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'Ele acaba maculando a credibilidade da instituição', diz Bruno Carazza sobre saída de Márcio Pochmann do IBGE

11 de março de 202610min
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No CBN Ponto de Vista, Bruno Carazza comenta o afastamento de Márcio Pochmann da presidência do IBGE. Segundo ele, a decisão do Ministério Público foi motivada por questionamentos sobre o alinhamento político de Pochmann. Filiado ao Partido dos Trabalhadores há anos, essa ligação, na avaliação de Carazza, pode afetar a credibilidade do IBGE.

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Assuntos8
  • Problemas de gestão e credibilidade do IBGEContestação interna por funcionários de carreira · Comprometimento de estatísticas e pesquisas · Abaixo-assinados contra Pochmann · Uso de publicações como propaganda política · Exoneração de servidores
  • Afastamento de Márcio Pochmann do IBGEDecisão do Ministério Público · Questionamentos sobre alinhamento político · Impacto na credibilidade da instituição · Filiação ao PT
  • Problemas Estruturais do IBGEFalta de investimento orçamentário · Baixa remuneração de servidores · Perda de quadros técnicos · Custos crescentes de pesquisa · Atraso do Censo Demográfico
  • Histórico político de Márcio PochmannSecretário na prefeitura de Marta Suplicy · Presidente da Fundação Perseu Abramo · Coordenação do programa econômico do PT em 2008 · Candidato a prefeito de Campinas · Candidato a deputado federal
  • Necessidade de órgão de estatísticas técnico e isentoIndependência técnica · Afastamento de questões políticas · Respeitabilidade perante a sociedade · Confiabilidade das informações
  • Importância do IBGE para o paísCálculo do PIB · Produção industrial · Dados de comércio · Inflação (IPCA) · Pesquisas de emprego e desemprego · Orçamentos familiares · Fundamentação de políticas públicas · Informações para setor privado
  • Histórias Pessoais e de ViajantesPresidência do IPEA de 2007 a 2012 · Problemas similares de aparelhamento · Influência em resultados de pesquisa
  • Problemas do IBGE durante governo BolsonaroFalta de recursos para Censo · Atraso do Censo Demográfico 2020 · Não liberação de recursos pelo Paulo Guedes · Interferência do STF
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O Bruno Caraz é justamente essa questão do IBGE, todo o desgaste que advém do fato de que o Márcio Pochmann tem a sua gestão contestada internamente por funcionários de carreira do órgão e isso está comprometendo uma série de estatísticas, uma série de pesquisas que a instituição faz já há bastante tempo e é uma crise que se prolonga.

ele já estava conectado, mas estamos refazendo justamente para ele poder comentar esse assunto com a gente, que vai ser explorado obrigatoriamente na campanha. Marcio Poshman é um quadro de carreira do PT, no intervalo dos governos petistas, depois do impeachment da Dilma, ele chegou a presidir a Fundação Perseu Abramo, o principal think tank do PT, e de lá foi trazido de volta para a administração,

pelo Lula, né? Nesse posto aí de presidente do IBGE. O Bruno já tá com a gente. Boa noite, Bruno. Oi, Vera. Boa noite. Probleminha aqui com o vídeo, mas vamos pelo áudio mesmo, pelo velho telefone. Boa noite. Logo hoje que eu tô completando um ano aí de programa. Eba! Pois até roupa especial, né, Bruno? Pois é. Luquinho de aniversário de um ano. Mas ganhou palminhas aqui.

Bruno, a gente estava falando aqui sobre a questão do IBGE. O MP vinculado ao TCU pediu o afastamento do Márcio Pocchmann. Você explica para a gente o que é o nó desse problema que já se prolonga há muito tempo no principal órgão de estatísticas do Brasil? Pois é, Vera. Eu ouvi a sua introdução agora. É exatamente isso. O presidente do IBGE, o Márcio Pocchmann,

sendo questionado já há muito tempo por uma série de práticas pelos próprios servidores. Ele bateu de frente com o corpo técnico do IBGE. Há vários abaixo-assinados que foram feitos contra eles, contra decisões que ele tomou nos últimos tempos, exonerando servidores que já estavam há muitos anos conduzindo alguns dos indicadores mais importantes do IBGE,

do PIB, há uma denúncia de servidores sobre o uso de publicações do IBGE como propaganda política. Então, são vários questionamentos sobre a conduta do Márcio Pockmann à frente do IBGE, que, aliás, foi uma indicação muito controversa, como você mencionou. Ele é um professor da Unicamp de linha heterodoxa e desenvolvimento

mas isso não tem nenhum problema, isso é totalmente natural, uma filiação a uma certa corrente econômica faz parte do debate. O grande questionamento em relação a ele tem a ver com a sua atividade política, o que não caberia a um dirigente de um órgão que calcula as principais estatísticas econômicas e sociais do país.

de filiação ao PT, mas não só, de ocupar cargos, desde a cargo de secretário na prefeitura da Marta Suplicy em São Paulo, ele foi presidente da Fundação Perseu Abramo, que é o braço de pesquisa do PT, coordenou o programa econômico do Haddad em 2018, foi candidato a prefeito de Campinas duas vezes, candidato a deputado federal, então ele tem uma atuação política,

muito forte ligado ao PT e isso gera essa dúvida, né? Se ele não está conduzindo esse órgão, que é um órgão que, por natureza, ele precisa ser técnico, precisa ser isento para, de uma certa forma, influenciar o resultado das pesquisas. Então, ele acaba maculando a credibilidade da instituição, né? E, além disso, é bom a gente também lembrar que o Max Pockmann foi presidente de outra instituição,

importante, que é o IPEA, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas de 2007 a 2012, e ele já teve problemas similares relacionados a suspeitas de aparelhamento, de influenciar resultado de pesquisa. Então, tudo isso é uma atitude muito, além de ser controversa, que joga essa sombra sobre a credibilidade de uma instituição

centenária, muito respeitada, que é o IBGE. E desde que ele assumiu, Bruno, que tem aí divergências em várias frentes. Só que é importante a gente lembrar também que o IBGE enfrentou problemas no governo Bolsonaro. Não teve dinheiro para fazer o censo, o censo atrasou. Então, ao que parece, é um problema estrutural, não? É, realmente, Débora, muito bom você mencionar isso.

em 2021 eu fui convidado pela revista Piauí, inclusive, a escrever uma matéria sobre o que o IBGE estava passando naquele momento. A gente estava ali, o censo demográfico acontece de 10 em 10 anos, sempre nos anos terminados em zero, é uma prática internacional que isso aconteça. 2020 teve o problema da pandemia, até aí também justificável você adiar a realização do censo

Por causa das restrições de circulação, vários países também adiaram, mas aí o IBGE passou a sofrer esse problema no governo Bolsonaro, sob a gestão inclusive do Paulo Guedes, que não estava liberando os recursos orçamentários para a realização do censo. Essa questão teve que bater lá no STF, que aí tomou uma decisão forçando o governo a liberar o recurso.

como você mencionou, problemas estruturais na instituição, independentemente se o presidente em questão é de direita ou de esquerda. O IBGE tem um quadro de servidores de altíssimo nível, muito qualificados, que tem um amor muito grande à instituição, isso é importante ressaltar, eles chamam de IBGEanos. E apesar de serem muito qualificados,

muito aquém de outras carreiras similares, de técnicos do Tesouro, do Banco Central, do próprio IPEA, ganham muito mais do que os servidores do IBGE. E nos últimos tempos, está faltando, além da perda de quadros, porque esses técnicos fazem outros concursos, eles vão para o mercado ou eles se aposentam, há um problema também de investimento, porque é caro você fazer pesquisa,

exige cada vez mais tecnologia e, como a gente tem visto agora, tanto no caso do censo durante o governo Bolsonaro, quanto agora nesses questionamentos na gestão atual no governo Lula, esse órgão, que é o coração das estatísticas do país, não vem recebendo a devida atenção do governo. Bruno, e para a gente fechar, o que significa para o país ter um órgão como o IBGE tão importante enfrentando esses problemas de gestão? Carol,

É o órgão que, como eu disse, pesquisa e publica alguns dos principais indicadores econômicos e sociais do país. Nós estamos falando do órgão que calcula os dados do PIB, de produção industrial, de comércio, que calcula a inflação, o IPCA, que faz uma série de pesquisas sobre emprego e desemprego, sobre os orçamentos familiares.

devido à atenção para esse órgão, ele acaba navegando no escuro. Tanto do ponto de vista das políticas públicas, que a gente fica sem ter os parâmetros devidos para o governo conceber e conduzir as políticas públicas, quanto o próprio setor privado. As empresas precisam de informações fidedignas, confiáveis, atuais, para fazerem os seus planos de negócios, para fazerem os seus projetos de investimento.

que não dá a devida atenção para o órgão de estatística, ele está fadado a navegar no escuro, isso é muito ruim. E agora, especificamente do caso do Márcio Pockmann, colocar essa dúvida sobre o uso político do órgão, sobre aparelhamento, sobre indicação de pessoas apadrinhadas para órgãos vitais do órgão, acaba atingindo o coração de um órgão como esse,

justamente a sua credibilidade, a sua respeitabilidade perante a sociedade como um todo. É isso. Obrigada, Bruno, por hoje. Bruno Carasa conosco todas as quartas-feiras. Até semana que vem.