Episódios de Política

Manobra de Flávio Bolsonaro abriu espaço para candidatura de Moro no Paraná

24 de março de 20267min
0:00 / 7:21
O senador Sergio Moro confirmou sua candidatura ao governo do Paraná pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e declarou apoio à campanha de Flávio Bolsonaro no estado. Bernardo Mello Franco comenta que a decisão de Moro apresenta contradições em relação ao seu discurso anterior, uma vez que ele agora se alia a políticos que antes criticava, como Valdemar Costa Neto, condenado no caso do Mensalão. Enquanto isso, no PSD, a definição sobre a candidatura à presidência ainda está em aberto, com Ronaldo Caiado e Eduardo Leite sendo apontados como possíveis nomes.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Assuntos3
  • BolsonaroRetirada de Ratinho Junho da disputa · Ultimato público via Rogério Marinho · Oferta de vice para Ratinho · Estratégia para viabilizar Moro · Controle da base eleitoral do Paraná
  • Atuação de Lucia na políticaConfirmação da candidatura pelo PL · Apoio a Flávio Bolsonaro · Contradições políticas de Moro · Aliança com Valdemar Costa Neto · Transição de juiz para político
  • Ronaldo CaiadoCandidatura presidencial em 1989 · Fenômeno Fernando Collor · Sonho presidencial de longa data · Segundo mandato de governador · Mudança de partido para União Brasil
Transcrição13 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco. E aí, Bernardo? Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Bernardo. As peças do tabuleiro se mexeram. O Ratinho Júnior retirou-se do tabuleiro e o Sérgio Moro confirmou a sua candidatura ao governo do Paraná com apoio e apoiando o Flávio Bolsonaro.

vão ficando mais claros no jogo político. Pois é, Sadenberg, realmente, como dizia o Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. A gente viu, Sérgio Moro saiu do governo Bolsonaro acusando o presidente de interferir na Polícia Federal para defender o filho, Flávio Bolsonaro, impedir que o filho fosse investigado. Agora, ele se filia ao PL do Valdemar da Costa Neto e diz que vai fazer o palanque do Flávio Bolsonaro no Paraná.

Então, para quem entrou na carreira política que você discursou anticorrupção, agora o Sérgio Moro vai subir no palanque do lado do Valdemar, a quem ele já acusou, veja só, de ser mensaleiro, de fato foi condenado do Mensalão, e de mandar no governo do Bolsonaro o seu agora aliado. Vê que o personagem do Sérgio Moro político está abraçado hoje com políticos que talvez fossem condenados pelo personagem do Sérgio Moro juiz.

do Ratinho Júnior, Sánenberg e Kácer. De fato, mexe com esse tabuleiro porque ele vinha sendo apresentado como o candidato mais viável ou melhor posicionado nas pesquisas daquilo que se convencionou chamar no passado de terceira via e que agora tentava se apresentar como centro, centro-direita, enfim, a candidatura do PSD partido do Gilberto Kassab. E aí fica aquela pergunta de quem é que vai ocupar esse espaço. As razões da saída, da desistência,

do Ratinho Júnior estão muito claras. O Ratinho Júnior sofreu um ultimato público da campanha do Flávio Bolsonaro. Isso ocorreu há pouco mais de 10 dias. O porta-voz desse ultimato foi o senador Rogério Marim, procurou o Ratinho Júnior, instou o Ratinho Júnior a desistir da campanha, porque poderia prejudicar o Flávio Bolsonaro. E ofereceu, inclusive, a ele a possibilidade de ser vice na chapa do Flávio a presidente da República.

mas dez dias depois resolveu sair de campo. E aí a gente pode apontar, talvez como principal fator para isso, a manobra do Flávio Bolsonaro para filiar o Sérgio Moro e apresentar uma candidatura de direita com grande possibilidade de ganhar o governo do Paraná. Então, entre o projeto nacional e o controle da província, do Estado, da base eleitoral no Paraná, o Ratinho Júnior está optando pela segunda opção, o que nos leva a crer que a primeira,

opção, o projeto nacional talvez não fosse tão importante assim. Em relação ao PSD, hoje esteve com o presidente do partido, Ronaldo Caiado, que tudo indica vai ser o candidato à presidência. Amanhã tem um encontro com o Eduardo Leite, mas, ao que tudo indica, já está tudo decidido, né, Bernardo? Pois é, Cássia, está mais encaminhada a coisa para o Ronaldo Caiado. Embora a gente esteja falando, isso é importante frisar, de um contingente de votos que, de acordo com as pesquisas, é um contingente muito pequeno. Pelo último,

data-folha, o Ronaldo Caiado aparecia com 4% das intenções de voto e o Eduardo Leites com 3%. Então, a distância entre os dois é muito pequena, mas a quantidade de votos dos dois também é pequena. A gente está falando, ao que tudo indica nesse momento, de dois candidatos que não entrariam para competir, entrariam mais para fazer figuração e para se posicionar num páreo, num grid de largada para a eleição de 2030. Essa sim, uma eleição que não deve ter nem Lula, nem Bolsonaro,

nas setas, na urna eletrônica. Como você falou no começo, o Tom Jobim dizia que não é para armadores, então não vai falando dessas coisas aí que de repente... Não, na política, Sartenberg e Castro, a gente nunca pode dizer que algo é impossível, que algo não vai acontecer ou que o fulano está sepultado, porque normalmente os cadáveres na política levantam da sepultura e depois ainda tem muita gente.

Agora, acho que cabe uma reflexão rápida sobre o que significaria essa candidatura possível do Ronaldo Caiado. O Ronaldo Caiado é um personagem que já foi candidato a presidente da República em 1989, na primeira eleição presidencial depois da ditadura. Aparecia na televisão montado no cavalo branco. E ele tentou ali naquela ocasião ser o candidato da direita ou das direitas, acabou sendo atropelado pelo fenômeno Fernando Collor, que ficou lá atrás.

no fim da eleição. O Caiado tinha, ele acalenta esse sonho presidencial há muitos anos, ele está terminando o segundo mandato de governador em Goiás, não tem nada a perder, portanto quer ser o candidato. Mas a candidatura dele é um projeto muito mais pessoal do que partidário. Veja que ele se lançou candidato no ano passado no União Brasil, então ele mudou de partido, mas ainda quer se provar candidato. No fim das contas, Sardenberg e Cassa, é muito difícil que qualquer candidatura se viabilize.

no PSD. Entre outras razões, não só porque o eleitorado já está dividido entre Flávio Bolsonaro e Lula, mas também porque o próprio PSD está dividido entre Flávio Bolsonaro e Lula. Se a gente olha os principais líderes desse partido, eles já tomaram lugar numa dessas candidaturas favoritas para o presidente da República. Então, qualquer que seja o candidato do PSDB, ele tem grandes chances de ser cristianizado, ser caído, ser abandonado pelos eleitores e ser deixado no meio do caminho de uma eleição presidencial.

certo. Bernardo Melo Franco, muitíssimo obrigado, Bernardo, até quinta. Até quinta, um abraço para vocês, boa tarde para os ouvintes. Até mais, Bernardo.