'Ataque ao Irã provoca aumento abissal da insegurança no mundo'
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- Conflito EUA-IrãConflito Israel-Irã permanente · Posição estratégica global · Impacto no preço do petróleo · Fluxos financeiros internacionais · Aumento abissal de insegurança mundial
- Relacoes EUA-IraOperação conjunta EUA-Israel · Impacto estrutural e militar · Insuficiência para derrubar regime interno · Estratégia e objetivos desconhecidos
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinNeutralidade do governo Lula · Cautela diplomática do Estado brasileiro · Contraste com posições políticas internas · Críticas da oposição · Resposta da base política de esquerda · Risco de influência americana na política interna · Soberania nacional
- Estrategia EUAChina como rival central · Conflito comercial e tecnológico · Desvio de foco do Oriente Médio · Questionamento interno americano sobre objetivos
- Critica e Analise de MidiaVolume massivo de buscas (mil buscas em Google) · Interações em redes sociais (875 milhões) · Enquadramento da ação como legítima · Críticas à postura americana · Debate sobre propósito dos ataques · Polarização política interna
- Atuação de Lucia na políticaSurgimento durante governo Bush · Juiz supremo americano como promotor · Desequilíbrio dos poderes · Uso por administração Trump · Contorno do Congresso
- Mudanca Regime IraNome de Reza Pahlevi como alternativa · Neto do último xá · Apoio limitado da população · Questões complexas envolvidas · Falta de liderança unificadora de oposição
- Risco GeopoliticoEstado permanente de conflito · Tensionamento contínuo da população · Primeiro-ministro altamente questionado · Crises de legitimidade interna
A Semana Política, com Marco Rudiger. Marco que hoje coloca a lupa dele para o mundo, né, Marco? E a repercussão no mundo, aqui no Brasil, mas principalmente no meio digital, a repercussão do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã. A gente acompanhou de perto ontem, né, Marco? Desde as primeiras horas do dia, depois o Revista CBN inteiro dedicado à análise,
e entrevistas sobre o assunto. E eu até comentava ontem, Marco, com o Urian Fancelli, que sempre participa, daqui a pouco vai estar com a gente de novo aqui no Revista CBN, que nós ficamos numa intensa troca, eu e vocês, colunistas, trocando informações, o que está acontecendo, inclusive na própria imprensa. É fruto de muito debate o que nós trazemos aqui para o ar, para os nossos ouvintes. Muito debate, muita reflexão, muita pesquisa e um trabalho árduo.
E foi o que você trouxe para mim hoje, Marco, nesse olhar do debate digital brasileiro como repercussão dos ataques no Oriente Médio, a situação crítica no Oriente Médio. O que você conta para a gente? Boa tarde. Boa tarde, Petra. Boa tarde aos nossos ouvintes. Mais uma vez, nós somos atropelados pelas notícias. Você vê aqui no mundo que a gente vive, em que os fatos são fatos nem um pouco triviais que a gente vive,
e eles vão se sucedendo. A gente teve a questão de Venezuela, agora essa questão do Oriente Médio, novamente, na verdade, perene. Se a gente olhar em perspectiva, há quanto tempo Israel não está em estado permanente de conflito? É uma situação bastante complicada. Eu imagino o dano emocional, inclusive, que a população de Israel deve ter nesse tensionamento permanente.
soluções têm sido soluções mais de conflito e não de tentativa de consenso mínimo. Então, isso gera um problema sério na região como um todo. E eu acho isso bastante preocupante, porque aquela região é um ponto nevrálgico para o mundo inteiro. Então, qualquer coisa que acontece ali repercute diretamente na nossa economia, seja a questão do preço do petróleo, seja, enfim, os fluxos que interessam financeiros no mundo,
passam por ali também, uma série de coisas. Então, é uma coisa complicada. Eu vou fazer aqui, Petra, o seguinte. Nós fizemos agora, já de manhã, um levantamento para ver o impacto na política aqui do Brasil e no posicionamento dos atores políticos, como a gente acabou de ouvir, que acaba, evidentemente, sendo meio diferente. Mas acho que era legal fazer uma pequena retrospectiva de que, de fato, é esse conflito. Se a gente olhar historicamente, em 1953, o chá acende
O Chá nunca foi uma figura muito benquista. Na verdade, ele se mantém no poder, inclusive, ainda que ele fosse, obviamente, muito mais liberal do que o regime dos ayatollahs, em termos de costumes, em termos de política, em termos de economia, não foi nada bom. Ele tinha uma polícia secreta, chamada Savat, que era uma polícia extremamente violenta.
Isso está nos documentários, isso é público notório, inclusive com o apoio do Mossad, israelense. Então, isso tudo vai gerando um caudal de conflito na região, que não é nem um pouco trivial. Então, quando os ayatollahs chegam ao poder, finalmente, expulsam, e isso eu acho que é muito importante. Não foi um país com uma potência externa que impôs a queda do Shah. Foi uma situação interna. Os ayatollahs, através de toda a rede fundamentalista e religiosa,
galvanizaram essa satisfação e conseguiram tomar o poder no Irã e estabelecer um regime fundamentalista bastante radicalizado, extremamente radicalizado e bastante agressivo. A gente se lembra, por exemplo, aqueles que têm uma perspectiva ainda da história, os mais jovens podem pesquisar, os reféns da Embaixada Americana, que foram tomados como reféns. E isso foi um problemaço, inclusive, para o governo Carter por muito tempo.
Foi uma das razões da não reeleição do Carter, inclusive, e mostrou ali uma inflexão muito grande no próprio poder e a capacidade de interferência na região dos Estados Unidos e Israel. E desde então é uma situação complicadíssima, o Irã buscando armas nucleares, uma sofisticação militar grande, uma influência grande no Líbano, cercando Israel. Então a gente tem toda essa configuração. Então esse conflito é um conflito permanente e bastante antigo.
Marco, 1953, ele tem esse golpe em que assume a monarquia, tem forte influência dos Estados Unidos e Reino Unido nesse momento. E aí depois você vai ter, quando assume essa teocracia islâmica, que é o contra-golpe anos depois, aí a gente tem essa reviravolta, ou seja, desde 1953, se você pensar, essa região em particular,
da Pérsia barra Irã, sofrendo com essa instabilidade, dessa instabilidade política, a gente pode dizer isso, né? Exato, exato. Só que o que eu quero apontar para a nossa reflexão aqui, inclusive com nossos ouvintes, né? E para os outros colunistas também, é que, apesar de tudo, quando o fundamentalismo shita chega ao poder, ele chega dentro de um movimento que ele galvanizou um movimento popular gigantesco.
vê, evidentemente, uma insatisfação muito grande com a situação econômica, com o conflito permanente que aquela sociedade vive, uma repressão bárbara, inclusive nos costumes, em relação às mulheres, então, nem se fala, agora há pouco tempo houveram manifestações, a repressão foi violentíssima, mas se você olhar num contexto, não existe uma força unificadora de oposição ao regime atual, como foi na época do Chá em que o fundamentalismo conseguiu a
vulvanizar a sociedade, catalisar a insatisfação. E aí reside um grande problema nesse processo, porque esse ataque que está acontecendo agora dos Estados Unidos e Israel, ele não é um boots on the ground, não é as tropas entrando, até porque seria uma luta muito ferrenha, porque a guarda revolucionária do Irã iria lutar e lutar muito, não iria lutar pouco, como fez na época com o Iraque, venceu inclusive. Então não seria uma coisa trivial,
mas esses ataques aéreos e mísseis, muito embora destruam infraestrutura, ataques à cidade, não são suficientes para conseguir dar força para o movimento interno que vai derrubar o regime. Não é exatamente assim. Então, a questão toda é... Isso está no New York Times hoje, está em outros articulistas. Qual é a estratégia? Na época das manifestações, agora há poucos dias, mês passado, começou a se levantar o nome do Reza Palev,
para assumir que é o neto da monarquia, vamos dizer assim, que vive nos Estados Unidos. Mas é isso que você fala. É uma parte da população que fala disso, mas não é ainda uma liderança que represente a população para assumir esse... E aí seria a volta da monarquia, o que é extremamente complicado também. Tem muitas questões envolvidas. Pois é. Então, esse ataque, qual é o plano por detrás que existe, de fato, uma mudança real ali? Então, eu acho que essas são questões que ficam muito em aberto.
Presidente Trump está sendo questionado nos Estados Unidos em relação a isso. Qual é o objetivo por detrás? Como é que se conversa sobre isso? O que está em jogo nisso daí? Por exemplo, o Congresso não participou dessa discussão. Então, qual é a estratégia final que se objetiva com esses ataques e com uma situação que, na verdade, é extremamente desestabilizadora no mundo? Então, isso coloca... A coisa não está restrita ali a, digamos assim, dois ou três países. Na verdade, está se espalhando por toda aquela região.
O fluxo de petróleo está sendo, digamos assim, extremamente contido em função dessa situação também. Então, como é que isso, do que isso de fato vai ao fim ao cabo resolver? E internamente nos Estados Unidos, a pergunta é qual é a importância estratégica de fato disso para a gente nesse momento, quando o nosso maior desafio na economia e na tecnologia é a China, foi sempre uma proposta, digamos assim, central em toda a reconfiguração,
da política americana, o enfrentamento, digamos assim, com a China, seja comercial, seja tecnológico, eventualmente limite até militar. Como é que isso se dá? Essa realmente é a prioridade dos Estados Unidos. Então, mesmo dentro do movimento magra que apoia Trump, essa é uma questão que gera, digamos assim, uma idiosincrasia na visão que eles têm de mundo, de potência e de poder. E o fato de ter passado por cima do Congresso
uma visão que existe dentro do conservadorismo americano, que eles chamam de executivo unitário. Executivo unitário é uma tese que surgiu na época do Reagan, e o promotor principal foi um juiz do Supremo americano, da Suprema Corte americana, o Scalia, que era um juiz importantíssimo, poderosíssimo, enfim, no contexto da Suprema Corte, morreu alguns anos atrás, mas ele construiu uma tese, uma tese conservadora, que basicamente o equilíbrio entre os poderes seria um pouco alterado,
Obviamente haveria, os três poderes continuarem existindo, mas o Executivo, dada a sua responsabilidade, a sua configuração, a sua força, deveria ter uma certa preeminência em relação aos demais poderes. E isso é tomado, digamos assim, ao pé da letra pelo governo Trump. Então ele opera uma agenda muito própria e atropela, digamos assim, um certo ritual em relação ao Congresso e aos demais poderes.
A Suprema Corte agora acabou de operar uma perspectiva que contradisse toda a estratégia de tarifas do governo Trump. Então, você vê que essas coisas não estão muito bem resolvidas também nos Estados Unidos. Você tem uma eleição esse ano. Em Israel, você tem um primeiro-ministro que é altamente questionado, altamente questionado na sociedade civil israelense, também promovendo. Então, quais são os objetivos?
e que não isentam em absoluto o odianto regime que hoje opera o Irã e é altamente agressivo, fundamentalista, etc. Mas, no entanto, não acho, pelo menos não fica claro para mim e o que eu vejo na imprensa internacional também, nos articulistas internacionais, no debate que teve ontem aqui no revista, enfim, está tendo por aí. Qual é, de fato, a equação que vai fechar essa estratégia e esse esforço como um todo?
eles não estão, de novo, errando, digamos assim, a mão e tirando o foco do que realmente importa. Esse é um ponto importante. E qual o reflexo disso para outros países quando observa a posição americana em relação aos seus próprios países? Como é que eles se comportam? Porque isso, na verdade, você pode ir na teoria dos jogos. Eu começo a ter uma informação, eu começo a organizar a minha estrutura de escolhas a partir das informações que eu tenho.
Então, como é que essa nova configuração mundial, como é que funcionam essas regras?
Ou não há regra e, portanto, eu tenho que me proteger e me precaver mais ainda. Então, a síntese, eu diria, o grande resultado que a gente tem nesse momento é um aumento abissal da insegurança no mundo. E isso se reflete também, é claro, no nosso debate político, porque a gente tem eleição esse ano. Marco, você pode dar uma linha? A gente já está entrando no Repórter CBN agora, meio de 30 minutos. O Luiz Delboni não vai brigar comigo.
Vou pedir só dois minutinhos para o Marco rapidinho. Só queria uma linha, se for possível, lógico, para a gente falar sobre internacionalização.
Concernamente, a postura do governo brasileiro me parece comedida em relação ao que está acontecendo no Oriente Médio desde ontem. Só uma palavra sobre isso. Tá, eu vou dar uma pincelada muito, muito rápida. Então, a gente deu uma olhada agora de manhã, o meu laboratório deu uma olhada rapidamente, foram mais de 100 mil buscas no Google sobre o Ayatollah Khamenei. São 800 mil posts com 17 milhões de interações
redes sociais, X, Instagram, Facebook, YouTube, Blue Sky, vários fóruns de debate. E o que a gente vê é um volume muito grande de argumentos que enquadram o ataque como uma ação legítima contra uma ditadura sanguinária que é a ditadura do Irã. Então, esse ponto está bem colocado. No entanto, quando a gente vê o engajamento, a resposta a esses argumentos que são colocados, aí a gente vê uma situação meio diferente.
engajamentos, é um volume de interações que são bastante críticos a essa postura. Por quê? Porque se pensa, como é que um presidente dos Estados Unidos faz um ataque desses e qual é o propósito e como é que isso bate aqui dentro? Então, tem essa questão de galvanizar nossa política internamente. Então, a gente vê, como a gente ouviu há pouco, o Lula tem uma perspectiva que representa o Estado brasileiro, ele não representa o PT, ele representa o Estado brasileiro,
se colocar de forma muito cautelosa e de forma neutra. Então, quando vem a crítica, ah, está apoiando o regime de Teirã, ah, não, está indo contra o regime de Teirã, está a favor dos Estados Unidos, essas duas posições, no caso do Estado brasileiro, não interessam. O que interessa para o Brasil é a sua própria posição. E nesse mar de incertezas, o que o Brasil tem que fazer é dizer que é contra a guerra mesmo e que é uma solução pacífica.
Ponto. Até porque o Lula quer conversar muito em breve com o Trump, ele não pode chegar lá já necessariamente
num nível de radicalidade e antagonismo absurdo. Então, assim, o Lula, nesse momento, ele fala com o Itamaraty, ele fala com o Estado brasileiro. Ele deixa esse espaço e esse, digamos assim, esse argumento para a base política para a Gleisi. Então, a Gleisi vai e fala para satisfazer a sua base política. Eu estou falando, assim, muito pragmaticamente, entendeu? E, obviamente, a oposição, principalmente o Flávio Bolsonaro, entra no circuito defendendo, querendo impulsionar
empurrar para uma situação antagônica e próxima de regimes autoritários, teocráticos, fundamentalistas, radicais, o governo brasileiro junto com a figura do Lula. Nessa o Lula, evidentemente, não vai cair, mas ele tem o Flávio também e fala para a sua própria base nesse aspecto. Então, na verdade, isso aí só mostra a polarização da nossa política, mas, ao mesmo tempo, eu penso um grande erro estratégico de simplesmente aderir
minimamente independente a qualquer coisa que é feita pelo trumpismo. E isso aí é um grande erro. Já se mostrou um erro com o Eduardo Bolsonaro na questão das tarifas, nas quais o Brasil se posicionou até muito bem, agora tem uma situação até muito melhor. Então, esse é um jogo complicado. Porque o que se espera? Que o Trump influa mais dentro da nossa política. A gente tem interesse que outros países, sejam eles quais forem, se metam na política interna do Brasil. Eu suponho que isso não é uma estratégia interessante,
nem preserva, digamos assim, a soberania nacional. Então, isso é um mau discurso. Mas é isso, a gente tem um reflexo interno e isso aí se soma a uma outra pauta muito maior que a gente vai deixar para uma outra oportunidade para discutir de como é que foram as CPIs, como é que isso está andando, se o nome do Haddad vai para governador de São Paulo ou não vai, enfim, como é que o Banco Master e o INSS estão impactando a nossa política interna. Então, o que não falta aqui, como a gente sabe, é assunto.
Digger hoje ali nos 30 segundos antes de começar o programa. Vamos virar aqui a nossa pauta e ele mata no peito o nosso quadro tão querido de análise da política da semana. Querido, um beijo para você. Boa semana. De olho nas notícias. A gente espera poder com mais paz semana que vem conversar e focar mais também no noticiário brasileiro. Um beijo para você e super obrigada. Beijo, Petra. Beijo para todos. Até semana que vem.