'Vítimas da própria covardia', Zema e Caiado reforçam polarização que dizem enfrentar
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- Críticas BolsonaristasRomeu Zema · Ronaldo Caiado · Jair Bolsonaro · PT · Terceira via
- Flávio Bolsonaro e VorcaroFilme Dark Horse · Daniel Vorcaro · Valdemar Costa Neto · Flávio Bolsonaro · PL
- Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUAPossível reunião com Donald Trump · Flávio Bolsonaro · Donald Trump
- Encíclica 'Magnífica Humanitas' do Papa Leão XIVInteligência artificial · Dignidade humana · Escravidão · Multilateralismo · Papa Leão XIV · Donald Trump · Antropic
- Eduardo Bolsonaro e o filme Dark HorseFlávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Dark Horse · PL · Eleitorado bolsonarista
- Negociações de PazEstreito de Hormuz · Donald Trump · Irã · Estados Unidos · Guerra
- Eleições e política na BolíviaRodrigo Paes · Evo Morales · Bolívia · Austeridade fiscal · Inflação
- Fim da escala 6x1Jornada de trabalho · Congresso Nacional · Câmara dos Deputados · Senado Federal · Paulo Paim · Léo Prates
- Campanha de Flávio BolsonaroEduardo Fischer · Alexandre Ultramari · Simone Tebet · Wilson Lima · Marcelo Lopes
Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite, tudo bom? Oi, Carol, ouvintes, boa noite também pra quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite.
Bom, vamos lá para Brasília. A Samanta Klein tem mais informações sobre viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, as declarações, uma entrevista, na verdade, concedida por Valdemar Costa Neto à Globo News agora à tarde e também a mudança de marqueteiro na campanha de Flávio. Diga lá, Samanta.
Débora, Vera e Carol, o que eu posso adiantar é que a gente tem poucas informações a respeito dessa viagem a Washington. Portanto, o senador pré-candidato já chegou na capital dos Estados Unidos para essa possível reunião com o presidente Donald Trump.
É claro que aquilo ocorre também num momento de articular e não se adiantar a essa agenda que é prevista. Na agenda do americano não tem nenhuma confirmação ainda, até porque a gente tem acesso somente à agenda de hoje. Mas, caso essa reunião aconteça, ela vai ocorrer num momento bastante crítico.
para Flávio Bolsonaro. É claro que a última pesquisa da Tafolha trouxe ali um certo abalo para a pré-campanha, mas os aliados dizem que foi pouco, pelo menos tratam isso como pouco perceptível em termos de apoio.
O que trouxe ali um abalo bastante grande e um constrangimento também foi a fala do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, agora à tarde ao Estúdio I, em que ele disse que...
A ida de Flávio Bolsonaro à casa de Vorcário no finalzinho do ano passado, quando Vorcário já tinha sido preso, estava utilizando tornozeleira eletrônica em casa como uma medida cautelar, foi uma tentativa de buscar o dinheiro que ainda faltava para o filme Dark Horse. Isso foi numa entrevista ao estúdio I da Globo News.
O presidente Valdemar ainda disse que o envolvimento com Daniel Vorcaro não é um problema, uma vez que, segundo Valdemar, o próprio senador procurou o dono do Máscara quando ele ainda não era uma pessoa investigada. Então, ele estava querendo dizer, bom, negócios são negócios, vamos buscar esse dinheiro do contrato. No entanto, o próprio Valdemar já minimizou logo em seguida, disse não ter falado com Flávio sobre os valores que faltariam para o filme.
E lembrando que na semana passada, naquela reunião tensa da cúpula do PL aqui em Brasília, Flávio teve que se explicar aos parlamentares, senadores, deputados, admitir esse encontro, mas não disse que foi buscar mais dinheiro e disse sim que estava tentando encerrar aquela relação.
E aí o que está acontecendo? Estão pipocando algumas críticas. No caso de Fábio Weingarten, que é um aliado de primeira hora da família Bolsonaro, ele escreveu o seguinte, pela enésima vez uma entrevista resulta em mais ruídos e perda de foco no que realmente faz a diferença.
A quem interessa tudo isso? Uma entrevista só terá êxito se houver algum objetivo de comunicar. E aí ele critica, olha, depois culpam o marqueteiro e dizem que ele é que é uma bomba. Aí o que a gente volta lá à informação de mais cedo, confirmada pela pré-campanha, é que o PL fechou então com o publicitário Eduardo Fischer.
justamente para fazer aquela consultoria estratégica de comunicação, delimitar as diretrizes, posicionamento. E o sócio dele, o Alexandre Ultramari, que é jornalista, publicitário, assume como marqueteiro da campanha, respondendo justamente pela coordenação, comunicação de marketing. É um profissional que já trabalhou ali na campanha de Simone Tebet, Wilson Lima, no governo do Amazonas, entre outros.
E ocorre aí justamente nesse movimento de desgaste do Marcelo Lopes, que era o então marqueteiro. E veio esse desgaste todo com a questão do filme Dark Horse e do pedido de dinheiro por parte do senador. Ah, vou orcar com vocês.
Obrigada, Samanta, pelas informações. Então vamos por partes, né, Vera? A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Não tem confirmação na Casa Branca de que ele será recebido. Mas, enfim, ele está em busca de uma foto, de um apoio. De que forma esse eventual apoio de Donald Trump poderia ajudá-lo?
Pois é, é uma coisa maluca você imaginar que alguém vai viajar para os Estados Unidos à espera de um encontro com o presidente da República dos Estados Unidos em pleno momento em que o Trump está em mil tratativas desde a guerra do Irã, passando por...
mid-term, eleições de meio de mandato, e aí vai achar uma brecha para encaixar o Flávio Bolsonaro na agenda. É tudo muito esquisito, cercado por uma névoa de mistério. Vamos ver, pode ser que aconteça, né? Coisas imprevisíveis acontecem com o Trump todo dia. Na semana passada ele postou, por exemplo, vídeos de IA.
em que ele aparecia jogando o Stephen Colburn numa lata de lixo e festejando. Então, coisas imprevisíveis e aleatórias estão no dia a dia do presidente dos Estados Unidos. Não é impossível que ele também receba o Flávio Bolsonaro. Não sei o que exatamente ele ganharia com isso nesse momento em que ele está ali.
Com dificuldades internas, tendo de sair desse conflito no Irã de alguma maneira, enfim. Mas os bolsonaristas têm algumas conexões na Casa Branca, isso é ver real. Eduardo Bolsonaro tem, Paulo Figueiredo tem e outros. E pode resultar que consigam um encaixe com o Donald Trump.
que esteve com o Lula recentemente, numa agenda positiva também. Então, eu acho que eles podem equilibrar essa disputa de narrativas. Os dois estiveram com o Trump e o Flávio se colocar como alguém que tem um potencial de ser compreendido e lido nos Estados Unidos como um candidato forte, um candidato competitivo.
Mais do que isso, nesse momento, não. Porque é um pré-candidato se encontrando com um presidente de outro país. E essa troca toda aí na comunicação, que a gente já tinha falado dela, né? Semana passada, já tínhamos anunciado.
a troca pelo Fischer e agora a confirmação de que o Alexandre Outramari, que já trabalhou com ele na campanha do Álvaro Dias, vai estar de novo fazendo essa dobradinha. Os dois, enfim, já tiveram essa campanha juntos e são dois publicitários bastante experientes. Um, o Fischer no campo privado e o Outramari com um bom portfólio de campanhas.
Em vários lugares, vários estados, para candidatos de diferentes conformações ideológicas. Vamos ver se profissionaliza isso que está realmente uma bagunça até agora. Agora, essa entrevista do Valdemar Costa Neto, né, Vera, dizendo que é normal.
Visitar um banqueiro que tinha sido preso, que foi para a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Naquela altura, todo mundo já sabia do tamanho do escândalo do Master, que era o maior fraude financeiro da história do Brasil, de onde vinha o dinheiro da fortuna do Daniel Vorcaro. Mas para o Valdemar Costa Neto, tudo bem. E ir lá pedir mais dinheiro, porque a versão também é diferente. O Flávio diz que foi colocar um ponto final e o Valdemar diz que ele foi lá cobrar mais dinheiro para o filme.
É isso, enquanto o Jair Bolsonaro de lá, da sua prisão domiciliar, continuar indicando, ó, o candidato é esse, esquece qualquer coisa, todo mundo no PL vai engolir em seco e normalizar essa relação do Flávio com o Vorcaro. Acontece que o eleitorado não necessariamente...
fará o mesmo. O eleitorado está aí pensando, analisando, olhando, colocando em perspectiva. Por enquanto, sofreu um pequeno abalo, nada capaz de inviabilizar a candidatura do Flávio. Vai depender de um cálculo, um cálculo do eleitorado que não quer votar no Lula. Não quer votar no Lula por algumas razões.
apesar do encontro com o Vorcário e o pedido, e o fato de que ele, de fato, passou mais de 60 milhões para a realização de um filme, para um fundo que não tem nenhuma transparência, que a gente não sabe se esse dinheiro foi, de fato, aplicado no filme. E isso tudo é menos relevante para esse eleitor que não quer votar no Lula do que aquilo que ele acha que o Lula não dá mais, etc. Então, acho que é esse cálculo.
de rejeições que vai pesar na hora H. Mas, da parte do PL, eles estão com o seu destino atado ao do Flávio Bolsonaro. Não tem o que fazer. Quem manda é o Jair Bolsonaro. O Valdemar Costa Neto manda ali no PL, enquanto aquela máquina de fazer candidaturas, de gerar dinheiro, etc. Mas a candidatura presidencial do PL...
pertence ao Jair Bolsonaro, mesmo ele estando em prisão domiciliar, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. E o... Desculpa, Carol. O Financial Times publicou uma reportagem hoje, né, Vera, que diz que o filme Dark Horse, ele pode afundar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, porque, enfim...
O jornal chamou de comédia de erros, né? Antes mesmo da estreia, por causa dessas revelações que o Flávio buscou financiamento pro longa com o Daniel Vorcaro. Agora, não se fala publicamente, né? Numa eventual troca de candidatura. Você mesma, na semana passada, né? Disse que esse caso específico tirou... Ai, não lembro agora qual era o título da sua coluna.
Mas enfim, não foi... Ele ficou ferido, mas não morto. Isso, exatamente. Ferido, mas não morto. Eu queria usar o título da coluna porque achei sensacional. Ferido, mas não morto. Mas tem aí apostas, quer dizer, nos próximos dias, à medida que novas entrevistas são concedidas, que se falem nesse assunto, isso pode desgastar?
Desde que haja contradição entre o que ele vem a dizer e o que vier a ser revelado, aí sim, porque vai se configurando um padrão. Um padrão no qual o pré-candidato omite informações deliberadamente.
na expectativa de que elas não venham à tona. Isso aconteceu durante todo o primeiro período em que esse caso surgiu. Ele sempre negou até haver uma confirmação posterior e aí ele se contradisse e foi indo adiante. Então, isso causou um grande desgaste no começo. Se houver mais coisas...
a serem conhecidas e fica claro que ele, de novo, omitiu informações na expectativa de que ficasse tudo encoberto, aí eu acho que pode começar a haver um desgaste que seja irreversível. Se ficar só com o que se tem, me parece que o eleitorado bolsonarista está disposto a aceitar.
a engolir ali, tomar um gole mais gordo ali de água e fazer aquele pão que está entalado na garganta descer de qualquer jeito. Me parece que é esse o modus operandi da campanha e também a disposição do eleitorado até aqui.
Bom, enquanto o Valdemar Costa Neto falar que está tudo bem, tudo normal, Ronaldo Caiado e o Romeu Zema estão aproveitando esse episódio para insistir nas críticas aí nessa relação do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro. A Bruna Barbosa conta para a gente. Oi, Bruna, boa noite.
O Zema bem mais incisivo, viu, Carol? Boa noite para você, para a Débora e para a Vera. Hoje, Zema falou sobre a pesquisa Datafolha, que foi divulgada na última sexta-feira, avaliou que a oscilação das pesquisas depois dessa crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro representa um risco para a direita nessa disputa. Ele disse que o desgaste pode acabar favorecendo o presidente Lula do PT.
Essa datafolha de sexta-feira foi a primeira realizada integralmente depois da explosão envolvendo Dark Horse, levantamento que mostra Lula ampliando de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro no estimulado do primeiro turno. Segundo o ex-governador de Minas Gerais, esse resultado mostra que o cenário ficou mais difícil para a oposição.
Se em 2022 já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora, fica muito mais ainda. Eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda mais uma vez essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram.
que quem está votando no Flávio, muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve o seu posicionamento enquanto ele caiu. Isso se não surgir mais nada daqui por diante.
Bom, Zema fez uma palestra hoje aqui em São Paulo, não citou nominalmente Flávio Bolsonaro nem Vorcaro em nenhum momento, mas voltou a criticar a relação entre políticos e banqueiros. E disse que proximidade com banqueiro bandido é um mau sinal. Num outro momento dessa palestra disse que gambá cheira a gambá.
Fez diversas críticas, mas manteve a sinalização de que apoiaria o senador no eventual segundo turno. E aí, claro, foi questionado por jornalistas sobre essa contradição, mas limitou-se a responder que luta contra o PT. Caiado também estava nesse mesmo evento, um pouco diferente do Zema, evitou endurecer ali as críticas contra Flávio Bolsonaro, mas diz que a permanência da pré-candidatura do senador é uma decisão que cabe somente ao PL.
Caberá a ele o direito de explicação dos fatos. Não sou oportunista, não farei pré-julgamento. Mas o mais importante no Brasil, neste momento, é nós também não fazermos o jogo que o PT quer. Qual é? Mantemos a centro-direita unida. Mantemos a centro-direita consolidada para derrotarmos o PT no segundo turno. Este é o objetivo, este é o principal.
Uma última informação para fechar, Caiado também negou ter sido consultado pelo PSD, o partido, sobre uma eventual composição da chapa com a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, do PL, como vice. Foi uma hipótese divulgada pela Folha de São Paulo. Passou a circular nos bastidores. Os aliados avaliam que a crise envolvendo Flávio pode abrir esse espaço de um rearranjo na direita. Interlocutores de Caiado, no entanto, admitem de forma reservada que essa chapa...
seria eleitoralmente forte e poderia, sim, aumentar as chances de vitória da oposição contra Lula. Volto com vocês.
Obrigada, Bruna. São os candidatos que estão tentando ser uma terceira via ou tentando ser o nome da direita no lugar do Flávio Bolsonaro, Vera? Acho que eles estão numa crise grande de identidade e de discurso. Se você pensar que isso que o Zema falou, está difícil para a direita, como foi em 22, estão entregando para a esquerda. Em 22, ficou evidente que o que perdeu foi o resumo do governo Bolsonaro.
Ele estava no cargo, foi o primeiro presidente da República, desde que tenha reeleição, a perder como incumbente, graças a um conjunto de fatores. Ali a gestão na pandemia, essa questão do ataque às urnas eletrônicas, ataque à democracia. Então, houve uma ponderação geral ali, que mesmo com todas aquelas benesses concedidas por ele no fim de mandato,
o eleitorado entendeu que ele não merecia ser reeleito por uma pequena margem. E aí, logo depois, veio o 8 de janeiro e a gente ficou sabendo de tudo que se tramou naquele último período de 2022 em termos de riscos, até de não haver a transição, de não haver a passagem do poder para o Lula.
Essa direita que se diz preocupada com a chance de reeleger o PT, teve todos esses anos para articular uma candidatura que não dependesse do bolsonarismo, que fosse uma superação do bolsonarismo por...
compreender que havia ali traços do bolsonarismo que não condizem com democracia, com a ideia de respeito às instituições, etc. E não o fez. Pelo contrário, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e outros que chegaram a ser pré-candidatos, o tempo inteiro...
demonstraram reverência em relação ao Jair Bolsonaro, vontade de serem os herdeiros desses votos do bolsonarismo, como se necessariamente os votos do eleitor centro-direita fossem votos do bolsonarismo. Então eles também são responsáveis pela consolidação desse quadro em que existe uma polarização que está atrelada.
ao bolsonarismo. Então eles são vítimas da própria falta de coragem de construir uma alternativa para uma eleição de centro-direita que não passasse pelo Jair Bolsonaro, que partisse do princípio de, olha, uma vez condenado pelo que fez, Jair Bolsonaro pode ser posto de lado e a direita tentar uma outra
Fórmula, um outro caminho, uma outra proposta. Só que não tinha proposta, nunca apresentou nada de consistente para o país e ficou preso ao bolsonarismo, na ideia de que o Bolsonaro fosse escolher alguém que não fosse da sua família. O que não iria acontecer, não aconteceu e não vai acontecer agora. Doideira, balão de ensaio, essa ideia de que o Jair Bolsonaro vai falar Ah, então deixa aí o caiado e põe a Michelle de vice. Nunca?
nem em mil anos então não tem essa possibilidade não existe essa possibilidade porque também eles foram covardes de não tentar se desatrelar do bolsonarismo e escolher um outro caminho
Viva a voz de volta. E antes da gente falar sobre a saúde do presidente Lula, Larissa Lopes traz mais informações sobre o fim da escala 6x1. Oi Larissa. Oi Débora, olha, o relator, deputado Léo Prates, ele lê neste momento o relatório, o texto a respeito da PEC, que foi a jornada 6x1. Ele distançou duas emendas que foram apresentadas.
Uma em relação ao Fundo de Amparo ao Trabalhador, ele diz que não configura nessa etapa criação imediata de despesa obrigatória o benefício financeiro individualizado, permanecendo em um país com produções financeiras dependentes de regulamentação futura.
Ele alega que não prevê mecanismos compensatórios, isso em relação àquela compensação para o setor produtivo, e ele disse que os possíveis efeitos financeiros possuem natureza predominantemente macroeconômica. Então ele descarta até o que ele tinha falando já, que ele queria colocar uma compensação ao setor produtivo, mas em diálogo com o governo e até para ter acordo para aprovação.
então ele dispensou essa emenda também. E, Débora, então, esse relatório foi apresentado agora há pouco, tem 76 páginas e, de acordo com parlamentares que eu conversei, a tendência é que haja leitura hoje, que já começou dessas 76 páginas, tenha pedido de vista, seja concedida a vista coletiva, e na quarta-feira devem aprovar essa proposta aqui na comissão especial e na quinta-feira...
deve haver a votação em plenário. E, Débora, eu quero até corrigir também uma informação, que eu falei mais cedo, a respeito do projeto de lei do governo. Como ele está em regime de urgência, ele tem 45 dias para ser votado, então, esse mês aí, no máximo na semana que vem, ele também deve ser aprovado, na verdade, discutido, né, no plenário da Câmara dos Deputados, porque, senão, ele trança a pauta e outras propostas não podem avançar.
Mas aqui, conforme já esperado o texto de Léo Prat, eles já apresentam uma transição de um ano e dois meses para redução da jornada.
já logo após 60 dias. Então, uma redução ali de 44 para 42 horas e dois dias de folga durante a semana. E em um ano, a redução também de 42 horas para 40 horas semanais. Débora.
Obrigada, Larissa Lopes, pelas informações. Bem, Vera, a PEC do fim da escala 6x1 está caminhando na Câmara. Agora, o governo aguarda um sinal positivo de Davi Alcolumbre no Senado. A expectativa é de que ele não interfira, não barre. Mas a gente sabe também que a oposição vai se articular para tentar colocar suas digitais quando a PEC chegar ao Senado.
É, pode ser que sofra alterações, Débora, mesmo porque o Senado tem também uma proposta que mexe nesse assunto, que é do senador Paulo Paim, e eles vão tentar incorporar elementos dessa PEC, no que ela for diferente da que sair da Câmara, para dizer que o Senado também, de alguma maneira, contribuiu.
Para esse debate não foi só um chancelador daquilo que saiu da Câmara. Então é um debate que ainda vai continuar por algumas semanas. A expectativa de todos aí é que consiga-se um consenso para votar tudo ainda nesse semestre. Porque a gente sabe que o semestre que vem vai ser tomado pelas campanhas. Não vai ter tempo hábil para muitas votações de peso. No máximo ali em agosto.
você consegue esticar para alguma votação mais relevante, desde que ela tenha um contexto eleitoral. E essa é uma votação que tem um contexto eleitoral, porque todo mundo, de alguma maneira, vai tentar usar nos palanques o discurso de que aprovou uma medida que tem aí o condão, o viés.
de melhorar a vida dos trabalhadores. Tem muitas discussões, na hora do almoço a gente já fez um debate mais de mérito a respeito dessa medida na primeira edição do Viva Voz, eu e Sardenberg, porque o setor produtivo tem as suas considerações a respeito de como isso pode encarecer o custo da mão de obra, pode encarecer o produto final em muitas cadeias, mas aí em muitos...
setores da economia, no setor de serviços principalmente, bares, restaurantes, também comércio, mas parece ser aquelas ideias cujo tempo chegou. Mesmo o setor da oposição na Câmara já concordou e já está convencido a apoiar a medida.
até pelo momento, pelo momento eleitoral. Então, uma vez aprovada, ela vai ter um prazo de transição, um prazo de implementação para que se tente chegar a um modelo, a uma conformação em que não haja demissões, que não haja repasse de custos que certamente existem para o produto final, para o consumidor. Então...
Eu acho que assim como, por exemplo, a reforma tributária e outras medidas que mexem muito no dia a dia e na estrutura da economia, ela vai precisar de um tempo de ajuste, o que se chama aí de uma curva de aprendizado, até se saber o que foi bom, o que foi ruim, se foi melhor, se foi pior, mas parece ser uma daquelas medidas que dizem respeito ao nosso tempo.
que é difícil de evitar que seja aprovado. É que tem o apoio da população, né? Agora esse prazo de transição de um ano, achei meio surpreendente, né? Porque a discussão toda era do prazo, tinha gente falando em dois a três anos, tinha gente pedindo 10, 15 anos, mas uma transição de um ano só, e o Hugo Mota anunciando com tanta certeza e firmeza esse acordo, achei surpreendente. Surpreendente? Isso daí eu acho que é os...
setores CNI, CNC e outros que estão acompanhando as associações de bares e restaurantes, vão tentar, na votação, na comissão e depois no plenário, alongar, pelo menos diluir um pouco esse prazo de transição, fazer um escalonamento maior.
que vá para além de 2027, mas o primeiro acordo foi esse, até porque o Lula quer entregar alguma coisa ainda nesse ano, ainda no curso desse mandato, dizer que já promoveu e já entrou em vigor algum tipo de redução de jornada, de trabalho e a nova escala de 5x2. Então, acho que tem também um pouco da premência do calendário eleitoral pautando essa...
Essa decisão, Carol. Vamos falar rapidinho sobre a saúde do presidente Lula, porque ele iniciou um tratamento complementar de radioterapia. A Ana Carolina Tomé tem uns detalhes pra gente. É uma medida preventiva, né, Ana?
Pois é, Carol. O presidente Lula iniciou nesta segunda-feira um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo na unidade do Hospital Sírio-Libanês em Brasília. A medida médica tem caráter preventivo e ocorre exatamente um mês após a remoção de uma lesão basocelular no couro cabeludo, cirurgia realizada no dia 24 de abril.
De acordo com fontes do Planalto, Carol, o cronograma médico prevê um total de 15 sessões de radioterapia ao longo das próximas três semanas. A equipe médica responsável pelo acompanhamento do presidente, liderada pelos médicos Roberto Calilfilho e Ana Helena Germoglio, garantiu que o tratamento não exige afastamento. Lula seguirá despachando e cumprindo suas atividades diárias sem qualquer tipo de restrição, Carol.
Tá certo. Obrigada, Ana Carolina.
Acho que não é nada demais, né? Essa intervenção que o presidente Lula vai fazer. A gente sabe que tem sempre questionamentos sobre a saúde do Lula, né? Até por causa da idade dele, mas parece uma coisa realmente de menor preocupação. É, acho que perto do que ele já enfrentou ali na época da queda e tudo que decorreu dela, as outras complicações neurológicas que ele teve justamente em decorrência dessa queda, esse é um problema de menor importância, de menor...
magnitude, mas sempre inspira cuidado, a saúde presidencial, né? E quando a gente fala de algo oncológico, também tem que ter bastante cuidado, porque o Lula já teve, tem um histórico anterior de câncer, aquele câncer...
nas cordas vocais que ele enfrentou. Então, é importante acompanhar com cuidado e é importante que haja a máxima transparência por parte das equipes que atendem o presidente, tanto da equipe da presidência quanto da equipe do sírio-libanês que normalmente...
o acompanha. Então, é isso. Protocolo básico para a saúde de governantes de transparência total e que tudo tem interesse público, nada é de interesse privado, porque a saúde de um chefe de Estado diz respeito à economia, à política, à vida nacional. Portanto, é sim de interesse público.
São 6 horas e 49 minutos, o Viva Voz está de volta e já está com a gente na linha o Eduardo Graça, repórter especial, colunista do Globo, nosso comentarista aqui do Viva Voz. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Oi, Débora. Estava com saudade. Boa noite dos ouvintes todos. Oi, Edu. Também estava. Boa noite.
Edu, o Papa Leão XIV apresentou hoje a encíclica nova dele, Magnífica Humanas. É a primeira do papado dele. E ele trata do papel da inteligência artificial, entre outras tantas coisas. Pediu perdão pelo papel que a Igreja Católica desempenhou na escravidão e fez a defesa da paz e do multilateralismo.
Qual a importância dessa encíclica e o que ela coloca aí para a gente analisar esse papado? Foi uma encíclica bem feliz, a primeira encíclica do Papa Leão XIV, a encíclica é o principal documento teológico até agora do pontificado dele, ela orienta a igreja e os fiéis sobre temas sociais específicos, ele a batizou de magnífica, como você falou, pela defesa que faz da dignidade de uma opção.
nessa era da inteligência artificial. Edu, a gente está com interrupções na sua fala, a gente vai tentar refazer a ligação para que a gente consiga conversar em melhores condições, para que o Edu consiga trazer mais detalhes sobre o significado dessa encíclica.
Magnífico Humanas, que foi a primeira do Papa Leão XIV. Enfim, trouxe alguns temas aí, inteligência artificial, pediu perdão pelo papel da igreja na escravidão, no processo de escravidão mundial, e defendeu também o multilateralismo, além da paz global. O Edu Graça estava explicando para a gente qual era a importância, qual seria a importância dessa manifestação do pontífice.
Pois é, e ele que já entrou em rota de colisão com o Donald Trump, mesmo antes da edição desse documento. Vamos ver se a defesa desses princípios que vão ali, na contramão do que o Trump está praticando em termos de política global, não vai fazer com que o Papa, de novo, seja alvo de ataques do presidente dos Estados Unidos. Lembrando que é um Papa americano.
mas que teve boa parte da sua vida clerical na América do Sul, América Latina, e que foi atacado pelo Trump justamente pelo óbvio que todo Papa sempre faz, que é defender a paz mundial, como toda liderança espiritual, é uma liderança política o Papa, mas principalmente uma liderança espiritual, e defendeu a paz, e isso já foi suficiente.
para que o presidente Donald Trump o colocasse ali na lista de persona não grata. Agora acho que o Edu já está de volta. Vamos ver se está em melhores condições. Edu, pode continuar. Oi, Zayara, tudo bem? Está me ouvindo bem? Sim, acho que te ouvimos melhor agora.
Que bom, então, essa primeira encíclica é o principal documento teológico até agora do pontificado do papo da Leão XIV, né? E ela orienta a igreja e os fiéis sobre temas sociais específicos. Ele batizou essa encíclica, como você mencionou, de Magnífica Humanitas, por conta da defesa que ele faz da dignidade humana.
na era da inteligência artificial. Ele trata do perigo da inteligência artificial sem regulação humana. Ele foi especialmente incisivo na condenação do uso da tecnologia nas guerras, pelo aumento do potencial de destruição. E ele também argumentou num texto que ele cita de Platão a Tolkien, o autor do Senhor dos Anéis, que a inteligência artificial jamais poderá ser considerada neutra, porque ela é criada e desenvolvida por interesses privados.
Assim como o Papa Francisco, a gente vai se lembrar, fez na encíclica dele, centrada ali no meio ambiente, na crise climática, Leão XIV buscou trazer a igreja para o mundo contemporâneo, se debruçando sobre questões que nos afetam e vão afetar cada vez mais rotineiramente. E a ênfase que ele fez na preservação da dignidade humana, sem negar os avanços tecnológicos,
mas tendo certeza de que eles precisam ser pautados pelo bem comum, posiciona a Igreja num patamar diferente do da anticiência, como já foi no passado, mas no patamar de defensora do humano. Não foi mero acaso a encíclica ter sido anunciada no Vaticano com a presença do Christopher Ola, cofundador da Antropic, uma das líderes mundiais no desenvolvimento.
de inteligência artificial. E apesar do foco ter sido na inteligência artificial, o Papa também tratou de outros temas, entre eles o pedido oficial de desculpas da Igreja pela legitimação que fez da escravidão e também uma defesa do multilateralismo e de uma cultura de paz planetária. Ele denunciou o conceito de guerra justa, o que foi lido como um recado a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país de origem do Papa.
E por falar em guerra em Donald Trump, está todo mundo na expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. E o Washington disse que é possível fazer aí, traçar um primeiro caminho com a abertura do Estreito de Hormuz e depois definir outros termos de um acordo de paz. O que os Estados Unidos estão querendo exatamente, Edu?
Débora, o mais importante nessa história toda é que qualquer acordo a ser feito agora, inclusive esse que eles estão chamando de memorando de entendimento, é uma humilhação para o Donald Trump. O ataque conjunto com Israel ao Irã já é disparada a maior derrota estratégica dos Estados Unidos em um conflito armado desde o Vietnã. A cada dia que passa, a gente atesta a total falta de estratégia.
que os Estados Unidos tinham para esse conflito. As opções agora do governo Trump são ou ruins ou péssimas. O Trump não conseguiu a mudança de regime, que anunciou logo no primeiro dia de ataque. Pelo contrário, ele deu oportunidade para a linha dura iraniana se fortalecer. Não conseguiu limar o programa nuclear iraniano.
E perde até agora numa queda de braços que causou a morte de milhares de iranianos, mas também escancarou o despreparo do governo Trump. Fez com que essa guerra se tornasse impopular até entre partes dos eleitores do Partido Republicano. E agora ele tende a buscar esse pré-acordo, que nada mais é do que reabrir o Estreito de Hormuz, que estava aberto antes do ataque.
que é muito pouco para cantar vitória, mesmo para a base trumpista, mesmo para o MAGA. Essa celebração da Casa Branca, de um possível pré-acordo com o Irã, eu vejo mais como um sinal de que o ataque até o Irã foi o atoleiro desse segundo mandato de Trump. E é esse presidente muito enfraquecido, interna e externamente, e não o presidente vitorioso de 2024, que o senador Flávio Bolsonaro espera encontrar na Casa Branca essa semana.
Falando agora de Bolívia, Edu, até dei essa notinha há pouco no Repórter CBN, os nossos vizinhos estão vivendo uma crise política enorme, né? Com bloqueios de estrada, manifestações, pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paes, que hoje anunciou o corte do próprio salário e também dos ministros pela metade. Vai adiantar? Então, Carol, esse corte de salário é um ato simbólico, né? Que sublinha ali de forma...
vou arriscar dizer quase folclórica, a situação dramática do governo boliviano, em meio àquela histórica divisão do país que a gente conhece, entre os interesses da elite em sua maioria de origem europeia e a maioria da população indígena ou mestiça. O presidente Rodrigo Paes assumiu em novembro o último, com uma bandeira, o governo venceu as eleições, assumiu o governo com uma bandeira de liberalismo econômico e o desejo de uma aproximação com o Trump.
em oposição a quase duas décadas de comando do movimento ao socialismo do Evo Morales. Em apenas seis meses, é muito rápido. Ele se tornou muito impopular por conta de medidas de austeridade fiscal e de redução de subsídios aos combustíveis também. Isso é importante. Ao mesmo tempo em que o custo de vida aumentou, a inflação está na casa de 14% ao ano.
Os protestos começaram tem umas três semanas já, com bloqueio de rodovia, conflitos armados, marchas pelas ruas pedindo a renúncia, eles têm aumentado e o governo se recusa a dialogar com os manifestantes. Ele acusa esses manifestantes de serem golpistas, guiados pelo ex-presidente Ervo Morales, que ontem, aliás, mandou um recado no seu programa de rádio.
Dizendo que só há uma saída para a pacificação do país, que é convocar novas eleições em 90 dias. Ou seja, o nosso vizinho aqui é Bolívia vive um enorme teste da democracia deles. E Brasília e nós aqui devemos acompanhar com muita atenção o que vai acontecer lá nos próximos dias.
Inclusive há relatos de brasileiros presos na Bolívia, porque não conseguem sair por causa desses protestos. É um destino bastante procurado, as lagunas altiplanas, Salar do Iune, e no fim de semana tinha brasileiros lá em La Paz sem saber como voltar para o Brasil com o dinheiro acabando. Sim, infelizmente a gente não pode dizer que há algum tipo de sinal de calmaria para os próximos dias. Os dois lados parecem irredutíveis.
É isso, Eduardo Graça com a gente todas as segundas-feiras. Obrigada por hoje, Edu. Boa noite a todos. Até logo. Boa noite. Valeu, Edu. Beijo.
Então por hoje, entregamos tudo aqui no Viva Voz, né Vera? Hoje foi, eu tive que sair pra falar ali com uma fonte, mas voltei a tempo de falar tchau. Tchau, gente, até amanhã. Amanhã tem mais, beijo Vera, até amanhã. Fonte, de favor, ligar depois das sete. Até foi bom que veio uma informação que eu tava pedindo. Fontes, liguem, liguem a qualquer momento, fontes. Tchau, gente, até amanhã. Tchau, tchau.