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Com escalada de tensões no Oriente Médio, visita de Lula a Trump pode ser adiada

03 de março de 20268min
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Bernardo Mello Franco analisa como a guerra no Oriente Médio, após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, pode impactar a diplomacia brasileira e relação com países envolvidos nos conflitos. O comentarista chama a atenção para uma visita de Lula a Trump que deveria acontecer neste mês, e traz os bastidores de que o encontro pode ser adiado.

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Assuntos3
  • Relacoes EUA-IraAtaques dos EUA e Israel ao Irã · Retaliações iranianas · Ofensiva terrestre de Israel no Líbano · Conflito Israel-Gaza · Impacto no mercado financeiro e preço do petróleo
  • Geopolítica de Trump, Xi e PutinCondenação dos ataques · Solidariedade com países do Golfo · Avaliação do cenário · Consultas diplomáticas em alto nível · Princípios de direito internacional
  • Conflito EUA-IrãComunidade brasileira no Líbano (20 mil pessoas) · Turistas nos Emirados Árabes, Catar e região · Possibilidade de repatriação · Fechamento do espaço aéreo regional
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Conversa de Bastidor, com Bernardo Melo Franco. E aí, Bernardo, como está? Tudo bem, Sartenberg? Boa tarde a você, a Cássia, boa tarde aos ouvintes da CBN. Boa tarde, Bernardo. Bernardo em áudio e vídeo, direto lá da nossa redação do Rio de Janeiro, tudo bem? E, bom, o assunto é a posição do Brasil, a diplomacia brasileira, a posição do Brasil em relação a esse conflito no Oriente Médio, Bernardo.

brasileira com o alascamento desse conflito. A gente está agora no quarto dia de hostilidades e com notícias recém-chegadas, que vocês já citaram aqui no CBN Brasil, sobre esses ataques ali no momento em que o Irã discute a escolha do sucessor do Ayatollah Khamenei. O Brasil tem uma preocupação específica agora, obviamente uma preocupação prática em relação aos brasileiros que estão nesse momento no Oriente Médio.

terrestre de Israel no Líbano, isso acendeu ainda mais a preocupação, Sartenberg e Kácer, porque a gente sabe que o Líbano é o país onde existe a maior comunidade brasileira no Oriente Médio. São cerca de 20 mil brasileiros no país. Obviamente, o Itamaraty está avaliando o cenário e está, inclusive, se preocupando com a possibilidade de ter que auxiliar na repatriação de brasileiros. Isso ainda não é um cenário concreto nesse momento.

momento de avaliação. E uma ponderação que um dos embaixadores me fez hoje cedo foi que o espaço aéreo da região está todo fechado. Então, nem haveria uma viabilidade logística nesse momento do Brasil, por exemplo, enviar aviões, como fez lá no momento da última tensão mais forte entre Israel e Gaza. Enfim, isso não está nesse momento no campo das possibilidades. Mas há uma preocupação, porque são muitos brasileiros. Tem também brasileiros

que estavam fazendo turismo ali na região dos Emirados Árabes, a gente sabe, Catar, essas regiões que nos últimos anos entraram no roteiro turístico e que agora, obviamente, também estão sendo afetadas pelos ataques retaliatórios do Irã. Agora, no campo político, Sardenberg e Cassia, o Brasil está um pouco pisando em ovos nesse momento. Até aqui, a diplomacia brasileira só se expressou oficialmente duas vezes, as duas no sábado,

no momento dos primeiros ataques, com duas notas. A primeira nota, ela condenou e expressou grave preocupação com os ataques de Israel e dos Estados Unidos a alvos no Irã. Essa nota foi divulgada bem na manhã de sábado. E horas depois, depois das retaliações iranianas, o Brasil soltou uma segunda nota condenando medidas de retaliação e ataques contra áreas civis

Árabes, Iraque, Kuwait e Jordânia, objetos de ataques retaliatórios do Irã. Agora, isso tudo foi no sábado, como eu falei, aconteceu muita coisa desde então e o Brasil ainda não se manifestou oficialmente pelos canais da diplomacia. E por quê? Porque justamente esse é o momento que a diplomacia brasileira diz que está fazendo avaliação do cenário, vê o cenário ainda muito incerto, com muitas incertezas, muitas dúvidas e esses ataques agora de manhã,

de certa forma, confirmam essa avaliação de que é ainda um conflito de consequências imprevisíveis, além das consequências que a gente está vendo, inclusive no mercado financeiro, na economia global, essa confusão toda envolvendo queda de Bolsa e alta de preço do petróleo. Agora, hoje de manhã, o ministro Mauro Vieira, ele conversou com o chanceler dos Emirados Árabes, ontem já tinha conversado com o chanceler da Jordânia e essas consultas entre diplomatas em alto nível devem continuar nas próximas horas.

problema aí, né, Bernardo, que o Brasil tem uma aliança, tem uma aliança e comércio com o Irã, né? Tem ou tinha, né? Uma aliança e tem um comércio sólido, um comércio importante com o Irã, mas também com todos os demais países do Golfo Árabe, né? E na hora em que o Irã ataca os países do Golfo Árabe, a situação fica complicada, né? É, e o Irã, Sardenberg, é bom lembrar, o Irã passou a fazer parte dos BRICS.

que é um grupo que o Brasil integra, um grupo que buscava uma alternativa diplomática de cooperação entre países do chamado Sul Global. Então, claro, o Brasil fica numa posição um pouco pisando em ovos. Por outro lado, existia também, ou existe, um esforço diplomático já longo do governo brasileiro de reaproximar o Brasil dos Estados Unidos. E esse esforço seria coroado agora, no mês de março, com uma visita do presidente Lula ao presidente Trump em Washington.

Essa visita não foi suspensa, não foi cancelada, mas está ainda sem data para acontecer. E os diplomatas brasileiros já admitem que, diante da escalada de tensões no Oriente Médio, é possível que isso fique um pouco mais para frente. O próprio presidente Lula disse que esse encontro ocorreria em março. A gente já está no dia 3, quer dizer, março começou, mas a situação lá está muito incerta ainda. Obviamente, o Trump também tem outras prioridades no momento, diante dessas escaladas de conflitos que ele próprio está convocando.

Agora, o Brasil, tradicionalmente, Sadenberg e Cassa, é um país que defende a solução pela via do diálogo, pela via pacífica, usando os órgãos de cooperação multilateral, os órgãos internacionais e o respeito ao direito internacional. E a avaliação da diplomacia brasileira é que tudo isso está sendo jogado para o ar pelo Trump nesse momento. Um dos embaixadores, de novo, com quem eu conversei hoje cedo, dizia o seguinte, olha, o Trump, em dois meses, ele sequestrou,

um chefe de Estado e matou, ordenou a morte de um outro chefe de Estado. A gente pode ter restrições ao que esses chefes faziam, se eram ditadores, se os países não tinham democracia, liberdade interna, mas o fato é que são duas violações claras aos princípios do direito internacional. E há um ceticismo também no Itamaraty sobre a possibilidade de uma intervenção armada, como essa que a gente está vendo, acabar conduzindo a uma mudança de regime, como é esperado

A frase que eu ouvi hoje cedo foi a seguinte, a gente nunca viu na história da humanidade uma mudança de regime provocada por bombardeio de drones e essa parece ser a aposta americana nesse momento. Bernardo Mero Franco, obrigado Bernardo e até quinta-feira e agora nós temos... Até mais Bernardo.

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