Caso Master amplia debate sobre crise institucional e representação política
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- Eleições Rio de JaneiroErosão das instituições · Desconfiança no sistema democrático · Continuidade de problemas ao longo de gestões · Falta de clareza em investigações · Especulações e pré-julgamentos · Conspiração contra jornalistas
- O caso MasterEsquema de pirâmide financeira · Captura do Estado · Vazamentos de WhatsApp · Investigação e Delação · Repercussão nas redes sociais · Envolvimento de personagens da República · Festas milionárias patrocinadas
- Mediação InternacionalFundo partidário como barreira · Dificuldade de renovação política · Circulação de novas representações · Necessidade de aprimoramento do sistema · Orçamento e escolhas públicas ineficazes · Qualificação da representação
- Mulheres na política e violênciaCrescimento de violência nas redes sociais · Pico de menções de estupro e morte · Lei Maria da Penha e violência doméstica · Violência contra filhos e crianças · Impacto das redes sociais no comportamento
- Participação política das mulheresOportunidade de aumentar participação no Senado e Câmara · Necessidade de transformar estrutura patriarcal · Mulheres em posições de poder · Resistência institucional · Dia Internacional da Mulher
- Percepcao publica STFPrestação de informações sobre vazamentos · Constrangimento público · Debate contaminado por moralização · Papel na defesa da democracia · Confluência com outros casos políticos
- Atuação de Lucia na políticaExpectativa de mudança através de eleições · Dificuldade de renovação devido à estrutura · Necessidade de propostas de política pública · Exploração espetacular vs propostas claras
A Semana Política, com Marco Rudiger. Rudiger, Marco, boa tarde. Boa tarde, Petra. Boa tarde para todos os nossos ouvintes, em especial às ouvintes. Hoje é o Dia da Mulher. Não podemos deixar de comentar esse jeito nenhum aqui. Parabéns para todas. É importante a gente ter essa consciência que não é só dar parabéns nesse dia, mas é construir um outro tipo de dinâmica e relação de respeito, de proteção e de apoio.
Diferente, a gente tem visto a violência, como é que tem crescido contra a mulher. É uma reação ao crescimento da mulher na sociedade, o papel dela. Coisa que é tão importante para o Brasil e tem essa resistência ainda, infelizmente. Mas vamos que vamos, hoje é o dia das mulheres e vamos lembrar disso. Como diz aqui a nossa ouvinte, deixa eu ver se eu consigo achar o nome dela, a Elza. Ela fala assim, Petra, sugiro que alejamos muitas mulheres nesse 2026.
É uma oportunidade extraordinária para aumentarmos nossa participação no Senado, na Câmara dos Deputados.
e nas assembleias estaduais, e por outro lado, Marco, ontem mesmo eu estava com uma conversa aqui no Revista, que eu vou reproduzir um trechinho hoje ao longo do programa, dizendo que as mulheres, nós mulheres, temos inclusive, e eu me identifico com essa fala, uma certa dificuldade com essa estrutura patriarcal de poder. Então, não é só a gente conquistar, como diz aqui a ouvinte, esses lugares de poder na política, mas quando a gente chega, a gente precisa transformar, porque está arcaico demais. Olha o Brasil,
pegando fogo, interesse, poder, dinheiro, olhar para o que é público como se fosse um nada. É isso que a gente está vendo novamente na história do Brasil. E é claro que isso traz repercussão total, que é isso que você vai contar aqui para a gente. O caso do Banco Master, com esses homens poderosos, mostrando que esse poder é realmente lamentável, essa busca por poder lamentável, é corrupção atrás de corrupção.
que você falasse para a gente um pouco do caso Master que chega ao seu maior nível de tensão, com prisão, com vazamentos, um trabalho jornalístico importantíssimo, trazendo à tona informações aí para a gente e trazendo também questões importantes em relação a poderosos no STF, né Marco? Pois é, eu acho que alguns nossos ouvintes provavelmente estão lembrados, mas você certamente está, a gente já falava isso no ano passado, você lembra?
coisa que ia crescer, que ia explodir, era parte dos sussurros que a gente comentava aqui. E, de fato, lamentavelmente, eu adoraria ter errado nesse negócio, mas nós acertamos, a revista acertou em cheio isso aí. E é lamentável esse episódio. O que acontece? A repercussão é enorme. A gente está falando aqui, a partir de quarta-feira, de quase 2 milhões de menções diretas, mais de 37 milhões de interações no período. Então, isso nas redes é uma repercussão muito grande.
Essa informação circula, e ela circula de várias formas. Ela circula em cima de fatos, em cima de hipóteses plausíveis, mas também distorções muito graves. Mas ela reflete, sobretudo, o caso de um sujeito que conseguiu se articular muito, montar quase que uma pirâmide com empréstimos, com taxas de juros e com retorno que simplesmente o mercado não praticava,
rede de captura do Estado por dentro muito grande, sem a qual ele não teria feito o que fez. Esse é um outro ponto. E a gente vê, digamos assim, uma fragilidade ainda das nossas instituições. Eu quero lembrar que isso não é uma coisa que aconteceu ontem, não. Não aconteceu semana passada, não. Isso aí, essa operação do Master, ela já vem de muitos anos. Ela perpassa governos. Ela não é só uma coisa que acontece agora. Na verdade, agora que ela está sendo investigada a fundo e
e esse personagem está na cadeia em função disso. Mas o fato é que a repercussão é grande. A gente teve, inclusive, uma conspiração contra um jornalista, o Lauro Jardim. Isso é outra coisa também importante. Você vê o nível de ousadia que se chegou, enorme. Ousadia é muito boa essa palavra. Pois é, mas o que mais me preocupa é o seguinte. Eu sempre tento...
ressaltar isso aqui, sabe, Petra? Não é uma questão, muitas vezes, mas o ouvinte às vezes fala, ah, essa é uma posição mais à esquerda, ou essa é uma posição mais à direita. A minha preocupação não é exatamente com a esquerda, com a direita, é com as instituições. Eu acho que é isso que é a grande questão, porque as instituições são permanentes, elas zelam, ou deveriam zelar pelo equilíbrio no país, pela razoabilidade das políticas, pela defesa da cidadania. E o que eu vejo é uma contínua ameaça,
ações dessa trama toda do Banco Master, que é uma trama altamente corrosiva das instituições, e quando corrói as instituições, corrói a crença no sistema democrático, e isso é uma coisa que nós temos que preservar, a hora que não se acredita no sistema democrático, ou esse sistema começa a falhar, porque começa a ser corroído e corrompido por dentro, ele começa a gerar, digamos assim, um descrédito e, portanto, uma desconfiança da pessoa, que a democracia não vai funcionar,
a senhora nunca, e daí qualquer outra solução pode ser melhor, o que é um grande engodo, nós sabemos pela história disso. Mas o fato é que esse é um caso que ainda está longe de ser desvendado, acho que tem muita especulação, acho que mesmo, veja bem, mesmo esses vazamentos que houveram de WhatsApp, etc., ainda existe uma neblina muito grande de fato como é que isso se deu. Eu acho que tem que se tomar muito cuidado
quanto ao encaminhamento disso e pré-julgamentos sobre figuras. Você pega, por exemplo, o caso do ministro Alexandre de Moraes, e aí eu não estou passando aqui pano para ninguém antes que alguém fale isso, mas o fato é que essas coisas têm que ser claramente esclarecidas e não ficar num terreno de especulação. Por quê? Porque todos sabem que o ministro também foi muito garantidor da ordem democrática na tentativa de golpe que houve no país.
Você vê a CPI do NSS tenta dar um, digamos assim, fazer um pit stop e trocar um pneu e puxar um pouco do caso master para dentro. Então, esse que era o problema o tempo todo, que a gente comentava no ano passado, que isso ia explodir meio que em cima das eleições e ainda não explodiu por completo. Então, você vê que caldo que nós temos, e aí eu posso fazer uma referência à pesquisa que acabou de ser citada,
Olha o caldo que vai se formando, é o INSS, é o caso Master, é a confluência desses problemas que simplesmente eles criam uma nuvem, uma cortina por cima de qualquer sucesso na economia. A economia no Brasil está melhor do que estava há três, quatro anos atrás. E você, na verdade, em geral, a economia dita os rumos da preferência do eleitorado e a gente vê isso não acontecendo. Por quê? Porque existe um outro ângulo hoje do debate,
político, que é o ângulo da crença nas instituições, na insegurança que o cidadão tem no mundo enlouquecido, como é o mundo que a gente vive, guerras, a economia interdependente se espatifando, a gente vê o impacto de tarifas que não eram esperadas, a gente vê interferência em outros países, só para falar do que a geopolítica interferiu no Brasil, mas também internamente, e aí a gente vê personalidades da República que tinham alta
intimidade com o Vorcaro. E não era fulano A ou B, era uma rede tentacular. Então, aí, a gente talvez tenha que pensar. Será que não é o momento de se colocar na mesa, entre outras propostas, ajustes nas nossas estruturas institucionais? Eu penso que sim. Mas daí, a querer fazer uma destruição, quase como se fosse uma segunda Lava Jato, que me lembrava um pouco
a Inquisição, em alguns momentos, acusando pessoas, muitas vezes com provas que eram movidiças. Tudo isso é numa complexidade muito grande. O que eu quero dizer para vocês é que a gente passa por um momento bastante delicado da vida do país. Infelizmente, a gente acertou em cheio, mas o fato é que esse momento não está no ápice ainda, não. É uma coisa que ainda vai crescer. A gente vê espetacularização
está havendo em cima desses vazamentos. Então, a gente vê chats pessoais do Borcaro sendo enviados para a CPMI do INSS. Então, isso também é uma outra questão. Então, aí tem críticas. Como é que pode ter tido vazamento desses chats que ainda estão sob investigação? Isso é um problema também. Mas aí a gente vê que 20%, por exemplo, do debate, desse debate que eu mencionei, 20%, ele foca em cima do ministro. Então, também tem uma questão do ministro,
Alexandre Moraes. Então, a gente tem uma série de questões e existe um constrangimento público em cima do ministro que vem sendo utilizado como um gancho para buscar reverter a percepção pública em torno do julgamento de 8 de janeiro. Isso também está acontecendo. Então, o julgamento de 8 de janeiro é uma coisa. Essa discussão do Márcio é outra. Elas confluem unicamente no sentido. Ameaça as instituições, ameaça a democracia. Mas são ângulos diferentes de um problema,
mais de fundo e que têm que ser tratados assim. Não dá para contaminar uma coisa com a outra. O que a gente está vendo? Uma tentativa de juntar coisas e desmoralizar um processo que foi o único na história do Brasil. Nós sabemos disso. Então, é isso que a gente está vivendo. Esse é um problema. E eu acho que isso conversa um pouco também com essa pesquisa que acabou de sair da outra folha. E muito, como você coloca aqui para a gente, ainda muito para acontecer. Porque acredito que ainda possam surgir novas informações
a respeito desse caso. O Vorcaro acaba de ser preso. Agora o ministro Alexandre de Moraes tem que prestar informações agora em relação a tudo isso, a todo esse vazamento, essas informações. Mas políticos de todos os espectros também conectados. Isso a gente percebe. Se falou também a respeito das festas milionárias que o Vorcaro patrocinou.
isso nas redes, sugerindo o Epstein brasileiro, falando sobre toda aquela rede que envolve o poder, dinheiro, prostituição, mulheres, enfim, tudo que a gente viu aí, enfim, violência, é realmente, olha, aproveitando esse Dia da Mulher, esse Dia Internacional da Mulher e essa voz que me cabe, é nojento observar tudo isso, né, Marco? Acho que não tem outra palavra para a gente entender o uso do
lugar de poder que esses homens se colocaram. Me fala um pouco do sussurro nas redes. Você quer falar alguma coisa mais ainda sobre o caso Master? Ou a gente pode ir para o sussurro das redes? Eu acho que é importante o seguinte, nesse caso Master, é que isso não chegou no seu pico ainda, como o INSS também não chegou. Acho que é importante entender que isso não é uma coisa de agora, isso é uma coisa que tem alguns anos, vários anos já, ambos acontecem
anos, então se você olhar num recorte longitudinal, isso aí vai pegar, isso pega, digamos assim, várias gestões, a repetição de gestões de governo, o NSS já, a gente tem notícias disso pelas redes, isso é um trabalho que nós fizemos, assim, há mais de 10 anos você tem esse tipo de informação, que já aconteceu esse tipo de problema, lamentavelmente, isso continua acontecendo, mas o fato é que não é uma coisa nova, e o caso do
é uma teia que foi sendo tramada ao longo dos anos também. Eu acho que essa questão da representação acaba sendo muito importante. Para a gente melhorar as instituições, tem que haver uma vontade política. E talvez essa sucessão de escândalos gerasse uma vontade política, desde que os seus principais contedores coloquem na mesa essa necessidade e como é que vão conduzir isso. Até agora, eu não vi isso com clareza. Só vejo uma exploração espetaculosa desses fatos, mas não uma proposta clara de política pública,
como é que o Brasil pode melhorar nesse sentido. Essa é uma questão importante. Outra coisa que eu quero fazer, e aí fazendo um gancho com a questão do SUS, é a questão da representação política. Fica muito difícil você alterar a representação política quando você tem um fundo partidário somado às emendas parlamentares do jeito que está hoje. Essas duas coisas tornam quase imbatível o sujeito não se reeleger. E isso diminui uma circulação, digamos assim, da representação política. Então, se a gente quer mais mulheres,
Se a gente quer um pensamento mais crítico sobre as instituições, um pensamento que mude, digamos assim, todo o processo, e a gente conta que com isso, parte disso, muito provavelmente, não vai vir, digamos, os personagens que aí estão, porque é uma rede muito grande envolvida nesses problemas todos e muito ineficaz em termos de entregar para as pessoas o que elas esperam. E eu estou falando isso aí num recorte, assim, pegando todos os campos. Então, a esperança é que a eleição vai promover uma mudança grande.
construído de um jeito que é difícil você ter novas pessoas, novas caras. Então, a gente tem um problema muito mais sério, que é da própria, eu diria assim, eu remeto isso, a representação política, esse fundo partidário mais as emendas são um grande problema e a outra coisa são as escolhas públicas com dinheiro. Ou seja, o processo orçamentário no Brasil é um processo ineficaz, ele leva a escolhas ruins. Então, se a gente junta essas duas coisas, a gente tem um problema
a institucionalidade e agride a vida do cidadão. E eu queria muito que nessa eleição não ficasse a gente discutindo quem fez isso, quem fez aquilo, só isso. Porque isso aí, obviamente, vai ter que ser discutido, é do jogo. Mas também quais são as propostas para se mudar. Vamos encarar isso daí. O sistema precisa ser reformado. Ele não pode ser derrubado. Ele não pode ser destruído. Ele tem que ser aprimorado. Como é que a gente vai aprimorar isso daí?
Eu entendo que tem que aumentar e qualificar a representação, inclusive a representação das mulheres.
mulheres têm um papel muito importante. O sussurro dessa semana é basicamente esse. A gente teve um pico gigantesco esse mês de menções sobre a violência contra as mulheres nas redes. Digamos assim, é o maior pico que houve desde 2024. A gente viu cenas de estupro coletivo, violência, morte, inclusive violência contra os próprios filhos. E olha, vou te dar um outro dado que é interessante. Por exemplo, aumento da utilização da Lei Maria da Penha, inclusive dentro de
por mães que são agredidas pelos filhos por conta da indução pelas redes sociais de uma violência dentro de casa. Então, isso também tem acontecido. Então, olha que grande problema. A questão da mulher não é uma questão só da mulher hoje, é uma questão de a gente pensar o país, que país que a gente está construindo e quais instituições que deveriam estar levando e a educação que deveria estar sendo dada, o cuidado no uso das telas nas escolas. Quer dizer, a questão da mulher, na verdade,
ela não se restringe à mulher, ela se esparge por outros setores da nossa vida social. Marco Rüdiger com a gente nessa semana dificílima, mais uma semana difícil, agora olhando para o Noticiário Nacional. Aperte os cintos, não viu nada ainda. Esse é o sussurro, aperte os cintos. Querido, um beijo para você, bom trabalho de olho em tudo que está acontecendo e até semana que vem. Beijo para você, Petra, beijo para todas as mulheres,
que estão nos ouvindo e continuem lutando pelos direitos de vocês, que é importante para todo mundo, inclusive para o Zona. Repórter CBN agora.