção a investida do STF contra a liberdade de imprensa
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Segurança OperacionalVotação na Segunda Turma do STF · Possibilidade de empate favorável à soltura · Impedimento do ministro Toffoli · Delação premiada como estratégia de defesa · Pressões políticas e de opinião pública · Consequências para investigação do Banco Master
- Eleições Rio de JaneiroPesquisa Genial/Queste sobre confiança na Suprema Corte · 49% dos brasileiros não confiam no STF · Percepção de excesso de poder da Corte · Deterioração de imagem após escândalo do Banco Master · Queda de 7 pontos em relação a agosto de 2024 · Impacto em independentes e eleitores
- STF e liberdade de imprensaBusca e apreensão contra jornalista Luís Pablo Conceição Almeida · Decisão do ministro Alexandre de Moraes · Violação do sigilo da fonte · Investigação sobre crime de perseguição contra Flávio Dino · Posicionamento de associações de imprensa · Corporativismo no STF
- Combate à Desinformação e Fake NewsPermanência indefinida do inquérito · Falta de objeto determinado e prazo definido · Uso como ferramenta contra opositores de ministros · Questionamento de entidades de imprensa · Silêncio do relator ministro Alexandre de Moraes
- Crítica a instituições e sistemasDecisões em causa própria de ministros · Falta de coerência jurisprudencial · Impunidade institucional · Arrogância ministerial · Desrespeito a sinais da população
- Preços de Combustíveis e PetróleoDecreto presidencial sobre piso e teto de preço · Subvenção de 32 centavos por litro para produtores · Redução total de 64 centavos por litro · Imposto de 2% sobre exportação de petróleo bruto · Pedido para redução de ICMS pelos estados · Objetivo de evitar inflação generalizada
- Relacoes EUA-IraAlta dos preços de petróleo no mercado global · Efeitos econômicos no Brasil · Risco de greve de camionheiros · Repasse para inflação de insumos essenciais · Pressão no transporte de carga e abastecimento
- Atuação de Lucia na políticaAnúncio da disputa por vaga em São Paulo · Transferência de domicílio eleitoral · Possível mudança de legenda para PSB · Histórico como candidata presidencial · Crise no partido Rede · Perspectivas de votação em São Paulo
- Política STFAção sobre indicação de conselheiros do Tribunal de Contas · Rompimento entre Flávio Dino e governador Carlos Brandão · Judicialização de questões estaduais no Supremo · Afastamento de Procurador Geral do Estado · Vazamento de conversas entre deputados · Arranjos políticos locais
Boa Voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite, tudo bom? Boa noite também para a Carol, para os ouvintes, para quem está nos assistindo aí por todos os dispositivos. Vera, boa noite. Semana praticamente acabada, para quem? Para nós, não. Nós estamos praticamente acabados. É isso. Temos que sobreviver essa semana.
Para nós não, para Brasília também não. É para lá que a gente vai. A Larissa Lopes traz mais detalhes sobre a análise que será feita a partir de amanhã no plenário virtual pela segunda turma do STF da manutenção ou não da prisão de Daniel Vorcaro. Oi, Larissa. Oi, Débora. Oi, Vera. Boa noite para vocês. Carol também. É isso, Débora. Começa amanhã esse julgamento em plenário virtual e com a declaração de impedimento do ministro Dias Toffoli
Daniel Vorcaro pode ser beneficiado com possível empate no julgamento na segunda turma do STF, que tem que referendar a partir de amanhã a prisão do dono do Master, que foi decretada na última fase da Operação Complex Zero pelo ministro André Mendonça. E Daniel Vorcaro pode ser liberado da prisão preventiva em caso de empate, porque quando é assim é beneficiado a pessoa que é investigada.
As pessoas que atuam ali no STF apostam que Luiz Fux deve seguir o relator André Mendonça para manutenção da prisão. E, por outro lado, os votos de Gilmar Mendes e Cássio Nunes Marques são vistos ainda como um mistério, mas tem quem aposte, então, que eles serão contrários ao voto do relator, que é o ministro André Mendonça. E há uma pressão também por parte ali do Congresso, dos políticos, especialmente do Centrão,
diante de uma tensão, um medo de que ele parta para a delação premiada. Então, soltar para ele ir, pelo menos para uma prisão domiciliar, seria uma forma de tentar evitar uma delação. E também falo, Débora, para finalizar, sobre o ministro Zanin, porque a gente vem falando nos últimos dias de uma pressão no Congresso por parte da oposição, do governo principalmente, para que sejam apuradas as fraudes do Banco Master.
O deputado Rodrigo Hollenberg, que ele é da base do presidente Lula, mas ele então coletou assinaturas para que seja instalado o colegiado na Câmara dos Deputados. Além do pedido dele, tem outros três. E ele foi à justiça diante das negativas de Hugo Mota para instalar o colegiado, passando na frente de outros pedidos de CPI. E hoje, em decisão, o ministro Zanin, Cristiano Zanin, ele afirmou que a Constituição, nesse caso, não prevê.
que não seria possível o Poder Judiciário emitir uma ordem ou determinação legislativa sob pena, segundo ele, de violar a separação entre os poderes. Então, negou esse pedido de CPI. Débora. Obrigada, Larissa Lopes, pelas informações sobre o julgamento no plenário virtual da manutenção ou não da prisão de Daniel Vorcaro. São quatro ministros. André Mendonça confirma a prisão. A expectativa é que Luiz Fux também siga o relator. E os demais, Vera?
Os demais são uma incógnita, Débora. Eu acho que se eles tivessem de votar de acordo com o que eles pensam, de acordo com as pressões externas que eles sofrem, ambos votariam pelo relaxamento das prisões e, portanto, pela soltura do Daniel Vorcaro. Mas se tem pressão e tem para que isso aconteça, também tem uma pressão enorme. E essa pressão vem da opinião pública, pelo contrário, pela manutenção da prisão,
de Daniel Vorcaro diante do muito que se viu em termos de tentativa de obstrução de justiça, tentativa de intimidação de jornalistas, intimidação daqueles que o Daniel Vorcaro enxergava como seus opositores ou como obstáculos à concretização dos seus planos ali. Então, o que a gente vê são pressões de todos os lados. Sendo que, nesse segundo caso,
que está em jogo é a imagem do próprio Supremo Tribunal Federal. Então, hoje eu conversei com pessoas que estão ali no dia a dia do Supremo e que passam a avaliar a possibilidade de que, diante desse cenário que a gente está vivendo, de muito desgaste para o Supremo, o ministro Cássio Nunes Marques pelo menos poderá votar pela manutenção da prisão. O que é a grande incógnita aí?
Porque a persistir uma prisão, nos termos em que ele está preso, ali em lugar de segurança máxima, com muitas restrições, por tempo prolongado, poderia aumentar a chance de Daniel Vorcar fazer uma delação. E isso preocupa muito a classe política, preocupa também os meios judiciais. Então, é muita pressão de todo lado, mas a gente vai falar ainda das pesquisas,
que mostram a corrosão da imagem do Supremo Tribunal Federal, uma decisão como essa, mandando soltar Vorcário, depois de o Brasil inteiro passar duas semanas discutindo a fraude do Banco Master, eu acho que pode levar o Supremo a uma crise muito difícil de ser contornada. Imagino que o ministro Edson Fachin esteja preocupado com o desfecho desse julgamento que começa amanhã no plenário virtual.
da júria do Alib desmentindo a informação de que poderia haver delação, dizendo que são inverídicas as notícias relacionadas à iniciativa de tratativas de delação premiada de Daniel Vorcaro, e que essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o objetivo de prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível. Agora a gente sabe como é que é, né? O advogado nunca vai antecipar alguma possibilidade de acordo de delação, e é isso que arrepia boa parte da classe política em Brasília, né, Vera?
antes de ser selado um acordo de delação, tem negociações que levam semanas, às vezes meses, os termos do acordo, os anexos que se vai oferecer. No caso dele, tem alguns complicadores para uma delação, porque ele precisa delatar para o lado ou para cima, ou seja, delatar alguém que tenha mais importância no contexto de uma organização criminosa do que ele mesmo. Então, não é uma delação qualquer, não é simples.
público como um ente ausente nesse processo. Então, provavelmente, teria de ser uma delação fechada com a Polícia Federal, que é algo que tem sido reconhecido nos últimos tempos. Mas são muitas circunstâncias delicadas e que pressupõem que, se de fato ele for decidir delatar, ele vai levar tempo para fechar isso. E mais, não nos esqueçamos de que o Daniel Vorcaro não é o único preso, por determinação do ministro André Mendes,
A gente também tem o cunhado dele preso, o Fabiano Zettel. E esse pode delatar para muitos lados. Pode delatar, inclusive, o cunhado. Pode delatar outras pessoas. Ele é um peixe médio na organização. Então, é o tipo de delação mais desejada ali por investigadores normalmente, porque aí você delata geral. Não tem essas limitações como que existe de uma delação do Daniel Vorcaro.
Assim como o sicário que se matou nas dependências da Polícia Federal, era também ele um delator potencial pelo seu perfil. Então, essa decisão de amanhã não diz respeito só ao Vorcar, diz respeito também ao Zettel e a toda a continuidade da investigação a partir daqui. Gente, vamos para o nosso próximo tema, que envolve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que está também gerando polêmica. Ele determinou a realização de busca e apreensão contra um jornalista,
no âmbito de uma investigação de um suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. O Igor Cardim está acompanhando esse caso, já teve, inclusive, manifestação de diversas entidades representativas de órgãos de imprensa, né, Igor? Pois é, Carol. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Aberte, junto com a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais, classificaram como preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes,
Supremo Tribunal Federal, que determinou busca e apreensão na casa do jornalista maranhense Luiz Pablo Conceição Almeida. Em nota, essas entidades afirmam que a atividade jornalística, independentemente do veículo ou da linha editorial, é protegida pela Constituição, especialmente no que diz respeito ao sigilo da fonte. Para as associações, qualquer medida que viole essa garantia representa um ataque ao livre exercício do jornalismo.
O fato de a decisão ocorrer no âmbito do chamado inquérito das fake news, que segundo elas não possui objeto determinado nem prazo definido e ainda ser aplicada a alguém sem prerrogativa de foro, que levaria o caso ao Supremo Tribunal Federal. Essa decisão judicial foi tomada no contexto da investigação que apura um suposto crime de perseguição contra o ministro do Supremo, Flávio Dino.
Luiz Pablo e também nas redes sociais, nas quais o jornalista relatou que um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão estaria sendo utilizado por familiares do ministro em deslocamentos particulares em São Luiz. E aí, no despacho assinado no início deste mês, Moraes autorizou buscas pessoais e domiciliares em endereços ligados ao jornalista na capital maranhense. Segundo essa investigação, as reportagens publicadas no ano passado teriam
divulgado imagens e informações sigilosas sobre o carro usado por Dino, o que indicaria um possível monitoramento do veículo e acesso a dados considerados sensíveis para a segurança da autoridade. Só uma última informação, a Ordem dos Advogados do Brasil, do Maranhão, afirmou que a medida gera preocupação institucional e ressaltou que, conforme a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,
dos limites escritos da investigação. A Comissão de Liberdade de Expressão da OAB também destacou a necessidade de preservação do sigilo da fonte e da proteção ao livre exercício profissional do jornalismo. Carol. Obrigada, Igor. Uma decisão preocupante, né, Vera? Porque vai contra um jornalista que estava ali fazendo o seu trabalho e mais uma decisão no âmbito do inquérito das fake news que virou esse inquérito do fim do mundo, como a gente vem comentando.
que denota o corporativismo crescente no Supremo e que já se manifestou, inclusive, no caso que a gente estava tratando do caso do Master. Naquela reunião secreta gravada, a gente não pode esquecer a frase do próprio Flávio Dino. Eu sou o Supremo Tribunal Federal Futebol Clube, STF Futebol Clube. E essa é uma decisão que parece mostrar um clubismo grande por parte do Supremo.
Por quê? Não é a única questão relativa ao Maranhão, a política do Maranhão, que está judicializada no STF. Tem uma ação que discute a maneira de indicação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, cujo relator é o próprio Flávio Dino. E até aqui ele não se disse impedido, suspeito, nem nada de julgar isso. Ele recentemente rompeu com o governador Carlos Brandão, que sempre foi do mesmo grupo político que ele.
que foram aliados, se alternaram ali em posições no Estado ao longo dos últimos anos e agora estão rompidos. E essa ação que questiona está parada no Supremo há bastante tempo, levando mais tempo do que ações similares de outros Estados. E no contexto dessa ação, houve lá na imprensa maranhense o vazamento de conversas entre deputados, entre aliados políticos de um lado e de outro,
condicionando essa decisão a arranjos políticos nos municípios maranhenses. Então, tem todo um contexto de acirramento político no Maranhão, sendo que o ministro Flávio Dino, ao aceitar a indicação do presidente Lula para ir para o Supremo, deixou a política, e ele já tinha deixado a magistratura lá atrás para ingressar na política, ele tem feito uma escolha dual, sempre entre magistratura,
e política, mas esses ruídos políticos permanecem. Me parece que é um contexto, inclusive pelo próprio Supremo Tribunal Federal, o direito à liberdade de imprensa e o direito de preservação da fonte por parte de jornalistas. Se você faz uma busca e apreensão desse tipo, que parece claramente uma busca e apreensão para você ver o que você vai encontrar, você está em busca das fontes desse jornalista para fazer as reportagens que ele fez.
Quando o que se tem de responder é, o ministro está usando esse carro com base em que? Com base em qual dispositivo legal ou administrativo que permite a ele utilizar um carro que é do Tribunal de Justiça do Estado? O ministro Alexandre de Moraes é relator de uma série de ações que dizem respeito ao Maranhão. Numa delas, ele determinou recentemente o afastamento do Procurador-Geral do Estado do Maranhão, que tinha, por sua vez, questionado a demora naquela outra cidade.
do Tribunal de Contas que eu mencionei. Então, tem aí um caldo de cultura de decisões do Supremo Tribunal Federal que atingem um opositor político de um dos seus ministros. De novo, me parece que o corporativismo exacerbado e cada vez crescente do STF vai pautando decisões bastante questionáveis de vários ministros.
Esse inquérito da fake news, ele virou, e eu já falei disso aqui milhares de vezes, venho falando disso aqui, na verdade, há anos, ele virou uma incubadora para tudo aquilo que os ministros entendem que os ameaça no Brasil. Então, ele é uma excrescência absoluta hoje em dia. A sua permanência por tempo indeterminado e o silêncio do ministro Edson Fachin, depois de questionado abertamente,
por várias entidades a respeito da permanência desse inquérito, tudo isso só contribui para essa imagem cada vez mais deteriorada do STF. Não vai adiantar os ministros culparem a imprensa, não vai adiantar uma parcela da esquerda dizer que a imprensa, olha só, está investindo contra os guardiões da democracia. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cobrar decisões transparentes
decisões coerentes por parte da mais alta corte do país, é no mínimo uma obrigação que a imprensa tem. E não é porque o Supremo acha que salvou a democracia ou que a gente até possa concordar que ele salvou a democracia, embora isso não seja em contexto na sociedade brasileira, que ele tem o direito de fazer toda a sorte de decisões corporativistas e de decisões em sua própria classe.
em causa própria. Então, está ficando muito feio esse negócio e chama atenção essa investida contra a liberdade de imprensa. Eu me pergunto, e quando isso ficar generalizado? Todos nós que divulgarmos informações que não interessam aos ministros do Supremo, vamos estar sujeitos a um tipo de decisão como essa? E esse desgaste do STF já pode ser visto em números.
Detalhe sobre uma pesquisa Genial Quest que trata da confiança no STF. Oi, Ana, boa noite. Oi, Débora, boa noite. Um novo levantamento da Genial Quest após desdobramentos do escândalo do Master revela que 49% dos brasileiros não confiam no STF e 43% confiam.
em relação à última avaliação em agosto de 2025. A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores sobre o tamanho da autoridade da Corte. Para 72% dos ouvidos, o STF tem poder demais e 66% dos brasileiros concordam que é importante votar em um candidato ao Senado que seja comprometido com o impeachment de ministros do Supremo.
O STF é aliado do governo Lula. Por outro lado, Débora, 51% concordam que o tribunal foi importante para manter a democracia no país. Ainda segundo o levantamento, 65% dos entrevistados disseram que já sabiam da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E 40% responderam que STF, os governos Bolsonaro e Lula, o Banco Central e o Congresso tiveram a imagem mais alta.
afetada negativamente pelo escândalo. Para as próximas eleições, 38% dizem que evitariam votar em qualquer candidato envolvido nesse caso. A pesquisa registrada na Justiça Eleitoral ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 120 municípios brasileiros entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Ana Carolina Tomé, sete pontos percentuais é bastante coisa, né, Vera? Quais podem ser as consequências quando o cidadão deixa de confiar nas instituições? A consequência mais imediata pode vir nas eleições. A população está dando demonstrações de que não confia nas instituições e, sobretudo, não confia na justiça. O apelo de candidatos anti-sistema num caldo de cultura desses é enorme.
De novo, não vai adiantar culpar a imprensa se isso acontecer, porque apontar para o mensageiro e atirar nele é uma atitude de quem está preferindo ficar de olhos tapados diante de enormes evidências, agindo com soberba e com arrogância diante de sinais dados pela população.
bolsonarista, ou o que quer que seja, extrema-direita. Nessa pesquisa da Quest, fica evidente que, mesmo entre a esquerda, lulista e não lulista, prevalece o número de pessoas que acham que o STF tem poder demais, que entendem que impeachment de ministros do Supremo virou uma pauta eleitoral, quando nunca foi. E isso advém do fato de que as decisões estão cada vez mais controversas,
E ela e os ministros não entendem que precisam dar nenhum tipo de satisfação à sociedade. Nem em relação àquilo que eles decidem, a coerência com jurisprudência do próprio Supremo, com decisões anteriores deles próprios, muitas vezes. E isso tudo tem um preço em termos de corrosão e esse preço é muito difícil de debelar. Esse custo é muito difícil de você reverter em pouco tempo.
Então, eu acho que eles deveriam ter mais zelo pela instituição que eles representam do que só pelos seus interesses mais imediatos e mais individuais. A coisa não está boa. E não foi só o Lula que perdeu os independentes. Essa pesquisa mostra que, entre esses chamados independentes, a corrosão de imagem do Supremo é enorme e ela vem de agosto para cá. Em agosto, no julgamento do Bolsonaro, a maioria desse grupo chamado independente
confiava no Supremo. De agosto para cá, essa curva fez um X e essa confiança se inverteu. Você fica com notícias da sua região, daqui a pouquinho tem mais Viva Voz e a gente volta para falar sobre as medidas adotadas pelo governo para conter o impacto da guerra no Oriente Médio e no preço do diesel. Viva Voz de volta, Igor Cardim, também de volta de Brasília, para falar sobre as medidas do governo para conter o aumento do diesel. Oi, Igor.
Débora, diante desse aumento no valor dos combustíveis, o governo assinou um decreto para zerar o piso e confins do preço do diesel e também prevê o pagamento de uma subvenção aos produtores e importadores no valor de 32 centavos por litro. Ao todo, o benefício será uma redução de 64 centavos sobre o litro, numa medida temporária para conter a alta do combustível atribuída à guerra do Irã.
a pressão sobre um insumo essencial para o transporte de cargas, a produção agropecuária e também o abastecimento da cidade. Esse decreto presidencial já foi publicado. O governo também prevê uma taxa de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, válida por quatro meses para arrecadar cerca de 30 bilhões de reais e assim compensar a desoneração do diesel. Segundo o presidente Lula, esse esforço econômico tem por objetivo evitar que a alta dos preços
Ele ainda pediu um esforço dos governadores
direção de reduzir o ICMS sobre os combustíveis aqui no Distrito Federal. Por exemplo, o governador Ibanez Rocha disse à CBN que não tem previsão de redução do ICMS aqui no Distrito Federal. Um outro decreto já foi publicado e determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor informando a redução dos tributos federais e também do preço em função da subvenção. Além disso, a medida provisória
novos instrumentos para que a Agência Nacional do Petróleo possa atuar no mercado de combustíveis para coibir práticas lesivas ao consumidor. Carol, Débora e Vera. Obrigada, Igor, pelas informações. Foi uma espécie de vacina, Vera? Não, mais do que isso, né? De alguma maneira, o Lula, usando instrumentos diferentes, repete o que o Jair Bolsonaro fez na eleição de 2022, que é segurar artificialmente o preço dos combustíveis
um prejuízo eleitoral advindo do aumento nas bombas. O que é a diferença? Ele está fazendo isso com o próprio chapéu, está fazendo isso com tributos federais, o PIS e a COFINS, e adicionando uma subvenção direta do Tesouro numa conta que vai chegar a 30 bilhões, pelos cálculos. O Bolsonaro fez com o chapéu alheio, tornando compulsória uma redução de ICMS, que é um imposto estadual.
E depois isso foi julgado ilegal pelo Supremo. O próprio governo teve de rescindir, já no governo Lula, a medida e ressarcir os estados, em grande medida, pela renúncia forçada que eles tiveram de receita naquela ocasião. Mas agora, o Lula também revisita essa medida do Bolsonaro, dando uma sugestão. Não faz compulsoriamente, mas também sugere que os estados, por meio do ICMS,
preço dos combustíveis, porque a gente sabe que inflação, e inflação sobretudo de combustível, é fatal em ano eleitoral. A gente já viu que teve um repique inflacionário em fevereiro, agora em março, e que muito está ligado a esse preço dos combustíveis. O governo tem medo que se prolongar essa situação, que realmente é uma situação advinda da guerra, ela é um problema global, o dólar está caindo no mundo todo, as bolsas estão em
convulsão, porque os preços do petróleo dispararam no mundo todo. Isso é verdade, o contexto é esse. Mas se isso se prolongar, a gente sabe que o ônus para o governo vai ser muito grande. A coisa da caristia já aparece nas pesquisas que mostram a volta da queda da avaliação do Lula. E ele sabe que também isso pode levar a uma demora maior no Banco Central e iniciar a esperada queda dos juros. Então está tudo interligado,
O Haddad está de saída do governo, a gente já informou isso aqui. Na semana que vem vai ter um gosto amargo sair com essa situação de preços do combustível tensionados, de a população dizendo que tem menos confiança na economia do que tinha há um ano, que acha que a sua situação econômica piorou. Pessoas dizendo que não sentem os efeitos da queda do IR,
são de R para quem ganha até 5 mil reais. Então, as notícias na economia também não são boas. E essas decisões de hoje vêm para tentar mitigar esse mau humor que já existe na população em relação à política econômica do governo. E não só o impacto na inflação, como até a possibilidade de, de repente, uma greve de caminhoneiros, que a gente sabe o impacto que tem no transporte de todo tipo de carga aqui no Brasil. Acho que é de olho nisso que o governo está também. Também tem esse risco de greve de caminhoneiros.
A gente sabe que os caminhoneiros se aproximaram muito do bolsonarismo, pelo menos desde 2018. Tem um risco também de desabastecimento, que é outra coisa bastante complicada e que gera caos econômico, caos na infraestrutura e, consequentemente, muita rejeição para os governos de turno. Então, um governo muito de olho nisso. Mas a gente sabe que também para o Trump,
está causando desgaste essa situação do aumento dos combustíveis. Então, ele tem falado no fim mais ou menos rápido da investida no Irã. Hoje houve novos ataques, então a gente não sabe para quando, mas como está causando dano para a imagem do Trump, pode ser que essa guerra tenha um desfecho um pouco mais rápido. A gente faz mais uma pausa aqui no Viva Voz para que você fique com notícias da sua região e na volta tem
diretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília, para conversar mais com a gente sobre essas medidas do governo para conter o aumento no preço do diesel. Ponto final, CDN. É tanto assunto nesse Brasil de meu Deus que eu disse que o Bronzato ia falar sobre combustíveis. Mas é outro assunto, né, Vera? Não menos urgente, não menos importante. Não menos inflamável, né? Boa noite, Tiago. Tudo bom?
Boa noite, tudo bem. Não deixa de ser combustível também, porque está pegando fogo aqui em Brasília. E está cheio de bombeira querendo também apagar esse incêndio. Nitroglicerina pura. Tiago, diz para a gente, qual é a estratégia da defesa de Daniel Vorcaro na véspera da abertura do plenário virtual da segunda turma, que vai decidir sobre se o banqueiro continua ou não preso? Olha, Vera, até ontem a estratégia prioritária dos advogados,
dono do Banco Master era tentar adiar o julgamento da segunda turma do STF previsto para amanhã. E, para isso, a defesa do Vocaro chegou a pedir ao ministro André Mendonça, que é relator do caso Master no Supremo, para reconsiderar a ordem de prisão dada contra o Vocaro e que, caso ele mantivesse a prisão, ao menos que ouvisse a opinião da Procuradoria-Geral da República. E por que isso é importante para a defesa? Porque pedir para a PGR,
se manifestar, implicaria justamente em adiar o julgamento mais pra frente. Na visão dos advogados do Vorcaro, isso ajudaria em duas frentes. Dentro do Supremo, aliviaria a tensão em torno do caso do Master. E fora dele, evitaria que a corte decidisse nesse momento de muito desgaste e apelo popular. Mas a estratégia não deu certo. Mendonça rejeitou a possibilidade de rever a prisão do Vorcaro e também de ouvir a PGR.
Agora, a defesa aposta numa cartada, que é a pressão política nos bastidores para conseguir um empate no julgamento, o que favorece o dono do Banco Master e tira da prisão. Esse cenário só se tornou mais viável, especialmente após a saída do Toffoli do julgamento. Pois é, porque com a saída do Toffoli são quatro ministros na segunda turma
empate favorece Daniel Vorcaro. Agora, isso aí terminaria de colocar fogo em Brasília e chegaria até Roma, né? Exatamente. Se tem alguém que quer fugir dessa fogueira, é o Toffoli, viu? Porque já saiu muito chamuscado aí nesse episódio do Banco Master. Na semana passada, o Toffoli vinha dizendo para pessoas próximas que ele não via motivos para se declarar impedido de jogar qualquer assunto relacionado ao Vorcaro ou mesmo ao Banco Master, né? Até porque,
O próprio Supremo soltou uma nota a favor dele, dizendo que ele não estava impedido para julgar o caso. Mas, depois de uma conversa ali, outra conversa lá, com alguns colegas do Supremo, Toffoli decidiu recuar para evitar atrair um novo desgaste para o Supremo. Então, ele se declarou impedido ontem e saiu do julgamento da prisão do Volcaro prevista para amanhã. Com isso, a segunda turma do Supremo, que é composta por cinco ministros,
Toffoli vai ficar apenas com quatro ministros, que são eles, o André Mendonça, o Luiz Fux, o Gilmar Mendes e o Cássio Nunes Marques. O Mendonça é o relator educado, então todo mundo já sabe qual deve ser a posição dele de manutenção da prisão do vocário. O Fux, ao que tudo indica, tende a acompanhar o voto do Mendonça, como temos visto historicamente nesses julgamentos que têm votos correlacionados.
ministro Gilmar Mendes, que pode abrir divergência em relação ao Fux e Mendonça e votar a favor da soltura do Vocaro, talvez até propondo uma solução mais branda, como a prisão domiciliar. E aí entra o fator de maior dúvida, que é o voto do Cássio Nunes Marques, que virou um personagem central dessa história e desse julgamento. O ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é considerado, neste momento, o fiel da balança.
O Bronsato, a pergunta de um milhão de dólares é, Daniel Vorcaro vai fazer acordo de delação premiada? Pois é, independentemente do resultado que deve ocorrer amanhã, nos próximos dias, porque o julgamento segue até os próximos dias, essa decisão do STF deve definir não só a decisão do STF,
a prisão do Volcaro, mas também os rumos da investigação do Master. Isso porque a hipótese de delação premiada do Volcaro é uma carta que está na mão e faz parte da estratégia da defesa. O simples fato de ter a possibilidade de fazer essa delação já gera pânico aqui em Brasília e já mexe com alguns personagens do poder que a gente sabe que tinham uma relação mais estreita com o Volcaro.
A defesa tinha sondado a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal para saber, e sentiu o terreno para saber se tinha alguma perspectiva ali de fechar algum acordo de delação, mas a defesa soltou nota negando, falando que não tem nenhuma negociação na mesa. Mas só essa possibilidade já mexeu muito aqui com Brasília. Pessoas que tiveram acesso ao vocário na prisão relatam que ele está passando por um momento muito difícil. Ele está numa cela isolado.
dizem que tem uma luz que fica todo tempo acesa na cela, onde ele fica durante 20 horas, só tem direito a duas horas de banho de sol sozinho, e dentro da cela ele fica lendo a Bíblia, talvez rezando de joelhos para alguma boa alma de Brasília o salvar. E é nesse cenário que ele está se apoiando, que se ele continuar na prisão, dizem que muito provavelmente ele não conseguirá manter essa situação por muito tempo.
vai partir para uma delação premiada ou não. Mas a hipótese de ter essa delação já assusta muita gente em Brasília. Mas ainda assim ele teve algumas decisões que foram controversas a favor dele, né, Tiago? Como, por exemplo, a do ministro André Mendonça, de que ele pode ter reuniões não gravadas com os seus advogados, etc. E agora até a defesa do Marcola está pedindo a extensão desse mesmo benefício para ele, né?
um precedente para traficantes, para todo tipo de preso. Exatamente, Vera. A defesa do Vercaro pediu essa conversa mais reservada, algo que não é praxe, onde o Vercaro está preso, justamente para poder discutir o melhor cenário das estratégias jurídicas que eles devem adotar. Só que, ao conceder essa exceção para o Vercaro, acabou criando um precedente perigoso. Como você bem disse, o próprio Marcola,
líder da organização criminosa do PCC, já entrou com o pedido para ter o mesmo benefício. Será que agora outros presos também vão querer ter essa conversa reservada na sala do presídio? Pois é. É isso. Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, conosco todas as terças e quintas. Obrigada, Tiago. Até semana que vem. Obrigado. Boa noite. Até mais. Até. Tchau. Gente, vamos falar de eleição, porque a ministra do Planejamento, Simone Tebet, anunciou hoje que vai realmente,
disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo nas eleições. A declaração foi feita depois de uma participação dela no Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento em Campo Grande. Ela disse que não tem data definida ainda para deixar o Ministério, mas a previsão é de que a saída seja confirmada até o fim de março. Disse que as conversas sobre a candidatura já vinham acontecendo desde janeiro com o presidente Lula e também com o vice-presidente Geraldo Alckmin e que o pedido formal para disputar o Senado foi feito no dia 3 de março.
um trechinho da fala da ministra Simone Tebet, dizendo que tomou essa decisão final depois de conversar com a mãe dela.
Bom, a ministra não confirmou se permanece no MDB para a disputa. Tem alguns aliados aí discutindo a possibilidade de filiação ao PSB, que é o partido de Geraldo Alckmin. Isso não está certo ainda. Lembrando que a gente até noticiou aquela pesquisa da Datafolha sobre a disputa ao Senado por São Paulo, em que a Tebet aparece entre os nomes mais bem posicionados em intenção de voto.
deve ser um nome de peso nessa disputa pelo Senado em São Paulo. Exato, ela tem o recall de ter sido candidata a presidente, teve uma votação razoável em São Paulo, ela acabou sendo a terceira colocada naquela eleição, na frente, inclusive, do Ciro Gomes, que era um candidato mais conhecido que ela, foi fundamental o apoio dela ao Lula no segundo turno para galvanizar aquela ideia de uma frente ampla. Então, ela e a Marina, que jogaram esse papel em 2022, agora se apresentando
como potenciais candidatas a cargos majoritários por São Paulo. Nenhuma das duas fez a sua carreira política em São Paulo. Marina já tinha transferido o domicílio eleitoral na eleição anterior, concorreu uma vaga de deputada federal, viu uma expectativa de que ela fosse ser dos deputados mais votados do Estado e isso não ocorreu. Ela teve uma votação até mesmo modesta. Agora ela enfrenta uma crise na rede, muita gente se desfiliando da rede.
ela própria vai permanecer no partido que ela criou. E a Simone Tebet, confirmando uma transferência de domicílio para cá, que não é também algo simples para ela. Porque ela já foi prefeita no Mato Grosso do Sul, vem de uma família que tem tradição na política sul-matogrossense. E essa mudança para cá talvez não seja assimilada pelo eleitorado paulista.
de políticos que fazem esse movimento e se dão bem, um deles, o mais notável e mais recente, é o próprio governador, Tarcísio de Freitas, mas é algo que tem que ser muito bem trabalhado para que seja assimilado pelo eleitorado. E quanto à decisão de partido, me parece que está implícito que ela vai ter de escolher outra legenda. Quando ela fala do governador, do vice-presidente Geraldo Alckmin, o caminho mais provável é uma ida para o PSB, porque o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, já disse, inclusive,
em entrevista que não vê espaço para o MDB daqui estar aliado ao presidente Lula, vai estar com outro candidato. Então, eu acho que ele vai fechar as portas para ela e ele hoje em dia tem muita ascendência sobre o Baleia Rossi, que é o presidente do MDB e que é paulista também. Então, eu acho que ao admitir essa vinda para São Paulo, ela praticamente está selando a sua saída do partido do qual ela fez parte a sua vida inteira,
como política. E sobre Marina, há uma expectativa que ela deixe a rede e volte para o PT, né? Exatamente. Ela está ali em franca oposição ao grupo que tomou o poder. Várias aliadas dela já deixaram, a deputada Marina Helô aqui em São Paulo. Então, acho que a tendência é que ela saia. E aí pode ser o caminho do PSB, ela já foi do PSB, disputou a campanha de 2014 pelo PSB, ou voltar para o PT. Vera Magalhães, muito obrigada. Amanhã tem mais Viva Voz.
Amanhã tem mais. Não prometeremos resumo, prometeremos notícia, porque, né, tem sido assim. E tem essa expectativa aí desse julgamento. Então, amanhã vamos com tudo. Tchau, pessoal. Beijo, Vera. Até amanhã. Beijo. Sete horas.