Escândalo no BC: relação de funcionários com Vorcaro quebra imagem do Banco
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- CorrupçãoFuncionários do BC envolvidos com Daniel Vorcaro · Repasse de informações privilegiadas · Grupo de WhatsApp para coordenação · Pagamentos via empresa de fachada · Revisão de minutas de documentos · Aviso sobre fiscalizações e sanções
- Credibilidade Banco CentralSombra de suspeição sobre a instituição · Questionamento sobre outras instituições financeiras · Erosão da confiança pública · Imagem abalada da autoridade monetária
- Daniel VorcaroExploração de brechas no sistema · Corrupção de servidores públicos · Influência política ampla · Desvio de bilhões para exterior e paraísos fiscais
- Atuação de Berlin SantanaChefe do Departamento de Supervisão Bancária · Fiscalização de bancos e conglomerados financeiros · Envolvimento com Vorcaro · Carreira de quase 30 anos
- Atuação de Paulo Sérgio Neres de SouzaCargo de diretor de fiscalização do BC · Período na gestão Goldfine e Bolsonaro · Envolvimento com Vorcaro · Quase 30 anos de carreira no BC
- Compra Carteira Master BRDValor de 12 bilhões de reais · Ativos de baixíssima qualidade · Intermediação do Banco Central · Garantia de crédito · Período em 2024-2025
- Problemas de Solvência do Banco MasterFalta de governança institucional · Avaliação de solvência inadequada · Gestão de riscos deficiente · Supervisão ineficaz
- Segurança OperacionalAcesso a celulares e mensagens · Quebra de sigilo bancário · Evidências documentais · Possibilidade de delação premiada
- Atuação de Lucia na políticaRelações com entidades reguladoras · Contatos com CVM · Relacionamento com deputados, senadores e ministros · Influência sobre ministros do Supremo
- Gestão de Gabriel Galípolo no BCContinuação de condutas questionáveis · Transição de 2024 para 2025 · Fatos preocupantes relacionados ao BC
- Gestão de Roberto Campos Neto no BCPolítica de concorrência bancária · Demora em agir contra Banco Master · Período de exposição ao escândalo
- Política Bancária ConcorrênciaIncentivo a bancos médios como Master · Estímulo a Fintechs · Redução de concentração bancária · Justificativa pela redução de juros
E estamos de volta com o Viva Voz nesse dia quentíssimo. E a gente tem hoje a presença do Bruno Carazza, nosso comentarista, assuntos econômicos, conosco todas as quartas-feiras, já nas telas para quem nos acompanha por imagens. Boa noite, Bruno. Boa noite, Vera, Débora, Nadeja e todo mundo que está acompanhando a gente. Boa noite, Bruno. Boa noite.
Bruno mudar o tema e nos ajudar a compreender um dos desdobramentos desse escândalo que diz respeito à quebra da imagem do Banco Central, que é fortemente atingida quando a gente vê que pelo menos dois servidores de altos escalões foram tragados pelo escândalo e aparecem mencionados pela Polícia Federal e pelo ministro André Mendonça como uma espécie de funcionários do Daniel
caro atuando dentro da autoridade monetária. Citua um pouco para a gente como se dava essa influência do dono do Master dentro do Bacen e como que isso se deu nas duas gestões, na de Roberto Campos Neto e na do Gabriel Galípolo. Bruno. Pois é, Vera, são fatos gravíssimos trazidos pela Polícia Federal hoje, que abalam bastante a imagem do Banco Central nesse processo todo. São dois servidores
do Banco Central, como você mencionou, de altíssimo escalão, servidores experientes que entraram no Banco Central, os dois por concurso público, em 1998, então quase 30 anos de casa, servidores que atingiram cargos altos, um deles, o Paulo Sérgio Neves de Sousa, chegou a ser diretor de fiscalização do Banco Central entre 2017 e 2023, foi nomeado na gestão do Elon Goldfine,
e ficou aí boa parte do governo Bolsonaro, chegando até no início do governo Lula, à frente da diretoria de fiscalização bancária do Banco Central. E o outro servidor, que é o Beline Santana, também tem quase 30 anos de casa, chefe do departamento de supervisão bancária do Banco Central, que fiscaliza bancos, conglomerados financeiros, desde o início dos anos 2000.
e 20, o melhor dizendo, e fatos muito graves relacionados a eles, a respeito do relacionamento deles com o Daniel Vorcaro. Eles tinham, segundo a Polícia Federal, um grupo de WhatsApp que tratavam de assuntos relacionados ao interesse do Master dentro do Banco Central. O Daniel Vorcaro mandava para eles minutas de documentos que seriam apresentados à presidência do Banco Central. Eles revisavam, devolviam para o Daniel Vorcaro,
com sugestões, eles avisavam, segundo a Polícia Federal, o Daniel Vorcaro, sobre fiscalizações que o Banco Central estava conduzindo lá dentro e possíveis sanções que ele poderia aplicar. Então, é um conjunto de condutas, assim, nem um pouco republicanas, vários indícios, inclusive, que o Daniel Vorcaro fazia pagamentos para eles por meio de uma empresa de fachada, isso a Polícia Federal também trouxe,
o que é incompatível com a conduta de um servidor público, ocupante de um cargo de tanta responsabilidade. E isso tudo joga o Banco Central para o centro desse furacão, porque nós estamos falando aí de uma conduta que vem da administração do Roberto Campos Neto, quando eles atuavam. É bom lembrar que havia uma política expressa do Banco Central na gestão do Roberto Campos Neto,
a respeito de estimular a concorrência bancária no Brasil. Até aí tudo bem, o setor bancário no Brasil é muito concentrado mesmo, isso leva juros altos, então é uma política pública necessária. E o Banco Central fazia isso estimulando os bancos médios como o Master e também as fintechs para esse objetivo. Mas aí entra a conduta do Daniel Vorcaro, que passa a ter um comportamento totalmente temerário,
aproveitando brechas aí no sistema do Banco Central e, ao que tudo indica, corrompendo servidores e corrompendo decisões, aparentemente, do Banco Central. E essa é uma conduta do Master que continua na gestão do Gabriel Galípolo, que ele assume aí na virada de 24 para 25. Em 25 também tem vários fatos aí bastante preocupantes relacionados ao Banco Central.
à compra da carteira de crédito do Master pelo BRB, 12 bilhões de reais em ativos de baixíssima qualidade, a intermediação supostamente do Banco Central para o Fundo Garantidor de Crédito fazer o empréstimo para o Master, isso já em meados do ano passado. Então, várias condutas que o Banco Central aparentemente demorou muito a agir no caso do Banco Master
pode estar relacionado com a influência política que o Daniel Vorcaro tinha junto a entidades, junto tanto ao Banco Central, a CVM, como principalmente autoridades, deputados, senadores, ministros e até ministros do Supremo. E Bruno, como é que fica a credibilidade do Banco Central se essas evidências ficarem provadas? Débora, nós estamos falando aí de dois servidores do altíssimo escalão que cuidavam da fiscalização e da supervisão
bancária dos bancos no Brasil. Se a gente olha as atribuições desse departamento de supervisão bancária, que os dois, aliás, servidores ocuparam essa posição, ele cuida de avaliar a solvência de bancos, a liquidez de bancos, os critérios de governança que os bancos têm, a gestão de riscos que as instituições financeiras têm. Eles podem, inclusive, determinar planos de ação e até
sanções e até mesmo a liquidação e intervenção das instituições bancárias. O Banco Master vivia problemas relacionados à solvência, à liquidez. A gente cada vez mais vê que não tinha governança nenhuma dentro da instituição. Então, o fato de você ter dois servidores que cuidavam dessa área, que supostamente deveriam conduzir as ações do Banco Central para coibir esse comportamento de uma instituição financeira,
Eles entrando aí na folha de pagamentos do banco, isso é muito grave. As consultorias informais que eles davam para o banco, isso joga sobre o Banco Central uma sombra de suspensão que pode afetar a credibilidade do banco, porque o que a sociedade acaba se perguntando é se aconteceu com o Banco Master, por que não estaria acontecendo com outras instituições financeiras no Brasil?
É uma acusação gravíssima relacionada à postura do Banco Central e, por isso, precisa ser investigado e as punições serem tomadas devidamente. E vai ficando mais e mais claro que o Daniel Vorcaro corrompeu todo o sistema, né, Bruno? Do ponto de vista econômico, o que dá para fazer para que episódios assim não se repitam?
ação premiada para obter benefícios em troca de informações. Mas eu, pessoalmente, sou muito crítico a respeito disso. Acho que o Daniel Forcado tem pouco a acrescentar depois que a Polícia Federal já tem acesso a todos os seus celulares, as imagens, as trocas de mensagens, a quebra do sigilo bancário, das transações. Então, acho que nesse caso não tem nenhuma dúvida que o que precisaria ser feito
exemplar para todos os envolvidos. Acho que qualquer medida de alívio para o Daniel Vorcaro, ele vai sair muito bem nessa situação. Certamente ele é alguém que, para quem organizou esse esquema dessa dimensão, certamente ele já desviou bilhões de reais para o exterior em paraísos fiscais. Então, acho que o primeiro sinal que precisa ser feito é uma punição exemplar, anos, décadas na cadeia, para ficar claro para todos os outros
que o crime não compensa. E isso vale para todos os envolvidos, inclusive se ficar comprovado realmente essa conduta desses servidores do Banco Central, exoneração, além de todo o processo penal envolvido, caso de corrupção passiva nesse caso. E do ponto de vista econômico, a gente precisa redimensionar os incentivos econômicos que levaram o Banco Master a chegar ao ponto que ele chegou.
Perfeito. É isso mesmo, cobriu todos os aspectos. Bruno, muito obrigada por hoje. Até quarta-feira que vem e uma ótima noite para você.