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Zambelli está 'bastante encrencada' e sem rede de apoio político da família Bolsonaro

26 de março de 20268min
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A Justiça italiana decidiu nesta quinta-feira (26) pela extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. Com isso, a expectativa é que ela retorne ao país para cumprir pena em breve. Bernardo Mello Franco analisa que a ex-parlamentar está "bastante encrencada", com o agravante de ter perdido o apoio da família Bolsonaro.

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Cássia

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  • Extradição de Carla ZambelliCondenação por invasão hacker · Condenação por porte ilegal de arma · Relação com a família Bolsonaro
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Conversa de Bastidor, com Bernardo Melo Franco.

E aí, Bernardo? Boa tarde, Sertenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da CBN. Boa tarde, Bernardo. Bernardo nos estúdios do Rio de Brasília, Bernardo. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Viu o jornalista de paletó e já achou que era Brasília. É, exatamente. Aqui a gente também trabalha, Carlos Alberto. É, mas não precisa usar paletó, né? De vez em quando precisa. Estava apresentando um evento aqui no auditório da Editora Globo mais cedo. Deus ajuda quem cedo madruga, né?

E a Zambelli, ela ainda tem um recurso Pois é, Sardemberg, Carla Zambelli Essa personagem que volta e meia volta ao noticiário Retorna ao noticiário, nem sempre em situações muito honrosas

A Carla Zambelli, a notícia do dia, é que a justiça italiana autorizou a extradição dela para o Brasil e isso talvez aponte para o fim de uma novela já longa, de quase um ano, desde que a Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por aquela invasão hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça.

Só para recapitular esse assunto, a Carla Zambelli foi condenada em maio de 2025 a 10 anos de prisão. E ela, em vez de se entregar à justiça, ela fugiu. Fugiu do Brasil. Ela atravessou a fronteira com a Argentina.

por solo, depois ela pegou um avião, foi lá para os Estados Unidos, em seguida foi se esconder na Itália e foi encontrada. Ela entrou lá no alerta vermelho da Interpol, foi encontrada, foi presa, foi levada para uma penitenciária feminina ali nos arredores de Roma e desde então a defesa dela.

tenta mantê-la na Itália, tenta mantê-la fora do Brasil. O governo brasileiro tem feito uma série de esforços para cumprir essa ordem de extradição dela para cá. Foram mobilizados diplomatas, policiais, pessoal do Ministério da Justiça, do próprio Judiciário. E, finalmente, nessa quinta-feira, saiu uma decisão da Corte de Apelação de Roma.

mandando, autorizando a extradição da ex-deputada para o Brasil. A defesa diz agora, Sartenberg, que vai recorrer à Corte Suprema de Apelação na Itália. A nomenclatura dos tribunais lá é diferente da nossa. Essa Corte de Apelação que determinou hoje a extradição, ela é um órgão de judiciário de segundo grau. Seria mais ou menos o equivalente a um tribunal regional federal no Brasil.

E a Carla Zambelli está tentando levar essa história lá para a Corte Suprema. A gente ainda não sabe exatamente como é que essa novela vai acabar. Lembrando que depois da decisão do Judiciário também fica pendente um ato administrativo, uma decisão de governo do ministro da Justiça da Itália, que é o Carlo Nordio.

Por que a Zambelli foi para a Itália? Claro, ela tem cidadania, como o sobrenome indica, ela é de uma família de origem italiana, mas ela contava também com uma espécie de camaradagem, com uma proteção do governo da Itália, que hoje é um governo de direita, da Giorgia Meloni.

Mas o que aconteceu nesses últimos meses foi que a gente viu que nem o bolsonarismo no Brasil, nem a turma da Giorgia Meloni na Itália se esforçou muito para aliviar a situação da Carla Zambelli. Então, ela reclama de abandono, diz que não deram mais bola para ela, que a família Bolsonaro deixou ela pelo caminho. O fato é que agora ela está em maus lençóis e, se não conseguir uma reversão dessa decisão na Justiça, ela tem tudo para ser escreditada de volta para o Brasil e cumprir pena aqui.

E lembrando que a Carla Zambelli, o Bernardo esclareceu aqui pra gente que a condenação a qual ela responde e tem esse processo de extradição é aquela invasão hacker, condenada a 10 anos de prisão. Mas depois que ela já estava foragida, depois foi lá pra Itália, ela teve outra condenação. Em 2025, ela foi condenada a 5 anos de prisão por perseguir um homem armado em São Paulo nas vésperas da eleição. Aliás, foi exatamente na véspera da eleição de 2022, né, Bernardo?

Exatamente, Cássia. Esse episódio que ocorreu nos Jardins, na região nobre de São Paulo, e que é apontado pelos bolsonaristas como uma das causas da derrota do Jair Bolsonaro no segundo turno. A gente costuma dizer em política que Vitória tem vários donos e derrota, às vezes, não tem pai. É claro que a família Bolsonaro, o próprio ex-presidente, busca também um bode expiatório, ao dizer que só perdeu por causa da Carla Zabelli.

Ele perdeu porque faltou voto. Ele perdeu porque ele teve menos votos do que o presidente Lula. Mas, sem dúvida, aquele episódio da Carla Zambelli pode ter sido um dos elementos que levaram um eleitorado, vamos dizer assim, mais moderado, mesmo de direita, a decidir não votar no Bolsonaro naquela reta final. Esse episódio, você lembra, né, Cássia? Foi um...

Um eleitor do PT, um homem negro, que fez ali uma provocação à deputada, como políticos costumam ser provocados na rua, é parte do trabalho deles saber lidar com isso, a vida real na rua, e ela sacou uma arma e saiu correndo atrás desse homem até interceptá-lo lá num bar, numa espécie de uma lanchonete.

A Carla Zabelli, por esse episódio, ela foi condenada por porte ilegal de arma, ou seja, ela não tinha nada que estar com revólver a areia, ela não tinha porte para caminhar com aquela arma nas ruas, e por constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Então, se a gente somar a pena anterior pela invasão do sistema do CNJ, que foi de 10 anos com mais essa pena...

ela responde por condenações que somam mais de 15 anos de prisão. Portanto, ela está bastante encrencada e, como eu falei, até por causa desse episódio, Cássia, ela acaba que não tem mais aquela rede de proteção política com a qual ela contava no Brasil. Ela foi se indispondo com figuras da família Bolsonaro, com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e aí, no momento da dificuldade, quando ela olhou para o lado, não tinha muita gente para defendê-la.

Importante a gente lembrar também que a Carla Zambelli, ela foi uma personagem, embora meio folclórica, às vezes meio anedótica, ela foi uma personagem importante da corte bolsonarista. A gente está falando de uma deputada federal eleita por São Paulo em 2022 com a segunda maior votação do Estado. Ela teve 946 mil votos, quase um milhão de votos. Só ficou atrás em São Paulo do atual ministro Guilherme Boulos.

E a Carla Zambelli tinha relações com muita gente no governo. Ela chegou a ter o então ministro Sérgio Moro como padrinho de casamento dela. Então, era uma pessoa forte no bolsonarismo, que teve influência no governo passado e que agora está se vendo abandonada, correndo risco de ser escreditada para o Brasil. Bernardo Mano Franco, obrigado Bernardo. Até a semana. Até a semana. Um abraço para vocês e boa tarde para os ouvintes. Até mais, Bernardo. Até mais.

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