Relator defende revisão da escala 6x1 e diz que produtividade não depende apenas da jornada
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Léo Prates
- PEC da Escala 6x1Impactos econômicos da redução da jornada · Qualidade de vida dos trabalhadores · Produtividade e jornada de trabalho · Investimento em empresas e tecnologia · Qualificação profissional · Dupla jornada feminina · Humanidade e construção de seres humanos melhores · Regra de transição para mitigar impactos · Pesquisa Genial Quest sobre a escala 6x1 · Votos necessários para aprovação da PEC · Redução da carga horária de 44 para 42 horas em 2010
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Falei para você que nós íamos conversar sobre a escala 6x1 e as discussões que estão agora em andamento numa comissão especial na Câmara Federal. E o nosso convidado é o deputado federal, Léo Prats, que é o relator desta comissão. Bom dia, deputado, e muito obrigado pela sua gentileza de estar conosco aqui no Jornal da CBN.
Bom dia, bom dia a todos da CBN. É uma satisfação enorme poder estar aqui falando com vocês sobre esse importante tema, o tema que tem mexido o Brasil. Então, eu acho que é um prazer poder fazer esse debate aqui. E, deputado, como equilibrar a demanda de trabalhadores para uma jornada menor de trabalho sem redução de salários e o alerta de setores de economia, indústria, comércio e serviços de que haverá impacto alto no PIB e na folha de pagamento com repasse aos preços?
Olha, vamos começar por um debate que é trazido, eu tenho me debruçado, lembrando que o presidente Hugo Mota não começou esse debate agora, esse debate vendeu desde o ano passado, eu era presidente da Comissão do Trabalho, nós criamos uma subcomissão, presidida pela deputada Erika Hilton e relatada pelo deputado Luiz Gastão, nós tivemos intensos debates.
e nós não vemos da forma que estão sendo colocados. Como? Primeiro, sobre a sua primeira pergunta, é sobre esse aumento. Olha, há um dado muito interessante. Um terço apenas dos trabalhadores brasileiros, 30% dos trabalhadores brasileiros, estão trabalhando na escala 6x1.
Então, eu não vejo como você, 30%, ser maior do que 70% da força de mão de obra. Nesses 30%, grande parte dessa mão de obra é uma mão de obra que não... Perdão, que ganha na sua grande parte salário mínimo. Então, não há nem como haver redução salarial desse ponto de vista.
Terceiro, a produtividade, como está sendo alegada por diversos setores produtivos, e veja, eu não sou contra ninguém, eu sou a favor das pessoas.
A produtividade não é um elemento só da jornada de trabalho. Veja que o Brasil tem uma das maiores jornadas de trabalho no mundo, na atualidade, e uma das mais baixas produtividades. Por quê? Porque a produtividade está associada a uma questão de investimento nas empresas. Eu não posso, por exemplo, pegar uma empresa que tem uma estrutura tecnológica...
pujante em determinado segmento e comparar com a produtividade de uma indústria, por exemplo, pós-manual, pouco manual acima. Além disso, a infraestrutura, o presidente Ovo Mota, no último ano, tentou.
fazer toda a renovação de portos, a infraestrutura que depende do Estado brasileiro e nós temos que cobrar isso, mas não me parece justo botar apenas nas costas dos trabalhadores a questão da produtividade. Além disso, o que canje ao trabalhador, eu faço a pergunta aos seus ouvintes para a gente fazer uma reflexão.
A qualificação profissional é um dos itens elencados por quem entende do mercado de trabalho para um aumento da produtividade. E eu faço uma pergunta, uma reflexão a todos. Como nós vamos qualificar um trabalhador que trabalha seis dias por semana? Como esse trabalhador, que na sua grande parte é mulher, vai ainda ter tempo de se dedicar a seus filhos? A gente sabe que, infelizmente, a gente vive numa cultura machista.
E a mulher tem dupla, tripla, quarta jornada. Veja que a própria cantora Shakira, que é uma cantora latino-americana, falou no seu show sobre isso. E grande parte, a maioria, melhor dizendo, de quem está na escala 3x1 são mulheres. Então, o que eu estou defendendo agora é, mais do que tudo, a humanidade. Humanidade com essas pessoas que são, em sua grande parte, mulheres.
Para mim, o Brasil já deu uma série de remissões e benefícios que não trouxeram impacto social algum. A gente faz um apelo para que o governo também participe do esforço no que houver de impacto, mas eu estou muito convencido de que...
que o que nós queremos construir agora são seres humanos melhores. E para isso não tem preço. Porque como é que nós falamos tanto em desestruturação das famílias e como é que, por exemplo, eu estou falando aí da questão das mães numa sociedade machista, como é que uma mãe vai ter tempo?
de criar o seu filho, de ser a melhor mãe que ela pode para seu filho, ou o melhor pai, aquele pai ser o melhor pai, se nem tempo para exercer a paternidade e a maternidade essas pessoas têm. Então eu queria falar especialmente com o público cristão, que realmente eu acho que o que a gente precisa fazer é regra de transição para mitigar e minorar isso. Nós precisamos e nós precisamos trazer alívio para aquilo que for necessário no setor produtivo, mas eu acredito que é uma medida necessária.
para o futuro e para os seres humanos que o Brasil quer gerar. Agora, deputado, eu queria saber do senhor o seguinte, de que maneira essa proposta chega aos deputados do ponto de vista da recepção da medida? E eu pergunto isso porque nós tivemos uma pesquisa Genial Quest publicada em dezembro mostrando que embora 72% da população...
seja favorável ao fim da escala 6x1, entre os deputados, apenas 42% apoiavam essa medida. Esse percentual está mais ou menos o mesmo na percepção do senhor? Olha, vamos lá. Eu não tenho conversado ainda com os colegas, nós fomos fazer um amplo debate, uma equipe técnica estudando esse tema, eu estou debruçado, inclusive nós vamos debater com os setores produtivos, nós vamos estar lhe dando aí uma informação, nós vamos estar na Paraíba no dia 7 com o programa...
Câmara pelo Brasil, nós devemos ir a São Paulo, a Minas Gerais, comandados pelo presidente Alencar Santana. Então, ninguém tem vontade aqui, eu volto a dizer, esse projeto não é contra ninguém, é a favor das pessoas, é a favor do futuro que nós queremos construir. Em relação a isso, você traz uma importante reflexão. Eu tenho dito às centrais sindicais, aos movimentos sociais ao qual eu já fiz parte, eu tenho dito que o ótimo é inimigo do bom.
nós temos que encontrar um texto que possa mitigar os problemas com o setor produtivo e que possa alcançar, e você traz essa reflexão muito boa, eu quero lembrar que nós precisamos de 308. Então, o texto que o deputado Leopratis e o presidente Hugo Mota vão colocar...
podem não refletir a opinião pessoal do que eles gostariam de fazer, mas é o texto para trazer avanços para a sociedade. Nós precisamos de 308 votos, isso você colocou com muito brilhantismo, nós precisamos de 308 votos. Eu tenho conversado com as centrais, com os parlamentares mais ligados aos trabalhadores, que nós precisamos alcançar 308, não adianta.
e aí aos amigos da CBN, nós temos uma oportunidade histórica como nós tivemos em 2010, eu já falei até com algumas pessoas ligadas a ele que quando for a São Paulo quero visitá-lo, nós tivemos uma oportunidade histórica que em 2010, de reduzir a carga horária do Brasil de 44 para 42 horas, e por conta de divergências...
Nós perdemos 15 anos. Já era para o Brasil ter uma jornada de trabalho de 42 horas desde 2010, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, chamou todos uma mesa e fez a proposta. Os patronais entenderam que era uma boa proposta, os trabalhadores não. E por conta de dificuldade na mesa de negociação, o Brasil perdeu 15 anos. Então nós precisamos agora encontrar um texto que traga avanço e qualidade de vida para o trabalhador. É nisso que eu e o presidente Hugo Mota estamos focados.
Muito obrigado, deputado Léo Prats, que é relator dessa comissão especial da Câmara, que analisa a proposta de emenda à Constituição sobre o fim da escala 6x1. Muito obrigado, até uma nova oportunidade.
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
CBN São Paulo
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