Governo adota postura discreta sobre Master e aguarda pesquisa para definir estratégia
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- Daniel VorcaroTroca de mensagens frequentes · Encontros com Daniel Vorcaro · Mensagens no dia da prisão · Uso de subterfúgios para comunicação · Contrato da esposa com Banco Master
- Banco MasterPrisão de Daniel Vorcaro · Vazamento de mensagens · Operação Plan C · Inquérito sobre vazamentos · Recuperação de mensagens deletadas
- Paralisia institucionalMinistério Público passivo · Polícia Federal pressionada · Barreira de ministros do Supremo · Necessidade de autorização prévia para investigar ministros · Foco em vazamentos ao invés de apuração
- Economia do Governo LulaVontade de usar caso como prova anticorrupção · Desconforto de ministros aliados do STF · Relações políticas complexas com ministros · Estratégia condicionada a pesquisa Datafolha
- Ministro Dias ToffoliDemora em deixar a relatoria · Possível envolvimento com Master · Saída de cavalheiros · Permanência como ministro votante
- Disseminação e repercussão públicaMemes nas redes sociais · Conhecimento do Brasil inteiro · Perguntas legítimas da sociedade · Pressão por transparência · Possibilidade de novos vazamentos
- Poder LegislativoPrazo para encerramento das CPIs · Acesso a provas e documentação · Novas convocações e explicações · Limitação de acesso a novas provas · Interesse de parlamentares em avançar
- Caso Vorcaro e LulinhaContexto histórico de investigações anteriores · Negócios e uso de cargo do pai · Decisão do ministro Fávio · Investigações da CPMI · Aderência ao presidente
- Questões processuais e investigativasAutorização prévia do Supremo necessária · Comparação com caso Tofoli · Relatórios específicos à corte · Dificuldade de barreiramento de informações
Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para a Carol, para os ouvintes, também para quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite. Vera, a semana foi dominada por revelações, no caso Master. Todo dia tem coisa nova, às vezes de manhã e à tarde também. Essas revelações foram intensificadas depois da segunda prisão de Daniel Vorcaro, na quarta-feira,
Agora parece ser o Supremo, que depois do desgaste com a demora de Toffoli em deixar a relatoria do caso, agora está aí diante de evidências bastante contundentes da proximidade entre Alexandre de Moraes e Vorcaro. E a gente fica pensando no pra-frentemente, mas eu queria que você colocasse aí o que é expectativa e o que é realidade. A expectativa, ou seja, o que deveria ser feito é o ministro Alexandre de Moraes esclarecer
trocou mensagens com Daniel Vorcaro com bastante frequência, teve encontros com ele com bastante frequência e, sobretudo, se trocou uma série de mensagens de visualização única no dia da primeira prisão do empresário, do banqueiro, em novembro do ano passado, e que mensagens foram essas? Porque pelos subterfúgios que foram usados pela conversa, a gente só consegue ver que houve uma troca de mensagens,
elas não se encontram nem na nuvem. Não são possíveis de ser recuperadas porque foram escritas no bloco de notas dos celulares, mandadas como print, como se fosse uma foto de visualização única e depois apagadas. O que a gente tem são alguns rastros deixados porque, apesar de tanto cuidado, não se teve total acurácia técnica para fazer isso. Então, Daniel Vorcaro deixou no seu bloco de notas e esse sim foi parar na nuvem,
o teor de algumas mensagens que, pelo horário em que foram escritas e o horário da correspondência com o ministro, se pode aferir que dizem respeito àquela conversa. Então, é preciso que se esclareça se eles realmente conversaram ou não. Agora, você me pergunta qual é a realidade. Realidade, nesse momento, está mais para apurar o vazamento do que apurar a troca de conversas. Acabou de sair uma decisão.
do ministro André Mendonça, que, por solicitação da defesa do Vorcário e também da Polícia Federal, solicitou a abertura de um inquérito para apurar os vazamentos de informações relativas à Operação Compliance Zero, tanto ali na própria PF quanto na CPMI do INSS, que recebeu acesso a toda essa documentação. Então, por enquanto, a gente está querendo saber quem vazou e não saber o que se conversou.
No caso, eu digo, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, eles estão mais preocupados em saber a gênese do vazamento e quem vazou do que entender qual é a relação entre um ministro da corte e um investigado. E um ministro da corte que tem como mulher a advogada, uma das advogadas do Banco Master, contratada num contrato de mais de 130 milhões de reais.
Por hora, o que a PF entende, e eu conversei com fontes na PF hoje, que não há nenhum elemento para abrir nada, para pedir abertura de nada referente ao ministro Alexandre de Moraes, que o caso seria bastante diferente do caso do ministro Dias Toff. E aí os próximos passos, Vera? O que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devem fazer de agora em diante? O Ministério Público Federal está só assistindo a tudo isso. Está muito sem tempo, não está muito preocupado com o que está acontecendo.
um espectador silencioso desses desdobramentos bastante perturbadores. A Polícia Federal, a impressão que eu tenho, Carol, é que está muito pressionada, pressionada diante dos vazamentos. E que, por enquanto, resolveu se concentrar em quem está vazando, em vez de procurar apurar o que acontece. Porque o que acontece agora? Se for fazer uma perícia nessas mensagens,
conseguir recuperar alguma coisa, inclusive do teor da troca de mensagens entre o ministro e o Daniel Vorcaro, e se chegar à conclusão de que eles de fato conversavam sobre processos, sobre tentativa de bloquear, esse verbo bloquear é usado por Daniel Vorcaro na conversa, bloquear alguma investigação, etc., aí a Polícia Federal precisa comunicar o relator do processo, precisa comunicar o ministro André Mendonça,
importante em relação ao ministro do Supremo. E aí vai ter de pedir para investigar o ministro do Supremo. A PF não tem autorização para investigar ministros do Supremo sem pedir autorização prévia para o próprio Supremo. No caso do ministro Toffoli, quando eles chegaram àquelas informações de troca de mensagem com o Vorcaro, de pagamentos, inclusive feito por um dos fundos ligados ao Master, a empresa familiar
do Toffoli, eles fizeram um relatório específico sobre essa situação, levaram para o ministro Fachin, porque aí eles estavam diante de um possível cometimento de crimes e, portanto, tinham de comunicar diretamente ao Supremo. O que se conseguiu foi uma saída de Cavalheiros, em que o próprio Toffoli deixou a relatoria, mas até agora ele não é investigado pela Polícia Federal. Ele deixou a relatoria e continuou, inclusive está se dizendo aí, tranquilo,
votar nos procedimentos que dizem respeito a esse caso, votar na segunda turma. Na semana que vem tem uma decisão em plenário virtual para decidir se manter as prisões até aqui ou não. Então, a situação em que todo mundo parece pisar em ovos para tratar o caso dos ministros do Supremo. Então, eu vejo uma situação, um momento de paralisia, em que o Ministério Público está absolutamente omisso,
E a Polícia Federal está diante da necessidade de precisar avançar nas investigações, e ela vem avançando em muitas das investigações, mas essa barreira que representa o fato de que você tem ministros do Supremo no meio do negócio. Tem outra dimensão dessa investigação, Vera, que é a dimensão das CPIs. Tem uma mista, que é a do INSS, e tem a do crime organizado no Senado.
parlamentares diante do que se viu até agora? Eles querem avançar, principalmente porque as duas são compostas ali por vários partidos, como é o óbvio em CPIs desse tipo, e cada um tem o seu interesse de avançar aqui e ali. O que eu acho que vai acontecer é que vai chegar o prazo para elas terminarem, e esse prazo está chegando agora, uma termina esse mês e a outra termina em abril, e a cúpula do Congresso
essa vai fazer de tudo para que elas terminem nesse prazo, não sejam prorrogadas e para daqui para frente tentar fazer um novo torniquete no que elas recebem de informação. A decisão do ministro André Mendonça, a que eu me referi agora há pouco, ela faz ali um histórico de como os dados foram obtidos e como a CPMI pediu acesso aos dados que ela própria havia solicitado e que estavam embarreirados e como ele concedeu.
houve o vazamento. Então, eu acho que daqui por diante vai se tentar limitar ao máximo o acesso dessas CPIs a novas provas. O que acontece é que tem um monte de requerimento novo diante de tudo que vazou para investigação dessa relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, para novas convocações, para explicações da Polícia Federal sobre
a extração desses dados dos celulares e por que não houve uma perícia imediata nesses dados, etc. Então, vai ter muito ruído entre as duas CPIs, a Polícia Federal, o Supremo e o Ministério Público. Então, a gente vai assistir a todo mundo numa arena tentando ali defender o seu lado. As CPIs querendo avançar e essa barreira de contenção que está se formando, atuando do outro lado
embarreirar. Como eu tenho dito aqui, com base na experiência que eu tenho em casos pretéritos, é muito difícil você embarreirar quando se chega a esse nível de informação que a gente já tem. A gente está naquele momento em que o Brasil inteiro já leu as intimidades de Daniel Vorcaro com as suas muitas namoradas, que o Brasil inteiro já mandou e recebeu memes variados a respeito do assunto,
de jogo de vôlei em que o Daniel Vorcaro pergunta para um ministro do Supremo se ele conseguiu bloquear uma bola. Então, a coisa está absolutamente disseminada e não só na classe jurídica e não só no mercado financeiro. Em todas as áreas da vida do dia a dia, todo mundo está falando nesse assunto e todos nós estamos sendo bombardeados com memes de todo lado, mas junto com os memes tem perguntas e essas perguntas
perguntas são legítimas. A sociedade quer saber, principalmente porque o ministro Alexandre de Moraes foi alguém que ficou muito notabilizado nos últimos anos pelo enfrentamento ali que ele fez ao grupismo, às tentativas de golpe, etc. Então, todo mundo quer saber que relações eram essas. E isso não tem nada de revanchista, isso não tem nada de vingança, nada disso. Isso tem a ver com algo que é legítimo.
que é a sociedade saber o que os seus homens públicos estão fazendo em privado. E agora a pressão vai ser muito grande por parte da sociedade e eu acredito que embarreirar qualquer coisa vai levar a novos vazamentos. Ah, tem que devolver tudo e devolver e não ficar com nenhuma cópia, diz a decisão do ministro André Mendonça. Tá bom, então tá. Vou devolver todas as minhas cópias. Tá pensando lá o deputado, o senador.
Impossível, já foi, já é, já está por aí, entendeu? Então, muita coisa ainda pode vazar do que já está em poder de jornalistas e de CPIs. Então, tentar abafar agora é quase inócuo. O que vazou já é muito grave, né? Agora, Vera, o governo segue numa postura discreta diante do caso, né? A ordem é essa mesmo? Por enquanto, sim, Carol. Existe um misto de vontade de avançar,
e dizer que esse caso Master é uma prova de que o Lula não é conivente com a corrupção do andar de cima, e que mandou mesmo investigar tudo e tal. Mas isso vai só até o momento em que esbarra no fato de que tem aliados do governo no Supremo que estão desconfortáveis com essa história. Então, o Toffoli, que teve uma relação muito conturbada com o Lula nos últimos anos, desde a Lava Jato para cá, mas foi nomeado por ele,
tem um passado com o PT. O Alexandre de Moraes, que por outro lado foi nomeado pelo Temer, que é adversário do PT, mas que construiu uma boa relação com o Lula ao longo desses anos. O ministro Gilmar que chegou a vetar a nomeação do Lula para a Casa Civil lá no governo Dilma, mas também construiu uma boa relação nos últimos anos. O Gilmar não tem nenhum envolvimento direto nesse caso, mas ele é uma espécie, ele é o decano do Supremo e é também o decano desta ala do Supremo, desse grupo que toca mais ou menos junto.
junto também com o Procurador-Geral da República, Paulo Gonê. Então, o governo está se sentindo amarrado para tentar surfar nesse caso, está adotando essa postura discreta até aqui. Acho que a pesquisa data-folha do fim de semana vai ser crucial para editar se vai ter uma guinada ou não de estratégia por parte do governo, a depender do estrago que houver na imagem do Lula e na sua intenção de voto também.
o presidente diretamente para essa outra crise. Já tem um receituário específico? Também o constrangimento reinando a respeito disso, porque o presidente sabe que o filho já foi alvo de outras investigações, que ele está, como me disse aquela fonte do Palácio que eu citei ontem, no imaginário da população há mais de uma década, como alguém que usa dos cargos do pai para fazer negócios. E agora,
também uma tentativa de conter essa história. Ontem, o ministro Flávio Dino deu outra decisão, estendendo ao Lulinha aquela decisão que ele mesmo havia dado de suspender uma quebra de sigilo aprovada pela CPMI do INSS. As CPIs vão para cima. Nesse caso, também é verdade isso. As duas CPIs vão para cima dessa história. Então, é muito difícil conter casos quando eles já se alastram.
na maneira como eles se alastraram. Mas, nesse caso, o presidente fica ainda mais amarrado, porque é o seu filho, ele não vai sair para cima do filho, não vai rifar o filho. E já existe ali a memória do caso do sítio de Atibaia, da Lava Jato, do caso lá da época da empresa de games, do Lulinha e dos negócios que ela fazia com as peles. Então, tem todo um arcabouço de memória,
esse caso que não ajuda a que ele não colhe no Lula. Pelo contrário, torna ali um caso altamente aderente ao presidente. Que semana! E a próxima também promete. Obrigada, viu, Vera? Beijo, bom fim de semana e até segunda. Pra vocês também, um ótimo fim de semana e até segunda. Beijo, tchau. Beijo, Vera. Tchau, tchau.