Rejeição ao STF não foi derrota de Messias, mas da articulação do governo
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. A Semana Política, com Marco Rudiger. Boa tarde, Marco.
Boa tarde, tudo bem, Marcela? Como é que estão nossos ouvintes queridos aí? Tudo certo. Acompanhando nossa semana tensa. Olha só, o pessoal já está mandando mensagens aqui. Esse é o momento de se atualizar, entender o que a gente teve de importante nessa semana, já vislumbrando o que vem por aí, né? E muitos ouvintes já estão mandando mensagem aqui, adivinhando o tema, o principal tema que nós traremos hoje na nossa conversa, que é...
Claro, a rejeição do nome de Messias, o indicado do presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal e também a derrubada do veto do presidente com relação ao projeto de lei da dosimetria. Ou seja, duas derrotas para o governo que vão ter grandes desdobramentos e foram muito faladas nas redes nesta última semana, né Marco?
Marcelo, isso aí foi uma semana muito ruim para o governo, óbvio, né? Isso aí, choveu no molhado falar isso. Mas o fato é que isso acende um sinal de alerta muito grande, porque não se trata só... Assim, na verdade, a gente vem com uma série de pesquisas de opinião que têm sido feitas pela Quest, pela Atlas, dados que até nós mesmos publicamos, né? E que mostra, de fato, um problema grande.
de uma contrariedade com as entregas do governo Lula, e que é até curioso, porque o governo tem a situação econômica geral, ela, de certa forma, melhorou, à exceção a essa questão do endividamento, que é muito sério, mas o fato é que o governo não é despojado de coisas interessantes para mostrar. Mas existe uma...
dificuldades de entender, talvez, as expectativas reais do brasileiro. Então, esse é um grande problema, que existe uma série de pesquisas em sequência, mostrando um crescimento, digamos assim, da oposição muito significativo.
e o índice de rejeição do governo aumentando de forma também significativa, o que é bem ruim, um cenário ruim para quem vai começar uma eleição. Tem tempo para isso mudar, é claro, mas esse é um cenário ruim. Aí, nessa semana, acontece essa indicação para o STF, do ministro da AGU, Jorge Messias, e depois, em seguida, a questão da dosimetria. Vamos falar primeiro do Jorge Messias. Jorge Messias, olha só, ele é um quadro...
Muito qualificado. Ele é um sujeito que atende todos os requisitos, ele tem um notório saber, ele tem a idade certa para poder pleitear, para ser apresentado, digamos assim, para ir para o Supremo. Ele teria uma vida longa lá dentro do Supremo, não é uma vida curta, digamos assim. Ele poderia fazer uma contribuição grande. É um sujeito de uma razoabilidade bastante conhecida e notória. Ele foi bem na sabatina.
Então, ele fez um belo trabalho na AGU, ele passou pela consultoria do Senado, passou pelo Banco Central, então é um sujeito que conhece a administração pública. Então, é um belo nome, foi lamentável, eu diria, para o Brasil um nome como esse, e compou o STF na medida que o STF está com um ministro a menos, inclusive. E ele faria uma boa articulação em termos propositivos, analíticos, com bastante isenção,
junto com outros ministros lá, da Mendonça. Enfim, seria bom, seria muito positivo. Agora, infelizmente, isso não aconteceu. E eu acho que isso não aconteceu, vamos lá, fazendo uma síntese, tudo que já foi dito, tudo que já foi esmiuçado, mas tem três pontos que são importantes.
O primeiro deles é que isso não é uma coisa qualquer e fortuita. Além de várias pessoas, assim, foi notório, né? Não, assim, é a primeira vez que isso acontece, blá, blá, blá, desde o Floriano Peixoto, tudo mais, uma rejeição de um ministro para o STF. Mas o fato é que o impacto nas redes, é disso que se trata hoje, a política está muito mediatizada, mas está muito digital, né? A gente sabe disso, a polarização opera no digital. Então, as redes são fundamentais para a formação de percepção.
de mundo, de política, de poder. Então, a gente teve aqui 1,2 milhões de posts, com mais de 60 milhões de interações nessa semana, em cima desse caso, especificamente desse caso. E esse caso tem três vetores, e a derrota foi uma derrota de 34 votos a favor, 42 contra. Então, foi muito significativo essa derrota. Essa derrota não é...
digamos assim, do ministro Jorge Messias em si, é da articulação que o governo teve e uma articulação que deveria anteceder uma capacidade de avaliação do cenário e das possibilidades. Então, teve um erro também, na meu ver, nessa avaliação. Então, ele foi exposto nesse processo. Então, isso foi muito ruim também. Mas, enfim, basicamente, teve três pilares essa história, digamos assim, essa narrativa toda, esse processo. Primeiro, vetor.
Primeiro pilar, o Banco Master. A gente, desde o ano passado, vinha dizendo aqui, lá desde trás, que era um sussurro, o Banco Master, presta atenção no Banco Master, e de fato esse ano o Banco Master virou uma grande questão.
É uma questão que é transversal a todo o espectro partidário, ou seja, ela fura a polarização porque atinge direita, centro, esquerda. Então, o Banco Master tem complicações, é uma questão e um problema extremamente inconveniente. E a evolução potencial dessa discussão e a investigação potencial do Banco Master...
contraria enormes interesses. Então, essa foi uma questão. Esse ministro vai ter alianças dentro do STF que vai aprofundar essa questão? Esse foi um dos problemas e isso foi, digamos assim, um fator bastante importante nessa resultante 34-42. Essa é uma questão.
são os ventos eleitorais. É tido a derrubada de um ministro que qualificaria, inclusive, o STF, foi reduzido a uma questão da eleição desse ano. Não que isso não fosse, digamos assim, não tivesse já na conta, porque faz parte da política. Esse é um ano, ainda mais nesse momento, daqui para frente, tudo se trata em cima de eleições. Então, isso meio que deveria estar na conta de quem articulou essa indicação nesse momento e avançou com ela. Porém...
De qualquer maneira, para quem quer uma qualificação do STF, o STF tem sido alvo de críticas constantes, pesadíssimas, inclusive pela direita, você simplesmente subtrair a possibilidade de ter um ministro muito bom lá, mostra como está se apequenando todo esse processo.
Então, assim, esse é um outro pilar bastante negativo que contaminou, que corroeu esse processo todo. E o terceiro é a própria base de apoio do ministro Jorge Messias. Enfim, ele conseguiu uma mobilização entre evangélicos, isso foi importante, mas não foi total. Vários botaram em primeiro lugar a questão política, e eu não estou fazendo nenhum juízo sobre isso, simplesmente foi o que ocorreu.
Mas se você olhava as redes sociais, por exemplo, no dia mesmo da eleição, isso já de antes, mas se você olhava no dia, basicamente, o que existia era um mais gigantesco posicionamento da direita.
e quase nada, mas literalmente quase nada pela esquerda apoiando o nome dele. Eu não sei se isso era uma estratégia para não, digamos assim, afastar eventualmente apoios evangélicos ou simplesmente se deu por tido, está resolvida essa questão necessária.
De certa forma, pode ser até uma... De certa forma, o governo, a esquerda, subestimou o poder de articulação da direita com o Centrão, nesse caso do Messias também, né? Pode ser uma hipótese. Não, eu não tenho dúvida nenhuma que houve, que se subestimou de fato, né? E isso, para mim, é um grande sinal de alerta. Porque se você subestima isso, você subestima...
digamos assim, o que as pesquisas estão dizendo, mostra o seguinte, que não se entende muito ainda como é que esse mundo do digital funciona, como é que a construção das percepções...
eventualmente não tem nexo com a realidade, ou tendo nexo com a realidade, eles distorcem alguns pontos que são importantes. E, principalmente, uma série de coisas foram conseguidas e foram importantes, digamos assim, nesses anos, nesse Lula 3, mas o fato é que existe uma certa dificuldade de entendimento.
da expectativa dos indivíduos. Eu acho que as pessoas têm o direito da busca da felicidade. Não é que ela esteja garantida a busca dessa felicidade. Tem que se promover a possibilidade dessa busca. Mas hoje essa busca se dá de formas muito diferentes.
Por exemplo, as pessoas querem ter a capacidade de empreender mais, elas querem ter uma estratégia mais individual e talvez menos regrada pelo Estado. Então, essas coisas mudaram muito. A própria percepção da Previdência Social, o sujeito quer se incluir ali ou não quer, ele quer empreender. Tem um espírito, digamos assim, o Brasil tem um espírito que é ibérico e tem um espírito americano que convive no Brasil. E o Brasil tem um pouco dessas duas coisas.
Então, ele quer a proteção do Estado, ele quer um Estado que seja atuante, que dê resposta, mas também quer um espaço para respirar, empreender e criar coisas novas. Então, como é que se lida tudo isso quando a estrutura sindical está em xeque, quando é que se muda a regulação dos grandes caciques também começa a ficar em xeque? Então, isso são problemas, como a própria estrutura do Brasil. Se você pega o presidente do Senado, ele tem menos votos que o deputado federal presidente de São Paulo.
Ele é o presidente do Senado, ele construiu esse caminho, eu não estou dizendo com isso.
que eu não estou invalidando, digamos assim, é absolutamente válido o que aconteceu e é da regra do jogo. Foi democrático em algum sentido porque isso aí estava dentro da regra. E pronto, perdeu, perdeu, faz parte. Agora, como é que a nossa estrutura federativa está representada? Como é que o nosso sistema partidário funciona? E aí são desvios em cima de desvios. Foi realmente uma semana muito ruim. A dosimetria vem...
digamos assim, no vácuo disso, né? E é uma contrapartida desse negócio e é péssima essa resolução da 2003 também. Estamos de volta com revista CBN, Semana Política com Marco Rudiger, trazendo o que foi notícia nesta última semana. Falamos principalmente a respeito da derrota do governo com relação à rejeição do nome escolhido pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal.
E outra derrota que a gente vai trazer agora é com relação ao veto no PL da 12 metria. Marco, vamos lá. Essa derrota, ela é, na verdade, essa eu diria assim também, ela é extremamente impactante, mas ela foi muito costurada internamente, porque ela foi...
Houve alguns recortes feitos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, então ele restringiu alguns pontos que seriam problemáticos, que estenderiam essa dosimetria a criminosos comuns, miliantes, etc. Mas, de qualquer maneira, eu acho que é um problema muito sério, porque é uma revisão e uma incidência sobre uma decisão do STF feita pelo Senado.
Abriu-se uma certa porta que a partir da qual o Senado pode vir a ser ainda mais pressionado no futuro pelo... O STF pode ser mais pressionado no futuro pelo Senado. Então, essa é uma questão muito importante. Por um lado, o que a gente viu? A gente viu certas costuras sendo feitas dizendo assim, não, não, vamos filtrar...
como é que esse debate vai se dar, desnomeações para o STF, etc. Mas, ao mesmo tempo, assim...
Existe uma pauta de rever o próprio regramento do STF. E isso daí gerou, eu acho, um clima de incerteza. É uma vitória, digamos assim, para um campo político, mas em termos gerais da institucionalidade no país, é uma certa derrota, porque você começa a mexer ainda mais profundamente num sistema de equilíbrio de poderes que hoje já está desequilibrado, distorcido, vai ficar ainda mais.
Eu acho que isso tudo, na síntese, aponta para o seguinte, a gente vai ter que passar pela eleição, porque, obviamente, é o processo, é o calendário, é o que a democracia exige, demanda e é o que é o certo, porém, em seguida, deveria haver uma discussão, e eu suponho que venha a ter uma discussão grande sobre...
repensar todo o sistema político brasileiro, porque realmente a gente tem uma crise tremenda de radicalização, polarização, que afeta profundamente as instituições e todas elas, de alguma forma, numa extensão.
menor ou maior, em casos episódicos ou de forma mais sustentada, tem gerado uma série de disfunções e distorções no processo. Então, isso é muito sério. E eu acho que existe um empobrecimento também muito grande, porque a gente vê as redes sociais e aqueles que a usam melhor tendo um protagonismo muito grande, empobrecendo muitas vezes o processo político. A gente vê a ascensão, por exemplo, em todos os campos políticos.
da busca de candidatos influenciadores. Se você olha as redes sociais hoje, já vem tão pouca informação, é tudo tão reduzido, pessoas lacrando, distorcendo alguns fatos, pegando alguns episódios e, com isso, ganhando seguidores. Agora, isso começa crescentemente a se tornar o padrão pelo qual você escolhe candidatos que não adensam o debate político, simplesmente estão preocupados com likes.
Então, como é que é essa política no Brasil? E isso não é só num campo, não. Isso a gente vê em quase todos os campos, essa expectativa de buscar influenciadores como candidatos políticos. Eu acho isso.
que o nosso sistema realmente está empobrecendo de uma forma tão grave que fica difícil discutir questões complexas, você sabe, no Brasil. E, enfim, é lamentável. Então, todo esse processo, toda essa semana, eu acho que ela foi muito nefasta para o Brasil, foi muito ruim. Enfim, vocês segurem o tranco, porque esse ano não vai ser fácil. A gente tem tido, por exemplo, eu diria só para fechar, aqui, Marcela, voltou muito fortemente o uso.
pela esquerda do Congresso inimigo do povo. Entendeu? Eu não sei exatamente se Congresso inimigo do povo. Eu acho que...
O Congresso faz a parte dele, a política é como é. Muitas vezes ela desce, não desce redonda, desce quadrada, a gente tem que engolir. Mas por que isso acontece? Não acho que seja tão simples assim. Todos os campos erraram. Esse episódio do Messias, por exemplo, eu acho que houve um erro de avaliação muito sério e uma escorregada nas costuras que deveriam ter sido feitas. A dosimetria impacta diretamente a nossa vida, nosso regramento democrático, e...
E ela em si foi péssima. Se houveram excessos nas penas, isso é uma outra discussão. Mas realmente a gente está num momento difícil. Sem dúvida. Marco Hüdiger com a nossa Semana Política aqui no Revista CBN. Obrigada pela sua participação. Uma boa semana para você.
Obrigado, boa semana pra todos. Melhor, espera essa semana. Ai, eu também espero. Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.
Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$ 199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia, até a nossa estreia.
Dili
EX5 EMIMagalu