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Alcolumbre manda recado ao governo ao manter quebra de sigilo de Lulinha

03 de março de 20269min
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Decisão é interpretada como gesto de pressão em meio a insatisfações do presidente do Senado com o governo Lula. Ouça a análise de Thiago Bronzatto, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília.

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Assuntos7
  • CPMI do INSSDecisão de Alcolumbre · Validação da votação · Acusações de fraude eleitoral · Impacto político · Investigação de parceria com lobista
  • Atuação de Lucia na políticaInsatisfações do presidente do Senado · Pressão política · Reunião reservada não agendada · Lista de pedidos · Recados do Alcolumbre
  • Segurança OperacionalReconhecimento de viagem paga por lobista · Quebra de sigilo financeiro · Conexão com careca do NSS · Atuação do ministro André Mendonça · Possível envolvimento criminal
  • Impacto eleitoral da investigação de LulinhaCampanha de reeleição de Lula · Discurso da oposição · Distorção de fatos em redes sociais · Desgaste da imagem presidencial · Dados financeiros sob investigação
  • Banco MasterAtuação da Polícia Federal · Preocupação de lideranças políticas · Neutralização de apoio a Flávio Bolsonaro · Criminalização da política
  • Negociações PolíticasAtendimento ao Congresso · Projeto de lei do Redata · Investimentos internacionais · Recados do Senado
  • Aliancas e Coligacoes PoliticasEleição de aliados do Senado · Enfraquecimento de negociação · Popularidade presidencial em pesquisas · Consolidação de Flávio Bolsonaro
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E está na linha com a gente o Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, nosso comentarista aqui da CBN às terças e quintas. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Debra. E boa noite aos ouvintes. Oi, Bronsato. Bronsato, a gente viu agora há pouco a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de manter a quebra de sigilo do Lulinha na CPMI do INSS. Ele disse que não houve ali uma clara quebra regimental,

que a análise da assessoria técnica do Senado confirmou que havia presença de quórum regimental no momento da votação. Portanto, mais uma água no chope do governo. O que está acontecendo? O que explica a decisão do Alcolumbre? Olha, Vera, o presidente do Congresso do Alcolumbre não costuma dar ponto sem nó. Então, quando ele decide a favor da oposição, mantendo a validade dessa quebra de sigilo

Lulinha, o filho do presidente Lula, na CPI da NSS, o Alcolumbre deixa claro para o governo que ele está insatisfeito. Na semana passada, o governo sofreu um revés com a oposição na votação da CPI da NSS, que autorizou essa quebra de sigilo do filho do presidente. Vale lembrar que o Lulinha é suspeito de ser parceiro de negócios do lobista conhecido como careca do NSS, numa investida que eles fizeram para tentar conquistar um

no Ministério da Saúde. Então, após essa votação polêmica na CPI do INSS, que terminou empurra-empurra, acusações de votação fraudulenta, os governistas correram para o Alcolumbre e pediram o VAR da contagem de votos e pediram também para anular essa quebra de sigilo do Lulinha. O Alcolumbre, que tem um coro político grosso, poderia até ter matado no peito e salvado o Palácio do Planalto dessa roubante.

mandando anular a votação, mas não foi o que ele fez, porque ele não queria fazer. O Alcolumbre pediu um parecer da advocacia do Senado, que entendeu que não houve qualquer irregularidade nessa votação da CPI do INSS, e ele leu esse parecer no plenário do Senado hoje e determinou a validade dessa votação, mantendo, portanto, a quebra de sigilo do Lulinha.

governo na fogueira da oposição, ele está no fundo pressionando o presidente para recebê-lo para uma conversa reservada, que deveria ter ocorrido antes do carnaval, mas até o momento não foi agendada por Lula. E alguns aliados do presidente dizem que este não é um bom momento para o Columbre e a sua lista de pedidos ser apresentada por Lula. Então fica esse jogo de morde e morde da parte do Columbre. E qual é a lista de pedidos do Columbre? O que ele está

pleiteando, que está deixando ele magoado. Olha, Débora, na semana passada a Vera já leitou para essa ira do Alcolumbre com o governo, né? E na cúpula do Congresso, mais especificamente na ala encabeçada por expoentes do Centrão, cresce essa percepção de que o governo está dando combustível para a Polícia Federal incendiar as investigações do escândalo do Banco Master e das emendas parlamentares. Na visão dessas figuras políticas, o Lula quer manter, na mira da PF,

lideranças de partidos como União Brasil e o PP, que ensaiavam formar uma aliança com a direita nas eleições justamente para neutralizar o apoio dessas legendas ao pré-candidato Flávio Bolsonaro. Em conversas com o Alcolumbre, alguns governistas negam que essa seja a intenção do governo e dizem que a Polícia Federal tem dependência para atuar, tanto é que o próprio filho do presidente pode ser investigado. Mas nada tem convencido o Alcolumbre e a sua galera de que há uma Arapuca política

amada pelo Planalto neste ano eleitoral. E para dissipar essa nuvem conspiratória, o Alcolumbre quer ter uma prosa reservada com o Lula. Nessa conversa, segundo alguns parlamentares relataram, o presidente do Senado deve demonstrar sua preocupação com o que ele chama de criminalização da política. Traduzindo, o Alcolumbre está preocupado com os avanços da investigação, no caso Master. E o presidente do Senado também está insatisfeito com a forma como está sendo conduzida também

as negociações políticas do Planalto com o Congresso. Ele acha que o Congresso não tem sido atendido, e tanto é que na semana passada, insatisfeito com isso, ele mandou um outro recado para o governo ao enterrar por conta própria o projeto de lei que viabilizaria a criação do Redata, que é um regime especial voltado para data centers, com potencial para atrair bilhões de investimentos do país. Então ele vem mandando esses recados de forma consecutiva.

Alcolumbre está muito preocupado com conseguir o apoio de Lula no palanque do seu Estado, o Amapá, porque ele sabe que precisa do presidente para eleger os seus aliados no Estado. Lula, por outro lado, ele está fugindo do Alcolumbre agora, porque sabe que o mar não tapa peixe para o governo. Com a queda da popularidade do presidente nas pesquisas e a consolidação de Flávio nessas mesmas pesquisas eleitorais, Lula sabe que a cotação para negociar qualquer coisa com o Alcolumbre diminuiu.

Tiago, agora imaginando esse cenário em que o Supremo já quebrou o sigilo do Lulinha, agora a CPI vai ter acesso a ele porque o Alcolumbre deu essa decisão. Qual é o impacto para o Lula, para a campanha reeleição, do fato do filho do presidente ter virado o principal personagem de uma CPI a essa altura do campeonato? Pois é, Vera, antes mesmo de chegar qualquer informação

Lulinha, já está gerando um enorme impacto político ali para o presidente. Isso porque a oposição começou a costurar ali um discurso de que o filho do presidente roubou os aposentados. Essa estratégia de distorcer os fatos tem sido explorada nas redes e também em discursos eleitorais da oposição. Isso tem gerado um dano político enorme para a imagem do presidente e o Planalto está bastante preocupado com o rumo disso.

E como pegou muito mal a tentativa dos governistas de evitarem a quebra de sigilo do Lulinha, o Planalto decidiu recalibrar a estratégia para parecer que estão tranquilos quanto à investigação envolvendo o filho do presidente, ao menos aparentemente. Então, após hoje a decisão do Alcolumbre de manter essa quebra de sigilo do Lulinha, o senador Randolfe Rodrigues, que representa o governo nessas negociações no Senado e é conterrâneo de Alcolumbre,

para elogiar o presidente do Senado. Ele disse que quando o Alcolumbre decide é como o Roma falou e a causa está encerrada. Ou seja, tentou dar uma puxadinha de saco ali no Alcolumbre para não criar mais indisposição com o presidente do Senado. Mas será que essa causa está encerrada mesmo? Porque nos bastidores do Planalto há uma preocupação enorme com o impacto político dessas investigações envolvendo o Lulinha. Ontem o Estadão revelou que o filho do presidente reconheceu as pessoas próximas

que teve voo e hotel pagos pelo careca do INSS em viagem a Portugal. Tem também esse inquérito da Polícia Federal, que tem avançado na quebra de sigilo e no levantamento de outras informações que podem estabelecer uma conexão entre o filho do presidente e o lobista careca do INSS, que está preso após o escândalo do INSS vir à tona. E o ministro André Mendonça, que está cuidando dessa investigação,

que pode atingir o filho do presidente no Supremo Tribunal Federal, tem cobrado mais a dirigilidade da Polícia Federal nos bastidores. Como você disse, Vera, foi quebrado o sigilo financeiro do filho do presidente em janeiro e a Polícia Federal está computando esses dados. Então, a depender do que a PF conseguir confirmar a partir desses dados, isso pode continuar desgastando a imagem do presidente, que em outra frente trabalha ali em planos para denunciar

para tentar minimizar esse impacto eleitoral. Sim. Está parecendo Roma mesmo, mas mais no sentido de jogar os leões e deixar lá no meio do coliseu para ver o que acontece. Obrigada, Tiago, por hoje. É isso mesmo, Vera. E até quinta-feira. Obrigada. Valeu, até mais. Tchau, tchau, pessoal. Tchau, Bronsato.