Episódios de Política

4° dia de guarra: como está o impacto econômico até agora?

03 de março de 20268min
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Maria Cristina Fernandes recaptula quais eram as expectativas para a economia antes do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, explica quais são os principais efeitos já surtidos nos mercados e quais as perspectivas para o futuro. Ouça.

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Assuntos3
  • Geopolítica EnergéticaFechamento do Estreito de Ormuz · Aumento do preço do petróleo · Valorização do dólar · Queda da Bolsa · Pressão inflacionária
  • Inflação e Política MonetáriaExpectativa de corte de juros · COPOM · Pressão inflacionária por petróleo e dólar caros · Impacto na economia brasileira
  • Risco GeopoliticoEnvolvimento dos Xiitas · Populações marginalizadas na região · Potencial para guerra sectária · Risco para civis · Ameaça global
Transcrição14 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Oi, Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Bom, estamos no quarto dia de guerra, Estados Unidos e Israel, depois do ataque que ambos os países fizeram ao Irã. E claro, numa guerra dessa magnitude, que envolve também outros países ali da região, sobra para quase todo mundo. Também para a gente, que certamente sentiremos impactos econômicos.

a repercussão política por aqui, né, Maria Cristina? Sim, Tati, só para pegar os dados de hoje, petróleo subiu 8%, o barril chegou a 80 dólares por conta, em grande parte, desse fechamento do Estreito de Hormuz, no Irã, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O dólar chegou a avançar 3% no final da manhã, recuou um pouco, agora está a 5,28 e o Ibovespa caiu, cai até o momento mais de 3%.

E qual é o impacto de tudo isso na economia? Petróleo e dólar mais caros podem pressionar a inflação. E uma inflação mais alta pressiona o juro. Pode levar o juro a subir. Vamos combinar que já não está baixo. Havia uma expectativa de corte de meio ponto da taxa Selic no próximo dia 18, quando o cupom se reúne. E essa expectativa pode acabar não se confirmando. E essa expectativa de redução no juro

para que houvesse uma alavancadazinha na economia, porque saíram também hoje os dados da economia do ano passado, que cresceu menos do que em 2024 justamente por conta do juro alto. Em 2024 a economia cresceu 3,4% e no ano passado esse número que saiu hoje cresceu 2,3%.

O salário de juros alto vem a se repetir em 2026 não é inócua do ponto de vista político. A gente sabe que no ano de eleição a sensação de bem-estar conta muito. Esse ano, por exemplo, entre os dados que saíram, está ali a desaceleração expressiva no consumo das famílias.

ponta, é no consumo das famílias. Pois bem, em 2024, o crescimento desse consumo das famílias foi de mais de 5%. Em 2025, no ano passado, foi de apenas 1,4% o crescimento. Não caiu, mas cresceu menos. Isso talvez ajude a explicar porque é que, apesar de indicadores de emprego, apesar dos programas sociais estarem se expandindo e de resultados tão

expressivos do governo, a popularidade do presidente anda tão claudicante. A gente tem falado muito aqui, fala-se muito do impacto do Master, da segurança pública, tudo isso, como é que vai bater na eleição. Mas ao fim e ao cabo, o fator mais determinante para o voto é o bolso. Os outros fatores contam quando a economia está estável. Economia estável, aí se começa a pensar no que mais está tirando

o sono. E aí você vai para os outros fatores. Então, a economia não dá para desestabilizar. Então, e o que o Brasil pode fazer nesse momento para acabar com essa guerra? Nada. O Brasil já tentou, no ano passado, ser um mediador da paz no Oriente Médio, foi muito criticado por isso, uma iniciativa juntamente com a Turquia, que acabou sendo bombardeada pelos Estados Unidos. Este foi um assunto no qual se envolveram

Foi um assunto muito caro, o assessor internacional de presidência, o Seu Samorim, um embaixador muito experiente, conhece muito a região. Mas agora o Brasil está mais distanciado do polo decisivo da guerra. O presidente vai aos Estados Unidos, o Itamaraty soltou uma nota condenando a guerra, mas o polo decisivo de onde vai está distanciado, porque aliás o mundo inteiro está distanciado. Essa guerra é um assunto de Trump e Netanyahu.

distanciado em termos, né, Tati e Fernando, porque se essa guerra trouxer um cenário de aperto, é sobre o governo e sobre suas respectivas candidaturas ao executivo e legislativo, que a coisa vai pesar. É, e você citou o Celso Amorim, que realmente conhece muito a região, só lembrar da declaração dele ontem, que foi o Brasil deve se preparar para o pior, porque realmente ele conhece a região, né? Pois é, eu falei com ele no domingo também,

ele chamou atenção, ainda no domingo pela manhã, ele acorda muito cedo para ler os jornais do mundo inteiro, e lá no domingo ele disse, olha, o que eu estou prevendo é um cenário de guerra híbrida, porque os chiitas que são aliados do regime iraniano, eles estão fora do governo em vários países da região, eles são alijados, eles são maioria, em muitos países, eles são maioria no Iraque, eles são maioria no Brasil,

Bahrein, os alawitas na Síria, são todos povos aliados ao regime iraniano e que estão fora do poder. Então isso é uma semente para incitar atentados, como aliás a gente já está vendo. Grandes populações alijadas do poder vendo o que está acontecendo com o país,

aliado e não é um país qualquer, um país de 80 milhões de habitantes, de uma tradição secular. Então, era isso que ele chamava atenção, o risco de uma guerra híbrida contra a qual é muito mais difícil de se enfrentar e que traz insegurança para o mundo inteiro. Uma guerra de explosões, de atentados traz risco para o mundo inteiro

ele traz risco grande para populações civis. Então, foi isso que me chamou a atenção no domingo e me parece que em grande parte é isso que a gente está vendo agora. Muito bem. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo é Política aqui no nosso estúdio CBN. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo para você e até amanhã.