Episódios de Política

Governo busca alternativas para conter crise de popularidade

04 de maio de 20268min
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O presidente Lula lançou o Desenrola 2 e defendeu o fim da escala 6x1 no pronunciamento do Dia do Trabalhador, em uma tentativa de reforçar a agenda social e recuperar popularidade, mas, segundo Vera Magalhães, o governo enfrenta uma fase de dificuldades políticas.

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Participantes neste episódio3
C

Cássio

HostJornalista
S

Sérgio Sardenberg

Host
V

Vera Magalhães

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Governo Lula e popularidadeDesenrola 2 · Fim da escala 6x1 · Crise política · Intenções de voto · Indicação de Jorge Messias ao STF · Derrubada do veto da dosimetria
  • Discurso antissistema de LulaDiscurso anti-sistema · Aprovação popular · Apoio congressual
  • Reforma Tributária: ConsumoIsenção para quem ganha até R$ 5 mil · Quebra de expectativa nas pesquisas
  • Impacto do DesenrolaEndividamento · Gatilhos para evitar novas dívidas
Transcrição25 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera.

Oi, Sérgio Demberg, boa tarde para você, para a Cássia, para os ouvintes, também para quem nos assiste. Boa tarde, Vera. Bom, Vera, nosso assunto, o presidente Lula lançou hoje, fez um discurso de lançamento hoje do Desenrola 2, oficialmente o novo Desenrola Brasil, e fez o pronunciamento no 1º de maio, pregando o fim da escala 6x1. No caso, por exemplo, do Desenrola, de fato, há uma necessidade de se fazer...

de se fazer alguma política de apoio aos devedores, que são principalmente as pessoas entre um e três salários mínimos. Mas, de todo modo, todo o projeto, toda a movimentação do governo tem um conteúdo claramente eleitoral.

É, o governo está tentando tudo o que consegue arregimentar e abarcar para sair dessa maré braba que ele se encontra, né, Sardenberg? Uma maré braba de popularidade, a questão das intenções de voto do Lula também, apesar dele liderar no primeiro e no segundo turno, ele já vive uma situação de empate com qualquer um da oposição que chega ao segundo turno contra ele, de acordo com os últimos levantamentos, e na política, aí sim uma situação mais complicada,

cujo ápice foi na semana passada, com duas derrotas em dias consecutivos para assuntos bem importantes, a indicação do Jorge Messias ao Supremo e a derrubada do veto da dosimetria. Então o governo e o Lula, enquanto tentam uma reação ainda muito incerta no campo político, tentam, pelo menos na base do discurso e da narrativa,

reconquistar uma parcela da sociedade, também com êxito ainda muito duvidoso. Por quê? Porque o primeiro desenrola, embora tenha sido efetivo no primeiro momento, ele não conseguiu impedir que as pessoas voltassem a contrair dívidas e as famílias ficassem numa situação muito complicada nesse aspecto do endividamento.

E porque os outros assuntos escolhidos para serem bandeiras eleitorais dependem de novo do Congresso, como é a questão da escala 6x1, e mesmo que passem, a paternidade da ideia vai ser discutida ali, vai ser sujeita a um teste de DNA, porque o governo mandou só na semana retrasada o seu projeto para o Congresso.

E o Congresso já discutia duas propostas de emenda à Constituição a respeito desse assunto, que são de autoria de parlamentares. Então, também essa questão da paternidade muito difusa. O discurso do presidente no 1º de maio trouxe ali um aspecto muito relevante.

O Lula faz um longo discurso, enumera aquilo que ele fez ou está tentando fazer para aqueles mais desassistidos e aí diz que, atenção, o sistema tem impedido que ele tenha êxito no seu governo.

para alguém que é presidente da República pela terceira vez, algo inédito aí na democracia brasileira, já disputou outras tantas eleições, elegeu sua sucessora, falar em sistema e fazer um discurso anti-sistema, a gente nota que realmente tem um certo desespero aí tentando encaixar qualquer discurso para explicar essa maré baixa. Então, me chamou muito a atenção.

o fato do presidente ter recorrido a essa coisa tão manjada como fazer um discurso antissistema, se colocando como alguém que luta contra o sistema, quando na verdade o que ele carece, está carecendo nesse momento, é de aprovação popular e de apoio congressual, que são duas condições básicas da democracia.

Não é que o sistema esteja jogando contra ele, é que em qualquer democracia, um governante pratezo precisa de apoio congressual e apoio eleitoral, apoio das ruas. E nesse momento, as duas coisas estão faltando para o presidente.

E a dificuldade dele recuperar alguns pontos de popularidade decorre do fato de que essas medidas que ele está tomando, primeiro, não são novas. Segundo, tem uma disputa de paternidade. O Congresso está dizendo que vai aprovar a sua versão da escala de trabalho.

Então fica bastante difícil que o Lula suma a paternidade dessas medidas. Enquanto o desenrola, o pessoal acha que não é mais que obrigação.

Exato, tem essa questão de que a pessoa parece que contrai a dívida já esperando o próximo, desenrola, tem uma série de gatilhos que o governo colocou lá para impedir, por exemplo, que a pessoa volte a se endividar com jogos, que me parecem um pouco ali para inglês ver, porque se você quiser burlar é fácil, ele fala que você vai ficar bloqueado por um ano ou dois em todas as plataformas, mas a gente sabe que essas plataformas...

surgem em base quase diária, muitas delas ilegais, muitas delas não controladas pelo governo ou pelo sistema bancário, então me parece um pouco enxugar gelo. E no pronunciamento longo, aliás, de 1º de maio, Lula faz menção a várias outras coisas que ele já implementou.

A questão da reforma do imposto de renda, a questão do gás mais barato, do programa de energia mais barata. E cada uma e todas essas medidas, por mais corretas e meritórias que tenham sido, não foram suficientes.

para devolver a ele a popularidade perdida. Então, me parece que ele está um pouco andando em círculos e realmente sem saber como sair desse momento em que, por mais que a economia vá bem, por mais que alguns índices como o de desemprego sejam bons, ele não consegue ter uma popularidade como já teve no passado, nem chegar competitivo à eleição, como já foi em outros pleitos que ele mesmo disputou.

Em relação a essa questão do imposto de renda, da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, havia uma grande expectativa de ganho de popularidade com essa medida, o que até agora não se refletiu, por exemplo, nas pesquisas, né, Vera? É, houve uma quebra de expectativa muito nítida nas pesquisas, porque até o ano passado, quando você fazia uma pergunta sobre isso nas pesquisas, o índice dos que esperavam se beneficiar e que elogiavam a medida sempre passava da casa dos 70%. Obrigado.

E agora, embora a medida continue sendo conhecida, você consiga medir isso nas pesquisas, quando você pergunta se a pessoa efetivamente se beneficiou, esse índice cai enormemente. Então, é realmente um caso de uma política pública.

que não teve aquele efeito imaginado, pelo menos na percepção das pessoas. Pode até ser que ela venha a ser efetiva em um ou dois anos depois da sua aplicação, mas para efeitos de percepção das pessoas de que a vida delas melhorou graças a uma política do governo Lula, isso não aconteceu, não se realizou, Cássio.

Vera Magalhães, obrigado Vera. Seguimos amanhã aqui no CBN Brasil e logo mais você estará no ponto final com Débora Freitas e Carolina Moran. Obrigado Vera. Obrigada a vocês, um ótimo jornal para vocês. Até mais.

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

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