'Castro se candidata a furar fila como sexto governador do Rio a prestar contas com a Justiça'
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Conversa de Bastidor, com Bernardo Melo Franco. Bernardo, como vai?
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvinte do CBN. Boa tarde, Bernardo. Olha, em 15 de maio, a Polícia Federal esteve lá na casa do ex-governador Cláudio Castro e recolheu, entre outras coisas, dois celulares. Hoje, a Polícia Federal foi lá e recolheu outro celular.
Pois é, Sardé Berg, eu estava me lembrando, às vezes eu cito aqui o personagem que é o famoso Aparício Torelli, Barão de Tararé, foi vereador aqui no Rio de Janeiro, era um humorista famoso na imprensa no começo do século XX, e ele lá pelas tantas, ele era muito alvo da repressão no Estado Novo, a repressão do DIP, na Estadura de Getúlio Vargas.
E lá pelas tantas, depois da terceira ou quarta batida, ele pôs, e ele apanhava, né, quando era preso, levado para a cadeia, ele pôs na porta do gabinete uma plaquinha dizendo assim, entre sem bater.
Eu acho que o Cláudio Castro poderia botar essa placa também na porta dele, porque, de fato, ele está se tornando um cliente assíduo das operações da Polícia Federal aqui no Rio de Janeiro. Impressionante. De fato, em duas semanas, duas operações de combate à corrupção e, veja só, autorizadas por ministros bem diferentes do Supremo Tribunal Federal.
Hoje se diz que o Supremo está dividido entre a ala do Alexandre de Moraes e a ala do André Mendonça. Talvez o único ponto a unir esses dois ministros seja o fato de que os dois estão comandando, estão relatando investigações que buscam corrupção no governo do Cláudio Castro.
A primeira operação foi em volta de contratos com a Refit, suspeitos de favorecimento ao empresário Ricardo Magro, que é notoriamente reconhecido o maior sonegador de impostos do Brasil, e agora uma operação em torno do escândalo do Banco Master.
na qual fica mais exposto, mais evidente, o vínculo entre o governo do Cláudio Castro e a bandalha que foi cometida com esses papéis pôres do Daniel Vorcar. Veja que na decisão, Sarlemberg, o ministro André Mendonça, citando as investigações da Polícia Federal, faz referência a um vínculo pessoal estreito.
entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Ele cita ali uma série de encontros, inclusive em eventos no exterior custeados pelo próprio Daniel Vorcaro, e mostra uma coincidência temporal. Ou seja, eles se encontravam e logo em seguida havia um novo aporte do Rio Previdência para o Banco Master.
Parte do que foi tratado hoje, Sardenberg, já se sabia. A gente tinha notícia de que o Rio Previdência, que é o fundo de previdência dos servidores públicos do Rio de Janeiro, ele tinha aportado em torno de um bilhão de reais, bilhão com B de bola.
em títulos do Master. Agora, com essa nova operação da manhã dessa terça-feira, fica claro que, além desse 1 bi, teve pelo menos mais de 2 bilhões, ou seja, uma soma de 3 bilhões de reais.
de dinheiro dos aposentados do Rio de Janeiro enterrada em papéis do Master. Sendo que esses últimos 2 bilhões foram aportados ali no final de 2024, começo de 2025, quando já estava mais do que claro que o Banco Master vivia problemas graves de liquidez.
estava sob investigação do Banco Central, ou seja, o Cláudio Casco e seus aliados sabiam muito bem o que estavam fazendo quando puseram dinheiro dos aposentados do Rio de Janeiro nas mãos do Vorcaro. E agora vai caber às investigações apurar se, de fato, além de saber, ele estava levando alguma vantagem para isso.
O André Mendonça fala numa relação muito clara entre reuniões do governador com o Vorcari e, no momento seguinte, aplicações do Banco Master.
Pois é, Sardembeck, foi isso que eu falei, né? Uma coincidência temporal entre esses encontros e os novos aportes. E aí tem uma série de outros alvos da polícia na manhã de hoje, né? O ex-presidente do Rio Previdência e, além dele, outros dirigentes também do banco.
perdão, do fundo de investimento, que estavam enterrando o dinheiro nos papéis do Máster. Agora, realmente, o estado do Rio de Janeiro é um caso de estudo, né, Sérgio? A gente fala aqui com frequência na relação de ex-governadores presos por corrupção no Rio, essa relação que começa com Moreira Franco, passa por Antônio Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pesão.
O Wilson Witzel foi afastado no escândalo de corrupção, mas não foi preso. E agora o vice do Witzel, o Cláudio Castro, está se candidatando a furar essa fila e se tornar o sexto governador do Rio de Janeiro a prestar contas à justiça. Vamos ver como é que isso anda?
É claro que tem até uma desconfiança do que essa operação de hoje pode dar em termos práticos, né, Saramé Berri? Porque, imagina, o sujeito tinha dois celulares, dois telefones celulares ainda dentro de casa, depois de acabar de ter sido alvo de uma operação da PF.
Segundo o advogado dele, um dos celulares é novo, ou seja, ele comprou na semana passada, e o outro seria um aparelho antigo sem uso. Agora, talvez, quem sabe, com o acesso à nuvem de arquivos, seja possível pegar coisas que estavam em celulares que o Cláudio Castro já deixou de usar. Vamos ver se ele fez essa varredura, se os advogados cuidaram disso para ele ou não.
Nós já estamos aqui com o tempo encerrado, mas eu tenho uma perguntinha aqui, que é do nosso ouvinte, José Aparecido Ribeiro, ele é de Belo Horizonte. Ele fala assim, o problema é o seguinte, o eleitor do Rio que elege esses governadores?
Pois é, Stadenberg, mas o eleitor do Rio, infelizmente, assim como em outros estados do país, ele está diante de um cardápio que é oferecido pelos partidos políticos. A gente tem que falar um pouco também do recrutamento dos políticos, da forma de eleição, de como é que essas elites políticas vão se reproduzindo e vão se eternizando no poder. O eleitor tem ali um leque de opções para escolher e, de fato, no Rio de Janeiro, muitas vezes não tem sido as melhores opções aí na urna.
daqui a pouco vai ter opção garotinho né
Pois é, o incrível disso tudo, Sarnemberg e Cassa, é que tem gente ainda cujo sonho é chegar no governo do Rio. Dizem que o pior emprego do mundo é ser ministro da Fazenda, por esse retrospecto que eu falei, talvez seja o emprego de governador do Rio de Janeiro, porque o sujeito começa em Laranjeiras, onde fica o Palácio Guanabara, e muitas vezes termina em Bambu, onde fica o complexo penitenciário do Rio de Janeiro. Já tem até esquete do Porta dos Fundos falando disso. Eu vi dois.
diferentes recentemente sobre o mesmo tema, ser governador do Rio de Janeiro. É tóxico. Tóxico. Obrigado, Bernardo. Até. Um abraço, gente. Até que defenda. Até mais. Em um mundo cheio de respostas, escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha. Fazemos perguntas que movem negócios com dados e inteligência aplicada. Saiba mais sobre a Trilha
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