Eleições 2026: eleitor prefere governadores independentes, diz CEO da Quaest
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Cássia
Milton
Felipe Nunes
- Voto de Independentes (Grupo Decisivo)Cenário das eleições de 2026 · Desejo por governadores independentes · Polarização nacional vs. estadual · Lula · Bolsonaro
- Pesquisa Eleitoral em 10 EstadosViolência · Saúde · Envelhecimento da população
- Governadores e política estadualAvaliação de mandato · Disposição para mudar de voto · Caiado · Tarcísio
- Paradoxo da escolha políticaDemanda por candidatos independentes · Oferta política limitada · Papel das elites políticas e partidos
- Indicadores e Percepção PopularDescolamento entre indicadores macroeconômicos e popularidade · Endividamento das famílias · Jogos online e apostas · Programa Desenrola
- Recorde de Renda no BrasilOpinião pública sobre a escala 6x1 · Renda baixa e salários baixos
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Nós destacamos aqui no jornal da CBN os resultados da pesquisa Genial Quest em 10 estados brasileiros. Havia dados sobre a disputa para o governo do Estado e do Senado, com os nomes que se destacavam nesse momento, ainda por parte do eleitorado em alguns aspectos muito incipientes, mas que mostravam o cenário deste momento.
Hoje nós temos a oportunidade de conversar com o Felipe Nunes, que é sócio-fundador da Quest, cientista político, a quem a gente desde já agradece a gentileza ter aceitado o nosso convite no Jornal da CBN. Felipe Nunes, muito obrigado e bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Prazer estar aqui falando com vocês. Eu agradeço pelo convite.
Eu lembrava aqui que na semana passada a gente trouxe os dados da pesquisa Genial Quest em 10 estados brasileiros e tinha um foco ali para a disputa do governo do Estado e do Senado. Agora, muitas das informações coletadas pela Quest nesses estados também dão um cenário do que acontece na disputa nacional. E eu queria aproveitar você, Felipe Nunes, com base nas informações que vocês...
levantaram, que você trouxesse para nós o que a gente pode identificar na disputa nacional, especialmente quando a gente olha ali os dois principais candidatos hoje no cenário, o presidente Lula concorre à reeleição e Flávio Bolsonaro. Milton, o que mais me chamou a atenção na disputa nesses dez maiores estados?
É que em vários deles, a maioria especialmente, a gente tem os eleitores desejando que os governadores sejam independentes, nem sejam ligados a Lula nem a Bolsonaro. Isso é muito interessante, quer dizer...
Embora a disputa nacional hoje seja basicamente caracterizada por uma polarização muito forte entre esses dois campos políticos, nos estados, os eleitores estão olhando de uma outra maneira. Eles preferem governadores que sejam menos ideológicos, menos polarizados e mais comprometidos, eu diria, com os desafios que os diversos estados apresentam. Obrigado!
dessa grande tese que eu apresento a vocês, há variações. Por exemplo, no caso da Bahia. Na Bahia há um desejo maior por um governador que seja ligado à Lula. Você também tem, no caso, por exemplo, de Santa Catarina, esse estudo que a gente fez, o eleitorado que é um governador mais ligado à direita, ali é o bolsonarismo. Mas na maioria dos estados acontece isso que eu disse.
O que isso acho que reflete, Milton, de muito importante? Há um espaço de um certo cansaço da polarização nacional e o eleitor busca nos estados por essa alternativa fora da polarização, governadores mais pragmáticos, mais comprometidos com os problemas que são apresentados nos estados.
Felipe Nunes teve um tópico que me chamou a atenção em vários dos levantamentos, que foi o seguinte, a disposição do eleitor em ainda considerar mudar de opinião em relação ao candidato. Cássia, esse é outro dado muito interessante que a gente coletou nesses 10 estados. Você veja bem, em Goiás...
onde a gente tem ali o governador Caiado, terminou seu mandato muito bem avaliado, 84% de aprovação, 71% dizem que ele merece fazer o sucessor. O seu candidato já está na frente nas pesquisas e a maioria já diz que já tomou a decisão. Ou seja, essa é uma eleição que parece caminhar ali para uma definição já mais clara.
diferente de cenários, por exemplo, como no Ceará, em Minas, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, onde...
Os governadores não estão tão bem avaliados assim e o grau de definição de voto é muito baixo. A maioria está dizendo o contrário, que deu ali uma opinião sobre quem vai votar, mas, na verdade, está disposto a mudar seu voto. E eu chamo especial atenção para o estado de São Paulo. O governador Tarsísio tem 54% de aprovação.
54, os mesmos 54, dizem que ele merece a reeleição, mas só metade, 50%, dizem que já definiram o voto, a outra metade ainda pode mudar. Ou seja, de fato, Cassa, a gente vai ter que acompanhar o desenrolado dessas eleições estaduais com muito cuidado, porque tem muita mudança, na minha opinião, caminhando daqui até o processo eleitoral.
E ao mesmo tempo, pensando aqui ainda na sua primeira resposta, há uma máxima nas pesquisas com consumidores, por exemplo, que diz que o consumidor, ao ser pesquisado, diz o que pensa, mas faz o que sente. Isso acontece também com o eleitor. Então, muitas vezes o eleitor agora diz assim, eu quero votar num governador independente. Aí chega na hora do voto, ele acaba sendo guiado por um dos dois lados.
Então, Milton, essa história é ótima, né? A gente sabe que o problema na política é que a gente tem que ter demanda de um lado e oferta do outro. E o que a gente está vendo hoje em dia é que a demanda do eleitorado por esses candidatos independentes não necessariamente está sendo satisfeita porque ele não está encontrando uma oferta que seja...
seja competitiva o suficiente para que dê a ele o que ele deseja. Ou seja, não necessariamente o desejo ou uma demanda por um candidato independente vai, na verdade, se realizar na urna, porque quem define o cardápio, Milton, não é o eleitorado, é a elite política, são os partidos. E os partidos, como a gente tem visto, têm construído uma configuração política.
muito próxima da polarização nacional, nomes que estão fazendo questão de se filiar a um lado ou outro, ou seja, isso acaba limitando essa demanda de ser concretizada. A gente ainda não tem a formalização de todas as campanhas.
Mas já há pelo menos um candidato ligado a Lula ou ligado a Bolsonaro em cada um desses 10 estados que a gente estudou. É muito provável que se o independente não se materializar, o eleitor vai acabar tendo que escolher também de acordo com essa polarização nacional.
Felipe Nunes, quero te ouvir agora em relação à questão que mais mobiliza, que mais preocupa os eleitores nos diferentes estados pelos quais a pesquisa passou. E a segurança apareceu em muitos destes eleitores ou em muitas dessas pesquisas com bastante destaque, né?
Então, Cássio, eu te agradeço por trazer esse tema. A Quest faz questão, toda vez que faz pesquisa, de perguntar para os eleitores o que está, de fato, doendo mais, qual é a dor hoje mais grave no eleitorado. E o que chama para a minha atenção, Cássio, é que...
Na Bahia, em São Paulo, no Ceará e no Rio de Janeiro, a violência é o principal tema, é a principal preocupação dos eleitores. Ou seja, os governos desses quatro estados terão que dar respostas concretas sobre isso. Mas tem um tema, Cássia, que está meio adormecido, que está meio de lado.
e que apareceu com muita força, veja você, em Goiás, no Espírito Santo, no Pará, em Pernambuco, em Minas Gerais e no Rio Grande do Tu, a saúde é o principal problema, a principal preocupação dos brasileiros. Ou seja...
Se no nível nacional a gente tem visto que violência e corrupção estão ganhando destaque na cabeça dos brasileiros, na preocupação deles, nos estados, além da violência, a saúde também aparece como um tema.
Isso, claro, gente, é fruto do envelhecimento da população, do fato que a gente está precisando cada vez mais desse serviço e as pessoas sabem que os estados são responsáveis por grande parte desse serviço, ou seja, a gente também vai ter que ter um debate, vai ver os candidatos tendo que debater esse tema, que, como eu disse, é muito importante em vários dos estados do Brasil.
Ainda mesmo nesta semana, nós temos dois assuntos que vão movimentar a política nacional. Um deles, o governo anuncia hoje o programa Desenrola, que é para tratar a questão do endividamento que atinge muitas famílias brasileiras. O outro é da própria escala 6x1, que vai ganhar tração a partir de agora. Esses são temas que impactam a opinião do eleitor, considerando o que vocês já identificaram nas últimas pesquisas?
Milton, nas disputas estaduais, esses temas são secundários. Como eu acabei de explicar para cá, violência e saúde são mais relevantes. No nível nacional, a gente sabe que a economia e os temas financeiros sempre estão ali em primeiro lugar, as pessoas estão atentas a isso. Agora, o que chama a minha atenção é que isso tem mudado ao longo do tempo. Os brasileiros...
estão mais criteriosos e mais críticos em relação aos resultados econômicos. O fato de você ter um PIB crescente, uma inflação controlada, um desemprego baixo, não necessariamente estão garantindo ao governo resultados de popularidade. É só você olhar os resultados dos últimos quatro anos. Os resultados macroeconômicos são bons, mas a população não reage positivamente a esses indicadores. Por quê?
porque tem duas variáveis que estão consumindo o poder de compra dos brasileiros, a qualidade de vida. Um é o endividamento, o segundo é o comportamento em relação aos jogos online, às bets, que estão se tornando cada vez maiores. Na última pesquisa Quest, Milton, a gente detectou que 30% dos brasileiros jogam com frequência.
em relação à posta online, está consumindo um pedaço da renda. E a gente constatou que pelo menos 65% estão endividados no Brasil. Ou seja, quando a gente junta esses dois elementos, isso está dificultando a percepção das pessoas sobre a economia. E, claro, o governo está tentando reagir a isso, trazendo aí esse tema do Desenrola 2. Vamos ver como é que o programa desempenha.
Dado que, Milton, a última tentativa do governo Lula com o imposto de renda até aqui não funcionou. A gente pergunta nas pesquisas da Quest, as pessoas ainda não sentiram algo realmente efetivo. Vamos ver se o Desenrola 2 vai ter esse papel. Sobre a escala 6x1, o que eu estou vendo é um cenário de muito debate, muita disputa política em torno disso. A classe empresarial já está se organizando para fazer, na verdade, argumentações contrárias. Obrigado.
Mas a verdade é que 71% da população é favorável ao fim da escala 6x1. Não necessariamente, Milton, e termino já, porque quer descansar um dia a mais. Tem até gente que defende por isso. Mas a maior parte daqueles que defendem o fim da escala 6x1, defende por outro motivo.
porque acha que esse um dia a mais é uma oportunidade de fazer um bico, fazer um trabalho informal e, com isso, complementar a renda. Eu diria, para fechar, o problema do Brasil nem é tanto a escala, é de renda. O Brasil tem renda muito baixa, salários muito baixos, e é isso que está penalizando a população. Muito obrigado, Felipe Nunes, por nos ajudar a entender o que os números falam e o que as pessoas dizem. Muito obrigado e um bom dia.
E eu que agradeço, Milton Castro, é sempre um prazer falar com vocês. Obrigada. Felipe Nunes é o sócio-fundador da Quest.
Dili
EX5 EMI