Caso Fictor revela padrão de fraudes em instituições financeiras
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Bruno Caraza
- Fraudes FinanceirasOperação Fallax · Banco Master · Fictor · Crime organizado · Lavagem de dinheiro
- Compra de votos e corrupção políticaCorrupção em instituições financeiras · Conexões com políticos
Estamos de volta com o Viva Voz, agora que são 6 horas e 46 minutos. Já tá com a gente na linha o Bruno Caraza, nosso colunista das quartas-feiras. Boa noite, Bruno. Boa noite, Vera. Ei, Débora. Oi, Carol. Boa noite pra você que acompanha a gente aí pela CBN. Boa noite. Oi, Bruno. Bruno, a gente viu que hoje a PF deflagrou mais uma operação, né? E agora que apura uma fraude de 500 milhões.
que teria sido cometida, praticada pela Fictor, aquela empresa que tentou comprar o Master. Mas um desdobramento de um modelo de negócio que parece misturar fraude com conexão com o crime organizado. Explica um pouquinho para a gente do que a gente está falando, de que engrenagem é essa, e que desdobramentos a gente pode ver de agora em diante nesse caso.
Pois é, Vera, é um caso que tem muitas similaridades com o caso Master e uma empresa que tinha relação com o Banco Master. A Ficto é uma financeira, até pouco tempo atrás, ela só era conhecida porque era patrocinadora do Palmeiras, mas era uma empresa com pouco lastro no mercado e ela realmente surgiu quando ela apareceu.
como uma das possíveis compradoras do Master, depois que melou a negociação com o BRB, o Daniel Vorcaro anunciou que a Factor estaria comprando o Master junto com um grupo de investidores árabes. E isso muita gente desconfiou imediatamente, porque era uma empresa que não tinha peso para base financeira para fazer esse tipo de operação. E foi exatamente nesse dia que o...
viajar e ir para o mundo árabe, acho que Dubai, talvez. E a Fictor, depois disso, passou a ter dificuldade de captar recursos no mercado, entrou em dificuldade financeira e chegou, inclusive, a entrar num processo de recuperação judicial. Hoje, essa operação da Polícia Federal vai além, além dos problemas financeiros.
inclusive com o crime organizado. Segundo o que a gente sabe, que saiu agora, ainda pouca coisa, a PF vem investigando isso desde 2024.
o envolvimento de sócios da Fictor com esse esquema, que era um esquema que envolvia a criação de empresas de fachada e a cooptação via pagamento de propinas de funcionários, gerentes, executivos de grandes bancos como Caixa, Santander e Bradesco, que concediam empréstimos para essas empresas de fachada.
E assim essas pessoas faziam compra de bens de luxo, investimento em cripto ativo, que na visão da Polícia Federal é uma tentativa de lavagem de dinheiro, porque são os mesmos operadores que supostamente operavam também para organizações criminosas como o Comando Vermelho. Então é mais um desdobramento.
instituição financeira que cresceu muito rápido nos últimos tempos e tem conexões aparentemente com o crime organizado, como já era o caso tanto do Master quanto da REAG. E Bruno, a cada operação da Polícia Federal fica mais claro que essas instituições se aproveitam de falhas na fiscalização e também com a conexão com políticos para cometer ilícitos, né? Que passam por desvio de dinheiro e também por lavagem de dinheiro. Sound Sound
É isso, Débora. Fica cada vez mais claro que isso aconteceu no caso do Banco Master. Também tem evidências que pode ter acontecido com a Ficto. Na verdade, o Banco Master explorou diversas falhas...
do desenho do sistema. Primeiro, ele usou essa possibilidade do fundo garantidor de crédito de ressarcir as pessoas que tinham investimento até 250 mil reais.
para lançar papéis com promessas muito audaciosas de remuneração. Então, ele captou bilhões de reais no mercado, pensando que se desse errado a operação, ele ia empurrar o prejuízo para o fundo garantidor, para os outros bancos do sistema, que foi o que aconteceu.
Também tem muitas evidências de que essas instituições se valeram de uma estrutura de fundos para desviar e ocultar esses valores. E aí entra a participação da REAG nesse caso, que também já foi investigada por conexões com o crime organizado para a lavagem de dinheiro dessas organizações na Operação Carbono Oculto. E aí temos uma falha da CVM.
que é o órgão que deveria...
lastrear essas operações e inflar resultados. E aí teve vista grossa de auditorias privadas que atestavam esses balanços. E tem a corrupção pura e simples, né? Tanto de agentes públicos, como a gente viu no caso dos diretores e ex-diretores lá de fiscalização do Banco Central, e essa corrupção privada que a gente está vendo agora com os gerentes de grandes instituições financeiras.
privadas, grandes bancos privados. E aí, além disso, as conexões com políticos, que é todo um esquema de pagamentos, contratações fictícias, visando tanto a obtenção de decisões favoráveis, sejam sentenças judiciais, sejam mudanças de leis.
quanto a proteção caso o sistema fosse derrubado como acabou sendo derrubado. Então é uma ampla rede de operações que exploram falhas do sistema e corrompem pessoas que deveriam estar ali fiscalizando, dizendo não e barrando esse tipo de operação.
Agora, Bruna, até que ponto a gente deve se preocupar com a possibilidade de essas fraudes não serem só casos isolados, mas sim algo sistêmico e praticado também por outras instituições financeiras?
Pois é, esse é o principal temor, né, Carol? Que isso não seja só o fruto de um gênio do mal que organizou todo esse sistema e se aproveitou dele e desviou bilhões de reais e ficou nisso mesmo. Tenho medo de que outras instituições estejam seguindo o mesmo caminho ou se valendo desses canais. E aí, ao meu ver...
de tudo que tenho lido e estudado a respeito, acho que tem duas grandes questões aí. A primeira é saber se essas pessoas chaves, como o Vorcaro e os executivos desses bancos, eles agiam sozinhos ou se eles eram intermediários de um esquema maior. É a questão de saber se o cabeça da organização era o Vorcaro ou se ele agia como intermediário.
para a gente mais poderosa que se valia de toda essa estrutura que foi criada. Então isso é uma grande questão que eventualmente pode aparecer no decorrer das transações da delação premiada. E o segundo ponto, a meu ver, é um possível elo entre a atuação do Banco Máfia, da Fictor, do Pleno, com a máfia do INSS.
Tem padrões de atuação dessas instituições que lembram muito o que a gente vislumbrou no caso da máfia do INSS dos descontos indevidos. Inclusive tem uma pesquisa feita pela professora Maria Paula Bedran da USP e um grupo de acadêmicos.
exploram esse mercado do crédito consignado, que é um mercado muito pouco regulado, está na mão de políticos ali no INSS. Esse grupo de instituições cresceu muito nos últimos tempos. Além disso, eles têm um número muito grande de ações contra eles na justiça, questionando justamente empréstimos não solicitados e descontos indevidos, que é justamente o problema que aconteceu.
Várias instituições que cresceram operando nesse mercado de crédito consignado, de cartão consignado nos últimos tempos, levantam...
fundo pelo Banco Central para que isso, o medo de que isso não seja só um caso isolado, mas um caso mais amplo dentro do sistema financeiro. Sim. Bruno Carasa, conosco todas as quartas-feiras. Obrigada por hoje, Bruno. Até semana que vem. Até mais, pessoal. Até semana que vem. Até, Bruno. Tchau.