Desgaste de Flávio Bolsonaro domina debate político nas redes
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Fernando
Marco Ruediger
- Flávio Bolsonaro e VorcaroCaso Master · Daniel Vorcaro · Financiamento de filme · Pesquisas eleitorais · Redes sociais
- Lula e TrumpPropostas políticas · Candidaturas de direita · Zema · Michele Bolsonaro
- Gastos PublicosEmendas parlamentares · Controle de contas públicas · Reforma política · Orçamento público
- Sistema internacional e geopolíticaCrise na Europa · Guerra da Ucrânia · Mercado chinês · Alemanha
- Futuro do trabalho e tecnologiaAutomação e desemprego · Proteção social · Produtividade econômica · Elon Musk
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. A Semana Política, com Marco Rudiger. Marco, boa tarde pra você e bem-vindo, tudo bem? Oi, Fernando, tudo bem? Bem-vindo também, bem-vindo a todos os nossos ouvintes aí. Nesse domingo aqui até melhorou o tempo, tá bom. Você tá onde? Você tá onde?
Hoje eu tô no Rio e foi um tempo legal, deu pra ir fazer uma corrida e tal. Que bom, que bom. São Paulo também melhorou, porque olha, foram dias e dias de frio, chuva. Vamos lá, vamos lá, porque o clima não é tão bom assim na campanha do senador Flávio Bolsonaro. Bom, nós tivemos durante essa semana toda aquela repercussão da ligação dele com o banqueiro.
Daniel Vorcaro, o pedido de dinheiro para financiar filme, depois vieram as pesquisas e a sinalização de que repercutiu, foi um baque forte, porém não dá para a gente dizer que está tudo acabado. O que as redes, qual foi a repercussão que você analisou com os dados que você tem?
Então, Fernando, realmente a situação ainda é muito complicada para o Flávio Bolsonaro. Por exemplo, teve o caso da liberação de fundos para municípios agora, estava até olhando esse dado há pouco, foram 5 mil postos, isso não é grande coisa, então o Lula fez o veto.
Essa flexibilização de repasse, o que é um absurdo realmente, entendeu? Porque isso é completamente ilegal, fazer um negócio desses em cima da eleição. Já tem as emendas parlamentares. Eu acho muito curioso que se cobra muito do governo controle das contas públicas, a questão...
das finanças, enfim, o gasto público, mas o Congresso não tem a menor cerimônia em liberar geral, principalmente quando está perto da eleição. Então, acho que a responsabilidade não pode se dar só dois, três anos imputando um dos poderes, tem que ser uma coisa global. Esse é um problema que o Brasil vai ter que enfrentar, eu não acho que é um problema de um poder especificamente, mas tem que ter uma certa compreensão de todos.
Então fica isso aí, mas sabe, isso aí não teve quase repercussão nenhuma, e é uma coisa muito séria, claro. Sem dúvida.
Por conta do gasto público do Brasil, que já é exorbitante. No entanto, a questão do veto gerou 5 mil postos em diferentes plataformas. Isso não é nada, na verdade. E foi citado por 5...
dos congressistas, estou falando de 594 congressistas. Então, na verdade, não é disso que está se tratando a política nesse momento e o que se trata de fato é a viabilidade de alguma candidatura de oposição ao presidente Lula. Aí, aparentemente, não temos nenhuma...
A candidatura é sólida o suficiente de oposição. Flávio Bolsonaro, eu vou lembrar aqui do nosso ouvinte, ele nadou de braçada esse tempo todo porque não tinha foco nenhum em cima dele. Ele também não precisava se pronunciar sobre proposta alguma, sobre o futuro do país. Então, ele, quando teve a primeira curva apertada, o carro derrapou, que foi o caso agora do caso do Volcaro. Então, para você ter uma ideia...
Por exemplo, essa semana veio uma notícia que eventualmente Flávio Bolsonaro encontraria o Trump. Tudo bem, ele pode encontrar o Trump, pode encontrar o que ele quiser. Mas o impacto disso, quando se fala de Flávio Bolsonaro nas redes, deu mais ou menos, aproximando 7% das postagens. Agora o caso Master continua muito presente, muito forte. Estou falando aí de 42%, mais ou menos.
do total das postagens sobre Flávio Bolsonaro. Então, o que isso quer dizer? Quer dizer que o desgaste ainda é muito grande, é difícil para ele sair dessa, a cada notícia nova, a coisa, ele atola um pouco mais, então fica muito complicado. Eu, francamente, eu tenho uma visão...
De que não é nem tanto a questão efetiva de vencer a corrida para a presidência. É claro que isso daí é uma coisa que é, digamos assim, o desejo da oposição fazer essa alternância. Mas, de fato, para o bolsonarismo, o mais importante é que não tenha nenhum novo entrante.
que hegemonize o campo da direita. Por exemplo, Zema. Aí complica muito a vida. Então, para eles, manter alguém com o sobrenome Bolsonaro e que seja, digamos assim, raiz na família, uma coisa de sangue mesmo, ou seja, eu estou dizendo aqui que Michele Bolsonaro não está exatamente nos planos da família. Então, Flávio, digamos assim, é a grande opção. E pronto, tudo bem, porque o mais importante, mais do que ganhar, é manter o campo.
Por outro lado, o grupo de parlamentares que transita nesse entorno, o mais importante para eles é conseguir a reeleição e fazer uma bancada muito significativa nos próximos quatro anos. E isso, no fundo, mostra o quê?
uma certa carência, ausência de projeto. O que se propõe? O que se propõe? A gente está vendo aí outros candidatos agora que antecedeu a discussão enfim, do ex-ministro do STF, vem o que quer dizer virar página? Ele fala, vamos, temos que virar página. O que quer dizer virar página? Então, eu acho que existe uma dificuldade muito grande de configurar o que é a mudança que se quer no Brasil. O Brasil precisa de mudanças muito duras, muito corajosas. Precisa uma reforma política, precisa uma reforma.
que entenda, compreenda o orçamento, o gasto público, e as finanças públicas são muito centrais. Quem é que vai estar disposto a fazer isso? Então, eu acho que na ausência de uma proposta que mude alguma coisa em relação ao que existe hoje, o governo tem condição dele propor uma série de coisas e tem uma vantagem que o Lula já tem três eleições nas costas, tem uma experiência enorme, tem a máquina do governo com ele, tem um carisma gigantesco e pode jogar no emocional muito forte, muito forte.
Ele simplesmente chega e fala, povo brasileiro, essa é a última vez que eu vou vir pedir o seu voto. Olha, isso é uma mensagem, por exemplo, muito forte. E eu estou aqui para lutar pelo povo brasileiro e tal. Quer dizer, é difícil você vencer essa equação e ainda mais com o Master pela frente. Então, eu acho que as pesquisas mostram o que as redes também estão mostrando, uma abertura gigantesca.
de uma distância difícil de ser vencida. Não é impossível, é claro, não é impossível, mas eu acho que nesse momento o Flávio Bolsonaro está em uma situação bastante complicada, tendo que se explicar e sem conseguir produzir propostas que organizem, digamos assim, uma agenda da oposição. Nós não conseguimos ouvir ainda nenhuma proposta, só se defende o tempo todo.
das acusações sobre a ligação com o banqueiro. Agora, Marco, nós tivemos uma semana em que a oposição ficou fragilizada por causa dessas denúncias, mas também teve, como você citou, o uso da máquina pelo presidente Lula. Nós tivemos o programa Desenrola, com dados positivos nessa semana, muita gente aderindo e também repercussão da visita do Lula com o presidente Donald Trump.
Isso até mudou um pouquinho na avaliação do presidente Lula. Como é que ele tem usado esses dois pontos para dialogar melhor, para ficar um pouco mais confortável nessa disputa? Eu acho que o Lula, como eu estava falando, são três eleições, fora as outras, não ganhou algumas, mas enfim, três mandatos como presidente da República, e ele tem um trânsito hoje.
em parte pelo carisma dele, em parte pela importância estratégica do Brasil na geopolítica atual. O mundo está mudando muito e o Brasil tem uma situação muito privilegiada. Só para dar um exemplo aqui para os nossos ouvintes, pega o caso da Europa, pega o caso da locomotiva que puxa a Europa, que é a Alemanha, no caso da Alemanha. A Alemanha tinha uma energia barata da Rússia.
Tinha um mercado chinês bastante aberto para os seus produtos e a proteção, digamos assim, militar em boa parte americana. Perdeu os três. Ainda, evidentemente, continua no mercado chinês, mas os chineses estão entrando na Europa, como estão entrando em toda a parte do mundo, com uma estrutura de logística, de inovação muito grande, tem que se respeitar isso.
estão competindo para valer, Estados Unidos mudou a posição deles, e a Rússia simplesmente com a guerra da Ucrânia acabou sendo isolada, digamos assim, pelo Ocidente, e ao mesmo tempo ela deixou de exportar a energia que ela fazia muito barata. Então a Europa vive uma crise, os Estados Unidos vive uma crise, o Brasil, apesar de tudo, não vai mal, ela poderia certamente muito melhor.
Aí é um problema na nossa própria política, a qualidade do gasto público, que é uma questão mais sutil, mais sofisticada ainda, do que a questão simplesmente de quanto se gasta, se gasta mal, esse é o ponto. Mas o Brasil não está mal, o Brasil tem recursos que o mundo precisa, isso dá uma importância grande para o Brasil, e o Lula está operando isso muito bem e mostrando...
internamente que ele é um político muito mais maduro, muito mais previsível e para o mercado importante a previsibilidade e que ele conversa com todo mundo. Então isso para ele é um privilégio que ele tem nesse momento, nessa circunstância específica.
e que os outros não conseguem mudar. Quando o Flávio Bolsonaro é pego, digamos assim, desliza, não vou dizer assim uma mentira, mas não esclarece os fatos, começa a ter que se explicar muito, cada dia uma versão, parece uma coisa de uma pessoa menos responsável, menos confiável. Ainda assim, vou ressaltar, quando a gente olha o mercado, isso é interessante, os canais de finanças, investimentos.
eles leram de forma muito apreensiva e muito negativa essa história toda do Banco Master. No entanto, ainda moderadamente, ou seja, ainda existe uma certa esperança que o Flávio possa vir a se recuperar por parte desses atores, digamos assim.
É difícil, eu acho que é uma situação bastante complicada. Eu achei muito interessante o contexto que você fala, Marcos, sobre a qualidade do gasto público, e aí eu me pergunto como ter essa qualidade num momento em que o Brasil tem grande parte do seu orçamento preso ao legislativo, com as emendas parlamentares que interessam muito aos parlamentares, que destinam para onde querem, quando querem, quanto querem. Isso não é um grande empecilho para essa qualidade do gasto público que você sinaliza?
Olha só, é claro, você tem toda razão, é um empecilho enorme e isso, digamos assim, nos próximos quatro anos o Brasil vai ter que se defrontar com isso.
Esse é um arranjo que vai ter que ser rediscutido, repactuado, e eu acho que já está um pouco na agenda. O presidente Lula vem falando disso, que a questão das emendas parlamentares tem que ser revistas e tal, mas é claro que não é só a Casa Legislativa, também tem o Executivo que vai ter que operar nesse sentido. Mas o fato é que a peça mais importante, digamos assim, da política e o trabalho maior do Congresso...
em qualquer país, é o orçamento. É interessante, por exemplo, na Inglaterra, quando o orçamento público vai ser entregue para o primeiro-ministro, é uma coisa ritualizada, vai surgir com uma mala antiquíssima lá dentro com a proposta orçamentária. Na Alemanha é um discurso importante. Exatamente. Exatamente. Na Alemanha, você tem quatro ou cinco instituições.
que não são do governo, que olham o orçamento. O orçamento é uma peça muito séria, muito central. Aqui o orçamento é muito violentado. Então a gente tem que entender isso. Então a questão do orçamento, a questão da qualidade do gasto público, ou seja, quantos reais eu coloco e o que gera de impacto isso nos programas sociais.
na estratégia de desenvolvimento, no incentivo a novas empresas, no incentivo a inovação. E isso é muito sério, porque o mundo cada vez precisa de mais eficiência, seja na agricultura, seja no...
seja na indústria, seja no serviço, a tecnologia está varrendo isso, a tecnologia pode vir a varrer empregos de uma forma muito séria, muito preocupante, isso alerta nossos ouvintes. E daí, se você não quer pagar, por exemplo, quando vem propostas, vamos diminuir o peso do Estado, vamos acabar com os impostos, enfim, se você tiver um desemprego grande por causa da tecnologia...
Como é que as pessoas vão receber? O Elon Musk diz que o emprego vai ser uma opção. Como é que o emprego vai ser uma opção? A tecnologia vai impactar o emprego. Então, de alguma forma, a estrutura do Estado vai ter que garantir uma série de coisas. E isso significa, entre outras coisas...
deixar acontecer e incentivar uma produtividade grande dos agentes econômicos, mas, ao mesmo tempo, prover uma proteção social para aqueles que não vão ter emprego. Então, essa é uma equação que diz o seguinte, o Estado vai continuar presente. Dizer que o Estado não vai estar presente, isso é uma abstração.
que não confere com a realidade nem com qualquer projeção de futuro. Agora, ao mesmo tempo, como é que isso vai caminhar? Quais são as propostas? E simplesmente a gente gerar bolsas e incentivos e auxílios é o suficiente? Não parece. É muito importante que novas empresas surjam, que a inovação possa se espraiar. Então, essas são questões importantes nesse momento. Eu acho que isso vai ter que ser defrontado.
Vamos supor uma hipótese, o presidente Lula é o novo presidente, ou tem um outro presidente que, enfim, veio com uma proposta muito boa. Ele vai ter que, de cara, enquanto a caneta ainda está cheia, como se diz, ele pode se nomear, pode se exonerar, não no final de mandato, a caneta já está vazia. Quando a caneta está cheia, vai ter que, no primeiro ano, encarar essa discussão. E essa é uma discussão de muito tensionamento na política.
Então, eu acho que o primeiro ano, 2027, vai ser um ano em que ajustes terão que ser feitos, eles são duros na política e a experiência vai ter que falar alto. Então, a gente tem que olhar não só para a proposta do ah, eu não estou satisfeito, vamos virar a página e tal, mas o que você está propondo, candidato? Qual é?
O que você está trazendo que você vai mudar? Isso serve para todos, inclusive para o presidente Lula. O que ele vai agora, qual vai ser a proposta dele para os próximos quatro anos? Que inclusive, no caso dele, se quiser deixar um legado definitivo, ele tem que deixar melhor organizada a questão do gasto público, a questão talvez de uma reforma política, dentro do que seja possível uma reforma política, a perfeita não vai existir, mas tem que ter um aprimoramento institucional muito sério no país. O Brasil se defronta com isso.
Perfeitamente. Marco Rüdiger, muito obrigado mais uma vez pela conversa aqui no Revista CBN. Bom domingo para você e até a próxima. Um grande abraço. Para mim é um grande prazer, Fernando. Um abraço grande, ótimo participar contigo. Valeu. Sempre instigando. Muito obrigado. Um grande abraço. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas.
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