Flávio avança para além das fronteiras do bolsonarismo e Lula tem desafio de contornar rejeição, diz cientista político
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- Economia do Governo LulaDeclínio na avaliação governamental · Redução nas intenções de voto presidenciais · Queda de 10 pontos percentuais entre eleitores independentes · Comparação com 54% em março de 2020 para 41% atual · Hônus de ocupar a presidência
- BolsonarismoCrescimento entre eleitores independentes e moderados · Ganho de 11 pontos percentuais desde janeiro · Ultrapassagem das fronteiras do bolsonarismo · Penetração no eleitorado antipetista · Empate técnico com Lula em segundo turno (41%)
- Atuação de Lucia na políticaAlta rejeição estabilizada do presidente · Origem estrutural, não conjuntural · Fadiga material pelo tempo no governo · Histórico de 45 anos na política (desde 1979) · Consolidação do voto antipetista na sociedade
- CorrupçãoCrise envolvendo Banco Master · Escândalo do INC-CS · Calcanyar de aquiles para campanha governista · Afloramento do voto pró-mudança · Sentimento de confronto ao sistema
- Custos e análise econômicaSensação de carestia persistente · Indicadores econômicos não refletem no bolso das pessoas · Perda de poder de compra da classe média · Preços elevados de alimentos e combustível · Desconexão entre dados econômicos e percepção cotidiana
- BolsonaroDiscurso mais moderado versus radicalizado · Verniz de não-radicalidade sendo assimilado · Atração de eleitor de centro · Mudança na estratégia da direita · Contraste com expectativa da campanha de Lula
- Tecnologia Seguranca PublicaPrincipal preocupação dos brasileiros · Tema sensível para governo não-bolsonarista · Impacto nas pretensões de reeleição de Lula
No Ministério Político, um dos destaques foi a divulgação ontem da pesquisa Genial Quest. Para nos ajudar a entender estes números que foram publicados, nós convidamos o Murilo Medeiros, que é cientista político da Universidade de Brasília. Murilo Medeiros, muito obrigado pela gentileza de atender o nosso convite aqui no Jornal da CBN. Um bom dia. Bom dia, Milton. Cássia, a todos os ouvintes da CBN. Bom dia. Murilo Medeiros, a pesquisa traz informações sobre a disputa eleitoral, com o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro.
E também mede a opinião pública em relação a temas como Master, STF, isenção de imposto de renda. Nessa parte da pesquisa, encontra-se resposta para a primeira parte, a qual eu falei, que mostra um avanço de Flávio, um empate com Lula? Exatamente, Milton. Uma coisa puxa a outra. O governo Lula viu uma queda da avaliação da sua aprovação e também das intenções de voto do presidente da República.
temas que a pesquisa Quest revelou, como, por exemplo, a percepção maior do brasileiro em relação à corrupção. Esse é um tema que é um calcanhar de Aquiles para a campanha governista, porque toda essa crise envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS pode favorecer junto ao eleitor um sentimento de anti-establishment, de confronto em relação ao sistema.
junto ao eleitor, especialmente ao eleitor independente, ao eleitor mais moderado. E é curioso isso porque Flávio Bolsonaro cresce justamente nessa parcela do eleitor mais independente, aquele que não tem preferência ideológica clara. De janeiro para cá, ele evoluiu 11 pontos percentuais nessa faixa do eleitorado, que concentra 32% do eleitorado brasileiro.
Então, certamente, esse tema da corrupção, essa agenda da moralidade, deve ter pesado nessa percepção do eleitor e, junto a isso, também a percepção econômica. De janeiro para cá, a percepção negativa em relação à economia subiu 10 pontos também. Então, a economista Conceição Tavares sempre dizia que o eleitor não come PIB, come alimentos. Então, a sensação de carestia,
E a sensação do custo de vida ainda muito elevado tem estabilizado muito essa taxa de avaliação do governo e Flávio Bolsonaro conseguiu avançar especialmente entre o eleitor moderado e independente. Agora, essa sensação de carestia que você muito bem notou, que as pessoas ainda têm, e a gente percebe isso nas conversas com os nossos ouvintes aqui, mesmo quando a gente traz índices de inflação desacelerando, a percepção das pessoas é diferente.
no dia a dia que ainda está muito caro, por exemplo, comprar comida, comprar combustível. Isso se deve, em parte, também à época do ano em que nós estamos? Uma época do ano em que as pessoas ainda percebem o impacto de todas aquelas despesas extras que a gente tem ali pelos meses de dezembro, janeiro e fevereiro? É muito possível, Cassi, que seja ainda um rescaldo desse quadro, mas o que chama mais atenção é que o governo, nos últimos meses,
em campanhas publicitárias, apostando muito nos indicadores econômicos como forma de elevar a competitividade de Lula em busca de sua reeleição, ressaltando os índices inflacionários, taxa de desemprego, crescimento econômico. Mas a verdade é que essa sensação, os indicadores econômicos ainda não foram percebidos no bolso da sociedade, especialmente da classe média urbana, onde o custo de vida ainda é muito elevado.
e perder o poder de compra em relação ao que tinha antes. Então, o bolso ainda pesa muito. Isso aliado com essa agenda da corrupção e da segurança pública. A própria Quest trouxe que os dois principais temas que hoje preocupam os brasileiros são justamente segurança pública e corrupção, que são temas muito sensíveis para a campanha governista, as pretensões de reeleição de Lula.
a candidatura? Pouquíssimo provável, Milton. Na atual conjuntura, tudo indica que vamos repetir um quadro muito consolidado de polarização que percebemos nas eleições desde 2018. Quando somados os votos de Flávio Bolsonaro, as intenções de voto, junto com o de Lula, eles representam um grande... O voto é muito consolidado ao longo do tempo. O candidato mais competitivo não soma nem dois dígitos, que é o Ratinho Júnior,
que pontuou 7%. Então, tudo indica que vamos presenciar mais uma vez uma eleição muito polarizada, porém com um nível de radicalidade ideológica menor. E esse é um ponto nevrálgico que tem conseguido mexer com a estratégia da campanha de reeleição de Lula, porque a campanha do PT apostava muito numa campanha mais radicalizada do seu adversário, tentando repetir muito o quadro da última eleição.
discurso mais moderado que Flávio Bolsonaro tenta dar ao seu projeto político, com esse verniz mais moderado, fazendo aceno a esse eleitorado mais de centro, ele consegue mexer no tabuleiro político e coloca um desafio a mais ao governo de voltar a criar conexão com aquela parcela da frente ampla que foi decisiva para a vitória de Lula em 2022. E um ponto curioso, Milton e Cássia, é que no mesmo período da eleição de 2022, eu fui
que é a pesquisa Quest de março de 2022. Na simulação de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, Lula pontuava 54% das intenções de voto. No atual cenário, ele tem 41%. Então, houve um derretimento das suas intenções de voto, muito por conta também do ônus de ocupar a presidência da República. Lula mantém uma rejeição muito elevada e estabilizada,
capacidade de expansão. Essa alta rejeição do presidente Lula ajuda a explicar, por exemplo, o fato de o candidato Flávio Bolsonaro estar conseguindo se estabilizar em um período tão breve, ele ter conseguido esse aumento. A gente está falando de uma pesquisa que foi divulgada ontem, que mostra que os dois estão empatados em um eventual segundo turno com 41% das intenções de voto. Esse cenário não tinha aparecido até aqui.
também para esse verniz de não radicalidade que, pelo menos até esse momento, Flávio Bolsonaro tem tentado e tem, inclusive, conseguido emplacar. Está sendo muito rapidamente assimilado pela direita e também está chamando a atenção de um eleitor que, inicialmente, não era o eleitor da direita. A alta rejeição do presidente Lula ajuda a explicar todo esse fenômeno? Ajuda sim, Cássia. Chama a atenção também que essa rejeição elevada de Lula,
não é algo conjuntural, mas sim estrutural. A fadiga de material em relação ao tempo que Lula já ocupa o governo, não custa lembrar que Lula está presente nas urnas desde 1989. Mesmo quando ele não foi candidato, ele patrocinou candidaturas que inclusive foram vitoriosas, como o de Dilma Rousseff. Esse longo período do poder nas disputas eleitorais acaba atraindo uma rejeição muito consolidada.
O voto antipetista ainda é muito arraigado junto à sociedade. E Flávio Bolsonaro conseguiu agora ultrapassar as fronteiras do bolsonarismo e consegue agora ter uma maior penetração sobre esse eleitorado antipetista, que não é exatamente o eleitorado bolsonarista, mas é aquele eleitorado que rejeita o PT e o Lula como um todo.
que a pesquisa Quest ressalta, mostrando o avanço de Flávio Bolsonaro para além das fronteiras do bolsonarismo e Lula ainda com uma rejeição muito estabilizada, que tem o desafio de contornar esse cenário, restando sete meses para a eleição. Murilo Medeiros, muito obrigado pela sua análise aqui no Jornal da CBN e um bom dia. Eu que agradeço, Milton Cássia, bom dia a todos. Obrigada.
Cidade Brasília e conversou com você.