Episódios de Política

O impacto do caso Dark Horse nas eleições

23 de maio de 202620min
0:00 / 20:42
Bruno Silva comenta os desdobramentos da política da última semana. Entre eles estão o impacto do caso Dark Horse na pesquisa Datafolha, com queda de Flávio Bolsonaro e avanço do presidente Lula.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio8
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Aécio Neves

Convidado
A

Anadédia

Convidado
B

Bruno Silva

ComentaristaCientista político
J

Jair Bolsonaro

ConvidadoEx-presidente do Brasil
J

Joaquim Barbosa

ConvidadoEx-ministro do STF
M

Michele Bolsonaro

ConvidadoMinistro
V

Valdemar da Costa Neto

ConvidadoPresidente do PL
Assuntos6
  • Impacto do caso Dark HorseCaso Dark Horse · Pesquisa Datafolha · Flávio Bolsonaro · Lula
  • Terceira viaJoaquim Barbosa · Democracia Cristã · Mensalão · Combate à corrupção
  • Conflitos internos no bolsonarismoMichele Bolsonaro · Bolsonaro · Valdemar da Costa Neto · PL
  • Congresso derruba vetos de LulaVeto presidencial · Doações para estados e municípios · Eleições · Congresso Nacional
  • Transferência de votos entre candidatosPacote de bondades · Candidaturas satélites · Zema · Caiado
  • Aécio Neves· PoliticaAécio Neves · PSDB · Centrão · Polarização PT-PSDB
Transcrição54 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Meio-dia, 35 minutos agora. A Semana Política. Com Bruno Silva, comentarista de política da CBN. Oi, Bruno, boa tarde para você e bem-vindo.

Olá, muito boa tarde para você, Fernando Andrade, muito boa tarde para todo mundo que está nos acompanhando aqui no Revista CBN, tudo bem? Tudo bem, Bruno. No bloco anterior, eu já trouxe aqui os dados sobre a pesquisa Datafolha, o impacto do caso Dark Horse, e aí que a gente já mostrou aqui a queda de Flávio Bolsonaro, a subida do presidente Lula, também falamos da aprovação do presidente...

Lula, e eu queria então a sua avaliação a partir disso, o impacto do caso Dark Horse neste momento para a candidatura de Flávio Bolsonaro, qual foi?

Vamos lá, Fernando. Eu acho que uma coisa não está desvinculada da outra, inclusive. Ou seja, tudo isso que a gente vem acompanhando envolvendo o Flávio Bolsonaro, a história do Vocar é meu amigão, dinheiro para poder financiar o filme para retratar a história, a trajetória do seu pai, não está desvinculado de um outro fator também que é importante, que é o fato de que o presidente Lula, nas últimas semanas, vem tentando fazer uma espécie de pacote de bondades a fim de poder melhorar a sua própria avaliação.

tanto que se a gente observar e a gente sabe que há uma relação entre você avaliar nesse exato momento os candidatos, esses que são pré-candidatos, na verdade, e depois avançar para entender que é uma pessoa que é digna de receber o seu voto, são coisas que andam relativamente juntas. Então, eu penso que o que a gente verificou agora no Datafolha, mostrando que o Lula consegue apresentar uma melhora nas suas intenções de voto e, ao mesmo tempo, o Flávio cai nas suas intenções de voto,

É uma conjunção de ambos os fatores. Então, por um lado, vamos pensar assim, de tudo que, infelizmente, nós estamos assistindo na vida política brasileira, mais uma vez, e eu falo infelizmente, né, Fernando, porque na história desse país não são poucos os escândalos, não são poucas as vezes em que a gente vê agentes privados, vamos dizer assim, empresas, banqueiros e figuras.

desse tipo, relacionadas com os políticos. E a gente observa os esquemas, a gente observa os bastidores, observa aquilo que é feito por debaixo dos panos, vamos dizer assim, que depois, conforme os fatos vão sendo elucidados, ganham visibilidade para todos. Então, não é a primeira vez e, infelizmente, ao que tudo indica, não será a última.

Então, isso é um processo importante, desgastou diretamente a imagem do Flávio, principalmente para aqueles que não são o núcleo duro, vamos chamar assim, de apoio ao bolsonarismo, mas que também não queriam de alguma maneira, não querem de alguma maneira, enfim, Lula, PT e etc. Mas as ações do Lula também contribuíram para que aqueles que estavam mais em dúvida nesse momento, nessa radiografia, acabassem dando um voto mais de confiança.

A gente sabe que isso vai oscilando, vai mudando, mas o impacto, ao que tudo indica, é o impacto que veio para ficar, para o Flávio conseguir recuperar.

Essas intenções, vamos dizer assim, esse percentual de intenções que até então vinha tendo, vai ser difícil diante dos fatos que nós estamos vendo no dia a dia, viu, Fernando? Agora, Bruno, quando a gente olha os números, Flávio caiu numa simulação de primeiro turno, por exemplo. Ele cai de 35 para 31, já no segundo turno passa de 45 para 43. Esses votos não migram necessariamente para o presidente Lula. Para onde vão esses votos?

Então, essa é uma discussão que a gente vai ter que pensar, porque assim, não é também um processo nem simples nem automático. A gente poderia dizer, migram para uma terceira via, migram para uma outra... Eu não vou nem falar terceira via, né? Porque dá a impressão de falar terceira via de que nós temos candidatos que de fato estão apresentando projetos políticos alternativos. Não temos. O que nós temos são candidaturas, que eu vou chamar aqui, candidaturas satélites.

em torno do bolsonarismo. Então, a gente tem o Zema de um lado, o Caiado do outro. E o que nós tivemos nessa última semana de novidade, o Fernando, do ponto de vista da disputa, é a democracia cristã. Falaremos mais, falaremos mais. A democracia cristã é literalmente chutando o Aldo Rebelo e tentando trazer o Joaquim Barbosa de volta para a história toda para tentar se colocar como essa suposta...

Então, eu acho que assim, esses votos não migram automaticamente para ninguém. O que a gente viu, e eu acho que isso eu já tinha sinalizado, e de novo, fica evidente isso também, é uma leve melhora, uma leve melhora do Zema que vinha naquela postura de radicalização.

nas últimas semanas, principalmente quanto ao Supremo Tribunal Federal, que talvez abocanhou ali um percentual daqueles que gostam desse posicionamento, dessa postura mais radical. Então eu penso que num primeiro momento não tem nem como saber para onde vão migrar esses votos, porque vai depender de muitos fatores ainda na construção da campanha. O que se tem, isso é fato.

uma diminuição nas intenções do Flávio, porque aqueles que, de repente, estavam em dúvida, falaram, ah, eu acho que eu vou no Flávio, eu acho que eu vou no Bolsonaro, no candidato que está dentro desse espectro político, vê essa história toda e fala, opa, talvez não seja aqui uma opção viável nesse exato momento. Acho que o que da pesquisa mostrou, que é o mais interessante de tudo, é o meu juízo, viu, Fernando, é essa melhora do Lula em função dessas...

E no caso específico do Flávio, aquilo que já era de se esperar é essa variação um pouco mais para baixo, principalmente por conta desse eleitor, que é um eleitor que estava até então apontando para ele, indo para ele, mas que começa a ficar mais desconfiado de acordo com os fatos que vão sendo elucidados agora semana após semana. Na semana passada, inclusive, eu havia adiantado aqui para a Anadédia.

Eu falei, olha, o que vai acontecer ao longo dessa semana que nós estamos agora é basicamente uma guerra de narrativas, e é o que a gente está vendo. Inclusive, Fernando, queridos ouvintes, com tensões internas muito fortes dentro do próprio núcleo, vamos chamar assim, do bolsonarismo, porque Michele Bolsonaro resolveu dar as caras essa semana também. Michele Bolsonaro, a inserção do nome dela na pesquisa causa qual efeito?

Eu acho que, na verdade, começa a mostrar que há uma possibilidade de disputa interna, inclusive. Porque a gente tem que entender o seguinte, o Fernando.

A opção pelo Flávio é uma opção que até então vem sendo muito sustentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Do ponto de vista de viabilidade eleitoral, acho que não é novidade para ninguém o fato de que Flávio conseguiu atingir esses percentuais significativos na campanha até aqui, porque herda muito do espólio eleitoral do seu pai, que não está...

na disputa, mas ele conseguir avançar substancialmente ainda se coloca como um desafio, principalmente quando a gente olha pela lógica das rejeições. Eu já havia chamado a atenção nisso nesse espaço também do Revista CBN. Assim como o Lula já tinha um teto de rejeição relativamente elevado...

Flávio, de início, já apresentava um teto de rejeição também muito elevado. Ou seja, a sua candidatura já possuía, desde o começo, o que a gente costuma popularmente chamar de telhado de vidro, diante de tantos fatos que já são notórios na vida pública.

questões de compra de propriedades, faturamento de parte dos seus negócios, em valores e cifras muito elevadas. Então tudo isso inevitavelmente vai ser explorado ao longo da campanha. O que ninguém poderia prever é para onde vai se encaminhando esse caso do Master especificamente.

E aí, diante de toda essa história, ele vem tentando desesperadamente construir uma narrativa de que não tem a ver com ele, de que o dinheiro é privado, de que não se trata de nenhum tipo de esquema de corrupção ou algo nesse sentido. Mas as diferentes versões que ele já deu do fato até aqui vai colocando ele em maus lençóis, né, Fernando e ouvintes? Por quê? Primeiro, quando questionado ali pelo jornalista, ele disse olha, não sei nem do que você está falando, isso é mentira, isso é fake news, enfim, algo do tipo.

Depois já muda a versão. Não, conversei. Depois já muda de novo. Não, teve dinheiro. Aí muda mais uma vez. Não, parece que beneficiou mesmo meu irmão. E aí muda uma outra vez, ou seja, visitei ele mesmo quando depois da prisão, a pessoa olha e fala assim, não dá pra confiar no que a pessoa tá falando, né? E quando ele diz que sim, quero ver a CPI do Master, o que causa isso no Congresso? Eu acho que nada.

Eu digo acho que nada, Fernando, porque é assim. Eu fiquei pensando assim, você está maluco, está todo mundo envolvido, você está querendo incentivar isso, é que não vai passar, todo mundo sabe que não vai passar, que o presidente da Câmara não vai deixar passar. Por isso que você se adiantou muito bem, por isso que eu falo, eu acho que o efeito do Congresso é zero. É zero em que sentido? Dizer assim, está falando que todo mundo quer ouvir, no final das contas, né?

Está só ali indo a público, dizendo, verbalizando, talvez, o que aqueles que querem a transparência, né? As pessoas que estão acompanhando e querem a elucidação dos fatos.

estão pressionando para que avance. Mas ele sabe que isso não tem ambiente dentro do Congresso. Imagina, nós estamos às vésperas num processo eleitoral. Logo, logo a gente começa com as convenções partidárias, quando agora é no meio do ano, que aí bate o martelo efetivamente de quem vão ser os candidatos.

Quem parlamentar, a uma altura do campeonato, quer ter protagonismo na CPI? Mesmo aqueles que têm uma pauta, que é uma pauta de corrupção, de transparência ou algo nesse sentido, sabem que uma CPI, Fernando, queridos ouvintes, ela começa pelos motivos que estão claros na opinião pública e a essa altura do campeonato está mais do que evidente. O Vocar, o Master, as ligações políticas, as fraudes bilionárias envolvendo...

o banco e as conexões políticas de Volcar com N atores importantes dentro da cena política brasileira. Mas onde isso vai dar? Até quem vai ser atingido? Como isso vai chegar até as eleições? Ninguém tem como prever. Então é óbvio que o que os políticos estão tentando fazer de alguma maneira é uma espécie de grande arranjo, de uma grande situação, para impedir com que essa CPI possa avançar. Flávio publicamente diz, não, eu apoio, não tenho nada a ver com isso, sou limpo aqui, não fiz absolutamente nada de errado.

Mas é aquela história, é o politicamente certo ou o politicamente correto, né? Mas, do ponto de vista pragmático de avançar com uma CPI nesse clima político e considerando esse calendário eleitoral, eu acho muito importante. Claro, claro. Bom, antes da gente passar para o próximo assunto, como as campanhas devem agir daqui para frente? O que você vê?

Eu acho que tem uma tensão interna que a gente vai ter que entender, que agora saiu o Dataforia, logo depois a Quest também, que está sempre fazendo bastante pesquisas interessantes, deve soltar mais alguma coisa. Eu acho que vai depender muito de qual vai ser a capacidade de resiliência do Flávio agora nas próximas semanas, viu, Fernando? Porque isso pode trazer, como diz no popular, o problema para dentro da sala. E eu achei muito...

Eu acho que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que é uma coisa que

Muito icônico, emblemático, a expressão da Michelle quando questionada a respeito do Flávio nessa semana. Porque quando questionaram, e aí o caso do Flávio, se tem alguma coisa a comentar? Ela vira lá para o jornalista e fala, pergunta para ele. Mas ela não falou assim, com o Pesai, não, não tem nada a ver com isso, pergunte para ele, eu não vou falar sobre... com sorriso no rosto. Aquela expressão de sorriso do tipo, né?

Vamos dar corda para ele se enforcar, talvez? Porque é notório e quem está acompanhando os bastidores está entendendo. Há uma tensão interna dentro da família. Não há um discurso de um bloco monolítico nessa história toda. Michelle sabe que tem um capital político muito grande, tanto que a pesquisa mostra isso, aponta no primeiro turno ela com uma menor intenção de voto do que do Flávio, porque ela, obviamente, ainda não é a candidata, não tem se colocado nessa condição. Ela está como pré-candidata.

Ao Senado, até aqui, que é o que a gente sabe do que está desenhado do ponto de vista do jogo político. Mas ela tem um ativo, que é um ativo muito forte, né, Fernando, que não pode deixar de ser considerado. Ela tem um ativo muito forte frente a vários segmentos evangélicos. Ela tem um ativo muito forte de apoio interno dentro do próprio PL. E tem uma figura que, na minha concepção, está muito calada, viu, Fernando, queridos ouvintes, e que gera também uma intriga.

que é justamente Valdemar da Costa Neto do PL, que até agora não falou praticamente nada envolvendo o Flávio. Continua ali só com a questão protocolar e do Flávio como pré-candidato. Então acho que tem tensões internas na família aí que precisam ser resolvidas. E Michele, a meu juízo, só não é candidata, pelo menos até aqui, e não tinha sido lá atrás, por uma decisão única e exclusiva do seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que não deseja que ela seja candidata, deseja que um dos filhos seja candidato, viu, Fernando?

Bom, então vamos falar agora sobre Joaquim Barbosa. Eu acho importante a gente deixar claro quem é Joaquim Barbosa, que já faz tempo que saiu do Supremo, né? Então, Joaquim Barbosa, vamos lembrar aqui, ele é um jurista brasileiro e se tornou o primeiro ministro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal. Ele foi indicado pelo presidente Lula em 2003 e ficou muito conhecido quando relatou o julgamento do Mensalão.

Um esquema de corrupção que marcou a política brasileira nos anos 2000. Bom, aí se aposentou e volta agora. Volta não, né? Aparece agora na política, no Democracia Cristã. É uma candidatura que tem qual significado?

Eu acho que, na verdade, é uma candidatura que... Não sei nem se vai ser uma candidatura efetivamente, né? A gente está vendo mais especulação. Tem muito balão de ensaio nessa altura do campeonato, né? Muito balão de ensaio. Mas acho que tem um propósito, tem uma ideia aí por trás da democracia cristã e de todos os articuladores em torno da candidatura. Que é, talvez, sentindo que a pauta...

anticorrupção, de combate à corrupção, ou a pauta de alguém que venha de fora do sistema político, que não tenha essa suposta, vamos colocar em trás, contaminação da classe política, do establishment político, possa ocupar algum espaço nesse cenário. Não estou dizendo que necessariamente teria chances reais agora, nesse altura do campeonato.

de vitórias, porque pelo menos não é isso que as pesquisas vêm apontando. Mas poderia ser um outro caminho alternativo. Aí sim, uma suposta terceira via. Por quê? A figura de Joaquim Barbosa no Brasil durante muito tempo esteve identificada fortemente, quase que a ideia de um justiceiro, de alguém que está fazendo a justiça da maneira como deveria ser feita. Vamos lembrar que ele ganhou todo o protagonismo político dele no contexto do Mensalão, onde boa parte da elite ali ligada a partir dos trabalhadores...

vários congressistas, acabou sendo condenada naquele processo. E ele ganhou uma dimensão na vida pública muito grande, justamente por conta da sua atuação performática, a maneira como se comportava ao longo dos julgamentos, as falas mais duras, as penalidades mais duras. Então, isso, de alguma maneira, criou uma visão pública para aquele contexto, que, em termos de memória política, já está bem mais distante, diga-se de passagem.

mas criou aquela ideia de que é um sujeito que combate a corrupção, que é um sujeito mais limpo, que é um sujeito que não está contaminado, vamos dizer assim, com os problemas do sistema político como um todo. Então eu penso que, de repente, essa apresentação da candidatura seria, num cenário onde você tem Lula, aquele imaginário de várias e várias...

brasileiros é fortemente identificado com essa dimensão de corrupção por conta dos seus governos anteriores. E agora, Flávio, com todo esse esquema envolvendo o Banco Master, poderia apresentar uma candidatura como uma alternativa ao que está aí, tentando trazer alguém que veio de fora do sistema político. Então, acho que talvez seja por aí o cálculo da DC nesse momento, da democracia cristã, para colocá-lo como um pré-candidato.

Agora olha só, a Executiva Nacional de Cidadania, a Cidadania tem uma federação, né? Aprovou por unanimidade a pré-candidatura, veja só, de Aécio Neves, PSDB. E aí?

Isso me parece muito mais um cálculo de parte dos setores do Centrão para poder mostrar em como do frente a candidatura já com o Flávio, viu, Fernando? Ali não me parece uma candidatura para valer também não, né? Até porque o Aécio teria ali um desgaste significativo e ninguém a essa altura do campeonato está visualizando que o PSDB possa ressurgir das cinzas com tanta força assim.

Nessas eleições, claro, vão tentar ocupar um espaço, estão tentando produzir ali, construir alguns quadros, querem também tentar estar de volta ao jogo, recuperando muito da posição política que perderam nos últimos anos e perderam para o PL dentro desse espaço da polarização, como a gente viu no Brasil desde 1994, lá atrás, que o Fernando Henrique Cardoso e as disputas com o PT. Nós tivemos um histórico, vamos dizer assim, das disputas eleitorais no Brasil na lógica de uma polarização PT-PSDB.

cujo espaço pós-lava-jato foi ocupado a partir de 2018 pelo vácuo que se estabeleceu no lado ali da direita, da centro-direita que o PSDB ocupava e principalmente da direita que representava, a partir de Jair Bolsonaro. E que, veja, atenção, uma coisa interessante, de alguém que em 2018 fez justamente esse cálculo de se vender como uma espécie de antissistema.

alguém que veio de fora do sistema, mas que naquela conjuntura de 2018 pós-Lava Jato, pós-impeachment de Dilma e toda aquela confusão que a gente vivia na vida política brasileira, fez sentido e deu liga, né? Talvez seja, inclusive, esse parte do cálculo que a democracia cristã, aqueles que estão tentando produzir Joaquim Barbosa...

venham fazendo nesse sentido. Olha, pode haver um desgaste significativo, Lula atingindo, de repente, o seu teto. É fato de que dentro do que a gente tem até aqui, não tendo nenhuma novidade política, Lula já está no segundo turno, de alguma maneira, reproduzindo aquilo que a gente está vendo em termos de resultado, mas talvez haveria um espaço para desgastar aqui do outro lado a candidatura de Flávio e tentar alavancar uma candidatura nesse sentido.

Então, acho que é assim, olhando para o passado e tentando aprender algumas lições do que aplicar hoje. Mas, insisto, a própria candidatura da questão do Barbosa, que a gente está trabalhando aqui, é um problema também sobre vários aspectos. É alguém que nunca disputou cargo representativo. É um sujeito também que teria que produzir e teria que resgatar isso muito no imaginário. Os mais jovens não fazem nem ideia de quem ele é também. Então, ele saiu, meio que abandonou. É o Museu de Novidades.

É, museu de... Gostei dessa, né? Me lembrou Cazuz e o Barão Vermelho. Eu vejo museu de grandes novidades, né? O tempo não para. Olha lá. Agora, precisamos falar do Congresso que nessa semana, veja só, derrubou um veto do presidente Lula que impedia doações de bens, de valores, de dinheiro para o poder público a estados e municípios nos três meses anteriores às eleições. O que o Congresso quer com isso?

O Congresso quer cada vez mais estar mais solto para poder realizar a política, que é a política mais local, vamos dizer assim, né, Fernando? Porque se tem algo que ficou evidente nas últimas eleições, isso já tinha ficado muito evidente nas eleições municipais, de alguma maneira, onde foi aqueles que a gente costuma chamar na ciência política de incumbre, ou seja, quem está à frente do cargo.

favoreceu muito aquele que já estava à frente do cargo. E se a gente olhar também em retrospectiva, nas eleições de 2022, ela teve elementos de menos novidade do que nas eleições de 2018 lá atrás. 2018 foi o grande baque que a gente viu no sistema político brasileiro. Um Senado muito modificado, muitos políticos que vieram de fora, alguns estreantes e tal. 2022 já foi uma eleição...

cujo foco estava centrado principalmente naqueles que já são da classe política. Então, o que o Congresso quer com essa história toda, Fernando? Eu vou... Desculpe. O que o Congresso quer com essa história toda? Ele quer, de alguma maneira, tentar utilizar dos recursos que são à sua disposição, que não são só as emendas, mas é toda a influência política dos congressistas, para, na véspera das eleições, eles poderem chegar relativamente bem fortalecidos e poder ativar isso na memória das pessoas quando for...

na decisão do voto. Então, acho que é por aí. O Congresso quer o quê? Essa liberdade de poder agir mesmo às vésperas das eleições para poder comunicar para o eleitorado, de alguma maneira, ao que eles vieram e o que eles fizeram ao longo da gestão como um todo. É basicamente isso que eles querem, viu, Fernando? Perfeito. Bruno, Bruno Silva, comentarista de política da CBN. Muitíssimo obrigado mais uma vez pela participação aqui no Revista CBN. Um grande abraço e bom final de semana, Bruno.

Querido, eu que agradeço, é sempre uma satisfação falar contigo e toda a sua audiência, viu? Aqui do Revista, um abraço grande e até a próxima. Muito obrigado.

O impacto do caso Dark Horse nas eleições | Castnews Index — Castnews Index