Com nova operação, caso Master vai de escândalo financeiro à suspeita de milícia privada
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- Organização criminosaModos operantes mafiosos · Práticas de milícia privada · Ameaças contra integridade física · Violência contra jornalistas · Violência contra empregados
- Infiltração em InstituiçõesCorrupção de autoridades · Acesso a sistemas da PF e MPF · Informações de Banco Central · Servidores públicos corrompidos · Funcionários do Banco Central como consultores
- Banco MasterFraude bancária · Lesão a investidores · Lesão a pensionistas · Estrutura criminosa do banco · Daniel Vorkaro como operador
- André MendonçaAceleração das investigações · Novas revelações da PF · Nova ordem de prisão · Decisões mais ágeis · Mudança de ritmo processual
- Segurança OperacionalDecreto de prisão preventiva · Riscos à integridade física · Necessidade comprovada pela PF · Crítica à atuação da PGR · Poderes do ministro relator
- Ministro Edson FachinDecisões atípicas na relatoria · Proteção de investigados · Negação de acesso a documentos · Proximidade com Daniel Vorkaro · Conflito de interesses com resort vendido
- Espionagem e Inteligencia MilitarAcesso a sistemas de PF, MPF, FBI, Interpol · Informações de autoridades · Sempre um passo à frente · Operações de contra-inteligência · Infiltração em estruturas investigativas
- Delação Premiada INSSPotencial de Vorkaro delatar · Figuras políticas envolvidas · Autoridades judiciárias comprometidas · Estrutura de poder capturada · Precedente de Marcelo Odebrecht
- Critica PoliticaFalta de tempo alegada · Prazo de 72 horas insuficiente · Legitimidade do decreto de ofício · Poderes do ministro relator · Demora em manifestações
- Eleições Rio de JaneiroVotação sobre prisão preventiva · Voto do ministro Edson Fachin · Voto do ministro André Mendonça · Resultado incerto · Possível abstração de Fachin
- Tecnologia e InovacaoPapel da mídia na revelação · Jornalistas sob ameaça · Investigação jornalística contínua · Relevância noticiosa · Impacto das reportagens
- Caso Vorcaro e LulinhaCaso Marcos Valério · Caso Odebrecht · Operação Lava Jato · Histórico de escândalos no Brasil · Peculiaridade do caso Master
Bom, a gente vai abrir essa hora recebendo o nosso comentarista, nosso comentarista porque a CBN somos todos nós, né? O nosso eventual comentarista aqui no Estúdio CBN, Bernardo Mello Franco, que também é colunista do Jornal Globo. Bernardo, bem-vindo, boa tarde. Boa tarde, Tati, boa tarde, Fernando, boa tarde aos ouvintes do Estúdio CBN, sempre um prazer. Bom, claro que Bernardo vai se debruçar também sobre a operação que levou de volta Daniel Vorcaro para a cadeia,
e uma estrutura criminosa operada por ele, comandada aparentemente por ele. Quero começar te perguntando, Bernardo, por que esse processo está andando agora nas mãos do ministro André Mendonça? Por que ele andou tão devagar até agora? E aproveito para embutir uma segunda pergunta e querer saber de você sobre a postura da PGR no que diz respeito ao timing das manifestações a respeito desse caso.
Tati, esse é um caso que a gente vinha falando já há bastante tempo, apontando problemas na condução dele pelo ex-relator no Supremo, que era o ministro Dias Toffoli. A imprensa revelou uma série de vínculos, uma série de cruzamentos, de aproximações entre o ministro Dias Toffoli e personagens desse escândalo, inclusive o próprio banqueiro Daniel Vorcara.
processo por muito tempo, desse inquérito por muito tempo, como tomou uma série de decisões atípicas, decisões consideradas anormais, que ao fim e ao cabo acabavam protegendo, blindando muitos dos investigados desse escândalo. O Toffoli, por exemplo, negou acesso à CPI do INSS sobre documentos que tratavam de fraudes que envolviam pensionistas aposentados. Enfim, ele tomou uma série de medidas ao mesmo tempo em que era apontada
em proximidade dele com o Vorcaro, o voo dele em Jatinho, um dos advogados do grupo do Vorcaro, e mais tarde, e aí mais grave também, a sociedade de uma empresa que depois ele veio confirmar que é da família dele, e dele inclusive, dele com os irmãos, num resort que foi vendido para o grupo do Vorcaro. Portanto, tinha uma série de laços ali, uma série de decisões atípicas que estavam protegendo o banqueiro.
a forçar a saída do Dias Toffoli dessa relatoria, o caso foi redistribuído por sorteio, chegou às mãos do ministro André Mendonça e desde então aquilo que estava andando a passo de tartaruga passou a andar a passo de lebre. E não é à toa que agora a gente está diante de novas revelações, revelações importantes e de uma nova ordem de prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de pessoas muito próximas a ele que estavam fazendo parte desse caso.
e para apontar hoje, Tati e Fernando, no meu ponto de vista, é o seguinte. A gente estava, até essa data, diante de um grande escândalo financeiro. Um caso que envolvia fraude bancária, segundo o ministro Fernando Haddad, a maior fraude bancária da história do país, que lesava investidores, que lesava pensionistas, lesava aposentados. Agora, com as revelações dessa quarta-feira, a gente está diante de algo muito maior. O que está ficando comprovado pela investigação da Polícia Federal
que o Daniel Vorcaro estava no topo de uma organização criminosa que tinha modus operandi, tinha práticas de máfia, de milícia privada, como diz no despacho de hoje o ministro André Mendonça. Então, além dos crimes financeiros, dos crimes que envolviam dinheiro, a gente está diante de crimes que envolvem corrupção de autoridades, que envolvem espionagem e que envolvem ameaças de uso de violência, ameaças contra a integridade física de jornalistas, de empregados,
de pessoas que o Daniel Borcaro encarava com possíveis desafetos. E daí, a ordem de prisão, a necessidade dessa ordem de prisão, expedida pelo ministro André Mendonça, e vamos combinar, é muito difícil agora que o Daniel Borcaro consiga sair da cadeia, se não houver um fato novo muito inesperado, ou se não houver uma delação premiada, pelo menos até o momento em que esse caso vai chegar a julgamento do Supremo. Bernardo, é muito comum a gente ouvir o crime de obstrução de justiça,
Quando a figura vai lá, o acusado vai lá, atrapalha as investigações. Só que a turma, como ficou conhecido esse grupo agora, o que fazia era uma contra-inteligência, porque ter acesso a um sistema da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, FBI, Interpol, ou então informações de ex-diretor de fiscalização do Banco Central, de gente dentro do Banco Central, é algo assim, qualquer tentativa de pegá-lo estava sempre à frente, com passos sempre à frente.
O que isso significa, Bernardo? Isso, Bernardo. Isso significa que a organização criminosa, que segundo a Polícia Federal era chefiada pelo Daniel Forcaro, ela teve uma enorme infiltração em órgãos públicos, órgãos do Estado brasileiro. A gente já sabia da proximidade do banqueiro com deputados, com senadores, com figuras, inclusive, que tiveram no governo, nesse governo e no governo passado, mas agora está ficando claro também que a burocracia do Estado, parte dela, foi capturada
e passou a trabalhar a favor dos interesses do Vorcaro e do Banco Master. O caso desses dois servidores de carreira do Banco Central é um caso muito espantoso. A gente está diante de um dos servidores, foi diretor de fiscalização do banco, fiscalização bancária do banco. É uma coisa muito séria, quer dizer, você tinha funcionários pagos pelo Estado para supervisionar a atuação de bancos privados, que na verdade estavam recebendo propina, segundo as investigações,
para trabalhar a favor desse banco e contra, portanto, os interesses do Estado. E aí a Polícia Federal reuniu diálogos ali que mostram o pagamento de propina e que mostram a atuação desses personagens do Banco Central como uma espécie de consultores, assessores do banqueiro Daniel Vorcaro, que segundo todas as investigações, estava cometendo crimes contra o sistema financeiro, por isso tinha que ser parado, tinha que ser fiscalizado pelo próprio Banco Central.
eu fiquei te devendo uma resposta sobre a PGR. É tanta coisa que a gente acaba... Foi criticada pelo próprio ministro... Está no despacho dele, né? Uma crítica à PGR. Exatamente. Ele diz o seguinte, estou até com a página aqui, por acaso, diante de mim, dizendo o seguinte, olha, diante desse robusto quadro fático probatório, lamenta-se que a PGR diga que não se entrever no pedido a indicação de perigo iminente, que induza a extraordinária necessidade
O que o ministro André Menonça está dizendo aqui, traduzindo os juridiquês, é o seguinte, tem muita prova, tem muita evidência, tem muita transcrição de diálogo que mostra como é que o Daniel Vorcaro estava operando e que mostra que essa atividade desse tal grupo chamado A Turma era uma atividade que implicava riscos sérios da integridade física das pessoas.
uma empregada da casa do Vorcaro, um chefe de cozinha que aparentemente prestava também serviço na casa dele. E essas pessoas estavam na mira de uma milícia privada. Estavam na mira de gente capaz de cometer atos de violência sérios. Então daí a observação do ministro Daniel Menonça de que era preciso sim fazer essa prisão preventiva. E o que ele critica é que a PGR alegou falta de tempo, alegou ter recebido apenas 72 horas de prazo para não decidir,
encaminhar um pedido de prisão. A gente sabe, claro, que a Procuradoria é titular da ação penal. Isso só vai virar uma denúncia se o Ministério Público Federal entender que há pressupostos, que há fatos suficientes para envasar uma denúncia. Mas o ministro que é o presidente do inquérito, o ministro André Mendonça, ele tem, sim, poderes para, num caso desse, mesmo sem a anuência ou sem o pedido da PGR,
diante da provocação da Polícia Federal, que é exatamente o que aconteceu nesse caso. Bernardo, agora começa-se a especular ou a se cogitar a possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro. A gente conversou isso rapidamente com a Maria Cristina Fernandes, que dizia, bom, não tem ninguém acima dele para delatar. Mas, pelo que a gente viu hoje, das informações que vieram à tona, pelo despacho do ministro, pelas investigações da Polícia Federal,
é uma organização criminosa. Ainda que não tenha ninguém acima dele, a gente está vendo aí funcionários do sistema financeiro aceitando corrupção. Acho que é isso, a gente pode falar assim, sendo corruptíveis. Isso pode acontecer? O que você vê nesse horizonte? Ele deve fazer essa delação e para onde deve ir essa delação? Em geral, quando a Maria Cristina fala, eu apenas concordo.
e eu não ouvi o comentário, então não sei exatamente em que termos foi feita essa pergunta. Entendo que ela deve ter dito o seguinte, olha, pela doutrina que se tem desse Instituto da Delação Premiada, que é um instituto relativamente recente no direito brasileiro, a ideia é que se o sujeito está no topo da organização criminosa, ele não tem mais a quem delatar, porque a lógica é justamente que pessoas que estão abaixo do chefe delatem o chefe.
Só que aí tem uma observação a fazer. O Daniel Forcaro, ele era o chefe, segundo as investigações,
em forma de banco, que era o Banco Master. Mas ele se relacionou e ele, como você lembra, corrompeu gente que poderia eventualmente estar acima dele, vamos dizer assim, na cadeia alimentar dessa história. E aí vale lembrar o exemplo da Odebrecht, o exemplo da Operação Lava Jato. O Marcelo Odebrecht era o dono da empreiteira, então ele era o chefe daquela organização da Odebrecht, mas ele acabou fechando uma delação premiada na qual ele apontou para gente que estava acima dele, acima onde?
no poder político, nas instâncias de poder institucional do país. Então, a dúvida que fica nesse caso é a seguinte, quem pode delatar? Em tese todo mundo. Os funcionários do Borcaro, que tiveram conhecimento, que foram, de certa forma, usados ali por ele para cometer os crimes, podem contar mais sobre esses crimes. E o próprio banqueiro, eventualmente, pode contar sobre quem foram as autoridades que ele corrompeu e como é que eram esses laços dele na política e também no poder judiciário.
que ficam a partir desse momento. Agora, é claro, é tudo especulação nesse período. Ele acabou de ser preso. A gente tem que ver como é que vai ser esse depoimento, esse primeiro depoimento pela Polícia Federal, como é que as coisas vão se desenrolar. Um dos próximos capítulos, Tati Fernando, que vai ser inclusive interessante de assistir, vai ser o julgamento pela segunda turma do Supremo dessa decisão do ministro André Mendonça.
Porque ele decretou a prisão preventiva do Daniel Borchardt e submeteu isso a um julgamento no plenário virtual da segunda turma.
Aí, Fernando, exatamente. O ministro Dias Toffoli, que se afastou da relatoria, ele ainda está na turma. Em tese, ele também tem direito de votar nesse caso. Será que ele vai votar? Será que ele vai se declarar impedido diante dessa abundância de fatos que levaram ele a se desfazer da relatoria, sair da relatoria do caso? Essa é uma das perguntas. Como é que vai votar o ministro Gilmar Mendes, que na semana passada deu aquela decisão curiosa, ressuscitando um caso antigo, já encerrado,
para poder negar ou para poder anular uma quebra de sigilo da empresa dos irmãos Toffoli. Então, essas são perguntas que a gente vai ter a resposta na semana que vem. Bom, hoje pela manhã, o Lauro Jardim conversou aqui com a Cássia e com o Milton, falou sobre o caso de ter virado notícia, né? E ele contou que no mês de janeiro, a própria defesa de Vorcaro, as coisas estavam mais tranquilas, digamos assim, em janeiro, já tinham pensado em delação, até em trocar de advogados para fazer isso.
uma coluna que ele publica aqui no Jornal do Globo, que é se forcar o falar o que sabe, o que viu e der detalhes dos negócios que participou, meia república vem abaixo. Você duvida? Não. Não, não, de forma nenhuma. É isso mesmo que o Lauro disse, quer dizer, primeiro, Fernando, só uma observação, essa frase dele no começo do depoimento dele hoje cedo é ótima, né? Jornalista não é notícia, não deve ser notícia. Mas nesse caso ele foi dragado para a notícia, então não tem como ele não comentar.
De certa forma, acabou sendo um personagem involuntário pelo trabalho dele, trabalho investigativo, que tem levado muitos furos nessa cobertura. Mas, enfim, acabou entrando na mira dessa máfia e foi citado na decisão do ministro André Mendonça como um dos motivos justamente para a prisão preventiva do Daniel Vorcaro. Agora, de fato, a gente tem que aguardar para ver o que sairia de uma delação dessa, mas deve ter muita gente de cabelo em pé nesse momento.
Congresso Nacional, não só em cargos de governo, de executivo, mas também no poder judiciário. E essa é uma caixa preta que no Brasil sempre acaba ficando impenetrada, acaba ficando blindada, ou porque se blinda a si mesma, de certa forma se protege, ou porque as investigações acabam parando ali, batendo na trave. Então tem, claro, uma grande curiosidade agora, se os laços do Daniel
com figuras importantes, tribunais superiores e tal, vão vir à tona a partir de uma eventual delação dele. A única certeza que a gente tem é que tem muita gente que vai dormir mal essa noite. Eu quero te fazer uma pergunta básica, Bernardo, para a gente se despedir. Se algo do que veio à tona hoje te impactou, te surpreendeu, te pegou, contando a experiência de 20 tralala anos que você tem na cobertura política do Brasil.
da guerra, é difícil a gente se impressionar tanto com o noticiário dos nossos escândalos aqui, diante do que está acontecendo e do que está nas manchetes de todos os jornais do que está acontecendo no Oriente Médico. Mas, sem dúvida, você vê um personagem, um pivô de um escândalo financeiro tramando agressão, crimes de violência contra jornalistas, contra empregados, contra a gente que está fazendo o seu trabalho, sem dúvida nenhuma, é algo que chama a nossa atenção, até por ser inédito. Esse não é o primeiro escândalo financeiro que a gente
assiste no Brasil, e quem está nessa há mais tempo cobriu outros escândalos de uma época que eu ainda era estudante, eu lembro lá do caso do Marca, do Fonte Sindan, esses casos que tiveram muita repercussão, que levaram à prisão de banqueiros, mas eu não me recordo de algo parecido, de ter um banqueiro que ao mesmo tempo que chefiava um banco, chefiava uma espécie de uma milícia, e é diante disso que a gente está agora com essas revelações feitas nessa quarta-feira pela Polícia Federal e pela
A decisão do ministro André Mendonça. Vamos ver como é que a segunda turma reage agora. Acredito que a tendência, Tati Fernando, é, obviamente, manter essas prisões. Mas há uma grande curiosidade. Como é que vai ser o voto do ministro Dias Toffoli e como é que vai ser o voto do ministro Gilmar Mendes? Já tem ouvintes qualificados aqui mandando mensagem dizendo que a votação vai ser unânime com o voto do Toffoli. Essa eu quero ver e a gente vai comentar aqui, noticiar e comentar, claro, aqui no Estúdio CBN.
Obrigada pela visita, venha sempre ao nosso Estúdio CBN. Boa tarde, bom trabalho para você. Obrigado, boa tarde para vocês. Obrigado, Bernardo.