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Ao citar Lava Jato, Gilmar Mendes indica caminho para anular caso Master

23 de março de 20268min
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Merval Pereira argumenta que, ao comparar o caso Master com a operação Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixa claro que vai tentar criar um ambiente que favoreça a nulidade do processo.

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Assuntos8
  • Banco MasterPrisão de Boaventura · Análise do voto de Gilmar Mendes · Irregularidades na investigação · Potencial nulidade do processo · Desvio de finalidade
  • Gilmar MendesPreparação de cenário para nulidade · Vetadas à CPI · Críticas ao relatório · Sinalização de intenções · Implicações e Investigação Política
  • CorrupçãoAnulação de processos · Suspeição de juiz · Aplicação de precedentes · Desvios de legalidade · Desmontagem da operação
  • André MendonçaArgumentos para prisão · Justificativas técnicas · Críticas de Gilmar Mendes · Rigor processual
  • Atuação de Lucia na políticaConflitos entre ministros · Posicionamentos divergentes · Alianças políticas · História de tensões na Lava Jato
  • Operação Lava JatoLiberação de condenados · Devolução de bens · Coação de réus · Confissão de acusados · Impacto jurisprudencial
  • Judiciário e PolíticaTelefonema no dia da prisão · Uso de telefone do Supremo · Envolvimento de ministro · Investigação de contato
  • Desconfiança no STFPesquisa de confiança pública · Envolvimento em disputa política · Credibilidade institucional · Descrédito popular
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Momento da Política, com Merval Pereira. E aí, Merval? Tudo bom, Sérgio Merck? Boa tarde, ouvinte. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Merval. Estamos aqui retomando o caso Vorcaro e com base em alguns argumentos que você levantou na sua coluna de O Globo de domingo. E o assunto é o seguinte. O ministro Gilmar Mendes, ele votou pela manutenção da prisão do Daniel Vorcaro, mas fez várias críticas às teses do ministro André Mendoza.

que é o relator do caso e que justificou a prisão por determinados argumentos que o ministro Gilmar Mendes contestou. E você está nos dizendo que o ministro Gilmar Mendes está preparando o caminho para quê, meu irmão? Olha, o próprio ministro Gilmar Mendes, no seu discurso, comparou o caso atual com a operação Lava Jato, que ele desmontou,

o juiz Sérgio Moro, então o juiz Sérgio Moro, de parcialidade, de não ser o juiz competente para aqueles julgamentos e tal, e acabou tirando o Sérgio Moro da Operação Lava Jato, por ser um juiz suspeito, segundo definição da turma que o relator era o ministro Gilmar Mendes.

consequência disso, ao contrário do que o Gilmar Mendes dizia, ele dizia que era só para o caso específico do triplex do Guarujá. Isso virou para todos os juízes do Brasil a norma e todos os processos foram anulados. E ele, nesse discurso, nesse voto dele, ele disse isso exatamente, que o mesmo desvio da legalidade que aconteceu na Lava Jato está acontecendo

Ora, não é preciso ser muito esperto para entender que ele estava encaminhando uma tese de nulidade do processo do Bacumaster, alegando várias irregularidades nas atividades da investigação do caso.

preparando o terreno, ele estava completamente aceitando a tese de que está havendo uma ação ilegal, fora das normas, na investigação do Banco Master. Ele já vetou duas vezes a quebra de sigilo da empresa da família Toffoli, do próprio Toffoli, dos irmãos, ele vetou duas vezes,

dizendo que era desvio de finalidade da comissão da CPI na Câmara. Então, é isso. Ele está se debatendo contra o que está acontecendo. Ele está simplesmente alegando que está havendo um desvio de finalidade das investigações. E acho que isso é um sinal claro de que ele vai tentar, em algum momento,

que favoreça a nulidade do processo. Acho que isso ficou muito claro no discurso dele. Com a diferença de que agora do outro lado está o André Mendoza, que é um ministro do Supremo, um parro. Exatamente. Vai ser mais difícil ele conseguir um movimento interno no Supremo contra um colega seu.

Teria o apoio do Toffoli, evidentemente, do ministro Alexandre de Moraes, que também está envolvido nessas denúncias de contato com o Vorcaro no dia da prisão. Já está provado que o telefone que falou com o Vorcaro é um telefone do Supremo. Portanto, ele alega que nunca falou com ele pelo telefone, não era ele a pessoa, alguém era passando-se por ele.

pelo menos, no telefone oficial do Supremo. Então, essa é uma disputa interna do Supremo que já vem se desenhando há algum tempo, desde a Lava Jato, porque na Lava Jato também havia muita contestação contra a atuação do Gilmar. E quando morreu o relator do Lava Jato,

relator, num desastre de avião, a coisa ficou mais fácil para os que eram contra a Lava Jato. Então, agora, vamos ver como é que essa disputa interna, mais uma vez, está se dando. Então, vamos ver o que vai sair disso, dessa cisão do Supremo, dos ministros do Supremo. A gente tem claramente,

lado, parece que o ministro André Mendonça tem, não diria que tem pressa, mas que ele não quer deixar o caso morrer, né? É, ele tá agindo de uma maneira muito interessante, porque ele tá não tá deixando morrer e tá tomando todos os cuidados técnicos pra não anular qualquer prova. Ele tá com muito cuidado nisso, né? Então, realmente, vai ser uma luta, assim, de descobrir

que justifica a nulidade ou contra os cuidados para que essa brecha não apareça. Considerando o peso do caso, um escândalo de proporções como essa, anular isso aí vai ficar muito feio. Acho muito difícil, inclusive, porque agora... O Sadenberg, a gente já viu tanta coisa

dizer que não pode acontecer. Até delações premiadas, no caso da Lava Jato, foram anuladas pelo ministro Dias Toffoli, alegando que o réu foi coagido e até gente que confessou que devolveu o dinheiro foi liberado. Teve um que recebeu o dinheiro de volta.

coisa que a gente não tem ideia de o que vai acontecer. Enquanto isso, faça uma pesquisa e mostra-se que a maioria absoluta da população brasileira desconfia, não confia no Supremo Tribunal Federal. Mas isso é consequência natural do fato de o Supremo estar envolvido em uma disputa política. Esse é um fato fundamental.

Merval Pereira, obrigado Merval, até amanhã. Até amanhã.