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Prisão de Vorcaro: 'existem dois pesos e duas medidas da PGR, a depender do caso'

04 de março de 20268min
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Vera Magalhães destaca uma mudança de postura da PGR diante da prisão de Daniel Vorcaro. O procurador-geral Paulo Gonet pediu mais tempo e disse não ver risco iminente para justificar medidas, posição criticada pelo ministro André Mendonça, que determinou as prisões. Para a jornalista, há contraste com outras situações.

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Assuntos6
  • Vorcaro e SupremoEnvolvimento do Ministro Toffoli · Empresa da família Toffoli · Conversas entre Toffoli e Vorcaro · Tentativas de blindagem
  • Segurança OperacionalEstrutura com quatro núcleos · Núcleo de monitoramento e obstrução · Ameaças físicas a adversários · Ameaças a jornalistas
  • Inconsistência da PGR em diferentes casosMudança de postura do PGR · Pedido de mais tempo por Paulo Gonet · Contraste com casos anteriores · Dois pesos e duas medidas
  • Roberto Campos NetoDiretor envolvido com Vorcaro · Antecipação de decisões · Pagamentos e favores · Comprometimento da autoridade monetária
  • André MendonçaDeterminação de prisões · Medidas cautelares · Discordância com PGR · Lamentação da manifestação da PGR
  • Violencia contra JornalistasSimulação de assalto · Ameaças de violência física · Caso Laura Jardim
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E aí, Vera? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você e para a Cássia, para os nossos ouvintes, também para quem nos assiste. Boa tarde, Vera. Vera Magalhães, o assunto é o caso Daniel Vorcaro, que tomou uma nova direção hoje, um novo sentido, envolvendo, além de crimes financeiros, além de crimes contra o sistema financeiro, crimes comuns, ameaças contra pessoas, violência física,

E, ao mesmo tempo, Vera, mostrando que o Dias Toffoli estava segurando muita coisa. Exatamente, Sardenberg. Eu acho que tem pelo menos três dimensões desses desdobramentos de hoje. A primeira é essa inesperada de uma dimensão de máfia que havia no grupo comandado por Daniel Vorcaro, descrito pela Polícia Federal e pelo ministro André Mendoza

organização criminosa de pelo menos quatro núcleos, sendo um deles esse núcleo criado para monitorar pessoas, obter informações privilegiadas, obstruir justiça e fazer ameaças, inclusive física, a adversários. Então, nesse rol dos ameaçados estavam jornalistas que publicavam coisas que contrariavam os interesses de Vorcaro, o caso do nosso colega Lauro Jardim,

que recebeu ali uma ameaça grave de que fosse praticado contra ele uma simulação de assalto para que ele recebesse ali algum tipo de violência física. Então, é um absurdo isso, essa nova dimensão absurda. A segunda, o segundo desdobramento importante de hoje é o agravamento da situação do Banco Central, porque fica muito evidente que o Vorcaro tinha a seu serviço,

menos um diretor e um alto funcionário da autoridade monetária para antecipar decisões para ele, para aconselhá-lo em relação à sua própria relação com o BC e outras coisas mais mediante pagamentos e favores. Então, isso é uma dimensão grave e que resvala sobre a diretoria anterior e a atual. E a terceira é essa do Banco Central, porque se essas informações

já eram de conhecimento da PF, do antigo relator ministro Dias Toffoli, e foram mantidas sob sigilo, aquele sigilo muito abrangente que o ministro Dias Toffoli determinou antes. E nada foi feito, nenhuma providência foi tomada, então a gente volta a questionar o que há, tudo o que há em relação a essa relação,

esse envolvimento do próprio ministro Toffoli, a empresa da família dele, e o banco do Daniel Vorcario e o seu entorno. Hoje, além do Vorcario, acabou de ser preso o Fabiano Zettel, que é o cunhado dele, que era gestor, entre outras muitas empresas, de um fundo que foi o que comprou a participação da empresa da família Toffoli naqueles resorts. A Maridit, a empresa da família Toffoli, da qual o próprio ministro admitiu ser sócio,

vendeu a sua participação em pelo menos dois exortes para esse fundo do Fabiano Zetel. Então a coisa vai se aproximando de novo de uma maneira bastante perturbadora do antigo relator do caso, o ministro do Supremo, e a gente consegue imaginar que não vai ser possível blindar para sempre essa relação. Então alguma coisa vai ter de aparecer.

que foram o motivo que levou a Polícia Federal a pedir o afastamento dele lá atrás e ele foi instado a se afastar como se fosse algo de escolha pessoal, mas ele foi levado pelas circunstâncias a fazer isso. Então, essa terceira dimensão que é das relações com o Supremo, com o próprio Supremo, ela ainda pode revelar muita coisa.

A situação da empresa do Toffoli continua blindada pelo Gilmar Mendes, mas esse caso vai ter novos desdobramentos. Inclusive, provavelmente, no dia de hoje, porque a gente ainda tem a operação sendo realizada em Minas Gerais, já houve a prisão em Minas agora à tarde do homem que era identificado como um sicário, que seria o responsável pelas intimidações, inclusive físicas, contra pessoas. Ele foi preso em Minas.

federal aposentado, que estava naquele grupo que eles chamavam de A Turma, também foi preso na tarde de hoje em Minas. E aí vai também crescendo a possibilidade do próprio Vorcaro fazer uma delação premiada, o que mais ou menos implode qualquer tentativa de blindar esse ou aquele, porque uma delação premiada atinge indiscriminadamente todo mundo que se relacionou com ele das mais diferentes maneiras. Eu queria só, antes de encerrar o meu comentário, trazer um ponto que me chamou

atenção hoje, que foi o comportamento da Procuradoria-Geral da República. Porque, em outros casos, a PGR tem sido muito célebre em acatar os pedidos dos relatores e da Polícia Federal. E, nesse caso, o Procurador Paulo Gonê alegou que havia muito pouco tempo, eram muitas pessoas e muitas empresas para analisar, pediu mais tempo. E o ministro André Mendonça deixou claro que considerava isso impróprio,

lamentar a manifestação da PGR e, ainda assim, mandou, ordenou as prisões e as outras medidas cautelares. Então, nesse caso, fica muito patente que existe dois pesos e duas medidas da PGR, a depender do caso. Na prisão, por exemplo, do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PGR se manifestou a uma e meia da manhã de um sábado a favor. E agora ele pediu mais tempo, tendo tido ali dois dias para analisar o que a Polícia Federal entendeu,

como sendo de muita gravidade. Além de pedir mais tempo, ele disse que não via perigo, risco iminente que justificasse as medidas. Então, eu acho que é um ponto de atenção, porque não é a primeira manifestação do PGR contemporizando nesse caso. Nas anteriores pedidos de afastamento do ministro Dias Toffoli, ele já tinha dado decisões bastante contemporizadoras que contrastam com decisões duras, manifestações duras dele em outros casos.

Obrigado.

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