Episódios de Política

Em meio ao caso Master, Fachin tenta tirar STF 'das cordas'

10 de março de 20268min
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Presidente da Corte articula nos bastidores e reforça apoio às investigações que atingem ministros. Ouça a análise de Thiago Bronzatto no Ponto Final CBN.

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Assuntos7
  • Banco MasterMensagens entre Volcário e Alexandre de Moraes · Desgaste institucional do Supremo · Investigação do Banco Master · Pressão pública sobre ministros
  • Estratégia de Fachin para recuperar confiançaRecados públicos sobre impartialidade · Articulação nos bastidores · Distanciamento saudável de juízes · Sinalização de controle da crise
  • Julgamento Cláudio CastroSegunda Turma do STF · Voto de Toffoli · Conflito de interesse · Julgamento virtual
  • CorrupçãoConfiança em Alexandre de Moraes · Oferecimento de recursos · Supervisão da investigação · Continuidade do processo
  • Criação de código de condutaPadrões éticos do Supremo · Resistência de ministros · Resposta institucional à crise · Compromisso com transparência
  • Reunião com OABQuestionamento sobre relações com Volcário · Reafirmação de investigações · Articulação com classe jurídica · Demonstração de transparência
  • Eleições Rio de JaneiroSalários altos de ministros · Desafios institucionais · Imagem do Supremo · Legitimidade da Corte
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Já está conosco o Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, nosso comentarista aqui das terças e quintas. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Debre. Boa noite aos ouvintes. Boa noite. Boa noite. Tiago, a gente teve mais cedo a reportagem a respeito da fala do ministro Luiz Edson Fachin na abertura do evento com presidentes de tribunais superiores e de tribunais de segunda instância.

mas nas entrelinhas a gente também leu alguns recados sobre a questão do Master e como ela empareda o Supremo. Como que você viu esses recados? Como eles caíram aí em Brasília? Pois é, Vera. O presidente do STF, Edson Fachin, ele está concorrendo para tirar o posto do ministro da Fazenda como o pior emprego do mundo. O jornalista Thomas Trauma, que escreveu esse livro sobre as dificuldades do ministro da Fazenda, vai ter que atualizar a obra dele,

nada fácil ali sentar na cadeira do Fachin ultimamente. Com tantas críticas que o Supremo vem sofrendo em meio ao escândalo do Banco Master, o Fachin vem tentando de alguma forma tirar o Supremo das cordas. E hoje ele fez uma investida mandando alguns recados públicos. Num evento que ele participou, ele falou sobre o distanciamento saudável dos juízes em relação às partes e ao interesse que está em disputa.

Ele também falou um pouco sobre a imparcialidade do magistrado, que não é frieza, mas sim uma condição essencial para garantir a justiça. E ele também reconheceu ali, de um jeito mais contido, que o judiciário enfrenta uma série de desafios, como a crise de confiança pública e a polêmica dos supersalários. Os recados do Fachin não pararam por aí.

dos advogados do Brasil, Beto Simonetti, e outros advogados também, representantes da instituição. E nessa conversa, o Fachin foi questionado sobre a relação dos ministros do Supremo com o Vorcaro, o dono do Banco Master. O Fachin, ele sinalizou que as investigações do caso Master não serão colocadas embaixo do tapete e vão ocorrer doa a quem doer. No fundo, esses recados do Fachin, eles representam uma tentativa de marcar uma posição

em meio à maior turbulência enfrentada pelo Supremo nos últimos anos. E sabendo justamente desse momento delicado que o Supremo enfrenta, o Fachin tem tentado transformar esses sinais numa reação também do Supremo. O desafio agora é colocar em prática essa pregação do Fachin. E, Bronzato, o que o Fachin tem dito para os colegas do STF sobre essa crise enfrentada na corte?

O público tem mandado esses recados, no bastidores ele vem atuando de uma forma mais discreta para tentar conter o desgaste do Supremo. Desde que a colunista Malu Gaspar, do jornal Globo, revelou as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vocário e o ministro Alexandre de Moraes, o Fachin passou a procurar os colegas para discutir como tirar o Supremo do centro da crise envolvendo o Banco Master. Segundo algumas pessoas próximas,

ali do Fachin, ele já procurou a maioria dos ministros da corte. E essas conversas, inclusive, ocorreram ao longo do último final de semana. A avaliação do Fachin, segundo eu falei aqui com algumas pessoas, é que a situação é grave e ela exige uma resposta imediata. É isso que o Fachin tem dito nessas conversas. E ele, nessas conversas, também voltou a defender a criação de um código de conduta.

A ideia do Fachin é que o código de conduta, nesse momento, pode sinalizar à sociedade que o Supremo continua comprometido com os padrões éticas. Mas o tema não tem lá muita aderência. A gente sabe que tem uma ala do Supremo que é bastante resistente a essa ideia do Fachin. E ainda nessa estratégia do Fachin de fortalecer o tribunal, ele também fez um gesto político importante. O vazamento das mensagens íntimas do Volcaro com a sua ex-namorada,

levou uma ala do Supremo a começar a questionar a condução da investigação pelo ministro André Mendonça, que autorizou o compartilhamento dessas informações com a CPI do NSS. E nessa reunião reservada ontem, o Fachin manifestou total apoio às investigações do caso Master e ao ministro André Mendonça. Ele, Fachin, que já foi inclusive relator da Operação Lava Jato,

dar conta do volume da investigação do caso do Master. Esse movimento do Fachin, na verdade, mira em duas frentes. Primeiro é evitar aumentar o racha no Supremo e segundo é dar sustentação à investigação do Master que está em andamento. Ele sabe que em momentos de crise, muitas vezes a melhor estratégia é reduzir o ruído interno e não permitir que o problema cresça ainda mais. Bronzato, para resumir rapidinho, como é que está o clima no Supremo para julgar a prisão do Forcar?

Olha, o clima está climão, viu? Porque é a primeira vez que o Supremo vai julgar no colegiado o caso do Banco Master, porque até então a gente estava vendo muitas decisões monocráticas, ou seja, decisões individuais do ministro. Boa parte delas dadas pelo ministro Dias Toffoli, que acabou abrindo mão do caso depois da pressão, que acabou sofrendo por eventuais conflitos de interesse.

Mendonça. Depois que o ministro André Mendonça mandou prender o banqueiro Daniel Vocaro, ele decidiu enviar esse caso para ser analisado para uma das turmas do Supremo Tribunal Federal, a segunda turma. Então, o julgamento vai ocorrer sem debate presencial, vai ocorrer no plenário virtual e vai lembrar que os integrantes dessa turma é o próprio Mendonça e o Gilmar Mendes, que é o decano, o Cássio Nunes Marques, o Luiz Fux e o Dias Toffoli.

Esse último personagem é um personagem chave dessa história, porque ao longo da investigação ele estava sendo questionado sobre as condições de continuar à frente do caso e acabou abrindo mão da investigação depois de muita pressão. E agora a dúvida que fica é, o Toffoli vai poder votar nesse caso? A pessoas próximas ele tem dito que ainda não bateu o martelo, mas se depender dele ele quer votar sim, até para mostrar que ele não tem nenhuma suspeição no caso.

Isso pode conflagrar uma nova crise. Vamos acompanhar aí e ver como que deve ocorrer esse julgamento. Hoje o ministro Flávio Dino, no primeiro julgamento do caso de emendas no Supremo, ele falou que às vezes o papel do Supremo é ser um pouco exorcista dos diabos que andam por aí na vida pública. Vamos ver se essa lógica se aplica também ao caso Master. É isso, obrigada Tiago por hoje. Tiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília.

quinta-feira. Até quinta-feira. Boa noite, pessoal. Boa noite, Bronzato. Tchau.