Episódios de Política

Antipetismo impulsiona Flávio Bolsonaro e pressiona Lula, avalia cientista político

08 de março de 202612min
0:00 / 12:50
O avanço do senador Flávio Bolsonaro na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (8) e o empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno são explicados, principalmente, pelo sentimento antipetista presente no eleitorado. A avaliação é do cientista político Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política e sócio da consultoria Think Policy.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Assuntos8
  • Polarização PolíticaSentimento antipetista como combustível eleitoral · Rejeição a Lula (46%) · Rejeição a Flávio Bolsonaro (45%) · Voto por rejeição vs. escolha positiva · Divisão ideológica do eleitorado
  • Vazamento de DadosEmpate técnico Flávio vs. Lula no segundo turno · Crescimento de Flávio Bolsonaro · Dados de aprovação do governo · Parâmetros de competitividade eleitoral (mínimo 30% ótimo/bom)
  • Poder Pessoal e AgênciaInflação controlada mas com impactos persistentes · Juros em patamar alto · Dificuldade em quitar dívidas · Mais de 30% das famílias endividadas · Crescimento do endividamento
  • Avaliação de governo e aprovação presidencialDesaprovação em 40% · Aprovação de 37% em pesquisa anterior · Posicionamento confortável na pesquisa · Comparação com reeleições · Recuperação no segundo semestre não materializada
  • Atuação de Lucia na políticaCampanha de Flávio Bolsonaro com moderação · Distância de Flávio em momentos de escândalos (FenaBancária, STF) · Falta de conhecimento do eleitor sobre atributos de Flávio · Performance de candidatos antipetistas · Comportamento do eleitor nas eleições recentes (rejeição vs. escolha)
  • Possível candidatura de terceira via (PSD/governadores)Flávio como fechamento da direita · Desestímulo a alternativas na direita · Performance de terceira via pela rejeição · Divisão maior na direita com outros candidatos · Importância da rejeição mútua (Lula vs. Flávio)
  • Política EconômicaQueda do desemprego · Isenção do imposto de renda (até 5 mil reais) · Discussão sobre fim da escala 6x1 · Componentes positivos e negativos das medidas · Falta de melhoria nos índices de aprovação
  • Escola de SambaHomenagem a acadêmicos de Niterói durante Carnaval · Desaprovação de 71% dos eleitores · Questionamentos sobre legalidade · Autoexaltação do governo em momento de baixa aprovação · Percepção de descolamento governo-população
Transcrição24 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

E para repercutir esses dados, a gente conversa agora com o doutor em ciência política e sócio da consultoria de risco Think Policy, Leonardo Barreto. Muito bom dia, seja bem-vindo ao Jornal da CBN. Bom dia, Débora. Bom dia aos ouvintes. Obrigado pelo convite. Bom, como mostrou aqui a nossa reportagem, Flávio Bolsonaro e o presidente Lula estão empatados tecnicamente no segundo turno. O que fez o presidente Lula cair e, principalmente, o que fez Flávio Bolsonaro crescer?

Débora, é o sentimento antipetista. Isso é o mais importante. Porque se a gente olha para trás, para esses dois meses, a gente não viu qualquer tipo de campanha por parte do senador Flávio Bolsonaro. Pelo contrário, ele passou um tempo fora, se posicionou com muita moderação nas questões mais importantes, como, por exemplo, esse escândalo, essas denúncias ligadas.

ao Banco Master e ao STF e não tem aparecido nos momentos mais agudos. Então, eu entendo que o combustível principal é um sentimento de oposição ao governo, de oposição ao PT, que tem um componente ideológico, que tem um componente de avaliação. Você acabou de citar, para mim, o dado mais importante dessa pesquisa, que é o dado de avaliação do governo.

E no momento em que a oposição consolidou um nome, aparentemente consolidou um nome, aí ele ganha tração na pesquisa. Então, isso é muito impulsionado por um sentimento de antigoverno, que eu acho que explica muito mais esse voto do que propriamente atributos do senador Flávio, que a maioria das pessoas ainda não conhece bem. O senhor citou a desaprovação como dado mais importante.

chegou a 40%, na pesquisa anterior era de 37%. Por que essa desaprovação vem aumentando e algumas pesquisas se mantendo no mesmo patamar, apesar de ações que o governo vem implementando? Temos aí uma queda do desemprego, tem o projeto de isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, o governo abraçou a discussão sobre o fim da escala,

6 por 1. Por que não tem conseguido melhorar esse índice? O governo está em um problema de avaliação desde janeiro do ano passado. Por mais que ele tenha experimentado uma recuperação no segundo semestre, ela nunca devolveu o presidente Lula para uma posição confortável nesse quesito. Para a gente ter um parâmetro, Débora,

política, reunindo muitas eleições, muitos indicadores de aprovação de governo. E comparando isso com reeleições, estabeleceu que o parâmetro para um candidato ser competitivo, competitivo para ser reconduzido, é 30%. Ele tem que ter no mínimo 30% de ótimo e bom. Abaixo disso, a probabilidade dele perder é muito grande. Entre 30 e 40,

a eleição fica aberta, é uma coisa meio 50-50, e a partir de 40 o candidato à eleição está reeleito. Então o Lula vem flertando com esse patamar de baixo desses parâmetros já desde o ano passado, e a própria data folha chegou a dar, no primeiro semestre do ano passado, ele com 24 ou 26% de ótimo bom,

pior do que a que ele tem hoje. Por que ele não tem melhorado? Acho que o primeiro ponto é esse componente ideológico que manteve o eleitorado dividido o tempo todo. E isso é muito importante. Agora, em relação às medidas, a gente vai ver que todas elas têm algum tipo de componente positivo, mas também tem um componente negativo. A questão do emprego. Tem muita gente que

E não está procurando. A questão do 6x1, tem muito comerciante pequeno que está preocupado de ter prejuízo. A questão da isenção do IR, embora seja um dinheiro direto na conta das pessoas, talvez as pessoas percebam isso no primeiro mês. Depois elas estão tão endividadas que esse dinheiro entrou no fluxo financeiro dela

efeito e eu acho que o principal problema é o endividamento das pessoas e poder de compra. A gente vem com uma inflação que começou a ser controlada agora, mas que ela tem um passivo importante desde o ano passado e os juros estão num patamar tão alto que as pessoas não estão conseguindo refinanciar suas dívidas. Então hoje, para a gente ter uma ideia,

de 30% das famílias do Brasil estão inadimplentes com alguma conta. E esse número tem crescido. Então, me parece que, embora haja dados econômicos, você sempre tem externalidades, problemas que são a outra face da moeda de cada um deles. Mas eu acho que, economicamente, o principal problema mesmo que pega é o poder de compra e o endividamento e a dificuldade

estão encontrando para refinanciar suas dívidas. Agora, um ponto que a pesquisa trouxe foi essa discordância dos entrevistados na homenagem da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula. Foi considerada inadequada por 71% dos eleitores em um ano eleitoral. Isso só confirma que foi um tiro no pé do governo. Isso deve ser explorado na campanha eleitoral, imagino.

Sem dúvida. Existe um exercício ali de autoexaltação, que é uma coisa que as pessoas, de uma maneira geral, não gostam. E o governo não tem um nível de aprovação suficiente para que você fique jogando confete em cima de si mesmo. Você tem o aspecto da legalidade, que é muito questionável,

e começam a perceber e dizem que talvez isso não esteja certo do ponto de vista da legislação. Mesmo que os tribunais, mesmo que o pessoal coloque o que pode ou não ter risco, o fato é que isso citou uma dúvida. E acontece num momento de baixa do governo. Então, parece uma coisa completamente fora de lugar.

causam um certo estranhamento, até uma ideia de um descolamento de um governo que se celebra muito, enquanto as pessoas não avaliam ele tão bem assim. Então esse descolamento, ele começa a alimentar nas pessoas a percepção, mas será que o governo está ciente do que realmente a gente está vivendo? E aí é esse tipo de dúvida que eu acho que leva a essa sensação,

estranhamento a essa sensação de descolamento que eu acho que uma boa parte do eleitorado hoje tem em relação à administração. Leonardo, o que esse resultado, esse crescimento de Flávio Bolsonaro passa de recado para os governadores que estão no PSD, que ainda não decidiu qual deles vai ser realmente o candidato pelo partido, mas eles têm se apresentado

como uma terceira via. Isso é muito importante. No primeiro momento, parece que o senador Flávio Bolsonaro fechou a questão na direita. Ou seja, não vai haver uma terceira via na direita. Eu me coloco, o senador se coloca como uma figura dominante. E isso desestimularia candidaturas alternativas.

Olha, o que a gente sabe é que como o principal combustível dessa eleição é o anti, é a rejeição, tanto de um quanto do outro, tá, Débora? Porque quando você coloca o Fernando Haddad na corrida, ele performa bem também. E aí por que ele performa bem? Porque esses são os anti-Bolsonaros. Já tem duas eleições que a gente vota mais para vetar do que para escolher.

Você vota, você está preocupado mais em tirar aquele que você não quer do que colocar aquele que você deseja. Lula e Flávio são os mais rejeitados. O presidente Lula tem 46% de rejeição e o Flávio 45%. Exatamente. É praticamente um empate que acaba se refletindo nas intenções de voto. E quando o Haddad, ou então qualquer um que você coloque e represente o anti-Flávio, o anti-Bolsonaro,

bem também. Então, assim, o Flávio, voltando ao início da entrevista, o Flávio tem esse crescimento mais pela rejeição do que pelos méritos próprios, considerando que ele sequer apareceu até agora. Aí o que a campanha vai tentar colocar no campo da terceira via é dizer assim, olha, você pode ter um componente diferente, você pode ter uma escolha

Folha que não seja pautada pela rejeição. Estudos anteriores mostram que todos os eleitores não petistas, que dizem que não vão votar no Lula, o Flávio teria 52 só desse contingente de não petistas. E outros candidatos teriam 48. A divisão na direita seria muito maior. Mas o componente da rejeição, o componente do sobrenome,

faz o Flávio tomar logo essa posição de favorito, porque os outros não têm a mesma condição de aparecer. Pode ser que a campanha altere um pouco esse equilíbrio, mas aí a gente vai ter que esperar até o início de agosto. Leonardo Barreto, muito obrigada pela conversa aqui no Jornal da CBN e tenha um ótimo dia. Eu que agradeço. Bom dia para você.

é doutor em ciência política e sócio da consultoria de risco Think Policy. Fique com as notícias da sua região.