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‘A inteligência artificial jamais poderá ser considerada neutra’, analisa Eduardo Graça após encíclica do Papa Leão XIV

25 de maio de 20268min
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Eduardo Graça fala sobre o Papa Leão XIV, que apresentou hoje sua nova enciclica, que tratou pela primeira vez do papel da inteligência artificial, pedindo que ela seja utilizada para o bem comum. Durante seu lançamento, o pontífice também pediu perdão pelo papel da Igreja Católica na escravidão. Ouça.

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Participantes neste episódio5
V

Vera

Host
C

Carol

Co-hostApresentadora
D

Débora

Co-host
E

Eduardo Graça

ReporterJornalista
Z

Zayara

Convidado
Assuntos5
  • Acordo EUA-IrãDonald Trump · Irã · Estreito de Hormuz · Guerra · Programa nuclear iraniano · Linha dura iraniana · MAGA
  • A Igreja de ÉfesoInteligência artificial · Papa Leão XIV · Dignidade humana na era da IA · Uso da tecnologia nas guerras · Platão · Tolkien · Interesses privados na IA · Antropic
  • Eleições e política na BolíviaRodrigo Paes · Bolívia · Evo Morales · Liberalismo econômico · Austeridade fiscal · Inflação · Novas eleições
  • Igrejas que se PerderamEscravidão · Igreja Católica
  • Repatriacao de BrasileirosLa Paz · Salar do Iune
Transcrição21 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E já tá com a gente na linha o Eduardo Graça, repórter especial, colunista do Globo, nosso comentarista aqui do Viva Voz. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Oi, Débora. Tava com saudade. Boa noite dos ouvintes todos.

Oi, Edu, também estava. Boa noite. Edu, o Papa Leão XIV apresentou hoje a encíclica nova dele, Magnífica Humanas. É a primeira do papado dele e ele trata do papel da inteligência artificial, entre outras tantas coisas. Pediu perdão pelo papel que a Igreja Católica desempenhou na escravidão e fez a defesa da paz e do multilateralismo.

Qual a importância dessa encíclica e o que ela coloca aí para a gente analisar esse papado? Foi uma encíclica bem feliz, a primeira encíclica do Papa Leão XIV. A encíclica é o principal documento teológico até agora do pontificado dele. Ela orienta a igreja e os fiéis sobre temas sociais específicos. Oi, Zayara, tudo bem? Está me ouvindo bem? Sim, acho que te ouvimos melhor agora.

Que bom, então, essa primeira encíclica é o principal documento teológico até agora do pontificado do Papa Leão XIV, né? E ela orienta a igreja e os fiéis sobre temas sociais específicos. Ele batizou essa encíclica, como você mencionou, de Magnífica Humanitas, por conta da defesa que ele faz da dignidade humana.

na era da inteligência artificial. Ele trata do perigo da inteligência artificial sem regulação humana. Ele foi especialmente incisivo na condenação do uso da tecnologia nas guerras, pelo aumento do potencial de destruição. E ele também argumentou num texto que ele cita de Platão a Tolkien, o autor do Senhor dos Anéis, que a inteligência artificial jamais poderá ser considerada neutra, porque ela é criada e desenvolvida por interesses privados.

Assim como o Papa Francisco, a gente vai se lembrar, fez na encíclica dele centrada ali no meio ambiente, na crise climática, Leão XIV buscou trazer a igreja para o mundo contemporâneo, se debruçando sobre questões que nos afetam e vão afetar cada vez mais rotineiramente. E a ênfase que ele fez na preservação da dignidade humana, sem negar os avanços tecnológicos...

mas tendo certeza de que eles precisam ser pautados pelo bem comum, posiciona a igreja num patamar diferente do da anticiência, como já foi no passado.

mas no patamar de defensora do humano. Não foi mero acaso a encíclica ter sido anunciada no Vaticano com a presença do Christopher Ola, cofundador da Antropic, uma das líderes mundiais no desenvolvimento de inteligência artificial. E apesar do foco ter sido na inteligência artificial, o Papa também tratou de outros temas, entre eles o pedido oficial de desculpas da Igreja.

pela legitimação que fez da escravidão e também uma defesa do multilateralismo e de uma cultura de paz planetária. Ele denunciou o conceito de guerra justa, o que foi lido como um recado a Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, país de origem do Papa.

E por falar em guerra em Donald Trump, está todo mundo aí na expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. E o Washington disse que é possível traçar um primeiro caminho com a abertura do Estreito de Hormuz e depois definir outros termos de um acordo de paz. O que os Estados Unidos estão querendo exatamente, Edu?

Débora, o mais importante nessa história toda é que qualquer acordo a ser feito agora, inclusive esse que eles estão chamando de memorando de entendimento, é uma humilhação para o Donald Trump. O ataque conjunto com Israel ao Irã já é disparada a maior derrota estratégica dos Estados Unidos em um conflito armado desde o Vietnã. A cada dia que passa, a gente atesta a total falta de estratégia.

que os Estados Unidos tinham para esse conflito. As opções agora do governo Trump são ou ruins ou péssimas. O Trump não conseguiu a mudança de regime, que anunciou logo no primeiro dia de ataque. Pelo contrário, ele deu oportunidade para a linha dura iraniana se fortalecer. Não conseguiu limar o programa nuclear iraniano.

E perde, até agora, numa queda de braços que causou a morte de milhares de iranianos, mas também escancarou o despreparo do governo Trump. Fez com que essa guerra se tornasse impopular até entre parte dos eleitores do Partido Republicano. E agora ele tende a buscar esse pré-acordo, que nada mais é do que reabrir o Estreito de Hormuz, que estava aberto antes do ataque, que é muito pouco para cantar vitória, mesmo para a base trumpista, mesmo para o MAGA.

Essa celebração aí da Casa Branca, de um possível pré-acordo com o Irã, eu vejo mais como um sinal de que o ataque até Irã foi o atoleiro desse segundo mandato de Trump. E é esse presidente muito enfraquecido, interna e externamente, e não o presidente vitorioso de 2024, que o senador Flávio Bolsonaro espera encontrar na Casa Branca essa semana.

Falando agora de Bolívia, Edu, até dei essa notinha há pouco no Repórter CBN, os nossos vizinhos estão vivendo uma crise política enorme, né? Com bloqueios de estrada, manifestações, pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paes, que hoje anunciou o corte do próprio salário e também dos ministros pela metade. Vai adiantar? Então, Carol, esse corte de salário é um ato simbólico, né? Que sublinha ali de forma...

vou arriscar dizer quase folclórica, a situação dramática do governo boliviano, em meio àquela histórica divisão do país que a gente conhece, entre os interesses da elite em sua maioria de origem europeia e a maioria da população indígena ou mestiça. O presidente Rodrigo Paes assumiu em novembro o último, com uma bandeira, o governo venceu as eleições, assumiu o governo com uma bandeira de liberalismo econômico e o desejo de uma aproximação com o Trump.

em oposição a quase duas décadas de comando do movimento ao socialismo do Evo Morales. Em apenas seis meses, é muito rápido. Ele se tornou muito impopular por conta de medidas de austeridade fiscal e de redução de subsídios aos combustíveis também, isso é importante. Ao mesmo tempo em que o custo de vida aumentou, a inflação está na casa de 14% ao ano.

Os protestos começaram tem umas três semanas já, com bloqueio de rodovia, conflitos armados, marchas pelas ruas pedindo a renúncia. Eles têm aumentado e o governo se recusa a dialogar com os manifestantes. Ele acusa esses manifestantes de serem golpistas, guiados pelo ex-presidente Ervo Morales.

que ontem, aliás, mandou um recado no seu programa de rádio, dizendo que só há uma saída para a pacificação do país, que é convocar novas eleições em 90 dias. Ou seja, nosso vizinho aqui é Bolívia vive um enorme teste da democracia deles. E Brasília e nós aqui devemos acompanhar com muita atenção o que vai acontecer lá nos próximos dias.

Inclusive há relatos de brasileiros presos na Bolívia, porque não conseguem sair por causa desses protestos. É um destino bastante procurado, as lagunas altiplanas, Salar do Iune. E no fim de semana tinha brasileiros lá em La Paz sem saber como voltar para o Brasil com o dinheiro acabando. Sim, infelizmente a gente não pode dizer que há algum tipo de sinal de calmaria para os próximos dias. Os dois lados parecem irredutíveis.

É isso, Eduardo Graça com a gente todas as segundas-feiras. Obrigada por hoje, Edu. Boa noite a todos. Até logo. Boa noite. Valeu, Edu. Beijo.